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Nesta quarta-feira, nossos deputados federais e senadores deram a si mesmos um presente de Natal pra lá de escandaloso: um aumento de mais de 61% em seu próprio salário. A proposta foi posta em pauta de “surpresa”, evitando que muitos parlamentares contrários estivessem presentes, e aprovada em um prazo extremamente rápido, em caráter de urgência.

O aumento passa a vigorar a partir de fevereiro. O presidente e os ministros também receberão a mesma quantia, R$26,7 mil - sem contar os polêmicos benefícios, que permanecerão. Estima-se que o “efeito cascata” vai custar aos cofres públicos um total de R$ 2 bilhões ao ano. Segundo especialistas, os gastos com o reajuste poderiam aumentar o salário mínimo em 8 reais.

Se você também acha essa situação uma vergonha, mande uma mensagem diretamente para o seu deputado – e/ou para outros -, exigindo explicações (ou parabenizando-o, caso tenha tido a coragem de votar contra)!

Veja aqui como votou o seu candidato:
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_publicacao=35575&cod_canal=1

Mande aqui uma mensagem, direto do site da Câmara:
http://www2.camara.gov.br/participe/fale-conosco/fale-com-o-deputado

É fácil e rápido, e a acessoria do parlamentar costuma dar bastante atenção ao que chega por e-mail.

PS1:
No Senado, apenas Marina Silva, Alvaro Dias e o PSOL manifestaram-se contrários à proposta. Cristóvam Buarque e Pedro Simon, que não puderam estar presentes no dia, organizam projetos em protesto: “Queremos aumentar também o salário dos professores em 61%”!

PS2: As reações “bem-humoradas” do presidente e do deputado mais votado foram semelhantes, embora opostas. Lula reclamou: “Eu só lamento porque para o Lulinha aqui não vai ter nada”. Tiririca comemorou:  “Cheguei com sorte!”

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Sérgio Cabral - foto Rafael Andrade / Folhapress

Foi a pergunta que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fez hoje durante um discurso, para justificar a legalização do aborto. Ainda com as luzes dos holofotes sobre sua imagem, devido à aparentemente “bem-sucedida” guerra contra o tráfico (que, apesar de histórica, ainda me causa certo ceticismo, enquanto não estiver incrustada num projeto bem mais amplo, que envolva uma verdadeira mudança de mentalidade social e dure além das Olimpíadas), Cabral voltou a causar polêmica ao falar da situação do aborto.

A última tinha sido em 2007, quando insinuou que a legalização diminuiria a violência no Rio, uma vez que a alta taxa de natalidade das comunidades mais pobres seria, em suas palavras, “uma fábrica de produzir marginais”. Ou seja, aborto legalizado = menos pobres vivos = menos violência (sim, era dele que a Heloísa Helena estava falando no vídeo do post anterior)…

Hoje, a polêmica ficou por conta da forma “casual” com que o político tratou o ato de abortar. “Quem nunca teve que abortar um filho?” equivale, em sua fala, a “quem nunca dirigiu após beber?”, “quem nunca sonegou imposto?” ou “quem nunca surrupiou algo no supermercado?” (ele poderia, talvez, até ter perguntado “quem nunca recebeu um mensalãozinho?” – mas creio que a comparação iria causar certo desconforto com suas alianças….).

O problema, governador, é que não é por que “todo mundo” (ou ao menos um “todo mundo” dentre a sua roda de amigos, porque ao menos aqui onde eu moro isso é bem diferente…) comete determinado ato, que ele deveria ser lícito. A direção irresponsável e a corrupção política, por exemplo, são coisas tidas como “corriqueiras” pra muita gente, até mesmo culturais em certos meios. Mas são dois dos maiores problemas do Brasil. Causas das maiores mortes, e de grande parte da nossa miséria, do nosso sofrimento. Será que deveríamos legalizar a bebida ao volante? E a corrupção??

Governador, gostaria sinceramente que conhecesse o trabalho de pessoas como essa mulher, chamada Dóris Hipólito. Há vários trabalhos como esses aí no seu Estado, sabia? Eles enfrentam grandiosos sacrifícios em lugares onde políticos como o senhor só costumam pisar se puderem receber votos em troca, como a Baixada Fluminense, para tentar dar uma solução diferente para o que o senhor acha casual. Tentam resgatar a vida de pessoas que, por algum motivo (como o senhor mesmo falou, geralmente em meio a desespero), pensam em recorrer ao aborto. Eles não acham que os pobres devem ter o mesmo “direito” dos ricos de tirar a vida de seus filhos, até porque sabem que os pobres, geralmente, não pensam assim. Pobre, com toda a dificuldade do mundo, quer ter o filho. E é dever do Estado lhe dar uma vida digna. Não matá-lo, como num “BOPE pré-natal”...

Ouça este recado que ela mandou para o senhor, governador. E reflita.

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heloisa-helena

A descriminalização do aborto é muitas vezes relacionada a um discurso “de esquerda”,  comprometido com o bem-estar social, com os interesses das classes marginalizadas, em especial das mulheres pobres.

O que não se percebe, porém, é que tal proposta só beneficiaria, na verdade, justamente aqueles interessados em subjugar os mais pobres a um sistema social pra lá de perverso

Quem explica é a vereadora de Alagoas, ex-senadora, ex-candidata à presidência da república e ex-presidente do PSOL, Heloísa Helena. Enfermeira, professora da área de Saúde Pública e profunda conhecedora do assunto, ela teve a coragem de enfrentar as diretrizes do próprio partido, comprometido com a legalização do aborto, para denunciar o que considera uma verdadeira enganação. Radicalmente contrária à proposta, para Heloísa a legalização não passa de uma idéia destinada a maquiar a verdadeira raiz do problema: a falta de interesse em políticas sociais realmente eficazes.

Se você pensa que ser contra a legalização do aborto é coisa de gente “reacionária de direita”, não deixe de assistir a este pequeno depoimento. E refletir…

PS1: Depoimentos retirados do Documentário “Quantos eu te amo”, de 2009.

PS2: Especula-se que, após as últimas eleições, o futuro político de Heloísa Helena esteja talvez cada vez mais afastado do PSOL e mais próximo a Marina Silva. E, pelo visto, a questão do aborto deve ter um peso importante nessa decisão…

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Dilma Rousseff

Lembro bem de um ditado que me contaram no começo da faculdade: “Só louco não muda de idéia”. Durante a faculdade tive certeza de uma coisa: louco muda muito de idéia.

Aliás, todos nós mudamos. A questão é: quando e por quê?

São muitos os motivos que podem levar uma pessoa a mudar de opinião. Aqui no site já publicamos um texto sobre a  feliz mudança de de Elba Ramalho e Pitty. No caso de ambas, os abortos que sofreram (o de Elba foi artificial e o de Pitty, espontâneo) ocasionaram uma mudança radical na forma de ver e valorizar a vida. As entrevistas que vieram posteriormente apenas publicaram uma mudança verdadeira e particular.

A questão é quando essa mudança ocorre de uma hora para outra, com uma presidenciável e  faltando apenas 4 dias para a eleição. Suspeito… MUITO!

Na hora da eleição, Fernando Henrique já virou católico, Lula não  soube de nada (e infelizmente não pôde comparecer a debate). Para variar, Dilma misteriosamente se tornou contra o aborto….

Confira no vídeo e tire suas próprias conclusões!

Veja também, aqui, a posição dos principais presidenciáveis sobre o aborto.

Citações:

Estadão.com.br – “Dilma diz que é a favor da descriminação do aborto
Marie Claire – “A mulher do presidente
Diário do Nordeste – “Dilma Roussef defende legalização do aborto
Isto É – “Entrevista com Dilma Roussef” (veja o vídeo)
Estadão.com.br - “Dilma diz a bispo que aborto é questão de saúde pública
CNBB – Debate entre presidenciáveis
Vídeo - Dilma em encontro com católicos e evangélicos
Portal Terra – “Dilma diz ser contra o aborto em encontro com líderes cristãos
Folha – “Marina acusa Dilma de mudar discurso sobre aborto para ganhar votos
Música:  “A invasão dos monges” (Stênio Mendes) – Barbatuques

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Tiririca

Outro dia estava assistindo à reprise do especial de 10 anos do Programa do Jô, no qual ele fez um bate-papo coletivo com alguns comediantes da “nova geração”. Uma das perguntas foi sobre os “limites” do humor. Até onde pode ir uma piada? Como fazer rir sem ofender, sem brincar com coisa séria demais, sem baixar o nível? No geral, a resposta dos convidados girou em torno do bom-senso e da própria graça como medida desse limite. Alguns disseram que, se algo é muito apelativo, acaba perdendo a graça por si.

Pois fui dormir pensando em como algumas coisas ruins podem, sim, fazer rir… Quem já foi vítima de bullyng, é gago, anão, fanho, etc, sabe o quanto algo que é extremamente sofrido para uns pode ser engraçado para os outros. Há momentos em que temos até consciência de que algo é sério, mas é difícil segurar a vontade de rir. É claro, muitas vezes o riso pode dar leveza a uma situação mais tensa, tornando-se “um bom remédio” – mas há um sério risco de deixarmo-nos levar por ele e esquecer que esse alívio não resolve o problema. É como um analgésico: ajuda – e muito!– a levar a vida, mas não cura a dor. Em muitos casos, ainda piora a situação, pois a mascara.

Quer ver? Dá uma olhada nesse videozinho de campanha eleitoral. É do Tiririca. Sim, ele mesmo.

Eu sou o Tiririca da televisão. Sou candidato a deputado federal. O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim, que eu te conto!
Vote em Tiririca. Pior do que tá, não fica!
O povo não é palhaço! Mas eu sou.

Impossível não rir desse cara. Ele mesmo parece não estar se agüentando com a maior piada que já contou na vida: se candidatar a deputado federal pelo maior colégio eleitoral do país (São Paulo), não como cidadão “real”, mas como o próprio personagem-palhaço, e ainda tirar um sarro mais do que explícito dos seus colegas políticos. A ponto de causar certo incômodo às alianças do seu partido…

É verdade: candidatos bizarros nunca foram novidade; só nessa eleição tem um monte. Mas o cômico é a crítica que ele faz, ao dizer coisas do tipo: “Estou aqui para pedir o seu voto ‘pusquê’ eu quero ser um deputado federal. Para ajudar os mais ‘necessitado’. Inclusive a minha família”. Muitos já fizeram isso em programas de humor, mas ele faz no próprio horário eleitoral. Ele não está fingindo ser um candidato, ele é um candidato. É de tirar o chapéu.

É muito engraçado, sem dúvida! Mas… o problema é o limite. O limite da piada.

Tiririca de ternoSim, porque… Ele pode ganhar. Tem grandes chances disso. Freqüentemente um ou outro candidato bizarro é eleito, muitas vezes ficando entre os mais votados do país. O povo vota na piada, no riso como remédio pra um problema sério. No analgésico, no alívio instantâneo de “tirar uma” com a cara dos outros “palhaços” que tanto nos passam a perna. E o Tiririca é o mais escrachado, é como se dissesse: “palhaço por palhaço, vote no mais engraçado”. E somos levados a premiar sua ousadia humorística, dando-lhe o voto.

Depois? Ah, depois… Bem, eu vejo duas cenas. Claquete 1.

Tiririca vence como o deputado mais votado do país, seus eleitores se matam de rir, o resto do país torce o nariz. Após eleito, no entanto, evita dar entrevistas, causando suspense. Na primeira seção do plenário, tira a roupa de palhaço, toma o microfone e faz um discurso sério, tão sério como ninguém nunca o ouviu falar antes. Usa o exemplo de sua eleição, como um personagem cômico, para mostrar aos seus colegas a falta de seriedade reinante no meio parlamentar, mostrando sincera indignação. E dirige-se inclusive ao eleitor, visivelmente emocionado: “vocês elegeram um palhaço. Mas não merecem ser tratados como tal. Para isso, só depende de quem colocam cá em cima. Por favor, não percam a esperança. Não desistam!”

Claquete 2: Tiririca é eleito, o povo se mata de rir, a mídia cai em cima fazendo perguntas sérias ao novo deputado, para as quais recebe as respostas mais hilárias possíveis. Após algumas semanas de piadas, no entanto, ele começa a sentir-se perdido em meio às ocupações do cargo, e pede auxílio a seus acessores, para que lhe indiquem o que fazer. O partido, que já usou sua vitória cheia de votos para engordar a legenda e eleger outros candidatos que sozinhos não venceriam nem como vereadores, passa a usar também de sua cadeira para ter mais um voto garantido nos trâmites da casa. Tiririca vira mais uma marionete. Somos, mais uma vez, feitos de palhaços – mesmo quando achamos que nós é que estávamos rindo deles. Eles não riem conosco; riem de nós. Riem por último. E a piada, para nós, vai perdendo a graça…

Bem… na verdade há também uma terceira cena.

Mas aí depende de você.

Tiririca

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Inri CristoAntes de mais nada, gostaria de dizer que posso ser considerado seguidor de um messias. Aliás, a maioria de nós o é (ou, como eu, ao menos “tenta ser”…). Numa cultura fortemente influenciada pelo cristianismo, quase todos temos Jesus, de uma forma ou de outra, como um modelo a ser seguido – e, para muitos, ele é mais que isso: é Deus. Mas, nem por isso, inquestionável.

Sim, vai me dizer que você nunca questionou Deus? Que nunca leu um pedaço da bíblia e disse: “poxa Cara, como assim?” Questionar faz parte de todo entendimento. Maria questionou quando o anjo disse que ela iria engravidar mesmo sem conhecer homem algum (sendo, é claro, um questionamento diferente do de Zacarias, que duvidou). Uma mulher cananéia também questionou, quando Jesus insinuou que só fazia milagres pros judeus (Mt 15, 21-28). E nem por isso ele deixou de ser Deus.

Mas existe um tipo de messianismo que Jesus fugiu de encarnar, e talvez essa fuga tenha colaborado para que seus amigos se afastassem quando ele mais precisava, uma vez que não entenderem seus propósitos: o messianismo político. Queriam um Rei para Israel que conduzisse a todos numa rebelião contra o funesto Império Romano, e governar magnânimo do alto de seu trono. Mas isso era tudo o que ele não queria. Mas o povo custou a entender.

A fome por um “salvador da pátria”, um pai de todos, é tão intrínseca à raça humana que ainda hoje não falta quem tenha ânsia de colocar os outros nesse lugar. Insistem na infabilidade do papa, um recurso não usado há quase um século pelo próprio papado. Juram que Obama salvará a África por puro humanismo, mesmo tendo ele interesses intrissecamente estadunidenses. E inventam uma forma de minimizar os erros de seus gurus, mesmo quando eles próprios o reconhecem e fazem o mea-culpa.

Quando botam alguém nesse trono (e, pior, quando alguém assume este lugar ao trono), o messias passa, então, a ser amado ou odiado – nunca analisado como um ser humano comum. Ou herói ou vilão, ou deus ou diabo. E, no botequim ou na faculdade, não importa a sensatez da pessoa para discutir outros temas; quando se fala no tal sujeito messiânico, os ânimos inflamam, e a lógica dá lugar à paixão. Às vezes, à primeira vista, parece até um discurso sensato, um e-mail equilibrado; mas ouse questionar para ver. Brotarão farpas e faíscas, e você será tachado de opositor. Você não vale, não pode questionar. É do outro lado, reacionário, inimigo disfarçado.

Charge Lula - Gazeta do PovoTalvez você já tenha sentido isso na pele; ou talvez você já tenha, até sem perceber, agido assim com alguém. Afinal, queira ou não, temos um presidente-messias, e não são poucos os que o endeusam.  Mas a grande questão a analisarmos, a meu ver, é: será que estamos realmente vendo-o como ser humano?

Endeusando-o ou demonizando-o, pouco faremos para encarar a realidade como se deve. E, cá pra nós, é muito fácil cair nesse simplismo: ele pede isso, ele quer isso; suas falas estão sempre evocando nossas emoções, nos fazendo ficar “contra ou a favor”, tomar partido com o coração. Mesmo que não percebamos…

Foi o messianismo que elegeu Hitler, de forma democrática. Foi como um “deus” que Getúlio implantou a ditadura, e quando todos já estavam vendo-o como “diabo”, arranjou um jeito de “sair da vida pra entrar na história” como um grande messias. A voz do povo nem sempre é a voz de Deus…

Mas e a sua voz… qual será?

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maluf

Quando eu contar pra Deus o que eu fiz, depois de uma hora Ele vai dizer: ‘Pára pára pára, você já encheu meu saco. Vai direto pro céu, sem passsar pelo purgatório!’

Paulo Maluf

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sanguessugas

“A sanguessuga tem duas filhas: Dá! Dá!”

Provérbios 30, 15a

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