Violência

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Sérgio Cabral - foto Rafael Andrade / Folhapress

Foi a pergunta que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fez hoje durante um discurso, para justificar a legalização do aborto. Ainda com as luzes dos holofotes sobre sua imagem, devido à aparentemente “bem-sucedida” guerra contra o tráfico (que, apesar de histórica, ainda me causa certo ceticismo, enquanto não estiver incrustada num projeto bem mais amplo, que envolva uma verdadeira mudança de mentalidade social e dure além das Olimpíadas), Cabral voltou a causar polêmica ao falar da situação do aborto.

A última tinha sido em 2007, quando insinuou que a legalização diminuiria a violência no Rio, uma vez que a alta taxa de natalidade das comunidades mais pobres seria, em suas palavras, “uma fábrica de produzir marginais”. Ou seja, aborto legalizado = menos pobres vivos = menos violência (sim, era dele que a Heloísa Helena estava falando no vídeo do post anterior)…

Hoje, a polêmica ficou por conta da forma “casual” com que o político tratou o ato de abortar. “Quem nunca teve que abortar um filho?” equivale, em sua fala, a “quem nunca dirigiu após beber?”, “quem nunca sonegou imposto?” ou “quem nunca surrupiou algo no supermercado?” (ele poderia, talvez, até ter perguntado “quem nunca recebeu um mensalãozinho?” – mas creio que a comparação iria causar certo desconforto com suas alianças….).

O problema, governador, é que não é por que “todo mundo” (ou ao menos um “todo mundo” dentre a sua roda de amigos, porque ao menos aqui onde eu moro isso é bem diferente…) comete determinado ato, que ele deveria ser lícito. A direção irresponsável e a corrupção política, por exemplo, são coisas tidas como “corriqueiras” pra muita gente, até mesmo culturais em certos meios. Mas são dois dos maiores problemas do Brasil. Causas das maiores mortes, e de grande parte da nossa miséria, do nosso sofrimento. Será que deveríamos legalizar a bebida ao volante? E a corrupção??

Governador, gostaria sinceramente que conhecesse o trabalho de pessoas como essa mulher, chamada Dóris Hipólito. Há vários trabalhos como esses aí no seu Estado, sabia? Eles enfrentam grandiosos sacrifícios em lugares onde políticos como o senhor só costumam pisar se puderem receber votos em troca, como a Baixada Fluminense, para tentar dar uma solução diferente para o que o senhor acha casual. Tentam resgatar a vida de pessoas que, por algum motivo (como o senhor mesmo falou, geralmente em meio a desespero), pensam em recorrer ao aborto. Eles não acham que os pobres devem ter o mesmo “direito” dos ricos de tirar a vida de seus filhos, até porque sabem que os pobres, geralmente, não pensam assim. Pobre, com toda a dificuldade do mundo, quer ter o filho. E é dever do Estado lhe dar uma vida digna. Não matá-lo, como num “BOPE pré-natal”...

Ouça este recado que ela mandou para o senhor, governador. E reflita.

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Luther King

“O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor.”

Martin Luther King Junior

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