“Na paz os filhos enterram seus pais,
na guerra os pais enterram seus filhos.”
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“Deixe que o vento sopre e não pense que o som das folhas é um barulho de armas.”

Padre Pio de Pietrelcina
Tags: Paz, Pensamentos, pio de pietrelcina, vida
Certa vez, Herbert Viana teve mais um de seus momentos de iluminação e escreveu uma música que não sai da minha cabeça.
Ela se chama “Soldado da Paz”, um título que se faz cada vez mais necessário nos nossos dias. Por mais paradoxal que pareça, a busca da paz se tornou uma luta, uma guerra.
Muitas pessoas acordam, apertam os olhos de um jeito forte para ter certeza que já deixaram de dormir, e escutam uma mensagem que diz: Lutar sempre, a cada dia mais, pela paz que virá.
Não tenham dúvida, são muitas pessoas que fazem isso. Muitos são os soldados, uns mais descolados, outros mais conservadores, uns mais calmos, outros mais agitados.
Deixamos esse vídeo em homenagem a estes soldados, que se colocam a serviço de um mundo melhor, na certeza de que a Vida e o tempo sempre serão seus aliados.
Cidade Negra – Soldado da Paz
(letra)
Tags: Herbert Viana, música, Paz, Soldado Da Paz, vida
Duas da madrugada. Acabei de ver um bom filme na TV, dei um pulinho na geladeira e vim pra cama, ler ou escrever um pouco até o sono me derrubar. Além de ser um feliz portador daquela estimável companheira de metade da população de cidades frias, a rinite alérgica, as minhas vias aéreas superiores são um verdadeiro labirinto, ficam desorientando o ar que só quer entrar e chegar aos pulmões. De modo que, se “pegar no sono” pra mim já é uma façanha difícil por natureza, quando a sinusite ataca tenho que quase ficar bêbado de tanto sono pra conseguir pregar os olhos… Mas tudo bem. É a vida.
Mas nem bem me recosto na cama, e o Billy de repente começa a latir e a uivar alto lá fora. Ah, esqueci de dizer: estou na roça com meu pai (que a esta hora já está no enésimo ronco), e o Billy é o nosso cão-de-guarda com cara de mau. Tem cara de rottweiler, o pêlo (e os carrapatos) lembram um vira-lata de rua, mas na verdade não passa de um labrador capado, preguiçoso como a mãe. Mas estranho aquela latição toda, e vou lá fora dar uma olhada. Corajosamente abro a porta, saio pra varanda, e quando olho pro lado lá está ela. Toda amarelona, minguando ou crescendo, não sei. Só sei que quando não se tem nenhuma luz artificial por todo o raio onde a vista alcança, a lua parece sempre cheia, a noite é sempre clara, quando não há nuvens pra atrapalhar. Mas as poucas de hoje não atrapalham, pelo contrário: compõem com ela uma paisagem inenarrável, ostentada por sobre a pequena mata no alto do morro.
Então fico lá, meio que hipnotizado, contemplando aquele pequeno (?) espetáculo naquele pequeno (?) fim-de-mundo. Sapos coachando, grilos cricrilando, uma água correndo lá longe: eu, só eu, de ser humano acordado naquele lugar, talvez num raio de dezenas de quilômetros. O Billy, a essa altura, já trocando os latidos por arfadas simpáticas, feliz por ter atraído minha atenção. Me trouxe até aqui pra ver isso, garoto? Frio de orvalho, cheiro de mato. Tanta coisa se passando pela cabeça naqueles poucos instantes ali, olhando pra ela e suas nuvens-figurantes… Mas mais do que pensar, é daqueles momentos pra se sentir. De ouvir o silêncio dos sons da natureza. Quando tudo fala e a gente se cala…
E fico pensando, sabe? Como seria a humanidade, se todos parassem pra ver a lua, de vez em quando… Se se permitissem, também, ter essa sensação de um num-sei-o-quê-vindo-num-sei-daonde a inebriar os sentidos e a te dizer: “shhh! Escuta!” Calar por dentro e por fora, despir-se, desarmar-se. Sentir o vento, e só…
Mas aí me lembro que nossas sensações são moldadas, de certa forma, por quem nós somos, por nossa história. O mesmo céu que pra mim, neste momento, é isso tudo, pra outro é um céu bonito e só. Sem essa frescura toda. Muitos nem iriam notar. Alguns poderiam ter idéia pra um poema romântico ou uma musiquinha melosa, outros lembrariam de casos antigos, outros fariam um blues dos mais deprês. Para alguns é real o lobisomem, para outros mais real é a fome – e aquele queijão lá em cima… (se cair nóis come).
Não adianta. Por mais que pra uns a lua pareça passar uma mensagem clara, pra outros a imagem é outra. Cada um tem a sua lua, e a minha é essa. Ninguém mais, nenhuma alma viva a ter, neste momento, esta visão. É para mim.
Resta-me, quem sabe, tentar partilhar um pouco desse meu céu, tentar passar um pouco do que a lua me disse, pra quem estiver do meu lado. Não posso querer substituir aquela visão, nem que eu fosse a mais bonita das criaturas – mas pra isso basta olhar pra cima, de onde quer que você esteja. Enquanto isso, vou tentando ser um pouquinho de “lua” pra quem não a viu como eu vi. Assim, quem sabe, posso tentar aprender também com o que ele viu e eu não… com o céu de cada um.
Gabriel Resgala – jan/09
PS: Sim, andamos sumidos… Culpa dos nossos computadores, que resolveram organizar uma greve sincronizada e falharam todos ao mesmo tempo… Pois é. Mas um dia cada colaborador do site ainda terá o próprio notebook corporativo da Vivo Pela Vida Foundation, com acesso à internet sem fio em qualquer canto – vai vendo…
É com muito prazer que hoje publicamos um texto de uma leitora do blog: Vanessa Marques. Ela é educadora, poetisa, “poetinha“, e acredito eu, divide suas lembranças entre a sensibilidade de um violão, a habilidade no manejo de um Master System e as aventuras homéricas passadas em um pé de ameixa no quintal de casa. Além disso ela teve a sorte de nascer em uma ótima família: a minha, hehehe.
Seja muito bem vinda Vanessa. E aos leitores, boa leitura:
Por que você vive? Pelo que você vive? E outras perguntinhas capciosas…
Essas duas perguntas martelaram algum tempo por aqui, desde a primeira vez que entrei no site. E sei que martelou em muitas outras cabeças também. Isso porque nos fez pensar sobre coisas realmente importantes. O que a vida representa para nós? Qual seu valor real? Para os que preferem divagações mais poéticas podemos pensar:
“Será a existência uns poucos anos,
Em que pairamos sobre esta terra entre a corrupção dos homens?
Que haverá para além deste primeiro ato?
A Vida, creio, haverá ainda, a Vida!”
Tenho acompanhado reflexões belíssimas aqui. A mais atual, com o tema “Liberdade”. Me peguei pensando “pelo que” tenho vivido. Por isso, gostaria de falar sobre um dos aspectos da vida, como necessidade primordial, e que tem se tornado centro das atenções sempre que manchetes escandalosas estouram nos jornais, sempre que estes “gritam” com todas as letras GARRAFAIS, atentados em escolas, envolvendo jovens, seus companheiros de classe ou professores. Estou falando da violência. Mas não é da violência que gostaria de falar e sim do outro lado da moeda. Da paz. Não como utopia, como algo irrealizável, mas como possibilidade, como algo “alcançável” e indispensável na vida de todos nós…
Entre algumas coisas que tenho lido, coisas de gente que acredita que a mudança é possível, um detalhe me chamou a atenção: “Paz pode ser aprendida e ensinada”. Não só pode, como deve! Quando nascemos não sabemos exatamente o que é paz, não nascemos prontos para ela (como não nascemos prontos para a violência). Precisamos aprender o que essa palavra significa e como é bom vivê-la. Isso me faz lembrar uma música do Natiruts:
“Crianças não nascem más,
Crianças não nascem racistas
Crianças não nascem más,
Aprendem o que a gente ensina”
Inevitável olhar pra nós mesmos, impossível conter a enxurrada de perguntas que vão brotando…”Que temos feito pela paz, que não significa ausência de conflitos, que fazem parte da vida, mas sim a resolução não-violenta dos conflitos? *
Infelizmente os noticiários não divulgam a força e grandiosidade das pesquisas sobre “Paz”, não gritam em letras GARRAFAIS quantos educadores, quantas pessoas das comunidades carentes, pensam e fazem pela paz…pensam e fazem pela VIDA!
Nos resta a persistência…a insistência…a resiliência!
Começamos com duas perguntinhas capciosas e é com outras duas que encerramos:
“E você, acredita ou não? E então, o que você faz pela paz?”
JARES, Xésus, Educação para a paz: sua teoria e sua prática. Porto Alegre: Artmed, 2002
Vanessa Marques.

A Verdadeira paz não é somente a ausência de tensão, é a presença de Justiça.
Tags: Justiça, Luther King, Paz, Pensamento, vida

Ano passado, num debate sobre aborto promovido numa universidade na época da Campanha da Fraternidade de 2008 (que evocava as posições da Igreja Católica em relação a questões bioéticas e, portanto, era contrária ao aborto), vi um rapaz do DCE se levantar e lançar o seguinte questionamento: “Por que a Igreja não se preocupa também com as questões sociais do país? Por que a Campanha da Fraternização [sic] não poderia tratar, por exemplo, da Saúde Pública, da Reforma da Previdência?…”
Aquele jovem rapaz, que por sinal logo depois se candidatou a prefeito da cidade, provavelmente só tinha parado pra prestar a atenção numa Campanha da Fraternidade naquele ano, quando ela tomou uma posição que era claramente o oposto do que o seu partido pregava. A Igreja, naquele momento, era só uma instituição (palavra que por si só já trás arrepio a alguns) “reacionária”, que não pensava na situação das mulheres “negras e pobres” sem direito a um aborto “seguro”. Ou seja, “Campanha da ‘Fraternização’? Soy contra!”
Bem, mas talvez a CF do ano passado, provavelmente uma das que mais fez barulho na sociedade (nem tanto por abordar um tema polêmico, algo que não é raro nestas campanhas, mas talvez por contrariar um pouco a posição “de esquerda” que geralmente é esperada delas), tenha colaborado para que as pessoas se lembrassem do papel das Campanhas da Fraternidade de incitar a reflexão não só da Igreja, mas da sociedade em geral, sobre as realidades existenciais do povo brasileiro – e isso desde a década de 1960, beeem antes daquele rapaz ler o seu primeiro livro de Trotsk. Assuntos “sociais” já foram abordados aos montes nas CFs; só temas que falam sobre violência e paz, como o deste ano, já houve uns cinco. Mas, é claro, nunca é demais repetir, tem-se que ir cada vez mais fundo, e este é um tempo mais do que propício…
Tendo como tema “Fraternidade e Segurança Pública”, e como lema “A paz é fruto da Justiça”, a Campanha da Fraternidade de 2009, que se iniciou hoje e vai até a Páscoa, apresenta como objetivo principal “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos”.
(vídeo da CF veiculado na TV)
Dando uma olhada no texto-base, percebemos que, em síntese, a campanha pretende combater a violência com uma cultura de paz, ou seja, pensar além do simples “bota o bandido na cadeia que tudo se resolve”. Considera a negação de direitos como “raiz da violência” e rompe com a visão do combate à violência com estratégias violentas, procurando fomentar “a implementação de ações educativas, penas alternativas e fóruns de mediação de conflitos para superar os problemas e de segurança”. Luta contra a redução da maioridade penal, a pena de morte e a noção de justiça que diz que “todo mundo deve pagar pelo que fez”.
Essa visão (que num primeiro olhar também pode parecer um pouco ingênua) contrasta com a posição de alguns setores mais conservadores da Igreja, que defendem uma moralização maior da sociedade (garantia do cumprimento da lei e da ordem a qualquer custo) e da punição severa, proporcional à gravidade do delito, como meio de retaliação do crime. Pode parecer “reacionário” demais pensar assim, mas é o que vem à cabeça quando se depara com um crime hediondo como o estupro infantil, por exemplo… Ainda mais se acontecido na família. Não é?…
Os “conservadores” evocam o Catecismo; os “liberais” citam o Documento de Aparecida – ambos textos de grande valor para a Igreja, autorizados pelo papa. Eu, na minha modesta opinião, acho que quem quer se dizer cristão tem que pensar, antes disso tudo, na novidade que aquele cara chamado Jesus trouxe (não que ele tenha sido o único a falar disso, mas pelo menos é o que todos parecem mais dispostos a ouvir…).
Naquela bonita parábola do filho pródigo, o pai faz mais do que simplesmente perdoar os pecados do filho, que fez uma presepada danada com o dinheiro dele. Ele nem ouve os pecados. Antes, salta de alegria porque o filho voltou para casa (“e sempre tem a cama pronta e rango no fogão”…). Depois, certamente, como era um bom pai, deve ter conversado com ele sobre o que viveu, sobre a comida dos porcos que comeu, sobre como reparar a culpa que sentia… Pode até ter dado uma boas palmadas. Mas, naquela hora, era momento de festejar.
Vai, então, uma mensagem: não sejamos, pois, como o filho mais velho, que só se preocupou com o que o irmão FEZ. Antes de tudo, tentemos ser como o pai, que olhou para o quem o filho ERA.
Primeiro é hora de lembrar que quem erra, por incrível que pareça, também é humano. Depois, com isso em mente, a gente pensa em como reparar o erro, inclusive se lembrando de quem foi lesado (que, é claro, é tão humano quanto o outro). Sim, é difícil… mas é assim que se faz a vida. Pelo menos, pra quem acredita que o que gera a paz, antes mesmo da justiça, é o Amor…
PS: Um dos objetivos específicos da CF deste ano é denunciar “a injustiça presente na imunidade parlamentar para crimes comuns, o instituto da prisão especial e foro privilegiado”. No fim da década de 1990, uma Campanha da Fraternidade originou um movimento de combate à corrupção eleitoral, que entre suas conquistas, conseguiu implementar a 1ª lei de iniciativa popular da história do país, aquela que melhora a punição para o crime da compra de votos. Quem sabe, dessa vez, não surjam também leis que acabem com tantos “privilégios” para estes criminosos “especiais”?? Difícil, mas não impossível!…
Tags: amor, Campanha da Fraternidade, Igreja Católica, Justiça, Paz
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