utopia

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Está no ar o segundo número oficial do VIDA LOUCA CAST, o Podcast do Vivo Pela Vida.

Neste episódio (continuação deste aqui): Gabriel ResgalaLuis Nascimento e Pedro Júnior continuam conversando sobre o assunto “que não se discute“: RELIGIÃO!

liberdade

Descubra o segredos dos banheiros da UFJF, o que é laicidaderelativismo e veja se você também consegue fazer o impossível.

Nossos integrantes ainda batem um papo sobre as doutrinas que se dizem mais católicas que o catolicismo, sobre a engenharia cristã, ecumenismo, utopia e diálogo religioso.

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Escute aqui!

 

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Duração: 50 min.  – Tamanho: 35 MB

Se não escutou, não deixe de escutar o nosso primeiro episódio! Pedimos desculpas pela demora em lançar este segundo episódio, mas temos certeza que vocês nos perdoarão… hehehe.

Escutem e comentem!

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sao_joao

O Gabriel fala que eu gosto do lado mais poético do site… É verdade

Estive um pouco sumido, afinal, esses dias foram cheios de emoções, mudei de cidade, casa nova e mais o início de um mestrado

No post de hoje, gostaria de falar sobre um dos meus poetas favoritos. Mário Quintana.

Talvez o que mais me toque em sua poesia seja o fato de que ela nos convoca a mexer, a cavucar na vida. Como assim? Na minha opinião, não há quem consiga ficar estático ao ler um “pequeno” poema como esse:

quintana

“Quem disse que eu me mudei?

Não importa que a
tenham demolido:
A gente continua morando
na velha casa em que nasceu”

Mário Quintana


Esse nosso ser/espaço que muitas vezes chamamos de vida, e às vezes abandonamos como uma velha casa da infância… Pode até ruir, mas sempre está lá.

Outra vezes Quintana convoca a pensar nos meus egoísmos e minhas dores.  Pequenas, mas que por serem minhas, agarro e só solto a muito custo. E mexer nisso, não é caminhar na vida?

“Dos nossos males

A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…”

Mário Quintana


A palavra “Utopia” não quer dizer algo impossível, como pensam alguns. Utopia significa “sem lugar”, aquilo que não tem lugar. Não tem lugar na grande mídia, não tem lugar em uma sociedade exploradora, não tem lugar em um mundo em que a vida do ser humano é contabilizada em royalties.

Se você acha que a vida é para ser vivida, que ela não se trata de um comércio que dita quem é in e quem é out, seja bem vindo(a) à nossa utopia.  E juntos buscaremos construir um lugar em que a vida aconteça.  Acredite na vida, pois a vida acontece!

estrelas“Das utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!”

Mário Quintana

Como diria Pe. Zezinho em uma de suas canções:
Chamem a isso de utopia, eu a isso chamo paz

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Criança com chapéu

Outro dia fui numa peixada com meus pais. Nada demais, uma reunião de amigos que jogam bola juntos – tilápia frita, arroz e pirão. Hum… mas tava bom, viu!…

Conversa vai, conversa vem… Lá pelas tantas, o papo caiu nas boas lembranças de passados simples, mas felizes. Me lembrei que uma das melhores épocas da minha infância foi justamente no ano em que moramos na pior casa de todas. Eu tinha 4 anos, foi quando chegamos (eu, meus pais e meu irmão) em Carangola.  A coisa não era fácil, meu pai só dormia em casa de 15 em 15 dias, ele trabalhava em outra cidade pra conseguirmos pagar o aluguel – e dava uma saudade doída dele… Era uma casinha velha caindo aos pedaços, no fim de uma rua sem saída que dava pra uma trilha no meio do matagal. Atrás tinha um pequeno barranco, ao lado um terreno abandonado, do outro lado um córrego bem sujinho. Ou seja, barata era bicho pequeno pra aparecer por lá… não me lembro bem dos ratos, mas não me esqueço do meu pai matando as aranhas caranguejeiras. Dava medo!

Além disso, a casa não tinha forro embaixo do telhado, que por sua vez não tinha uma telha nova. Ou seja, impossível ficar livre das goteiras. Quando não era goteira, era cupim: aquele pozinho de madeira caindo do teto bem em cima da gente… Um dia meu irmão amanheceu encharcado, minha mãe pensou que tinha feito xixi na cama, mas era goteira…

Mas era o máximo. Brincar na rua à vontade, às vezes no terreno baldio; fazer “arte” com o barro do quintal, pique-pega nos corredores ao redor da casa. Ajudar o pai a pegar adubo no pasto lá atrás, pra por na hortinha que ele fez do lado da varanda dos fundos. Pegar goiaba direto do pé que cresceu no quintal. Se vislumbrar com a aventura que era cada vez que chovia: os móveis da casa arredados, panelas pra todo lado, aquele ping-ping chatinho…

Eu era tão feliz que minha pele nunca era completamente branca: estava sempre cheia de manchas e manchas de mercúrio-chromo, tudo vermelho. Um dia eu disse a uma amiguinha, vizinha de frente: “Graças a Deus, hoje eu só tenho um machucado, nesse joelho aqui!” E ela: “Graças a Deus, hoje eu não tenho nenhum machucado!”. Não acreditei: “Nenhum?” E ela confirmou: “Nenhum!” Achei fantástico aquilo, não sabia se seria capaz de algum dia atingir tal meta. Até que um dia, distraído na sala, analisei meu corpo e percebi que as últimas façanhas já tinham cicatrizado. Não acreditei, soltei um grito e fui correndo (literalmente) contar a novidade à vizinha – algo realmente perigoso numa casinha pequena, com os móveis apertados entre os cômodos. Fiquei na quina da mesa da cozinha. Uma pancada daquelas, bem no ombro. Não me esqueço: aquela foi a primeira vez que meu pai passou arnica – natural, embebida a álcool – num machucado meu, quando estava difícil dormir de tanto que o troço tava doendo à noite. Se fosse hoje em dia, provavelmente os vizinhos teriam chamado o Conselho Tutelar ao acordarem de noite com aquela potência sonora que só as cordas vocais da primeira infância conseguem atingir: “Aiiiiiii paaaaaaaaiiiii!!!”. Aquela doeu.

No Natal montamos um presepiozinho antigo, que fora da minha bisavó (e que montamos até hoje, aqui em casa). Meu pai colocou um abajur em cima pra iluminar, e brincou: “Abre e fecha o olho, pra parecer pisca-pisca!” Dormi cedo, acordei no começo da madrugada, os adultos ainda acordados: “Papai Noel já passou??” E a minha mãe com aquele sorriso: “Já sim!!” Naquele Natal eu não havia pedido nada específico, mas ganhei um monte de coisa: carrinho, um joguinho qualquer, bolinha perereca-voadora (daquelas de borracha que você joga na parede e ela volta com a mesma força, seja qual for o infeliz objeto ou pessoa que estiver em frente), e sei lá mais o quê… Tive que segurar os gritos de alegria, pra não acordar meus primos que dormiam na sala. No outro dia meu pai me explicou que Papai Noel não existia. Estranhei aquela história toda: quer dizer então que os pais do mundo inteiro conseguiam enganar os filhos todo Natal? Difícil de acreditar… Mas tudo bem. O próximo Natal não seria menos feliz.

Eu tinha apenas 4 anos, mas sou capaz de passar o dia relembrando histórias daquela época, com direito a detalhes novos, que não me lembrava há muito tempo. E olha que foi apenas um ano vivendo lá. Já mudamos de endereço inúmeras vezes, mas aquela foi a única vez em que chorei. Chorei de verdade, com o coração realmente apertado. Mesmo sabendo que iríamos para uma casa muito melhor…

Ás vezes preciso me lembrar dessa época. Me lembrar, sobretudo, de tanta gente que passa muito mais aperto do que nós já passamos, e estranhamente conseguem ser até mais felizes. Hoje eu vejo o quanto era sofrido morar lá, e o quanto seria cada vez mais difícil continuarmos. Mas, naquela época, eu só enxergava o que era o mais importante, o essencial. Não é função das crianças olhar o futuro ou resolver os problemas – para isto o mundo está cheio de adultos. Elas servem para nos lembrar da existência do céu

Ouvindo Pe Zezinho e Silvio Brito: “Faltava tudo, mas a gente nem ligava”…

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