Religião

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Do blog “Um sábado qualquer” – que não é pra ser levado muito a sério, mas às vezes tem um fundo de coisa séria…

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Chesterton dizia: não há problema algum em ser ateu. O problema é que, normalmente, os ateus começam a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência, em energias… Tem gente que se emociona porque a gente é feito da mesma poeira das estrelas! Ou acredita em si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo.

Luiz Felipe Pondé

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Outro dia conversava com uma amiga defendosa do PL 122, o projeto de lei que pretende criminalizar o preconceito contra homossexuais, bissexuais, travestis e transgêneros. Dizia a ela que o projeto tem iniciativas importantes, como condenar a discriminação em seleções de emprego ou escolas – mas, a meu ver, exagera bastante em alguns pontos…

Como, por exemplo, no artigo que classifica como discriminatória qualquer ação constrangedora “de ordem moral, ética, psicológica ou filosófica” – o que, segundo a própria relatora do Projeto, Senadora Marta Suplicy, incluiria posições religiosas “fora de templos”, mesmo que não incitassem à violência (Art. 8º, na parte que insere o §5º no Art. 20 da lei 7.716/89). Ou no artigo que tipifica como crime “impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público” em razão de orientação sexual (Art. 7º, ao inserir o Art. 8º-A na lei nº 7.716/89).

Não, não estou falando do dono de bar que expulsa um casal gay com xingamentos porque eles deram um beijinho. Estou falando de casos como o que me relataram ontem, de dois rapazes que estariam se beijando provocadoramente (“praticamente tendo uma relação sexual”, segundo o relato) dentro de uma igreja aqui de Juiz de Fora, o que gerou agressões pesadas quando chamaram-lhes a atenção. Aqui na cidade já existe uma lei (a chamada “Lei Rosa de JF”) semelhante ao PL 122 , de modo que, se o caso for levado à Justiça, talvez seja bem mais fácil o casal ganhar a causa do que o contrário. Se aconteceu exatamente como me relataram? Não sei. Mas digo com pesar, por tudo o que já vi, que pode perfeitamente ter sido assim.

Este é, sinceramente, um assunto que me angustia – talvez por isso eu fale tão pouco dele aqui no blog. Vejo preconceito o tempo todo, pessoas que pela sua condição, já tão sofrida, têm que passar por tanta coisa, aturar tanto ódio, tanto desamor, tanta indiferença… Mas, por outro lado, vejo também o quanto é difícil apoiar a tal “ideologia gay“, a causa defendida por movimentos “sociais” como o LGBTT (o Movimento Gay, antigo “GLS”) que, em diversas manifestações, parece se esquecer plenamente daquilo que mais prega: o respeito.

Eles certamente protestariam, com razão, caso manifestantes anti-homossexualismo queimassem a foto de algum ídolo gay. Mas não hesitaram em queimar uma foto do papa quando ele veio ao Brasil. Protestariam caso algum religioso fizesse alguma manifestação barulhenta e contestadora em frente a uma reunião qualquer em que se encontrassem pessoas homossexuais, mas promoveram, há alguns dias, um “beijaço gay” em frente à catedral de Florianópolis, exatamente na hora da missa (obrigando as pessoas que entravam para a igreja a dividir a escada com uma bandeira gigante do arco-íris, símbolo do movimento gay).

Estes vídeos mostram o momento exato do beijaço (1º), e a missa serena que ocorria ao mesmo tempo em que os manifestantes cantavam alto na escadaria (2º):

http://youtu.be/TaQRW2KN4Wk

http://youtu.be/uJ1H6JZ9jPw

O Movimento Gay ainda “tentou” dizer que não se tratava de uma afronta à Igreja, mas apenas um protesto contra as polêmicas declarações do deputado-militar-extremista Jair Bolsonaro. Mas não esconderam que pretendiam fazer do badalar do sino da catedral o momento-chave para o beijaço.

Manifestações sociais “um pouco mais exaltadas” frente ao furor da aprovação de direitos importantes? Não creio. Na Espanha, país onde a lei já é plenamente adequada à agenda LGBTT há algum tempo, o Movimento promoveu um beijaço gay durante a visita do papa, no meio dos fiéis, na exata hora em que ele passava no papamóvel. Ao ver o vídeo, a impressão que se tem é que, naquele país, a “minoria” que precisa lutar por liberdade e respeito são, ironicamente, os católicos.

Isso sem falar em vários outros vídeos pelo Youtube de manifestações muito mais afrontadoras e agressivas pelo mundo, em que parece ficar claro como o objetivo de diversos grupos que se dizem “representantes” de homossexuais e mulheres (embora a maioria dos homossexuais e mulheres discorde fortemente de seus atos e idéias) não é o respeito. Falam tanto de amor mas, sinceramente, parecem estar muito mais movidos pelo rancor

E é aí que me pergunto, e pergunto a tantos amigos, homossexuais ou não, que acham que apoiar esta causa é a solução de tantos problemas: onde queremos chegar?

De verdade?…

Com informações do O Possível e o Extraordinário.

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Está no ar o segundo número oficial do VIDA LOUCA CAST, o Podcast do Vivo Pela Vida.

Neste episódio (continuação deste aqui): Gabriel ResgalaLuis Nascimento e Pedro Júnior continuam conversando sobre o assunto “que não se discute“: RELIGIÃO!

liberdade

Descubra o segredos dos banheiros da UFJF, o que é laicidaderelativismo e veja se você também consegue fazer o impossível.

Nossos integrantes ainda batem um papo sobre as doutrinas que se dizem mais católicas que o catolicismo, sobre a engenharia cristã, ecumenismo, utopia e diálogo religioso.

..

Escute aqui!

 

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(clique com o botão direito e escolha “
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Duração: 50 min.  – Tamanho: 35 MB

Se não escutou, não deixe de escutar o nosso primeiro episódio! Pedimos desculpas pela demora em lançar este segundo episódio, mas temos certeza que vocês nos perdoarão… hehehe.

Escutem e comentem!

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Está no ar o primeiro número oficial do VIDA LOUCA CAST! O Podcast do Vivo Pela Vida.

Neste episódio: Gabriel Resgala, Luis Nascimento e Pedro Júnior se encontram em um lugar muito esquisito para falar de um assunto que, dizem por ai, não se discute… RELIGIÃO!

Se divirta conferindo as loucuras (e algumas reflexões sérias) de um grupo que possui um ex-xintoísta, um devoto do Imperador Constantino um cientista da religião que acha é minoria. Escute alguns dos absurdos que já ouvimos por aí, conheça a dogmática da doutrina corinthiana e participe da campanha: PAREM DE GRITAR!

religiao_variasAviso: Este não é um podcast teológico, apologético, dogmático, científico, ou qualquer outro “ico” que dê alguma casca de seriedade ao assunto… Este é um bate papo informal, ocorrido logo após uma sinuca, no qual expomos o que ACHAMOS sobre “religião”. Esse podcast é a primeira parte de uma longa conversa, a segunda parte será publicada em breve… aguardem…

Veja ainda:

Escute aqui!

 

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Duração: 45 min.  – Tamanho: 42 MB

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(a partir de 1:40)

“Aqui ninguém vai colocar a mão no bolso e dizer pra você com uma camisinha na mão: “Proteja-se”. Nós não queremos revestir apenas uma pequena parte do seu corpo. A proteção que nós queremos dar para você é no todo da sua vida. A nós não importa proteger apenas a sua genitalidade, não…

Você sabe por que o governo está preocupado em proteger a genitalidade dos jovens? Porque não o encara como uma totalidade. Não o encara como um ser que merece respeito, dignidade…

Minha gente, eu sei que há momentos na vida em que o discurso é reduzido a um mal menor. Tá bom, a camisinha vai evitar os filhos indesejados, vai evitar a AIDS, vai evitar as doenças venéreas, eu sei tudo isso. Mas camisinha não impede ninguém de ser prostituta. Camisinha não proteje ninguém da prostituição socializada. Camisinha não lhe proteje da solidão, quando chega quarta-feira de cinzas, e você tem aquela certeza que você foi cinzas, mesmmo: você foi tão queimado ao longo deste carnaval, que só restou cinzas…

O discurso tem que ser muito mais amplo. Mas nós também temos culpa disso, quando nós reduzimos o discurso religioso a um discurso moral. Quando nós começamos a pensar que seguir Jesus é cuidar apenas da sexualidade, e o resto está controlado. Não! Sexualidade é um detalhe da nossa vida que será integrado ou não à medida em que nós cuidarmos do todo. É no contexto das nossas escolhas que nós vamos encontrar o caminho para chegar a essa dignidade – a ponto de você adquirir tanta maturidade que ninguém vai precisar plastificar nenhuma parte do seu corpo…

Pe Fábio de MeloE nem você vai precisar escutrar as restrições: ‘proibido, proibido’, ‘proibido’… Não! Deus entra na nossa vida e nos coloca bom gosto. Em qualquer lugar que nós estivermos, nós teremos que ser capazes de fazer a triagem: ‘isto serve’, ‘isto não me serve’…”

O assunto é sempre polêmico… Mas neste dia ele estava insipirado (citou até Sartre), falando num lugar em que se sente bastante à vontade… Desabafou sobre o assédio e foi a fundo em um tema espinhoso para o próprio contexto religioso em que estava: a Liberdade de Consciência.

Foi na Comunidade Canção Nova, no Carnaval deste ano. Vale a pena conferir tudo. Com certeza.

Boa semana!

Pe. Fábio de Melo e sexualidade: “Direito de Escolha”

(A partir do min. XX do vídeo acima)

“Aqui ninguém vai colocar a mão no bolso e dizer pra você com uma camisinha na mão:

“Proteja-se”. Nós não queremos revestir apenas uma pequena parte do seu corpo. A

proteção que nós queremos dar para você é no todo da sua vida. A nós não importa

proteger apenas a sua genitalidade, não…

Você sabe por que o governo está preocupado em proteger a genitalidade dos jovens?

Porque não o encara como uma totalidade. Não o encara como um ser que merece

respeito, dignidade…

Minha gente, eu sei que há momentos na vida em que o discurso é reduzido a um mal

menor. Tá bom, a camisinha vai evitar os filhos indesejados, vai evitar a AIDS, vai

evitar as doenças venéreas, eu sei tudo isso. Mas camisinha não impede ninguém de

ser prostituta. Camisinha não proteje ninguém da prostituição socializada. Camisinha

não lhe proteje da solidão, quando chega quarta-feira de cinzas, e você tem aquela

certeza que você foi cinzas, mesmmo: você foi tão queimado ao longo deste carnaval,

que só restou cinzas…

O discurso tem que ser muito mais amplo. Mas nós também temos culpa disso, quando

nós reduzimos o discurso religioso a um discurso moral. Quando nós começamos a

pensar que seguir Jesus é cuidar apenas da sexualidade, e o resto está controlado.

Não! Sexualidade é um detalhe da nossa vida que será integrado ou não à medida em

que nós cuidarmos do todo. É no contexto das nossas escolhas que nós vamos encontrar

o caminho para chegar a essa dignidade – a ponto de você adquirir tanta maturidade

que ninguém vai precisar plastificar nenhuma parte do seu corpo…

E nem você vai precisar escutrar as restrições: ‘proibido, proibido’, ‘proibido’…

Não! Deus entra na nossa vida e nos coloca bom gosto. Em qualquer lugar que nós

estivermos, nós teremos que ser capazes de fazer a triagem: ‘isto serve’, ‘isto não

me serve’…”

O assunto é sempre polêmico… Mas neste dia Pe. Fábio estava realmente inspirado

(citou até Sartre), palestrando num lugar em que se sente bastante à vontade…

Desabafou sobre o assédio e foi a fundo em um temaespinhoso para o próprio contexto

religioso em que estava: a Liberdade de Consciência.

Foi na Comunidade Canção Nova, no Carnaval deste ano. Com certeza, vale a pena

conferir tudo!

Boa semana!

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Fábio de Melo

Quando as pessoas começam a se considerar melhores, mais verdadeiras, mais dignas por conta de uma postura religiosa, elas acabam se sentindo no direito de desprezar o que é diferente delas.

E é aí que mora o maior dos perigos.

Pe. Fábio de Melo

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Foto "retocada" de um Discurso de Lênin - clique para ver

Assim que abolimos Deus, o governo se torna Deus.

G. K. Chesterton

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Avião 11 de Setembro

“Os homens jamais fazem o mal tão completamente e com tanta alegria como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa.”

Blaise Pascal

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Vida

Era um jovem de mais ou menos 18 anos que só tinha vontade de uma coisa: morrer. As coisas simples como sorrir, abraçar um amigo, olhar nos olhos, bater um papo, sonhar, não faziam parte da sua pessoalidade. Sorria somente com a desgraça dos outros; abraçava para tirar proveito; olhos nos olhos, jamais; trocar uma idéia com alguém era risco de perder sua moral. Sonhar? Preferia ficar acordado, bem acordado.

Um viciado sabe que para permanecer vivo tem que se vestir de uma armadura pesada todos os dias. No mundo do tráfico é ainda pior. A sensação é que até a sua respiração é vigiada, principalmente se está sob o efeito das drogas. Para ele cada despertar era um convite à guerra, onde o campo de batalha era sua mente. “Não existe paz interior, o desespero é constante, não pára!”, reclamou ele um dia. A armadura pesada servia para esconder o homem frágil que se refugiava ali dentro e o efeito das drogas servia para amenizar a angústia que nunca ia embora.

Ele conta que dos 13 aos 17 anos usava maconha para abrir a cabeça, viajar, rir do nada. A cocaína trazia a sensação de bem estar, de “tudo posso”, de poder. Sensações bem diferentes das que sentia depois, aos 18 anos. Neste tempo dizia que sua “onda” durava uns 5 a 10 minutos e que depois disso o medo o invadia subitamente. Para recuperar aquele tempo ínfimo de prazer, dava outra “bola” ou outro “teco” e assim repetidamente. Emagreceu 9 quilos: de 68 foi para 59. A cada dia sua fisionomia era deprimente.

Certo dia recebeu um convite para um encontro. Meio ressabiado ele foi e nunca mais voltou. Não, aquele jovem sem esperança nunca mais voltou! O que eu vi voltar foi uma criatura nova. Nesse encontro sentira algo parecido com saudade, um sentimento nunca vivido anteriormente, uma paz e um amor muito além de sua força e compreensão. As tentativas de suicídio, o desespero, a depressão, por um instante desapareceram… Parecia mágica! Deu um abraço e um beijo na sua mãe assim que chegou em casa. Um abraço gostoso de perdão que fez rolar aquelas lágrimas quentes sobre o rosto dos dois, fazendo renascer a esperança numa família destruída pelas drogas.

A partir daquele dia iniciou uma luta pela vida. As armaduras agora eram outras e o homem ali presente passou a ser grande em dignidade, porém, condicionado à força maior que é Deus. A decisão de ser limpo era do rapaz, não havia mágica (aliás, nunca houve). Houve, sim, um “encontro com um acontecimento, com uma pessoa que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” *.

pe-pai-2

Foi um resgate de vida, em que, no início, Deus fez 99% e o jovem, dizendo seu sim, fez seu 1%. Só que depois, a cada dia, as coisas iriam se igualando: 98% para Deus e 2% para o jovem; 97% para Deus e 3% para o jovem e assim progressivamente até um dia ficar 50 a 50. Acredito nessa pedagogia da vida humana em Deus. Ele não quer marionetes em suas mãos. Deus não controla a vida de ninguém e nem resolve os problemas de ninguém – apesar dele ter suas surpresas. Mas creio que Deus concede a força, a paz interior, o impulso, as pistas, as inspirações e em contrapartida a colaboração do homem traz o pleno conhecimento de “ser pessoa”. A decisão continua sendo do homem, mediante a resposta que ele dá ao chamado que Deus lhe faz todos os dias. Um chamado à vida eterna, experimentada e saboreada aqui na Terra.

Não foi fácil para aquele rapaz livrar-se do vício e enfrentar a discriminação e as desconfianças da sociedade. Certa vez ele correu para o banheiro da escola e começou a comer folha de caderno para não fumar de novo. Teve que recuperar o tempo perdido na escola, voltou a estudar e começou a participar ativamente do grupo jovem da cidade, o mesmo que havia organizado o encontro. Fascinado com a Bíblia, pensou em um dia ser pregador. Alguns meses depois fez sua primeira pregação e contou sua história de vida. Logo estava pregando em todo canto da cidade, trazendo consigo muitos jovens.

Tudo estava indo de vento em popa até que o empolgado rapaz começou a ficar dependente da religião. Vivia um vício religioso e um fanatismo que o cegou e o fez refém de tabus e medos que retardaram sua consciência de jovem por muito tempo. Por conta do passado com as drogas, a radicalidade foi de início uma opção preferível. O problema é que ele parou naquele estágio espiritual deixando que a Lei fosse sua guia, anulando a liberdade que Deus lhe dava – que na sua cabeça era confundida com libertinagem. Vivia numa dimensão “céu – inferno” vinte e quatro horas por dia. Quando rezava, era somente para buscar a unção para pregar com poder, ou para testemunhar o Deus que ele passou a forjar na sua cabeça, ou então para não ir para o inferno numa luta frenética e sem inteligência contra pecados que achava que eram tão absurdos.

Muitos questionamentos, então, começaram a perturbá-lo a respeito da fé, da vida, da justiça social, da Igreja e do próprio Deus. Teve diversas oportunidades de voltar para o vício das drogas. Mas Deus o segurou! Mas mesmo assim o jovem pregador “chutou o balde”. Só que, se afastando um pouco, ele pôde analisar melhor toda a obra de arte da sua vida e pôde ver um novo tempo de descobertas: um novo chamado de Deus estava iniciando.

Descobriu que é possível sim ter amigos de fé mesmo que não sejam da Igreja. Buscou enxergar em outras filosofias e literaturas – outrora tão rechaçadas por ele – rastros de Deus e de vida. Percebeu que ler autores seculares, como José Saramago, Dostoievski, Enrique Dussel, Karl Marx (e alguns de seus seguidores), Mário Quintana, Adélia Prado, Machado de Assis, Lispector e outros não trazem perigo de perda de fé. Redescobriu a beleza nas letras de Renato Russo; a identidade escondida no samba de raiz e na música caipira; a irreverência poética de Cazuza e Cássia Eller; o progressismo e o misticismo de Pink Floyd e d’O Rappa e até mesmo na incoerência poética de Raul Seixas.

Descobriu dentro da Igreja a riqueza de outros movimentos e pastorais na maneira de viver a fé; e leu autores como Leonardo Boff, Frei Betto, Rubem Alves, entre outros – e se deixou tocar pela profundidade musical e literal de Pe. Zezinho e André Luna; a força libertadora na música de Zé Vicente; o equilíbrio espiritual de Pe. Joãozinho e Pe. Fábio de Melo (este hoje mais conhecido pela mídia).

E hoje, dia 21 de março de 2009, faz 10 anos que essa história de vida teve início. Uma história que não é melhor nem pior que a de ninguém. É a história de mais um fruto da misericórdia de Deus que com o tempo descobriu que religião e liberdade são mais bem vividas por pessoas que crêem, mas querem saber. E segue equilibrando sua porcentagem de humanidade com a porcentagem divina do Eterno.

O que eu sei é que esse jovem, dez anos mais velho, só tem vontade de uma coisa: VIVER!

Celebremos a vida, vibremos com essa vitória, rezemos por ele!

Pedro Junior

“só há uma chance pra viver”…

* Citação: Documento de Aparecida, § 12.

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