Há quem diga que o artista não é importante, mas sim a sua arte. Não concordo totalmente, acho que determinadas obras ganham mais sentido quando se conhece a história do autor e o contexto em que ele a produziu… Mas também acho que, quando se supervaloriza a importância do autor, muitas vezes esquece-se do essencial, do mergulho na arte com os sentidos livres – de preconceitos e análises excessivas…
Foi pensando nisso que resolvi ir um pouco além em relação à frase do “Pensamento do Dia” de ontem, para tentar ressaltar o que é realmente “importante” nela. Apresento-vos, então, a canção que me fez conhecê-la, num emocionante vídeo editado por alguém identificado como “rafafrugerio”. Para que possamos mergulhar na mensagem. Pois, ora pois, é de sensibilidade que vive a arte…
Que estas imagens possam, então, marcar nossos corações, e estes versos possam ecoar emnossa mente neste ano que se inicia…
“Amanhã será melhor, temos que acreditar!”
Rosa de Saron – Velhos Outonos Composição: Guilherme de Sá
Vai ficar ou vai correr?
Vai salvar ou esquecer?
Eu só quero que me ame até o pôr do sol…
Os dias passam, passam as horas
Tocando temas com um piano desafinado
Mais ou menos errado, mais ou menos parado Sem sentido, um pouco ignorado
Gritos ecoam, selam memórias, marcam
Deus ainda chora, sempre rimos e o mundo esquece
O tempo da última prece
E ninguém aquece, ninguém acontece
Você sente na pele
Os dias estão frios, as noites estão quentes
Caminham num labirinto de vento
Vestindo pouco a pouco o esquecimento
Somos o que fazemos para mudar o que fomos Mas se nada somos, virão apenas velhos outonos
Uma lágrima no chão reagiu minha lentidão
Tocou meu coração, fiz o que precisava
Ele chorava e eu perguntava
É comida? É uma casa?
Mal a noite caia, ele dizia:
“Se quiser fazer algo por mim
Faça um verso sereno
E que ele me leve
Não somente até o céu, mas perto das estrelas”
Somos o que fazemos para mudar o que fomos…
Take care about tomorrow
You need someone to follow
Yeah, there’s a happy end
Even at the end
I can trust you, I can see
I can try, I can feel it
Cause tomorrow will be better
We must believe it
Hoje temos o prazer de lhes apresentar nosso primeiro PODCAST! Isso mesmo podcast!
Se você não sabe o que é podcast, não se preocupe, você é normal. Podcast é mais uma das formas de comunicação que a internet possibilitou ao mundo.
Lembra de longe um programa de rádio, só que neste caso foi produzido pelo Vivo Pela Vida, que você pode baixar e escutar no Computador, Ipod, Carro, Mp3, Mp4, Mp999, etc. De quebra ainda leva uma trilha sonora de ótima qualidade!
Pensando no nosso modo de ver a vida, e na dose homeopática de loucura que experimentamos diariamente, batizamos nosso podcast de VidaLoucaCast (apesar de não temos relações com o grupo Racionais MCs). Esperamos que gostem.
Neste primeiro episódio, descubram como é que surgiu o Vivo Pela Vida, qual é a proposta do site, por que o Gabriel é o mineiro reclamão, o Pedro o maranhense sensato e o Luis o paulista bobo da trupe. E mais: porque não gostávamos de ver Xuxa (exceto pela Caverna do Dragão e Paquitas), o que fomos fazer nos desertos escaldantes de Muriaé, a campanha da fraternização, e finalmente porque somos o blog brasileiro que mais apóia o Pe. Fábio de Melo. Escute e Descubra!
E não esqueça de comentar, falando o que você gostou, o que não gostou, pedindo músicas, etc…
(Essa foi nossa primeira experiência em podcasts, então pedimos desculpas caso não agrademos com a edição. Novas edições virão e a qualidade vai melhorar… Lembrem-se: A arca de Noé foi construída por amadores, o Titanic por profissionais… ) Um grande beijo para nossas fãs,
independente da formação das mesmas…
É madrugada. Sozinho no terraço de casa, silêncio, chuva fina. Mais alto que os fios, mais baixo que as árvores. Lá embaixo o barulho da pequena fonte da praça, a rua molhada, o gramado orvalhado.Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem. Lá em cima aquele céu vermelho de quando a cidade não deixa a escuridão entrar. Lá na frente o morro, a mata, as luzes. Lá atrás os vizinhos, as casas, as camas… Tanta gente ao redor, tantas vidas, tantos sonhos.
_ “O medo de altura não é o medo de cair; é o medo de saber que nada te impede de se jogar lá de cima”, dizia alguém…
Boto o pé no parapeito. É bom se apoiar, ficar mais próximo da pequena imensidão da vista do terceiro andar. Ver melhor tudo o que me circunda, lembrar que sou pouco.
_ “Do alto da pedra eu busco impulso pra saltar”, dizia uma música que não me saía da cabeça…
Todo aquele que procura uma verdade acaba, mais cedo ou mais tarde, descobrindo a primeira delas: a vida é mais forte que nós. Somos sempre fracos demais para encará-la. Não há relativismo que ignore isto, não há ego que suporte saber aquilo que tanto tenta esconder: a vida vence sempre. Nem que seja na hora da morte – eis, pois, seu triunfo maior! A morte é a vitória da vida: só morre quem está vivo. Não há como lutar contra o mais inevitável de todos os destinos. Ninguém tem esse poder.
E quanto mais se escancara essa verdade, quanto mais descobrimos nossa miséria e nossa inevitável derrota – na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza – mais nos sentimos desnudos, desarmados, acuados. Que posso eu diante de um tsunami, um raio ou um carro desgovernado? Quem sou eu para que a crise da bolsa não me atinja? Que é a ONU frente ao terrorismo suicida? Os direitos humanos frente à “lógica do mercado”?…
Que é o coração diante de uma louca paixão?
A mente diante do desejo?
A mãe diante do filho enfermo?
O diploma diante do desemprego?
Sim, até há como negar. Há como fingir, há como ofuscar. Há quem passe a vida num castelo de areia, faz-se rei. Mas a verdade – a Verdade! – é que o mar está lá. Hoje só ouço as ondas, mas um dia elas me alcançarão…
É preciso encarar o alto da pedra.
Da pedra se vê a imensidão do oceano, a batida das ondas, a vastidão do horizonte. Pisando na pedra vejo o quanto a vida é grande diante de minhas minhas idéias tortas. O quanto sou fraco e ela é forte. O quanto não tenho chance alguma.
É preciso pular.
Do alto da pedra vê-se outras pedras lá embaixo, onde posso cair. Mas também vê-se o mar.
Há como lutar e há como fugir. Há como pular. Há como sentir o vento a indicar o caminho. O vento sopra onde quer, não se sabe pra onde vai. Mas há como segui-lo…
Cair no mar. Ser um pedaço do oceano, nadar no infinito, consubstanciar-se naquilo tudo. Viver é escolher onde pular: pedra ou mar. Fugir da vida ou mergulhar nela.
É bom apoiar o pé no parapeito, aqui em cima. Curtir a paisagem. Não ter medo de altura.
Vivo de pequenos pulos… Um dia ainda dou um grande. Basta aprender que as asas do ser humano quem faz é o próprio vento…
Há alguns anos, estava eu no carro de uma amiga, quando reparo uma música romântica tocando no CD-player. Apenas uma canção de amor… “É Ana Carolina?” Perguntei. “Não, é Rosa de Saron. É católico!” Só então me toquei que quem estava cantando era um homem, e não a famosa cantora de voz grave. Sempre admirei a voz da Ana Carolina, não só pelo timbre e pelos efeitos que ela faz, mas sobretudo pela energia que passa quando canta. Às vezes me ocorria como seria se ela ou outros grandes artistas usassem o seu talento para passar uma mensagem legal, que coadunasse com o que eu acredito. Não que não existam boas mensagens na música de hoje, há até muita gente sincera por aí, que canta o que acredita, mas sentia falta de algo mais profundo, que além de uma boa música conseguisse passar uma coisa bem cara nos dias de hoje: esperança. Uma boa mensagem numa bela voz, mas que fosse acessível a todos, não ficasse só restrito a algumas “alas” como Milton, por exemplo . Profundo, bonito e popular. Por que não?
Pois, enquanto ouvia aquelas músicas no carro da minha amiga, senti de cara que estava diante de algo diferente. Um rock bem feito, com uma voz que passava uma emoção sincera. Não ouvi muito, mas foi o suficiente para um mês depois, num encontro em Maringá, dar um tiro no escuro (no crepúsculo, talvez) e comprar um CD com um menininho triste e azul na capa. “Depois do Inverno” era o nome, e nem a arte nem as letras – e nem mesmo a sonoridade – lembravam qualquer coisa “de Igreja” que eu já tivesse ouvido. Estava eu justamente numa fase bem rockeira, mas buscando algo mais nas músicas que ouvia. E a voz daquele garoto, embora à primeira vista pudesse lembrar outras conhecidas do meio musical, era diferente. Não vinha simplesmente da garganta, tinha algo mais profundo ali. Vinha realmente dopeito.
Virei fã, e contagiei muitos à minha volta, que após o estranhamento inicial (“Rosas de Sharon”? O que é isso?) logo passaram a admirar e se envolver também com aquelas músicas que não falavam só de améns e aleluias, mas de dualismos e sorrisos em meio a lágrimas…
Depois fui em alguns shows, e de forma gradual acompanhei o crescimento deles, o conhecimento, o reconhecimento – e o inevitável “histerecimento” de parte do público. No começo de 2006, num festival em BH, vi Rogério, o baixista, ser quase esmagado por uma legião de adolescentes em busca de sua assinatura num CD ou num papelzinho qualquer. Fiquei pasmo com a imagem. O segurança demorou uns 15 minutos para conseguir chegar onde ele estava e tirá-lo de lá, correndo. “Imagina se fosse o Guilherme, o vocalista?”, pensei. Naquela época ele já era motivo de berros tresloucados das meninas toda vez que subia ao palco, e mesmo assim todos eles faziam questão absoluta de estarem sempre disponíveis ao público depois dos shows, ter contato o mais próximo possível. Aquilo sempre me chamou muito a atenção.
Por um período não fui um “fã” assim tão afoito, embora continuasse acompanhando e admirando o trabalho tanto quanto antes. A forma como falavam da vida, da eterna procura por Deus, aquele jeito missionário e simples de ser “artista”, chamavam mais atenção que o rock em si. Pois, em junho de 2008, estava passando por um momento complicado, término de namoro, desapontamentos com meus trabalhos na Igreja, mil inquietações quanto à carreira, ao futuro… O aguardado DVD “Acústico e ao Vivo” do Rosa acabara de ser lançado; um dia então saí do mestrado e fui decidido procurá-lo nas ruas da cidade; achei-o quase na hora da loja fechar. Tinha acabado de chegar, estava me esperando ainda dentro da caixa, ninguém ainda havia comprado naquela loja. Talvez na cidade inteira. Cheguei em casa afoito, apaguei a luz e assisti tudo de um fôlego só, sentado em almofadas no chão do quarto com o notebook no colo, o som na maior altura a me envolver. Me senti novamente um adolescente, emocionando-me com o cenário, com as filmagens, com cada música. Era uma verdadeira obra de arte, o melhor acústico que já tinha visto desde que descobri o gênero, com aquele CD sensacional dos Titãs em 1997… Mas o que mais me tocou no DVD do Rosa foi ver o depoimento da banda, contando da trajetória para chegar ali, a luta que foi conseguir realizar aquilo tudo. Me veio à mente tanta coisa, tanto trabalho, tantas pequenas “missões” que já encarei na vida, no fundo tão parecidas com aquela obra maravilhosa que eles tinham conseguido realizar, de forma tão inédita na música católica e talvez brasileira… Pouco tempo depois, ao ler, também de um só fôlego, o livro que conta a história da banda, pude constatar mais detalhes desse longo caminho que, na verdade, teve início há 20 anos atrás com a fundação do grupo, ainda algo inocente feito para tocar em grupos de oração. Com certeza naquela época eles já tinham um diferencial, talvez resumido na letra de “Chance”: “não deixe nunca de acreditar”…
Aquilo foi uma sacudida pra mim, um empurrão pra frente, uma alavancada pra enfrentar aquilo tudo que estava passando. A música do Rosa estava presente em minha vida, vivia pensando que o trabalho deles era feito para ser conhecido por todosos cantos, como qualquer outro artista de qualidade que faz sucesso por aí. Um dia, ao chegar cansado em casa, botei o DVD pra tocar enquanto constatava, triste, que já fazia tempo que ele tinha sido lançado, e por mais que tivesse alcançado muita gente, ainda não tinha extrapolado os muros da Igreja. Imaginava que o DVD era a grande chance, o tudo-ou-nada, a hora exata de tentar tal façanha. Minimizei a tela do show e, por um acaso, entrei no site da banda, coisa que não fazia há algum tempo. Tinham acabado de publicar a última notícia: Contrato fechado com a Som Livre. Sim, orações dão resultado… Outra boa alavancada.
Após o estado de êxtase inicial, minha euforia foi só crescendo, imaginando um futuro de glória para a banda. Cheguei a me preocupar com a demora pra passarem o comercial na TV aberta, com a falta freqüente do DVD nas prateleiras das lojas (enquanto nunca faltava nos camelôs). Mas bastou um pouco mais de divulgação para a banda ser a mais buscada nos sites de cifras da internet, algumas músicas começarem a bombar nas rádios e o DVD entrar na lista dos mais vendidos do país. Tudo indica que é questão de tempo para eles se tornarem plenamente conhecidos por todo mundo, ninguém mais perguntar “Quem??” quando você falar em Rosa de Saron. O sucesso chegou.
E, com ele, as dificuldades. Menos tempo para conversar com os fãs, para curtir as viagens, para dormir entre um show e outro. Toda situação nova gera stress, e alguns fazem questão de aumentá-lo com cobranças e xiliques, saudosos dos tempos em que sempre conseguiam ficar mais perto dos “ídolos”. Num show que fui há algumas semanas, uma senhorinha de igreja resmungava na volta, dentro do ônibus: “triste é a gente viajar de longe pra chegar aqui, pagar o ingresso, comprar o CD, e não conseguir autografar o CD!” Gente reclamando da lotação, que não conseguiam chegar perto do palco – sendo que, a meu ver, estava até bem tranqüilo para um show cheio de adolescentes, com 4 mil pessoas num local fechado…
Talvez não tenham percebido a beleza que foi ver tantos e tantos jovens, de todos os tipos – desde aqueles que não tiram o terço do pulso até as que dançam “até o chão” com o trance que tava tocando antes, passando por aqueles que só entram no show após a segunda lata de cerveja – todos mergulhados nas canções, e vibrando de verdade a cada vez que eles falavam de paz, de Deus – coisas que todos, no fundo, pareciam buscar. Neste mês fazem exatos cinco anos que, no carro de minha amiga, ouvi pela primeira vez aquele forte verso:“não quero minha vida igual a tudo que se vê”. E pode parecer ingênuo, mas ao ver num show que fui ontem, aquele povo tão heterogêneo levantando as mãos e cantando com toda força essa mesma frase que tanto me marcou naquela época, me senti em meio a uma pequena revolução – ainda embrionária, talvez… mas bem real.
A música leva a reflexão ao fundo da alma, aonde a razão pura nem sempre consegue chegar. Poesia serve para gritar coisas que às vezes não conseguimos expressar com a devida lógica, mas que são reais, estão lá dentro. É isso o que fazem os grandes poetas. Pois imaginem se o Renato Russo, ao invés de se entregar à depressão e ao alcoolismo ao descobrir que estava com AIDS, depois de lançar o disco “As Quatro Estações”, tivesse conseguido se aprofundar ainda mais na mensagem traçada ali. Legião Urbana foi uma banda que fez uma geração inteira cantar “você me diz que seus pais não te entendem, mas você não entende seus pais”, em plena era de revolta dos anos 80. O grito de “é preciso amar como se não houvesse amanhã” está sob a pele de cada um, ecoa por toda parte, inclusive no DVD do Rosa. Desta vez, no entanto, o rock não serve somente para espantar os males de quem canta, dar um alívio enquanto a vida lá fora continua sufocando, como sufocou Renato. Ele traz a própria vida em si. Com suas cruzes, angústias e invernos, seus jogos de espelho e momentos de rara calma. Mas sempre olhando de frente.
Por esses dias aconteceu uma coisa engraçada. Após algum tempo sem conferir algumas estatísticas mais detalhadas do site, me deparei com o número de visitantes do site: um pouco maior que 10.000.
Graças a Deus, em quatro meses e alguns dias de história já conseguimos esta marca. Fico muito feliz com o número expressivo, mas o que me deixa mais feliz é ver que, aos poucos, vamos tomando forma, conteúdo e um estilo próprio de falar sobre a vida.
Neste sábado (amanhã) vamos fazer nossa primeira Excursão Pela Vida! Nossa equipe irá até Muriaé-MG, onde além de poder assistir ao maravilhoso show do Rosa de Saron, ganhamos um presente da organização do evento.
Os organizadores nos cederam alguns minutos antes do show para que pudéssemos falar sobre a Vida e questões relativas ao que já tratamos aqui no site (aborto, doaçãodesangue, educação para a paz, esperança, etc…).
Agradecemos a todos os leitores deste site, aos nossos amigos, colaboradores, intercessores e conselheiros…
Torçam por nossa viagem, e por cada pessoa que tenta fazer com que a mensagem da Vida seja levada a todos os cantos…
E “vamo que vamo” que o som não pode parar. … como dizia o poeta: Ao infinito e além!
Citar o Pe. Zezinho no último “Pensamento do Dia” me fez ficar pensando um pouco nele… Verdadeira lenda vida da comunicação cristã, ou melhor, da música popular brasileira (quem mais teria ganho 25 discos de ouro, um de platina e um de diamantesem nunca ter aderido à grande mídia?) e mundial (é tido como “o padre cantor mais conhecido do mundo”), o cara é do raro tipo que consegue ser respeitado por todas as “alas” da Igreja Católica (e fora dela também) – com excessão, é claro, daqueles que não respeitam ninguém… E, apesar de tantos superlativos, é daquelas pessoas com quem vale a pena bater um bom papo, quem sabe tomar uma cervejinha (ou um vinhozinho, o que é mais provável…).
Pois ontem acordei lembrando, não sei por que, de uma musiquinha dele que ouvi apenas uma vez, há muito tempo, mas que ficou gravada na memória… Com as graças da Internet, achei-a. É de 1998, se chama “Canção ao Deus Cantor”:
Canção ao Deus cantor
(Pe Zezinho, scj)
Eu acredito
Que Deus existe e fez o mundo e tem amor
Eu acredito
Que o céu existe e lá no céu se canta e dança
Eu acredito
Que Deus faz versos e canções que os anjos cantam lá no céu.
Se Deus existe, ele é amor,
Se Deus existe, ele é cantor.
Eu acredito
Em fazer versos e poemas e canções.
Eu acredito
Em quem se senta a uma varanda e canta e canta.
Eu acredito
Que Deus faz versos e canções que anjos cantam lá no céu.
Por isso quando é nuvem negra eu canto paz
Por isso quando é céu azul eu canto mais
E quando escuto o mar cantar me chamar
Eu canto com o mar.
O universo é uma canção…
Por isso eu sei que Deus existe… e é cantor!
Uma canção simples, mas que pela credibilidade do autor tem certo “peso teológico”.“Se Deus existe, ele é cantor”. É o que ele acredita, e por vezes me pego pensando nisso também. Fala a verdade: a música é algo muito louco para ser simplesmente uma invenção humana. A mais universal das artes, o jeito mais globalizado de fazer desabrochar uma emoção, seja ela qual for. Acho que não tem forma melhor de pensar no conceito de “alma” do que imaginar alguém totalmente mergulhado, absorto, ao interpretar ou escutar uma música qualquer…
Pois essa musiquinha do Pe. Zezinho me remete a outra, de um doido manso lá do Maranhão,que atende pelo nome de Zeca Baleiro.
Heavy Metal Do Senhor
Zeca Baleiro
O cara mais underground que eu conheço é o diabo
Que no inferno toca cover das canções celestiais
Com sua banda formada só por anjos decaídos
A platéia pega fogo quando rolam os festivais…
Enquanto isso Deus brinca de gangorra no playground
No céu com santos que já foram homens de pecado
De repente os santos falam “Toca, Deus, um som maneiro!”
E Deus fala “Agüenta, vai rolar um som pesado!”
A banda cover do diabo acho que já tá por fora
O mercado tá de olho é no som que Deus criou
Com trombetas distorcidas e harpas envenenadas
O mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do Senhor…
Do Senhor! Do Senhor!
Deus fazendo Heavy Metal, e o diabo copiando. Estranho? Bem, Rogério Feltrin, fundador do primeiro grupo de heavy-metal católico de que se tem notícia, o Rosa de Saron, escreveu no livro de memórias dos 20 anos da banda sobre a suposta “origem demoníaca do rock”:
“‘A arte é uma forma de expressão propriamente humana, nascendo de um talento dado pelo Criador e do esforço do próprio homem’ (Catecismo da Igreja Católica, nº 2501).” Ou seja, “o demônio nada cria, no máximo destrói”.
E ora vejam: este livro, chamado “Rock, Fé e Poesia“, tem o prefácio de ninguém mais, ninguém menos que ele – o Pe. Zezinho, que, apesar de não fazer mais músicas “antenadas” com o mundo jovem já há algum tempo, afirma sua admiração por um rock’n roll bem feito: “Chego a imaginar uma ópera-rock baseada no Dives in Misericórdia. João Paulo II bem que o merecia! Ele viu valor nesse gênero de música”.
Ok, ok… Mas daí a imaginar Pe. Zezinho cantando “Heavy Metal do Senhor” seria demais, não é?
Não é?…
Pois…
Eis que, no longíquo ano de 2005, num congresso em São Paulo, eu recebo um folhetinho com programações culturiais da cidade e, ao folhear, me deparo com uma foto do bom e velho padre com a seguinte legenda: “A série ‘Encontros Improváveis’ reúne Pe. Zezinho e o cantor e compositor Zeca Baleiro no palco do CCBB”.
Sim. Esses dois já dividiram o mesmo palco. Cantando, contando casos e jogando conversa fora. Era um projeto que reunía as parcerias mais inusitadas, como Falcão & Zé do Caixão, Zé Rodrix & João Gordo, Lucinha Lins & Elke Maravilha… Mas, buscando pelo Google, o único comentário que achei sobre o encontro entre Baleiro & Zezinho foi que o Zeca, assim como o idealizador do projeto, “foi muito influenciado na infância” pela música do Pe. Zezinho, fato que justificou a escolha da dupla.
O que aconteceu naquele palco? Como não pude ir, só me resta alimentar a curiosidade mórbida. Se você, caro leitor, por um acaso qualquer, assistiu a esse encontro improvável, por favor atenda nossa súplica: descreva-nos como foi o Heavy Metal do Senhor. Sim, porque essa não pode ter ficado de fora do repertório. Nem que tenha sido numa versão mais light… Aliás, light? Não, obrigado. Assim como o Zeca, eu destesto Coca – e música – light. Seja música sacra, heavy metal ou bossa nova banquinho-e-violão, tem que vir de dentro.
Padre Fábio de Melo. Não se fala em outra coisa. Só neste final de semana, já foi um especial “Homenagem ao artista” no Raul Gil, a reprise de uma pregação na Canção Nova, uma reportagem especial no Jornal do SBT, e sabe-se lá quantas outras coisas…
A mídia em torno do padre se torna cada vez maior. E não somente em torno dele, a cada dia vemos a mídia de massas ressaltar um certo número de artistas religiosos que buscam diminuir a distância entre o sagrado e o “profano“.
A Somlivre já se rendeu à qualidade musical e ao número de vendas de vários artistas católicos: Pe. Fábio de Melo, Rosa de Saron, Adriana. E muitos outros virão.
No Vagalume, Kaboing, Terra Letras, e em vários outros sites de letras e cifras da internet, a banda Rosa de Saron está no TOP artistas e músicas…
A que se deve isto?
Quando esta pergunta é feita a qualquer um destes novos artistas a resposta é, muitas vezes, simples e humilde: Só estou fazendo uma parte do trabalho… Só estamos colocando em prática aquilo que Deus nos confiou… Sou só mais um trabalhador na messe…
Isto é fato, e como diria um antigo professor meu: Contra fatos não há argumentos…
Mas outro fato é que, cada dia mais, a sociedade vai abolindo antigos preconceitos e mescla de forma muito bonita o “sagrado” e o “profano“.
Pode padre bonito? Pode rock cristão? O secular não é “pecado”? Podemos ver a religião de outra forma? Podemos ver a vida de outra forma?
Sim, podemos… É fato e contra fatos, não há argumentos…
Além de todo fenômeno midiatico, é importante olhar mais longe. Essa vida que passa rápido demais para que fiquemos presos em preconceito, timidez ou medo…
Um agradecimento pessoal a todos aqueles que fazem da vida, do sagrado e do profano, uma mistura mais gostosa…
Era um jovem de mais ou menos 18 anos que só tinha vontade de uma coisa: morrer. As coisas simples como sorrir, abraçar um amigo, olhar nos olhos, bater um papo, sonhar, não faziam parte da sua pessoalidade. Sorria somente com a desgraça dos outros; abraçava para tirar proveito; olhos nos olhos, jamais; trocar uma idéia com alguém era risco de perder sua moral. Sonhar? Preferia ficar acordado, bem acordado.
Um viciado sabe que para permanecer vivo tem que se vestir de uma armadura pesada todos os dias. No mundo do tráfico é ainda pior. A sensação é que até a sua respiração é vigiada, principalmente se está sob o efeito das drogas. Para ele cada despertar era um convite à guerra, onde o campo de batalha era sua mente. “Não existe paz interior, o desespero é constante, não pára!”, reclamou ele um dia. A armadura pesada servia para esconder o homem frágil que se refugiava ali dentro e o efeito das drogas servia para amenizar a angústia que nunca ia embora.
Ele conta que dos 13 aos 17 anos usava maconha para abrir a cabeça, viajar, rir do nada. A cocaína trazia a sensação de bem estar, de “tudo posso”, de poder. Sensações bem diferentes das que sentia depois, aos 18 anos. Neste tempo dizia que sua “onda” durava uns 5 a 10 minutos e que depois disso o medo o invadia subitamente. Para recuperar aquele tempo ínfimo de prazer, dava outra “bola” ou outro “teco” e assim repetidamente. Emagreceu 9 quilos: de 68 foi para 59. A cada dia sua fisionomia era deprimente.
Certo dia recebeu um convite para um encontro. Meio ressabiado ele foi e nunca mais voltou. Não, aquele jovem sem esperança nunca mais voltou! O que eu vi voltar foi uma criatura nova. Nesse encontro sentira algo parecido com saudade, um sentimento nunca vivido anteriormente, uma paz e um amor muito além de sua força e compreensão. As tentativas de suicídio, o desespero, a depressão, por um instante desapareceram… Parecia mágica! Deu um abraço e um beijo na sua mãe assim que chegou em casa. Um abraço gostoso de perdão que fez rolar aquelas lágrimas quentes sobre o rosto dos dois, fazendo renascer a esperança numa família destruída pelas drogas.
A partir daquele dia iniciou uma luta pela vida. As armaduras agora eram outras e o homem ali presente passou a ser grande em dignidade, porém, condicionado à força maior que é Deus. A decisão de ser limpo era do rapaz, não havia mágica (aliás, nunca houve). Houve, sim, um “encontro com um acontecimento, com uma pessoa que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” *.
Foi um resgate de vida, em que, no início, Deus fez 99% e o jovem, dizendo seu sim, fez seu 1%. Só que depois, a cada dia, as coisas iriam se igualando: 98% para Deus e 2% para o jovem; 97% para Deus e 3% para o jovem e assim progressivamente até um dia ficar 50 a 50. Acredito nessa pedagogia da vida humana em Deus. Ele não quer marionetes em suas mãos. Deus não controla a vida de ninguém e nem resolve os problemas de ninguém – apesar dele ter suas surpresas. Mas creio que Deus concede a força, a paz interior, o impulso, as pistas, as inspirações e em contrapartida a colaboração do homem traz o pleno conhecimento de “ser pessoa”. A decisão continua sendo do homem, mediante a resposta que ele dá ao chamado que Deus lhe faz todos os dias. Um chamado à vida eterna, experimentada e saboreada aqui na Terra.
Não foi fácil para aquele rapaz livrar-se do vício e enfrentar a discriminação e as desconfianças da sociedade. Certa vez ele correu para o banheiro da escola e começou a comer folha de caderno para não fumar de novo. Teve que recuperar o tempo perdido na escola, voltou a estudar e começou a participar ativamente do grupo jovem da cidade, o mesmo que havia organizado o encontro. Fascinado com a Bíblia, pensou em um dia ser pregador. Alguns meses depois fez sua primeira pregação e contou sua história de vida. Logo estava pregando em todo canto da cidade, trazendo consigo muitos jovens.
Tudo estava indo de vento em popa até que o empolgado rapaz começou a ficar dependente da religião. Vivia um vício religioso e um fanatismo que o cegou e o fez refém de tabus e medos que retardaram sua consciência de jovem por muito tempo. Por conta do passado com as drogas, a radicalidade foi de início uma opção preferível. O problema é que ele parou naquele estágio espiritual deixando que a Lei fosse sua guia, anulando a liberdade que Deus lhe dava – que na sua cabeça era confundida com libertinagem. Vivia numa dimensão “céu – inferno” vinte e quatro horas por dia. Quando rezava, era somente para buscar a unção para pregar com poder, ou para testemunhar o Deus que ele passou a forjar na sua cabeça, ou então para não ir para o inferno numa luta frenética e sem inteligência contra pecados que achava que eram tão absurdos.
Muitos questionamentos, então, começaram a perturbá-lo a respeito da fé, da vida, da justiça social, da Igreja e do próprio Deus. Teve diversas oportunidades de voltar para o vício das drogas. Mas Deus o segurou! Mas mesmo assim o jovem pregador “chutou o balde”. Só que, se afastando um pouco, ele pôde analisar melhor toda a obra de arte da sua vida e pôde ver um novo tempo de descobertas: um novo chamado de Deus estava iniciando.
Descobriu que é possível sim ter amigos de fé mesmo que não sejam da Igreja. Buscou enxergar em outras filosofias e literaturas – outrora tão rechaçadas por ele – rastros de Deus e de vida. Percebeu que ler autores seculares, como José Saramago, Dostoievski, Enrique Dussel, Karl Marx (e alguns de seus seguidores), Mário Quintana, Adélia Prado, Machado de Assis, Lispector e outros não trazem perigo de perda de fé. Redescobriu a beleza nas letras de Renato Russo; a identidade escondida no samba de raiz e na música caipira; a irreverência poética de Cazuza e Cássia Eller; o progressismo e o misticismo de Pink Floyd e d’O Rappa e até mesmo na incoerência poética de Raul Seixas.
Descobriu dentro da Igreja a riqueza de outros movimentos e pastorais na maneira de viver a fé; e leu autores como Leonardo Boff, Frei Betto, Rubem Alves, entre outros – e se deixou tocar pela profundidade musical e literal de Pe. Zezinho e André Luna; a força libertadora na música de Zé Vicente; o equilíbrio espiritual de Pe. Joãozinho e Pe. Fábio de Melo (este hoje mais conhecido pela mídia).
E hoje, dia 21 de março de 2009, faz 10 anos que essa história de vida teve início. Uma história que não é melhor nem pior que a de ninguém. É a história de mais um fruto da misericórdia de Deus que com o tempo descobriu que religião e liberdade são mais bem vividas por pessoas que crêem, mas querem saber. E segue equilibrando sua porcentagem de humanidade com a porcentagem divina do Eterno.
O que eu sei é que esse jovem, dez anos mais velho, só tem vontade de uma coisa: VIVER!
Celebremos a vida, vibremos com essa vitória, rezemos por ele!
Lembra que eu disse que nos Estados Unidos o aborto é permitido em qualquer época da gravidez, mas depois que a criança respira é considerado infanticídio? Pois é. Aí acontecem casos como esse, em que alguém faz o serviço mal-feito e a criança sai viva. O problema da médica da reportagem, pelo visto, foi deixar a mãe ver o bebê. Aí “ela ficou cara-a-cara com outro ser humano e isso mudou tudo”, como disse o promotor do caso. Pronto, já era. Ela percebeu a realidade.
Ah, e não custa lembrar: querem implantar uma lei semelhante no Brasil, com boas chances de ser aprovada. Liberar o aborto em qualquer época e situação.
Pra que isso, meu Deus?…
“Seus olhos podem brilhar sem mentiras!”
UPDATE (06.03.09): O presidente Barack Obama acabou de publicar uma nota dizendo que pretende anular a possibilidade de um médico se recusar a praticar um aborto por objeção de consciência nos EUA. Ou seja, se a paciente demandar, o médico será obridado a abortar, concorde ou não… Esse é o país das liberdades individuais!…
Seja você a favor ou contra a legalização do aborto, provavelmente concordará que o ideal deveria ser que ele não existisse. Digo “provavelmente” porque, acreditem, em alguns países não é raro encontrar quem considere esta uma prática natural, não mais do que uma espécie de “método anticoncepcional tardio”. Mas no Brasil, felizmente, todos parecemos estar [...]
Estou há 1 mês e meio morando em São Paulo. Antes disso, fiquei 7 meses em Campinas, vindo à capital pelo menos uma vez por mês. Ou seja, já deu pra sentir um pouco a “pegada” dessa cidade louca. Uma cidade em que, quem diria, eu nunca imaginei que estaria morando. “Já é muita gente, [...]
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Fernando Pessoa Mônica e sua filha Giovanna, que nasceu com anencefalia: “Quem não tem vida chora?” (Conheça sua bela história aqui)
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