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Confesso que não esperava muito de Avatar… Na verdade, só fui ao cinema porque era o último dia de vestibular das minhas irmãs, e elas queriam comemorar o fim das provas (é uma sensação de alívio maravilhosa, fala a verdade!) vendo o tal filme dos seres azuis. E fomos num cinema qualquer, cópia dublada, tela meio embaçada, som ruim… Mas mesmo assim foi sensacional.

Sim, eu não sabia nada do filme, imaginei que tivesse relação com aquele desenho chato de mesmo nome que passa (ou passava?) na Globo de manhã. Mas qual não foi a minha surpresa ao perceber que se tratava não só de um bom filme de ficção científica, mas uma produção arquimilionária, feita para ser um verdadeiro épico. Se vai chegar ao posto de um O Senhor dos Anéis da vida, só o tempo dirá (eu particularmente creio que não) – mas, que a sensação de assistir pela primeira vez é tão emocionante quanto a da triologia dos anõezinhos de pé grande, ah isso é!

Se você gosta desse tipo de filme, vá preparado para viajar legal nas 2 horas e 41 minutos de Avatar. Pra começar, ele mistura computação gráfica com cenas reais de um jeito único, a um ponto em que você já não diferencia uma coisa da outra; sem falar nas cenas de ação de tirar o fôlego de qualquer um, sem precisar apelar pra violência excessiva. James Cameron (de Titanic e O Exterminador do Futuro), que escreveu, dirigiu e co-produziu a obra, demonstrou ter uma imaginação louca, fazendo-nos viajar em cada detalhe do mundo construído, em cada cantinho de cena, passado de relance…

avatarBem… mas e a história? Pois é… Bom, digamos que a história é boa. Basicamente, um militar frio e determinado se infiltra no mundo dos “selvagens” para convencê-los a permitir aos “civilizados” explorarem um mineral preciosíssimo alojado logo abaixo da sua floresta, mas vai mudando sua concepção – e o sentido de sua vida – ao vivenciar, aos poucos, a relação que aqueles seres têm com a natureza. E sim, você adivinhou: no decorrer do filme ele também se apaixona por uma nativa que é filha do chefe, sofre desconfiança do guerreiro mais bravo da tribo e depois acaba liderando uma guerra, em grande desvantagem tecnológica, contra seus antigos companheiros humanos. Ou seja, nada de novo, você provavelmente já viu algo parecido. Mas – e é um grande “mas” – posso lhe garantir que você nunca viu nada igual.

A diferença, com certeza, está na forma de passar isso tudo – não só no visual, mas no desenrolar do roteiro. Mesmo já imaginando um pouco o que vai acontecer no final, a gente sente vontade de ficar ali, pra ver como vai acontecer. Você vibra, se arrepia, e talvez sinta algumas lágrimas escorrendo de emoção ao se pegar torcendo por aquele povo azul feio e desengonçado. Torcendo pela vida.

Enfim, a mensagem pode ser batida, mas é sempre urgente. Em tempos de uma convenção ecológica global que não deu em nada, Avatar usa do entretenimento para nos lembrar que essa batalha, no fundo, não é só pelas outras criaturas, pela vegetação, pelo equilíbrio do planeta (metaforizado, no caso, em Pandora, lua de um planeta distante). É pela própria existência da “humanidade” – não só dos humanos em si, mas do que os constitui como tal. Por um humano mais “humano”, menos ganancioso, nunca é demais lutar, nunca é demais lembrar.

Pois, desde que o mundo é mundo, há tantos e tantos que insistem em esquecer…

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PS: Pra ver e saber mais, vale uma olhada no trailer – e na Wikipédia!

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(sem revelações sobre o enredo (spoilers)

Pixar's Up - Carl

“Essa turminha da pesada irá viver altas aventuras numa floresta misteriosa, onde tudo pode acontecer…  Irão encarar grandes desafios, mas com sua casa voadora e seu fiel companheiro canino, eles enfrentam qualquer perigo!” – esta, provavelmente, seria a descrição de “UP – Altas Aventuras”, caso o filme, hipoteticamente, estreiasse na Sessão da Tarde. O que, logicamente, seria a deixa para eu mudar de canal ou procurar outra coisa pra fazer. Mas bastaria o narrador acrescentar um pequeno detalhe, uma simples palavrinha, para mudar completamente a minha concepção e me deixar grudado na tela da TV, esquecido da vida: PIXAR.

Pixar Up cartazE foi a Pixar, essa autora de obras-primas como Toy Story 1 e 2, Monstros S.A. e Procurando Nemo, que me fez largar tudo e ir ao cinema ontem, debaixo de chuva, para conferir a sua nova estréia, sem mal ter visto nenhum trailer ou comentário do filme. Quis manter o suspense de propósito, sabia que não iria me decepcionar. E nem é preciso dizer que estava certo. “E a Pixar acerta mais uma vez”, deve ser uma das frases mais repetidas pelos mais diversos críticos de cinema ao redor do mundo, toda vez que eles lançam uma animação nova. É claro, com direito a um ou outro descontente, pra não virar unanimidade burra…

Mas, ó raios, qual o segredo? O que fez esses caras, que nos anos 80 produziam curtas em 3-D só pra mostrar o potencial dos computadores que vendiam (e já começaram criando um clássico logo no primeiro trabalho, o  “Luxo Jr”) se tornarem hoje, mais do que um dos estúdios mais lucrativos e premiados de Hollywood,  mas os maiores “cativadores”  de crianças e adultos (e adolescentes e idosos!) nos mais diversos cantos do planeta, equiparando-se (ou talvez superando) a história da própria Disney, sua todo-poderosa proprietária?

Pra começar, sugiro uma olhada no curta-metragem que antecede UP nos cinemas, “Parcialmente Nublado” (Party Cloudy). Depois continuamos a conversa.

(se quiser, clique no “quadradinho” para ver em tela inteira)

E aí? Riu? Se encantou? Ficou falando “ah, que fofo!!”? Chegou a sentir um nozinho na garganta? Tá refletindo sobre a mensagem? Pois é, eu também. Tudo isso em míseros 5 minutos. Agora, imagine o que são 96 minutos disso. É UP.

Aliás, é mais que isso. Algumas seqüências são, sem exagero, dignas de entrar para a história do cinema, como os tão aclamados 10 minutos iniciais. É tão poético quanto “Wall-e”, a coqueluxe mais “adulta” do estúdio – mas, ao contrário dele, tem “ritmo de aventura” pra criança nenhuma botar defeito. Talvez por pressões comerciais, UP tem mais clichês do gênero que as outras animações da Pixar, mas não deixa de surpreender nem por um segundo. Como? Simples: o grande trunfo não é tanto a história que se tem pra contar, e sim como contar a história. É isso que faz a Pixar ser a Pixar.

UP casa aviõesPois, num roteiro que à primeira vista não tem nada de mais (exceto pela casa içada por balões, que deixaria aquele padre brasileiro chupando o dedo), UP consegue sensibilizar qualquer idade falando sobre perdas, relacionamentos, problemas familiares, limitações, solidão, desilusões com sonhos de toda uma vida… e sobretudo sobre os valores que superam isso tudo – temperados com aquele bom humor pra lá de inteligente, gargalhante mesmo, essencial para qualquer vida que se pretenda feliz. E tudo isso mesclando profundidade e leveza de uma forma que talvez nunca se tenha visto na história do cinema para crianças – com exceção, talvez, de outros títulos da própria Pixar… Enquanto a Disney ainda tenta achar a magia que perdeu em algum lugar dos anos 90, a Pixar a reinventa, mostrando que sonhos combinam, sim, com realidade. Que no final não precisa ser sempre igual, com príncipe encantado matando a bruxa, beijo na boca e felizes para sempre. Em UP, a fantasia serve justamente para mostrar que a maior aventura é a vida real, com toda sua chatice, seus sofrimentos e alegrias. Nas obras da Pixar, quem vive a vida normal, sem poderes especiais, não é “trouxa”, como na série Harry Potter. É alguém que sabe viver.

Up garoto velhoE saber viver inclui primar sempre por uma produção caprichadíssima, ter gosto em nos brindar com pequenos e extasiantes detalhes. Fazer o que se faz com paixão, dando sabor ao fruto do seu trabalho, mesmo que os outros façam quase que só pelo lucro… Aliás, pra quem ainda não entendeu a parceria atual Disney/Pixar, imagine uma boa padaria. A Disney é o dono, o cara que até já fez muita coisa legal, mas que hoje só fica no caixa, pensando nos dividendos e na melhor forma de vender os produtos. O padeiro, mesmo, é a Pixar. É ela quem faz os sonhos.

Animações de outros estúdios, como Shrek e Era do Gelo, podem te fazer sair do cinema rindo. Mas só a Pixar, além das dores na barriga de tanto gargalhar, te dá também vontade de aplaudir quando começam os créditos – enquanto o sorriso, que não sai do rosto, tenta segurar aquela lágrima teimosa… Pra finalizar, só uma frase do comentarista Érico Borgo que, por ocasião do lançamento de Wall-E, sintetizou o que não só eu, mas certamente milhões de pessoas ao redor do mundo gostariam de dizer: Parece que a Pixar tem mesmo fé na humanidade. E não é que também tenho mais fé no mundo sabendo que temos a Pixar?.

Pixar UP

God bless Pixar!

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