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	<title>Vivo pela Vida &#187; Natal</title>
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	<description>Por que você vive? Pelo quê você vive?</description>
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		<title>O Zé que nos ensina na vida.</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 00:35:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Vinicius do Nascimento</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-medium wp-image-4305" title="padroeiro_sao_jose" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2011/12/padroeiro_sao_jose-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" />Na época que morei em uma república, um de meus amigos de apartamento era um devoto humilde e atencioso de São José. Tanto em seus atos cotidianos quanto em seu exemplo histórico, esse colega me demonstrava as virtudes do &#8220;Zé&#8221; trabalhador, humano, cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">Me lembro que meu amigo rezava o terço de São José com tanto carinho, que eu sentia que se estabelecia uma espécie de companheirismo sindical, especialmente quando era recitada a estrofe que antecede cada mistério: Ó meu glorioso São José, nas vossas maiores aflições e atribulações o Anjo não vos valeu, valei-me São José.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu amigo repetia pacientemente cada mistério. A cada novo &#8220;valei-me São José&#8221;, era como se ele dissesse:</p>
<p style="text-align: justify;">São José, o senhor sabe como é ser humano, não saber o que fazer, ter que trabalhar dia após dia. O senhor sabe como é levantar todos os dias pedindo a Deus a santificação das mãos calejadas. O senhor sabe como é sustentar a esperança a cada nova manhã, mesmo que tenhamos ido dormir sem vislumbrar a mínima possibilidade de mudança. Agora que o senhor está aí, contemplando as maravilhas e a paz que daqui eu mal posso imaginar, valei-me São José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E no dia de hoje, mais ou menos 2011 atrás, lá estava o &#8220;Zé&#8221; lutando para encontrar o melhor lugar possível para a mulher e o filho&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Que no aniversário do filho, o pai possa nos ensinar a amá-lo, ainda que isto seja somente encontrar um montinho de palha mais fofo para cuidar dos sonhos do Deus-menino&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">P.S.:Hoje topei com essa bela mensagem de Paulo Coelho (sim, ele mesmo, e justiça seja feita: o texto é muito bom). Acredito que ela sirva como uma ótima fonte de reflexão nesse momento de nascimento da alma&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-medium wp-image-4307" title="formao_carpinteiro" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2011/12/formao_carpinteiro-300x222.jpg" alt="" width="300" height="222" />&#8220;<strong>O homem que seguia seus sonhos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nasci na casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. Como foi um parto bastante complicado, minha mãe me consagrou ao santo, pedindo que me ajudasse a viver. José passou a ser uma referência para a minha vida, e desde 1987, ano seguinte à minha peregrinação a Santiago de Compostela, dou uma festa em sua homenagem, no dia 19 de março. Convido amigos, pessoas trabalhadoras e honestas, e antes do jantar, rezamos por todos aqueles que procuram manter a dignidade no que fazem. Oramos também pelos que se encontram desempregados, sem nenhuma perspectiva para o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Na pequena introdução que faço antes da prece, costumo lembrar que, das cinco vezes que a palavra “sonho” aparece no Novo Testamento, quatro se referem a José, o carpinteiro. Em todos estes casos, ela está sempre sendo convencido por um anjo a fazer exatamente o contrário do que estava planejando.</p>
<p style="text-align: justify;">O anjo pede que ele não abandone sua mulher, embora ela esteja grávida. Ele podia dizer coisas do tipo “o que os vizinhos vão pensar”. Mas volta para casa, e acredita na palavra revelada.</p>
<p style="text-align: justify;">O anjo o envia para o Egito. E sua resposta podia ter sido: “mas eu já estou aqui estabelecido como carpinteiro, tenho minha clientela, não posso deixar tudo de lado agora.” Entretanto, arruma suas coisas, e parte em direção ao desconhecido.</p>
<p style="text-align: justify;">O anjo pede que volte do Egito. E José podia ter de novo pensado: “logo agora que eu consegui estabilizar de novo minha vida, e que tenho uma família para sustentar?”</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do que o senso comum manda, José segue seus sonhos. Sabe que tem um destino a cumprir que é o destino de quase todos os homens neste planeta: proteger e sustentar sua família. Como milhões de Josés anônimos, ele procura dar conta da tarefa, mesmo tendo que fazer coisas que estão muito além de sua compreensão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde, tanto a mulher como um dos filhos se transformam nas grandes referências do Cristianismo. O terceiro pilar da família, o operário, é lembrado apenas nos presépios de final de ano, ou por aqueles que tem uma devoção especial por ele, como é o meu caso, e como é o caso de Leonardo Boff, para quem escrevi o prefácio de seu livro sobre o carpinteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Reproduzo parte de um texto do escritor Carlos Heitor Cony (espero que seja mesmo dele, porque descobri na internet!): “ Volta e meia estranham que, declarando-me agnóstico, não aceitando a idéia de um Deus filosófico, moral ou religioso, seja devoto de alguns santos do nosso calendário tradicional. Deus é um conceito ou uma entidade distante demais para os meus recursos e até mesmo para minhas necessidades.Já os santos, porque foram terrenos, com os mesmos alicerces de barro de que fui feito, merecem mais do que a minha admiração. Merecem mesmo a minha devoção.</p>
<p style="text-align: justify;">“São José é um deles. Os Evangelhos não registram uma única palavra sua, somente gestos, e uma referência explícita: &#8220;vir justus&#8221;. Um homem justo. Como se tratava de um carpinteiro, e não de um juiz, deduz-se que José era acima de tudo um bom. Bom como carpinteiro, bom como esposo, bom como pai de um garoto que dividiria a história do mundo.”</p>
<p style="text-align: justify;">Belas palavras de Cony. E eu, muitas vezes, leio aberrações do tipo: “Jesus foi para a Índia aprender com os mestres do Himalaia”. Para mim, todo homem pode transformar em sagrada a tarefa que lhe é dada pela vida, e Jesus aprendeu enquanto José, o homem justo, o ensinava a fazer mesas, cadeiras, camas.<img class="alignright size-medium wp-image-4308" title="lirio" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2011/12/lirio-300x202.jpg" alt="" width="300" height="202" /></p>
<p style="text-align: justify;">No meu imaginário, gosto de pensar que a mesa onde o Cristo consagrou o pão e o vinho, teria sido feita por José – porque ali estava a mão de um carpinteiro anônimo, que ganhava a vida com o suor do seu rosto e, justamente por causa disso, permitia que os milagres se manifestassem.&#8221;</p>


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		<title>Pensamento do Dia</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Dec 2010 09:24:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Resgala</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Hope]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Minha concepção do natal, seja ele à moda antiga ou mais moderno, é algo bastante simples: amar uns aos outros. Mas, pense comigo, por que nós temos que esperar pelo Natal para agir assim?&#8221; Bob Hope Gostou? Veja também:Pensamento do Dia Pensamento do Dia Pensamento do Dia


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2010/12/Neném-natal.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3941" title="Neném natal" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2010/12/Neném-natal.jpg" alt="Neném natal" width="284" height="263" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong>&#8220;Minha concepção do natal, seja ele à moda antiga ou mais moderno, é algo bastante simples: amar uns aos outros. Mas, pense comigo, por que nós temos que esperar pelo Natal para agir assim?&#8221; </strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bob_Hope" target="_blank">Bob Hope</a></em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Natal de José (pt. 2)</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 00:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Resgala</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
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		<category><![CDATA[Conto de Natal]]></category>
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		<category><![CDATA[Mensagem]]></category>

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		<description><![CDATA[(Veja a primeira parte aqui) Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um estrangeiro em sua própria cidade, em meio a antigos familiares: [...]


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<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/19/o-natal-de-jose-pt-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José'>O Natal de José</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/12/24/o-natal-de-jose-pt-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/mãos.jpg"><img title="mãos" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/mãos.jpg" alt="mãos" width="469" height="346" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/mãos.jpg"></a><em>(Veja a primeira parte <a href="http://vivopelavida.com.br/2009/12/23/o-natal-de-jose-parte-1/" target="_blank">aqui</a>) </em></p>
<p style="text-align: justify;">Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um <strong>estrangeiro</strong> em sua própria cidade, em meio a antigos familiares:</p>
<p style="text-align: justify;">_ Lamento, não há mais lugar na hospedaria.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Mas minha mulher pode dar a <strong>luz</strong> a qualquer momento&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Olhe, José, veja se alguém se dispõe a ceder-lhes o lugar. Por mim, não posso fazer nada&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Entristecia-lhe o coração, e o de Maria também. Que ironia, o Rei não tem casa mesmo antes de nascer&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Maria meditava sobre aquilo tudo, lembrando-se das profecias. Sabia que seu filho seria rejeitado, sabia que ele haveria de passar pelos piores momentos, desde a hora em que fora concebido em seu ventre. A salvação já estava no mundo, há nove meses. Era chegada a hora de o mundo a <strong>conhecer</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Então começaram as contrações. José, preocupado, procurava alguém que lhes cedesse um quarto, uma cama, ao menos por algumas horas. Mas a pequena vila estava em polvorosa, todos preocupados demais com as confusões que a burocracia do tal recenseamento provocava. Os próprios parentes lhe viravam a cara tão logo o avistavam, por saber que procurava alojamento.</p>
<p style="text-align: justify;">_ É só por alguns instantes, o garoto está nascendo!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas seu grito se perdia em meio ao barulho da pequena multidão. Um bêbado riu da sua cara, perguntando se ele agora era mago, pois já sabia o sexo da criança antes de nascer. Foi o único que lhe escutou.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltou para onde estava Maria, amparou-a pelo ombro e saiu a caminhar com ela, decidido, em direção aos arredores da vila.</p>
<p style="text-align: justify;">Encontraram um pequeno <strong>curral</strong>, onde alguns animais pastavam, tranqüilos. Catou algumas palhas e folhas de capim, e rapidamente arrumou um local limpo para a mulher deitar. Já anoitecia.</p>
<p style="text-align: justify;">Os gemidos de Maria agora aumentavam, as contrações pareciam cada vez maiores. Segurou forte sua mão e afagou-lhe os cabelos, dizendo-lhe algumas palavras de consolo. Mas ela não parecia desconsolada; muito pelo contrário, parecia concentrar todas suas energias naquilo que estava para acontecer, no que seria o momento mais <strong>sublime</strong> de toda sua vida até então.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem tirar os olhos de Maria, José arrumava tudo, limpando o pequeno local com uma espécie de espanador que improvisou com folhas e galhos de um arbusto.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma chuva fina começou a cair. “Que bom!”, ele pensou. Saiu a procurar por folhas grandes, achou numa árvore a poucos metros. Usou uma pequena corda que alguém esquecera no curral para amarrar duas folhas em forma de concha, e atou-as na borda do teto da cabana, de modo que fossem recebendo pingos da chuva. Em pouco tempo tinha duas “canecas” d’água. Ofereceu-as a Maria, que exigiu que ele bebesse um pouco também.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José – disse ela, enquanto segurava sua cabeça e olhava-lhe nos olhos – O filho que Deus nos deu está vindo ao mundo!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Bendito seja Deus, minha Maria! Bendito seja!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então ocorreu-lhe que precisariam de um lugar para repousar a criança. Olhou para um lado e para o outro, pensando no que poderia fazer; viu então um <strong>cocho</strong> onde os animais comiam. Estava vazio, e provavelmente só o abasteceriam no outro dia de manhã.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Me desculpem, bichinhos&#8230; mas hoje esse cocho vai ter outra utilidade&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Levou-o para perto de onde Maria estava, e começou a limpá-lo. Botou algumas palhas para amaciar, e forrou com folhas e pétalas de algumas flores que encontrou. Ficou um belo ninho.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, pegue os panos que trouxemos na viagem&#8230; Para envolver o pequeno&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Separou então os panos, e foi para junto de Maria. Os <strong>gemidos</strong> aumentavam, ela começava a transpirar cada vez mais. José não cessava de enxugar sua testa com um dos panos e dar-lhe goles da água que pegava com as conchas.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria sentiu então que era <em>chegada a hora</em>, e pediu a seu esposo para ajudá-la. Apoiou as costas na parede, de modo a ficar um pouco inclinada, enquanto concentrava suas forças para o parto. Um pouco trêmulo, José pôde ver a cabecinha do bebê ir aparecendo, pouco a pouco, enquanto tentava ajudá-lo a sair&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">De repente, um <strong>choro</strong> tímido cortou o ar, assustando os animais que se refugiavam no canto do estábulo. Era o pequeno Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">José o pegou nos braços, enquanto, habilidoso, cortava o cordão umbilical com sua faca. Limpou-o, envolveu-o com os panos, e tratou de entregá-lo à mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A cena que viu então não poderia ser descrita nem pelo mais inspirado dos oradores, nem pelo mais habilidoso dos pintores. Aquele olhar de Maria para seu filho, para o seu pequeno Jesus, foi a coisa mais <strong>maravilhosa</strong> que poderia contemplar em toda a sua vida. O menino parara de chorar, e abrira os pequenos olhos, fitando os da mãe, que correspondia com um olhar profundo, como se enxergasse a alma do pequeno ser que estava em suas mãos. Era como se já se conhecessem (e, na verdade, já se conheciam&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;">Foi então que Maria, sorrindo, olhou para o marido, e estendeu-lhe o bebê. José, estremecendo um pouco, sorriu e o pegou no colo. Pôde então contemplar seus olhos, suas pequenas mãozinhas, cada pedacinho do corpo daquele pequenino <strong>milagre</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nisso ouviram um ruído por trás das árvores. Viraram-se, e notaram uma criança a observar aquela cena. Provavelmente, o filho do dono do curral.</p>
<p style="text-align: justify;">José, sereno, botou o dedo na boca, fazendo-lhe sinal de silêncio. O garoto correspondeu, como que entendendo que não devia contar para ninguém. Então virou-se, correu para dentro de casa, e rapidamente voltou com alguns <strong>figos</strong> na mão. Como adivinhara que eles tinham fome? Deixou-os ao lado de Maria, e botou novamente o dedo nos lábios, pedindo segredo. Ela correspondeu, sorrindo, e o garoto partiu correndo.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim foi o primeiro Natal. Sem uma <em>família</em> numerosa, sem <em>comida</em> farta, sem grandes <em>presentes</em>. Mas, para aquela pequena família, abandonada num pequeno curral, não havia momento mais <strong>feliz</strong>. Maria sorria como nunca, enquanto descansava e contemplava tudo em seu coração. Com Jesus nos braços, José balbuciava um salmo qualquer, agradecendo por poder vivenciar tudo aquilo. Estava maravilhado, sentia uma sensação indescritível de plenitude, como se tudo, enfim, já estivesse consumado. Diria até que poderia morrer feliz naquele momento, não fosse a vontade enorme de criar aquele filho com todo o amor do mundo, cumprir a maravilhosa missão que lhe havia sido concedida. A vida tinha <strong>sentido</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Notou então uma <strong>estrela</strong> a brilhar mais forte no céu. A chuva cessara, as nuvens aos poucos iam dissipando-se. Lembrou-se então daquela noite de angústia, ao sair da casa de Maria, e de repente, meio que sem saber por que, se viu a pensar sobre o que seriam as estrelas, as nuvens, a lua. Diziam que, no Oriente, havia magos capazes de desvendar o segredo dos astros, saber o significado de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, naquele momento, não precisava ser um mago para saber o que dizia aquela estrela.</p>
<p style="text-align: justify;">Bastava um <strong>coração</strong> de carpinteiro.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/alpha_cen-060713-41cm-6sec-800asa-nz-s.jpg"><img title="Estrela Natal" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/alpha_cen-060713-41cm-6sec-800asa-nz-s.jpg" alt="Estrela Natal" width="492" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>Gabriel Resgala – 20.12.08</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(originalmente publicado no <a href="http://humanando.blogspot.com/2008/12/o-natal-de-jos.html" target="_blank">Humanando</a>)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><em><strong>A você, nossos sinceros votos de um grandioso Natal – tão grandioso que seu espírito perdure para bem além desta data!&#8230;</strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong> </strong></em></p>
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<p style="text-align: justify;"><em>Veja a primeira parte aqui) [LINK])</em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um <strong>estrangeiro</strong> em sua própria cidade, em meio a antigos familiares:</p>
<p style="text-align: justify;">_ Lamento, não há mais lugar na hospedaria.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Mas minha mulher pode dar a <strong>luz</strong> a qualquer momento&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Olhe, José, veja se alguém se dispõe a ceder-lhes o lugar. Por mim, não posso fazer nada&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Entristecia-lhe o coração, e o de Maria também. Que ironia, o Rei não tem casa mesmo antes de nascer&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Maria meditava sobre aquilo tudo, lembrando-se das profecias. Sabia que seu filho seria rejeitado, sabia que ele haveria de passar pelos piores momentos, desde a hora em que fora concebido em seu ventre. A salvação já estava no mundo, há nove meses. Era chegada a hora de o mundo a <strong>conhecer</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Então começaram as contrações. José, preocupado, procurava alguém que lhes cedesse um quarto, uma cama, ao menos por algumas horas. Mas a pequena vila estava em polvorosa, todos preocupados demais com as confusões que a burocracia do tal recenseamento provocava. Os próprios parentes lhe viravam a cara tão logo o avistavam, por saber que procurava alojamento.</p>
<p style="text-align: justify;">_ É só por alguns instantes, o garoto está nascendo!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas seu grito se perdia em meio ao barulho da pequena multidão. Um bêbado riu da sua cara, perguntando se ele agora era mago, pois já sabia o sexo da criança antes de nascer. Foi o único que lhe escutou.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltou para onde estava Maria, amparou-a pelo ombro e saiu a caminhar com ela, decidido, em direção aos arredores da vila.</p>
<p style="text-align: justify;">Encontraram um pequeno <strong>curral</strong>, onde alguns animais pastavam, tranqüilos. Catou algumas palhas e folhas de capim, e rapidamente arrumou um local limpo para a mulher deitar. Já anoitecia.</p>
<p style="text-align: justify;">Os gemidos de Maria agora aumentavam, as contrações pareciam cada vez maiores. Segurou forte sua mão e afagou-lhe os cabelos, dizendo-lhe algumas palavras de consolo. Mas ela não parecia desconsolada; muito pelo contrário, parecia concentrar todas suas energias naquilo que estava para acontecer, no que seria o momento mais <strong>sublime</strong> de toda sua vida até então.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem tirar os olhos de Maria, José arrumava tudo, limpando o pequeno local com uma espécie de espanador que improvisou com folhas e galhos de um arbusto.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma chuva fina começou a cair. “Que bom!”, ele pensou. Saiu a procurar por folhas grandes, achou numa árvore a poucos metros. Usou uma pequena corda que alguém esquecera no curral para amarrar duas folhas em forma de concha, e atou-as na borda do teto da cabana, de modo que fossem recebendo pingos da chuva. Em pouco tempo tinha duas “canecas” d’água. Ofereceu-as a Maria, que exigiu que ele bebesse um pouco também.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José – disse ela, enquanto segurava sua cabeça e olhava-lhe nos olhos – O filho que Deus nos deu está vindo ao mundo!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Bendito seja Deus, minha Maria! Bendito seja!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então ocorreu-lhe que precisariam de um lugar para repousar a criança. Olhou para um lado e para o outro, pensando no que poderia fazer; viu então um <strong>cocho</strong> onde os animais comiam. Estava vazio, e provavelmente só o abasteceriam no outro dia de manhã.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Me desculpem, bichinhos&#8230; mas hoje esse cocho vai ter outra utilidade&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Levou-o para perto de onde Maria estava, e começou a limpá-lo. Botou algumas palhas para amaciar, e forrou com folhas e pétalas de algumas flores que encontrou. Ficou um belo ninho.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, pegue os panos que trouxemos na viagem&#8230; Para envolver o pequeno&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Separou então os panos, e foi para junto de Maria. Os <strong>gemidos</strong> aumentavam, ela começava a transpirar cada vez mais. José não cessava de enxugar sua testa com um dos panos e dar-lhe goles da água que pegava com as conchas.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria sentiu então que era <em>chegada a hora</em>, e pediu a seu esposo para ajudá-la. Apoiou as costas na parede, de modo a ficar um pouco inclinada, enquanto concentrava suas forças para o parto. Um pouco trêmulo, José pôde ver a cabecinha do bebê ir aparecendo, pouco a pouco, enquanto tentava ajudá-lo a sair&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">De repente, um <strong>choro</strong> tímido cortou o ar, assustando os animais que se refugiavam no canto do estábulo. Era o pequeno Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">José o pegou nos braços, enquanto, habilidoso, cortava o cordão umbilical com sua faca. Limpou-o, envolveu-o com os panos, e tratou de entregá-lo à mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A cena que viu então não poderia ser descrita nem pelo mais inspirado dos oradores, nem pelo mais habilidoso dos pintores. Aquele olhar de Maria para seu filho, para o seu pequeno Jesus, foi a coisa mais <strong>maravilhosa</strong> que poderia contemplar em toda a sua vida. O menino parara de chorar, e abrira os pequenos olhos, fitando os da mãe, que correspondia com um olhar profundo, como se enxergasse a alma do pequeno ser que estava em suas mãos. Era como se já se conhecessem (e, na verdade, já se conheciam&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;">Foi então que Maria, sorrindo, olhou para o marido, e estendeu-lhe o bebê. José, estremecendo um pouco, sorriu e o pegou no colo. Pôde então contemplar seus olhos, suas pequenas mãozinhas, cada pedacinho do corpo daquele pequenino <strong>milagre</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nisso ouviram um ruído por trás das árvores. Viraram-se, e notaram uma criança a observar aquela cena. Provavelmente, o filho do dono do curral.</p>
<p style="text-align: justify;">José, sereno, botou o dedo na boca, fazendo-lhe sinal de silêncio. O garoto correspondeu, como que entendendo que não devia contar para ninguém. Então virou-se, correu para dentro de casa, e rapidamente voltou com alguns <strong>figos</strong> na mão. Como adivinhara que eles tinham fome? Deixou-os ao lado de Maria, e botou novamente o dedo nos lábios, pedindo segredo. Ela correspondeu, sorrindo, e o garoto partiu correndo.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim foi o primeiro Natal. Sem uma <em>família</em> numerosa, sem <em>comida</em> farta, sem grandes <em>presentes</em>. Mas, para aquela pequena família, abandonada num pequeno curral, não havia momento mais <strong>feliz</strong>. Maria sorria como nunca, enquanto descansava e contemplava tudo em seu coração. Com Jesus nos braços, José balbuciava um salmo qualquer, agradecendo por poder vivenciar tudo aquilo. Estava maravilhado, sentia uma sensação indescritível de plenitude, como se tudo, enfim, já estivesse consumado. Diria até que poderia morrer feliz naquele momento, não fosse a vontade enorme de criar aquele filho com todo o amor do mundo, cumprir a maravilhosa missão que lhe havia sido concedida. A vida tinha <strong>sentido</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Notou então uma <strong>estrela</strong> a brilhar mais forte no céu. A chuva cessara, as nuvens aos poucos iam dissipando-se. Lembrou-se então daquela noite de angústia, ao sair da casa de Maria, e de repente, meio que sem saber por que, se viu a pensar sobre o que seriam as estrelas, as nuvens, a lua. Diziam que, no Oriente, havia magos capazes de desvendar o segredo dos astros, saber o significado de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, naquele momento, não precisava ser um mago para saber o que dizia aquela estrela.</p>
<p style="text-align: justify;">Bastava um <strong>coração</strong> de carpinteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: right;" align="right"><em>Gabriel Resgala – 20.12.08</em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><em>(originalmente publicado no Humanando [LINK])</em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;" align="center">
<p style="text-align: center;" align="center">A você, nossos sinceros votos de um grandioso Natal – tão grandioso que seu espírito perdure para bem além desta data!&#8230;</p>
<p></mce></div>


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<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/19/o-natal-de-jose-pt-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José'>O Natal de José</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/12/24/o-natal-de-jose-pt-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Natal de José</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Dec 2010 01:07:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Resgala</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Natal]]></category>
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		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Conto de Natal]]></category>
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		<description><![CDATA[A garota corria radiante pelas ruas de pedra do pequeno vilarejo; quem a visse passar, nem que fosse por uma fração de segundo, certamente notaria o sorriso encantador que transfigurava-lhe todo o rosto, excedendo os limites dos lábios. Com certeza tinha algo muito bom a fazer, aonde quer que estivesse indo&#8230; Chegou à pequena casa, [...]


Gostou? Veja também:<ol><li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/20/o-natal-de-jose-pt-2-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/12/23/o-natal-de-jose-parte-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 1)'>O Natal de José (pt. 1)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/12/24/o-natal-de-jose-pt-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/por-do-sol.jpg"><img class="size-full wp-image-3165 aligncenter" title="Pôr do sol" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/por-do-sol.jpg" alt="Pôr do sol" width="477" height="337" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A garota corria radiante pelas ruas de pedra do pequeno vilarejo; quem a visse passar, nem que fosse por uma fração de segundo, certamente notaria o <strong>sorriso </strong>encantador que transfigurava-lhe todo o rosto, excedendo os limites dos lábios. Com certeza tinha algo muito bom a fazer, aonde quer que estivesse indo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Chegou à pequena casa, bateu ansiosa à porta.</p>
<p style="text-align: justify;">_ “Seu” Zé! “Seu” Zé!</p>
<p style="text-align: justify;">José estava nos fundos, cortando pacientemente um duro pedaço de madeira, que parecia nunca ceder. Era daquelas madeiras enjoadas, difíceis de cortar, mas fáceis de lascar. Já lhe tomara boa parte da tarde, mas o pacato Zé não parecia angustiado; pelo contrário, mostrava-se excitado com o desafio de achar a dose <strong>certa </strong>de força a se aplicar. <em>“Madeiras são como pessoas”</em>, pensava. <em>“Cada uma exige a habilidade certa para se lidar, o equilíbrio correto&#8230;”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Mas a notícia que receberia, ao abrir a porta assustado, lhe lembraria alguém capaz de lhe desconcertar por inteiro, fazendo-o se sentir sem habilidade alguma.</p>
<p style="text-align: justify;">_ “Seu” Zé, a Maria chegou!</p>
<p style="text-align: justify;">Imediatamente bateu na roupa para tirar o pó, pegou as sandálias e saiu afoito, andando o mais rápido que podia. A idade o impedia de correr como a pequena mensageira, mas não de sorrir como ela. Os observadores daquelas ruelas agora viam um jovem senhor a ir <strong>ansioso </strong>pelo caminho inverso ao da menina serelepe, num misto de encantamento e angústia.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, aquele sereno coração de carpinteiro era capaz de se angustiar, como qualquer outro; mas a sensação agora era simplesmente aquela tênue angústia de quem não vê a hora de matar uma doce saudade.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria chegou! A minha Maria&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Chegou à casa, bateu na porta. Joaquim atendeu, jovial.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ora, ora! Mas a noiva mal chegou e você já vem vê-la, heim? Não vai nem esperar a moça descansar da viagem?.Esse é o meu genro!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Riu e o abraçou, caloroso. Não havia sogro mais bem-humorado.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Vamos entrando! Maria está no quarto com a mãe, arrumando suas coisas. Logo, logo aparece&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">José sorriu, enquanto tentava segurar a ansiedade. Esse <em>“logo, logo”</em> poderia ser uma eternidade. Que remédio, teria mesmo que esperar! Mas paciência&#8230; pra quem já esperara mais de três meses&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Conversou longamente com Joaquim, até que chegou Ana.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Olá, José. Maria está lhe esperando. Ela quer muito falar com você.</p>
<p style="text-align: justify;">Sorriu para os sogros, e foi ao tão aguardado encontro com a pequena noiva.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, meu querido!</p>
<p style="text-align: justify;">Abraçou-a forte, como se nunca mais a fosse largar. O coração disparado, os olhos brilhantes, quase transbordando, a denunciar a saudade contida. Nunca sentira aquilo por ninguém; Maria era capaz de desarmar-lhe, de fazê-lo render-se aos mais profundos sentimentos que lhe tomavam a alma. Com ela, ele tinha os sonhos mais encantadores, cheios de amor, de esperança; com ela, ele tinha <strong>fé</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Como sempre, ela estava linda. Aquela beleza encantadora, de quem comunica mais com um olhar do que com mil pergaminhos. <em>“Desvia de mim os teus olhos, porque eles me fascinam”</em>, dizia Salomão em seu Cântico. Teria ele conhecido Maria?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José, como senti saudades suas enquanto estava na casa de Isabel! Nem pudemos nos despedir quando fui, pois você estava no campo e eu parti às pressas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim, sim, eu soube!&#8230; Mas não importa, o que importa é que agora está aqui, comigo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E ria, radiante. Maria transmitia uma alegria serena, mas intensa. Estava, porém, diferente; não parecia mais aquela menina de quem José ficara noivo. O sorriso era o mesmo, mas não era o de sempre. Ela agora sorria como&#8230; como uma <strong>mulher</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José, quanta coisa linda vivi neste tempo&#8230; Quanta coisa maravilhosa! Acompanhei os três últimos meses de gravidez de Isabel, ela e Zacarias estão radiantes com o filhinho que Deus lhes deu, o pequeno João!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Gravidez? Mas Isabel não era estéril?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim! Foi um grandioso presente de Deus, uma dádiva dos céus, José!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Sorriu. Mas algo lhe dizia que Maria tinha uma coisa importante a lhe dizer. E não estava com cara de ser algo simples.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim?</p>
<p style="text-align: justify;">¬_ Sua mãe comentou que queria me contar algo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Maria ficou séria. Continuava, contudo, serena, como se contemplasse algo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sente-se&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Sentaram-se. José a olhava fixamente.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim, José&#8230; tenho algo a lhe dizer. Algo muito importante, a transformar tudo&#8230; Tudo mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Silêncio. Mesmo sem perder a serenidade, por um instante os olhos de Maria vacilaram, desviando-se para o chão. Como contar? Como dizer o indizível? Não havia como explicar. Ele teria que sentir na pele, experenciar aquilo tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230; me dê a sua mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Pegou a mão do noivo, com firmeza. Trouxe-a vagarosamente para junto de seu corpo, até que tocasse seu ventre, por cima do manto. José permaneceu alguns segundos ainda um pouco assustado, com a mão ali, tentando compreender do que se tratava. Notou que a barriga da noiva estava um pouco estufada e, de súbito, percebeu com o olhar que os seios estavam maiores, mais redondos – tirou então a mão num <strong>ímpeto</strong>, como se tivesse tocado uma chama ardente.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os olhos estavam atônitos, a boca aberta, a mente ainda sem conseguir entender. Maria continuava serena, com um olhar compassivo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, minha pequena! – disse, enfim, enquanto a abraçava, lânguido. Como foi acontecer uma coisa dessas? Por Deus, quem foi lhe fazer uma coisa dessas?!</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ele a olhava, transtornado.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Meu Senhor, quem teve a coragem de lhe fazer isso, minha Maria? Quem foi o homem sem coração que não teve piedade de ti?&#8230; Quem é este, que não ama a própria vida?&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Parou, e olhou-a profundamente.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, ninguém me fez <strong>mal </strong>algum.</p>
<p style="text-align: justify;">Então o corpo de José paralisou-se. Entrou em estado de <strong>choque</strong>, não conseguia mover os olhos esbugalhados, a boca aberta, as mãos caídas ao lado do corpo. Sua face estava branca como de um cadáver, não conseguia sequer elaborar algum pensamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos, porém, os movimentos foram voltando-lhe, conseguiu enfim balbuciar algo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria&#8230; você&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ela continuava séria, olhando-o com compaixão. Não parecia, de forma alguma, estar confessando um grave crime, que poderia custar-lhe a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não, não pode ser verdade. Você <strong>não</strong>, Maria. Não é possível!</p>
<p style="text-align: justify;">O olhar mariano não mudava.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria, você seria a última mulher em toda a Terra a fazer isso algum dia. Você ama a vida, Maria. Não seria capaz de fazer algo assim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ela conhecia as regras para quem fosse apanhado em adultério &#8211; um provável apedrejamento.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não, minha amada, não é necessário proteger quem lhe fez isto desta forma, nós arrumaremos um jeito! Não é preciso sacrificar-se, nem a esta pobre criança que você carrega dentro de si! Por Deus, não será preciso derramar <strong>sangue </strong>algum!</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, você crê em <strong>Deus</strong>?</p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta o desconcertou. Ele temia profundamente a Deus, e Maria não só o sabia, mas era sua companheira de orações diárias. Por que lhe perguntava isso agora?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria, você sabe que minha vida é toda do de Deus. Do Deus de Abraão, de Jacó e do pai Davi. Sem Ele, sou como o pó da estrada&#8230; não sou nada.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Então, José, ore. Ore e creia que 0 Senhor cuidará de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi para casa ainda meio que em choque, olhando para o longe sem ver nada. Ainda não conseguia entender, enquanto milhares de pensamentos percorriam concomitantemente sua cabeça. Os passos lentos de agora em nada refletiam a ansiedade de quando viera, momentos antes, pelo mesmo caminho. Agora, sim, sentia <strong>angústia </strong>de verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">A tarde já se ia, a noite começava a despontar. O céu limpo ia tomando um azul cada vez mais escuro, enquanto estrelas iam surgindo aqui e a ali. No oeste, um vermelho-alaranjado denunciava que o sol ainda estava por perto, recém-escondido atrás do monte, enquanto a lua ganhava cada vez mais brilho no horizonte oposto. Ainda estava grande e amarela, insistindo em iluminar a escuridão que surgia.</p>
<p style="text-align: justify;">O olhar de José foi se voltando para o céu, e sem perceber começou a contemplar aquela bela cena, que poderia tranqüilamente passar por corriqueira – e que, de certa forma, não deixava de sê-lo. Quando deu por si, estava parado no meio da rua, a olhar para o céu, sem pensar em nada. Por um <strong>instante</strong>, sentiu paz. Não estava sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Passou o resto da noite a meditar as escrituras, os preceitos que guardava com afinco na mente e no coração. Pensou nas penalidades aplicadas a cada caso, estupro, adultério, rejeição&#8230; A última coisa que queria era denunciar Maria, isso nunca! Morreria por ela, mesmo que tivesse cometido o pior dos pecados. Mesmo que fosse a última das pecadoras, aquela mulher merecia todo o perdão do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a lei era necessária, mas&#8230; Não seria <strong>justo</strong>! A lei servia para proteger o povo do pecado, e nisso era boa&#8230; mas como salvar a pobre alma que caísse em pecado? Quem salvaria a mulher pecadora, quem salvaria a todos?&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pensou em abandoná-la em segredo. Fugiria para longe, sem nada dizer; assim pensariam que o filho era seu, e portanto dariam todo o amparo a ela e à criança. Toda a cidade iria amaldiçoá-lo para sempre, mas sabia que Deus seria sua testemunha, e lhe protegeria de qualquer desgraça.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, era o melhor a fazer. Sangue algum seria derramado. Estava resolvido.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas&#8230; por que ainda algo não lhe parecia estar bem? Por que não sentia <strong>firmeza </strong>em seu coração?</p>
<p style="text-align: justify;">Preparou-se para dormir. Já deitado, lembrou-se do pedido de Maria para que orasse. Dirigiu-se a Deus, já sem forças, entregando-lhe toda aquela situação. Agora tudo estava em Suas mãos, já não dependia da sua limitada inteligência humana, de simples carpinteiro. Que fosse feita a vontade divina, independente de qual fosse. Recitou alguns salmos, sussurrou profecias. Dormiu rezando.</p>
<p style="text-align: justify;">Passou uma noite agitada, virando-se várias vezes na cama durante o sono. Até que uma luz fê-lo ir acordando aos poucos. Uma sensação misteriosa, então, foi apoderando-se de sua alma; arrepiou-se, sentindo um misto de <strong>temor </strong>e <strong>fascínio</strong>. Abriu os olhos devagar, distinguindo aos poucos uma figura difícil de descrever, só saberia dizer que, por algum motivo, sabia de onde aquela criatura viera. Sentia, naquele momento, que estava envolto ao sagrado.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, filho de Davi!</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, era um anjo. Um anjo a falhar-lhe!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o povo dos seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele poria nome no menino!? Então Deus havia lhe escolhido como pai!</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, creia que tudo isto aconteceu para se cumprir o que Deus falou por meio do profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emanuel, Deus conosco!”</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a profecia! Então ele fora o escolhido!</p>
<p style="text-align: justify;">_ <strong>A profecia</strong>! – gritou, levantando-se num ímpeto. O anjo sumira, agora via seu quarto, e a manhã começando a despontar timidamente no céu ainda negro, lá fora.</p>
<p style="text-align: justify;">Saiu correndo, do jeito que estava. Agora sim sentia-se um <strong>menino</strong>, a atravessas as ruas como um alazão, percorrendo o trajeto mais rápido do que nunca fizera.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria!!</p>
<p style="text-align: justify;">Nem bateu na porta, foi direto à janela do quarto da noiva, assutando-a.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria, não é preciso dizer nada, minha amada! Agora eu sei, agora eu vejo o que Deus realizou em ti! Eu sabia que seria incapaz de fazer algo assim, tu não tens pecado, minha doce Maria! Pelo contrário, és a mais pura das mulheres!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Eu nunca te trairia, meu José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Nem a mim nem a Deus, minha Maria! Eu sempre soube disso. Por isso não conseguia entender&#8230; Mas Deus me iluminou a mente, e agora eu compreendo! E como me deixa feliz ver tudo que Ele está realizando em nós! Você alcançou graça diante de Deus, minha amada. Ele te escolheu entre todas as mulheres&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José! Te digo que meu espírito exulta de alegria pelas maravilhas que Deus está realizando! Deus se fez homem, e está aqui <strong>dentro </strong>de mim&#8230; Ele olhou para a nossa humildade, nós que somos simples servos, tão pobres&#8230; Veja, José: Ele retira o trono dos poderosos, dos gananciosos, e escolhe os <strong>puros </strong>e <strong>simples</strong>!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ E nós somos testemunhas disso, minha Maria. Nossa vida será um testemunho <strong>vivo </strong>das maravilhas que Deus realiza através do seu povo!</p>
<p style="text-align: justify;">E assim foi&#8230;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Continua (amanhã!)&#8230;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/flor-no-deserto2-pb.JPG"><img class="size-full wp-image-3171 aligncenter" title="flor no deserto2 pb" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/flor-no-deserto2-pb.JPG" alt="flor no deserto2 pb" width="294" height="233" /></a><br />
</em>
</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>PS:</strong> Pelo terceiro natal consecutivo, estou publicando este conto. Gosto de fazer novas reflexões a cada ano, mas mais uma vez (especialmente pelo evangelho de hoje) me senti impelido a botar aqui este meu pequeno exercício imaginativo: &#8220;como terá sido o 1º natal aos olhos de S. José&#8221;? É uma das coisas que mais me alegro de ter conseguido fazer; não por ser uma &#8220;obra-prima&#8221;, mas pela reflexão que gera. Quais os detalhes daquela noite, e de tudo o que a antecedeu? Não percam, amanhã, as cenas do próximo capítulo&#8230; <img src='http://vivopelavida.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Natal é celebrar a VIDA!</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 23:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Júnior</dc:creator>
				<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos hoje celebrando um marco histórico no calendário cristão, repetido há 20 séculos no mundo todo, unindo povos, cores e línguas. É o nascimento de Jesus! O filho do justo carpinteiro José e da jovem e bela Maria. Seu nascimento trouxe mudanças no mundo! Provavelmente, se Jesus não tivesse nascido, o mundo como conhecemos hoje, com sua cultura e [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/presepio-2.jpg"><img class="size-full wp-image-3186 alignright" title="presepio 2" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/presepio-2.jpg" alt="presepio 2" width="266" height="400" /></a>Estamos hoje celebrando um <strong>marco histórico</strong> no calendário cristão, repetido há 20 séculos no mundo todo, unindo povos, cores e línguas. É o nascimento de Jesus! O filho do justo carpinteiro José e da jovem e bela Maria.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu nascimento trouxe mudanças no mundo! Provavelmente, se Jesus não tivesse nascido, o mundo como conhecemos hoje, com sua cultura e costumes, não seria o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">A mensagem daquele menino, divulgada desde cedo em Belém, alcançou toda a Palestina:  Jerusalém, Caná, Jericó, Samaria, e até Betânia, um leprosário. Mesmo após a morte de Jesus, a mensagem chegou como luz em Damasco, e posteriormente iluminou a Ásia Menor, Grécia e Roma, estendendo-se para além do judaísmo convertido, alcançando toda a <strong>humanidade</strong>!</p>
<p style="text-align: justify;">E que mensagem é essa? Em uma simples definição: A mensagem do <strong>Amor </strong>e da <strong>Vida</strong>. O cristianismo, nome dado à religião definida, traz um novo sentindo à existência humana e às relações sociais dos homens. É a &#8216;Boa Nova&#8217; do Cristo Jesus! Sua mensagem expandiu pelo mundo inteiro não por forças políticas ou interesses econômicos. Claro que em algum momento da história pode ter havido <strong>interesse</strong>, pois tudo que é infinitamente belo, infelizmente, no nosso mundo, remete à lucratividade! Todavia, sua mensagem veio mostrar que vale a pena viver e amar! Vale a pena ser gente! Vale a pena acreditar no amor!</p>
<p style="text-align: justify;">A mensagem do menino Jesus, ou do jovem nazareno ou do velho JC, continua a <strong>mesma</strong>! E como é interessante ver o Amor e Vida sendo celebrado no Natal em todo tipo de família, tanto as padronizadas (com papai, mamãe e filhinhos), quanto as &#8220;modernas&#8221; e já normais no século XXI, com vários modos e agrupamentos. Como é interessante ver o Amor e a Vida sendo celebrados em mansões com ceias fartas e presentes caros e ao mesmo tempo em favelas sem ceias e presentes, mas com presença! Como é interessante ver o Natal ser celebrado com Amor e Vida em todos os cantos da Terra, mesmo sabendo que o mundo em que vivemos e desejamos está longe do <strong>ideal </strong>de Amor e Vida pregado pelo aniversariante do dia!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/jesus1.jpg"></a><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/cristo-redentor-e-sua-sombra.jpg"><img class="size-full wp-image-3191 alignleft" title="cristo-redentor-e-sua-sombra" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/cristo-redentor-e-sua-sombra.jpg" alt="cristo-redentor-e-sua-sombra" width="270" height="201" /></a>Mas é neste <strong>antagonismo </strong>que o menino nasce de novo. O Deus que escolheu ser homem constrange os homens que querem ser reis e os reis que querem ser Deus! Há muita beleza em ser homem, há muita dignidade em ser mulher. Uma pena que no mundo da política, o que importa não é a dignidade da pessoa humana ou o ecossistema do planeta, mas o desenvolvimento, a todo custo, da economia do meu país, independente da destruição da natureza e o que deixo para a posteridade!</p>
<p style="text-align: justify;">Uma pena também que no cristianismo muitos querem ser anjos perfeitos e se esquecem que bom mesmo é ser <strong>gente</strong>! Como é estranho ver cristãos que <strong>destroem </strong>humanidades dizendo que a luz que existe dentro deles é fraqueza! Essa é a tática de pessoas cruéis que procuram destruir a bondade, a ternura, a fé nas pessoas em nome da &#8216;virtude perfeita&#8217;. Esqueceram-se que a mensagem do Mestre é o Amor e não há nada de errado em amar!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Não é função do Cristianismo, antes de qualquer outra coisa, ensinar-nos doutrinas, mas sim como viver a VIDA! (&#8230;) doutrinas e práticas religiosas são úteis quando <strong>auxiliam </strong>minha capacidade de viver com autenticidade&#8221;</em>. (Linn, Matthew. Abuso Espiritual &amp; Vício Religioso. Ed. Verus. p. 23). E desconfio que aqui esteja a essência da mensagem daquele jovem que mudou o mundo! Mensagem antiga e tão nova! Por isso é sempre uma Boa Nova, principalmente no Natal, onde os sentimentos e emoções renascem de maneira nova em poemas velhos!</p>
<p style="text-align: justify;">É neste espírito de Natal que desejamos a você uma celebração de <strong>Vida Pela Vida</strong>! Encha sua vida de novidades&#8230; Quem sabe a Vida de Jesus de Nazaré e sua mensagem não sejam <strong>uma</strong>!</p>
<p style="text-align: center;"><strong>UM FELIZ NATAL A TODOS!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/D9OS7CIVtNU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/D9OS7CIVtNU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>


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		<title>O Natal de José (pt. 2)</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 00:11:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Resgala</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Conto de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[José]]></category>
		<category><![CDATA[Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Mensagem]]></category>
		<category><![CDATA[Narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
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		<description><![CDATA[(Veja a primeira parte aqui) Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um estrangeiro em sua própria cidade, em meio a antigos familiares: [...]


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<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/20/o-natal-de-jose-pt-2-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/19/o-natal-de-jose-pt-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José'>O Natal de José</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/mãos.jpg"><img class="size-full wp-image-3176 aligncenter" title="mãos" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/mãos.jpg" alt="mãos" width="469" height="346" /></a><em>(Veja a primeira parte <a href="http://vivopelavida.com.br/2009/12/23/o-natal-de-jose-parte-1/" target="_blank">aqui</a>) </em></p>
<p style="text-align: justify;">Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um <strong>estrangeiro</strong> em sua própria cidade, em meio a antigos familiares:</p>
<p style="text-align: justify;">_ Lamento, não há mais lugar na hospedaria.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Mas minha mulher pode dar a <strong>luz</strong> a qualquer momento&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Olhe, José, veja se alguém se dispõe a ceder-lhes o lugar. Por mim, não posso fazer nada&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Entristecia-lhe o coração, e o de Maria também. Que ironia, o Rei não tem casa mesmo antes de nascer&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Maria meditava sobre aquilo tudo, lembrando-se das profecias. Sabia que seu filho seria rejeitado, sabia que ele haveria de passar pelos piores momentos, desde a hora em que fora concebido em seu ventre. A salvação já estava no mundo, há nove meses. Era chegada a hora de o mundo a <strong>conhecer</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Então começaram as contrações. José, preocupado, procurava alguém que lhes cedesse um quarto, uma cama, ao menos por algumas horas. Mas a pequena vila estava em polvorosa, todos preocupados demais com as confusões que a burocracia do tal recenseamento provocava. Os próprios parentes lhe viravam a cara tão logo o avistavam, por saber que procurava alojamento.</p>
<p style="text-align: justify;">_ É só por alguns instantes, o garoto está nascendo!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas seu grito se perdia em meio ao barulho da pequena multidão. Um bêbado riu da sua cara, perguntando se ele agora era mago, pois já sabia o sexo da criança antes de nascer. Foi o único que lhe escutou.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltou para onde estava Maria, amparou-a pelo ombro e saiu a caminhar com ela, decidido, em direção aos arredores da vila.</p>
<p style="text-align: justify;">Encontraram um pequeno <strong>curral</strong>, onde alguns animais pastavam, tranqüilos. Catou algumas palhas e folhas de capim, e rapidamente arrumou um local limpo para a mulher deitar. Já anoitecia.</p>
<p style="text-align: justify;">Os gemidos de Maria agora aumentavam, as contrações pareciam cada vez maiores. Segurou forte sua mão e afagou-lhe os cabelos, dizendo-lhe algumas palavras de consolo. Mas ela não parecia desconsolada; muito pelo contrário, parecia concentrar todas suas energias naquilo que estava para acontecer, no que seria o momento mais <strong>sublime</strong> de toda sua vida até então.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem tirar os olhos de Maria, José arrumava tudo, limpando o pequeno local com uma espécie de espanador que improvisou com folhas e galhos de um arbusto.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma chuva fina começou a cair. “Que bom!”, ele pensou. Saiu a procurar por folhas grandes, achou numa árvore a poucos metros. Usou uma pequena corda que alguém esquecera no curral para amarrar duas folhas em forma de concha, e atou-as na borda do teto da cabana, de modo que fossem recebendo pingos da chuva. Em pouco tempo tinha duas “canecas” d’água. Ofereceu-as a Maria, que exigiu que ele bebesse um pouco também.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José – disse ela, enquanto segurava sua cabeça e olhava-lhe nos olhos – O filho que Deus nos deu está vindo ao mundo!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Bendito seja Deus, minha Maria! Bendito seja!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então ocorreu-lhe que precisariam de um lugar para repousar a criança. Olhou para um lado e para o outro, pensando no que poderia fazer; viu então um <strong>cocho</strong> onde os animais comiam. Estava vazio, e provavelmente só o abasteceriam no outro dia de manhã.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Me desculpem, bichinhos&#8230; mas hoje esse cocho vai ter outra utilidade&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Levou-o para perto de onde Maria estava, e começou a limpá-lo. Botou algumas palhas para amaciar, e forrou com folhas e pétalas de algumas flores que encontrou. Ficou um belo ninho.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, pegue os panos que trouxemos na viagem&#8230; Para envolver o pequeno&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Separou então os panos, e foi para junto de Maria. Os <strong>gemidos</strong> aumentavam, ela começava a transpirar cada vez mais. José não cessava de enxugar sua testa com um dos panos e dar-lhe goles da água que pegava com as conchas.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria sentiu então que era <em>chegada a hora</em>, e pediu a seu esposo para ajudá-la. Apoiou as costas na parede, de modo a ficar um pouco inclinada, enquanto concentrava suas forças para o parto. Um pouco trêmulo, José pôde ver a cabecinha do bebê ir aparecendo, pouco a pouco, enquanto tentava ajudá-lo a sair&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">De repente, um <strong>choro</strong> tímido cortou o ar, assustando os animais que se refugiavam no canto do estábulo. Era o pequeno Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">José o pegou nos braços, enquanto, habilidoso, cortava o cordão umbilical com sua faca. Limpou-o, envolveu-o com os panos, e tratou de entregá-lo à mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A cena que viu então não poderia ser descrita nem pelo mais inspirado dos oradores, nem pelo mais habilidoso dos pintores. Aquele olhar de Maria para seu filho, para o seu pequeno Jesus, foi a coisa mais <strong>maravilhosa</strong> que poderia contemplar em toda a sua vida. O menino parara de chorar, e abrira os pequenos olhos, fitando os da mãe, que correspondia com um olhar profundo, como se enxergasse a alma do pequeno ser que estava em suas mãos. Era como se já se conhecessem (e, na verdade, já se conheciam&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;">Foi então que Maria, sorrindo, olhou para o marido, e estendeu-lhe o bebê. José, estremecendo um pouco, sorriu e o pegou no colo. Pôde então contemplar seus olhos, suas pequenas mãozinhas, cada pedacinho do corpo daquele pequenino <strong>milagre</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nisso ouviram um ruído por trás das árvores. Viraram-se, e notaram uma criança a observar aquela cena. Provavelmente, o filho do dono do curral.</p>
<p style="text-align: justify;">José, sereno, botou o dedo na boca, fazendo-lhe sinal de silêncio. O garoto correspondeu, como que entendendo que não devia contar para ninguém. Então virou-se, correu para dentro de casa, e rapidamente voltou com alguns <strong>figos</strong> na mão. Como adivinhara que eles tinham fome? Deixou-os ao lado de Maria, e botou novamente o dedo nos lábios, pedindo segredo. Ela correspondeu, sorrindo, e o garoto partiu correndo.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim foi o primeiro Natal. Sem uma <em>família</em> numerosa, sem <em>comida</em> farta, sem grandes <em>presentes</em>. Mas, para aquela pequena família, abandonada num pequeno curral, não havia momento mais <strong>feliz</strong>. Maria sorria como nunca, enquanto descansava e contemplava tudo em seu coração. Com Jesus nos braços, José balbuciava um salmo qualquer, agradecendo por poder vivenciar tudo aquilo. Estava maravilhado, sentia uma sensação indescritível de plenitude, como se tudo, enfim, já estivesse consumado. Diria até que poderia morrer feliz naquele momento, não fosse a vontade enorme de criar aquele filho com todo o amor do mundo, cumprir a maravilhosa missão que lhe havia sido concedida. A vida tinha <strong>sentido</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Notou então uma <strong>estrela</strong> a brilhar mais forte no céu. A chuva cessara, as nuvens aos poucos iam dissipando-se. Lembrou-se então daquela noite de angústia, ao sair da casa de Maria, e de repente, meio que sem saber por que, se viu a pensar sobre o que seriam as estrelas, as nuvens, a lua. Diziam que, no Oriente, havia magos capazes de desvendar o segredo dos astros, saber o significado de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, naquele momento, não precisava ser um mago para saber o que dizia aquela estrela.</p>
<p style="text-align: justify;">Bastava um <strong>coração</strong> de carpinteiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/alpha_cen-060713-41cm-6sec-800asa-nz-s.jpg"><img class="size-full wp-image-3177 aligncenter" title="Estrela Natal" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/alpha_cen-060713-41cm-6sec-800asa-nz-s.jpg" alt="Estrela Natal" width="492" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>Gabriel Resgala – 20.12.08</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(originalmente publicado no <a href="http://humanando.blogspot.com/2008/12/o-natal-de-jos.html" target="_blank">Humanando</a>)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>PS: </strong>Devido a problemas de conexão, só agora consegui <em>postar </em>essa segunda parte do conto, que estava prevista para hoje de manhã. Peço desculpas, mas creio que ainda é tempo: afinal o &#8220;amanhã&#8221; de ontem ainda não acabou&#8230; rsrsrs&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><em><strong>A você, nossos sinceros votos de um grandioso Natal – tão grandioso que seu espírito perdure para bem além desta data!&#8230;</strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><br />
</strong></em></p>
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<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em>Veja a primeira parte aqui) [LINK])</em></p>
<p class="MsoNormal"><em> </em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um <strong>estrangeiro</strong> em sua própria cidade, em meio a antigos familiares:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ Lamento, não há mais lugar na hospedaria.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ Mas minha mulher pode dar a <strong>luz</strong> a qualquer momento&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ Olhe, José, veja se alguém se dispõe a ceder-lhes o lugar. Por mim, não posso fazer nada&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Entristecia-lhe o coração, e o de Maria também. Que ironia, o Rei não tem casa mesmo antes de nascer&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Maria meditava sobre aquilo tudo, lembrando-se das profecias. Sabia que seu filho seria rejeitado, sabia que ele haveria de passar pelos piores momentos, desde a hora em que fora concebido em seu ventre. A salvação já estava no mundo, há nove meses. Era chegada a hora de o mundo a <strong>conhecer</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Então começaram as contrações. José, preocupado, procurava alguém que lhes cedesse um quarto, uma cama, ao menos por algumas horas. Mas a pequena vila estava em polvorosa, todos preocupados demais com as confusões que a burocracia do tal recenseamento provocava. Os próprios parentes lhe viravam a cara tão logo o avistavam, por saber que procurava alojamento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ É só por alguns instantes, o garoto está nascendo!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Mas seu grito se perdia em meio ao barulho da pequena multidão. Um bêbado riu da sua cara, perguntando se ele agora era mago, pois já sabia o sexo da criança antes de nascer. Foi o único que lhe escutou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Voltou para onde estava Maria, amparou-a pelo ombro e saiu a caminhar com ela, decidido, em direção aos arredores da vila.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Encontraram um pequeno <strong>curral</strong>, onde alguns animais pastavam, tranqüilos. Catou algumas palhas e folhas de capim, e rapidamente arrumou um local limpo para a mulher deitar. Já anoitecia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Os gemidos de Maria agora aumentavam, as contrações pareciam cada vez maiores. Segurou forte sua mão e afagou-lhe os cabelos, dizendo-lhe algumas palavras de consolo. Mas ela não parecia desconsolada; muito pelo contrário, parecia concentrar todas suas energias naquilo que estava para acontecer, no que seria o momento mais <strong>sublime</strong> de toda sua vida até então.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Sem tirar os olhos de Maria, José arrumava tudo, limpando o pequeno local com uma espécie de espanador que improvisou com folhas e galhos de um arbusto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Uma chuva fina começou a cair. “Que bom!”, ele pensou. Saiu a procurar por folhas grandes, achou numa árvore a poucos metros. Usou uma pequena corda que alguém esquecera no curral para amarrar duas folhas em forma de concha, e atou-as na borda do teto da cabana, de modo que fossem recebendo pingos da chuva. Em pouco tempo tinha duas “canecas” d’água. Ofereceu-as a Maria, que exigiu que ele bebesse um pouco também.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ José – disse ela, enquanto segurava sua cabeça e olhava-lhe nos olhos – O filho que Deus nos deu está vindo ao mundo!&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ Bendito seja Deus, minha Maria! Bendito seja!&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Então ocorreu-lhe que precisariam de um lugar para repousar a criança. Olhou para um lado e para o outro, pensando no que poderia fazer; viu então um <strong>cocho</strong> onde os animais comiam. Estava vazio, e provavelmente só o abasteceriam no outro dia de manhã.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ Me desculpem, bichinhos&#8230; mas hoje esse cocho vai ter outra utilidade&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Levou-o para perto de onde Maria estava, e começou a limpá-lo. Botou algumas palhas para amaciar, e forrou com folhas e pétalas de algumas flores que encontrou. Ficou um belo ninho.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">_ José, pegue os panos que trouxemos na viagem&#8230; Para envolver o pequeno&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Separou então os panos, e foi para junto de Maria. Os <strong>gemidos</strong> aumentavam, ela começava a transpirar cada vez mais. José não cessava de enxugar sua testa com um dos panos e dar-lhe goles da água que pegava com as conchas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Maria sentiu então que era <em>chegada a hora</em>, e pediu a seu esposo para ajudá-la. Apoiou as costas na parede, de modo a ficar um pouco inclinada, enquanto concentrava suas forças para o parto. Um pouco trêmulo, José pôde ver a cabecinha do bebê ir aparecendo, pouco a pouco, enquanto tentava ajudá-lo a sair&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">De repente, um <strong>choro</strong> tímido cortou o ar, assustando os animais que se refugiavam no canto do estábulo. Era o pequeno Jesus.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">José o pegou nos braços, enquanto, habilidoso, cortava o cordão umbilical com sua faca. Limpou-o, envolveu-o com os panos, e tratou de entregá-lo à mãe.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A cena que viu então não poderia ser descrita nem pelo mais inspirado dos oradores, nem pelo mais habilidoso dos pintores. Aquele olhar de Maria para seu filho, para o seu pequeno Jesus, foi a coisa mais <strong>maravilhosa</strong> que poderia contemplar em toda a sua vida. O menino parara de chorar, e abrira os pequenos olhos, fitando os da mãe, que correspondia com um olhar profundo, como se enxergasse a alma do pequeno ser que estava em suas mãos. Era como se já se conhecessem (e, na verdade, já se conheciam&#8230;).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Foi então que Maria, sorrindo, olhou para o marido, e estendeu-lhe o bebê. José, estremecendo um pouco, sorriu e o pegou no colo. Pôde então contemplar seus olhos, suas pequenas mãozinhas, cada pedacinho do corpo daquele pequenino <strong>milagre</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Nisso ouviram um ruído por trás das árvores. Viraram-se, e notaram uma criança a observar aquela cena. Provavelmente, o filho do dono do curral.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">José, sereno, botou o dedo na boca, fazendo-lhe sinal de silêncio. O garoto correspondeu, como que entendendo que não devia contar para ninguém. Então virou-se, correu para dentro de casa, e rapidamente voltou com alguns <strong>figos</strong> na mão. Como adivinhara que eles tinham fome? Deixou-os ao lado de Maria, e botou novamente o dedo nos lábios, pedindo segredo. Ela correspondeu, sorrindo, e o garoto partiu correndo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">E assim foi o primeiro Natal. Sem uma <em>família</em> numerosa, sem <em>comida</em> farta, sem grandes <em>presentes</em>. Mas, para aquela pequena família, abandonada num pequeno curral, não havia momento mais <strong>feliz</strong>. Maria sorria como nunca, enquanto descansava e contemplava tudo em seu coração. Com Jesus nos braços, José balbuciava um salmo qualquer, agradecendo por poder vivenciar tudo aquilo. Estava maravilhado, sentia uma sensação indescritível de plenitude, como se tudo, enfim, já estivesse consumado. Diria até que poderia morrer feliz naquele momento, não fosse a vontade enorme de criar aquele filho com todo o amor do mundo, cumprir a maravilhosa missão que lhe havia sido concedida. A vida tinha <strong>sentido</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Notou então uma <strong>estrela</strong> a brilhar mais forte no céu. A chuva cessara, as nuvens aos poucos iam dissipando-se. Lembrou-se então daquela noite de angústia, ao sair da casa de Maria, e de repente, meio que sem saber por que, se viu a pensar sobre o que seriam as estrelas, as nuvens, a lua. Diziam que, no Oriente, havia magos capazes de desvendar o segredo dos astros, saber o significado de cada um.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Mas, naquele momento, não precisava ser um mago para saber o que dizia aquela estrela.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Bastava um <strong>coração</strong> de carpinteiro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"><em>Gabriel Resgala – 20.12.08</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"><em>(originalmente publicado no Humanando [LINK])</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"><em> </em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center">A você, nossos sinceros votos de um grandioso Natal – tão grandioso que seu espírito perdure para bem além desta data!&#8230;</p>
<p></mce></div></p>


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<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/20/o-natal-de-jose-pt-2-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/19/o-natal-de-jose-pt-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José'>O Natal de José</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Natal de José (pt. 1)</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 07:08:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Resgala</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A garota corria radiante pelas ruas de pedra do pequeno vilarejo; quem a visse passar, nem que fosse por uma fração de segundo, certamente notaria o sorriso encantador que transfigurava-lhe todo o rosto, excedendo os limites dos lábios. Com certeza tinha algo muito bom a fazer, aonde quer que estivesse indo&#8230; Chegou à pequena casa, [...]


Gostou? Veja também:<ol><li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/12/24/o-natal-de-jose-pt-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/20/o-natal-de-jose-pt-2-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/19/o-natal-de-jose-pt-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José'>O Natal de José</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/por-do-sol.jpg"><img class="size-full wp-image-3165 aligncenter" title="Pôr do sol" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/por-do-sol.jpg" alt="Pôr do sol" width="477" height="337" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A garota corria radiante pelas ruas de pedra do pequeno vilarejo; quem a visse passar, nem que fosse por uma fração de segundo, certamente notaria o <strong>sorriso </strong>encantador que transfigurava-lhe todo o rosto, excedendo os limites dos lábios. Com certeza tinha algo muito bom a fazer, aonde quer que estivesse indo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Chegou à pequena casa, bateu ansiosa à porta.</p>
<p style="text-align: justify;">_ “Seu” Zé! “Seu” Zé!</p>
<p style="text-align: justify;">José estava nos fundos, cortando pacientemente um duro pedaço de madeira, que parecia nunca ceder. Era daquelas madeiras enjoadas, difíceis de cortar, mas fáceis de lascar. Já lhe tomara boa parte da tarde, mas o pacato Zé não parecia angustiado; pelo contrário, mostrava-se excitado com o desafio de achar a dose <strong>certa </strong>de força a se aplicar. <em>“Madeiras são como pessoas”</em>, pensava. <em>“Cada uma exige a habilidade certa para se lidar, o equilíbrio correto&#8230;”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Mas a notícia que receberia, ao abrir a porta assustado, lhe lembraria alguém capaz de lhe desconcertar por inteiro, fazendo-o se sentir sem habilidade alguma.</p>
<p style="text-align: justify;">_ “Seu” Zé, a Maria chegou!</p>
<p style="text-align: justify;">Imediatamente bateu na roupa para tirar o pó, pegou as sandálias e saiu afoito, andando o mais rápido que podia. A idade o impedia de correr como a pequena mensageira, mas não de sorrir como ela. Os observadores daquelas ruelas agora viam um jovem senhor a ir <strong>ansioso </strong>pelo caminho inverso ao da menina serelepe, num misto de encantamento e angústia.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, aquele sereno coração de carpinteiro era capaz de se angustiar, como qualquer outro; mas a sensação agora era simplesmente aquela tênue angústia de quem não vê a hora de matar uma doce saudade.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria chegou! A minha Maria&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Chegou à casa, bateu na porta. Joaquim atendeu, jovial.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ora, ora! Mas a noiva mal chegou e você já vem vê-la, heim? Não vai nem esperar a moça descansar da viagem?.Esse é o meu genro!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Riu e o abraçou, caloroso. Não havia sogro mais bem-humorado.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Vamos entrando! Maria está no quarto com a mãe, arrumando suas coisas. Logo, logo aparece&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">José sorriu, enquanto tentava segurar a ansiedade. Esse <em>“logo, logo”</em> poderia ser uma eternidade. Que remédio, teria mesmo que esperar! Mas paciência&#8230; pra quem já esperara mais de três meses&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Conversou longamente com Joaquim, até que chegou Ana.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Olá, José. Maria está lhe esperando. Ela quer muito falar com você.</p>
<p style="text-align: justify;">Sorriu para os sogros, e foi ao tão aguardado encontro com a pequena noiva.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, meu querido!</p>
<p style="text-align: justify;">Abraçou-a forte, como se nunca mais a fosse largar. O coração disparado, os olhos brilhantes, quase transbordando, a denunciar a saudade contida. Nunca sentira aquilo por ninguém; Maria era capaz de desarmar-lhe, de fazê-lo render-se aos mais profundos sentimentos que lhe tomavam a alma. Com ela, ele tinha os sonhos mais encantadores, cheios de amor, de esperança; com ela, ele tinha <strong>fé</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Como sempre, ela estava linda. Aquela beleza encantadora, de quem comunica mais com um olhar do que com mil pergaminhos. <em>“Desvia de mim os teus olhos, porque eles me fascinam”</em>, dizia Salomão em seu Cântico. Teria ele conhecido Maria?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José, como senti saudades suas enquanto estava na casa de Isabel! Nem pudemos nos despedir quando fui, pois você estava no campo e eu parti às pressas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim, sim, eu soube!&#8230; Mas não importa, o que importa é que agora está aqui, comigo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E ria, radiante. Maria transmitia uma alegria serena, mas intensa. Estava, porém, diferente; não parecia mais aquela menina de quem José ficara noivo. O sorriso era o mesmo, mas não era o de sempre. Ela agora sorria como&#8230; como uma <strong>mulher</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José, quanta coisa linda vivi neste tempo&#8230; Quanta coisa maravilhosa! Acompanhei os três últimos meses de gravidez de Isabel, ela e Zacarias estão radiantes com o filhinho que Deus lhes deu, o pequeno João!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Gravidez? Mas Isabel não era estéril?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim! Foi um grandioso presente de Deus, uma dádiva dos céus, José!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Sorriu. Mas algo lhe dizia que Maria tinha uma coisa importante a lhe dizer. E não estava com cara de ser algo simples.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim?</p>
<p style="text-align: justify;">¬_ Sua mãe comentou que queria me contar algo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Maria ficou séria. Continuava, contudo, serena, como se contemplasse algo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sente-se&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Sentaram-se. José a olhava fixamente.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sim, José&#8230; tenho algo a lhe dizer. Algo muito importante, a transformar tudo&#8230; Tudo mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Silêncio. Mesmo sem perder a serenidade, por um instante os olhos de Maria vacilaram, desviando-se para o chão. Como contar? Como dizer o indizível? Não havia como explicar. Ele teria que sentir na pele, experenciar aquilo tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230; me dê a sua mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Pegou a mão do noivo, com firmeza. Trouxe-a vagarosamente para junto de seu corpo, até que tocasse seu ventre, por cima do manto. José permaneceu alguns segundos ainda um pouco assustado, com a mão ali, tentando compreender do que se tratava. Notou que a barriga da noiva estava um pouco estufada e, de súbito, percebeu com o olhar que os seios estavam maiores, mais redondos – tirou então a mão num <strong>ímpeto</strong>, como se tivesse tocado uma chama ardente.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os olhos estavam atônitos, a boca aberta, a mente ainda sem conseguir entender. Maria continuava serena, com um olhar compassivo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, minha pequena! – disse, enfim, enquanto a abraçava, lânguido. Como foi acontecer uma coisa dessas? Por Deus, quem foi lhe fazer uma coisa dessas?!</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ele a olhava, transtornado.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Meu Senhor, quem teve a coragem de lhe fazer isso, minha Maria? Quem foi o homem sem coração que não teve piedade de ti?&#8230; Quem é este, que não ama a própria vida?&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Parou, e olhou-a profundamente.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, ninguém me fez <strong>mal </strong>algum.</p>
<p style="text-align: justify;">Então o corpo de José paralisou-se. Entrou em estado de <strong>choque</strong>, não conseguia mover os olhos esbugalhados, a boca aberta, as mãos caídas ao lado do corpo. Sua face estava branca como de um cadáver, não conseguia sequer elaborar algum pensamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos, porém, os movimentos foram voltando-lhe, conseguiu enfim balbuciar algo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria&#8230; você&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ela continuava séria, olhando-o com compaixão. Não parecia, de forma alguma, estar confessando um grave crime, que poderia custar-lhe a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não, não pode ser verdade. Você <strong>não</strong>, Maria. Não é possível!</p>
<p style="text-align: justify;">O olhar mariano não mudava.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria, você seria a última mulher em toda a Terra a fazer isso algum dia. Você ama a vida, Maria. Não seria capaz de fazer algo assim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ela conhecia as regras para quem fosse apanhado em adultério &#8211; um provável apedrejamento.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não, minha amada, não é necessário proteger quem lhe fez isto desta forma, nós arrumaremos um jeito! Não é preciso sacrificar-se, nem a esta pobre criança que você carrega dentro de si! Por Deus, não será preciso derramar <strong>sangue </strong>algum!</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, você crê em <strong>Deus</strong>?</p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta o desconcertou. Ele temia profundamente a Deus, e Maria não só o sabia, mas era sua companheira de orações diárias. Por que lhe perguntava isso agora?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria, você sabe que minha vida é toda do de Deus. Do Deus de Abraão, de Jacó e do pai Davi. Sem Ele, sou como o pó da estrada&#8230; não sou nada.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Então, José, ore. Ore e creia que 0 Senhor cuidará de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi para casa ainda meio que em choque, olhando para o longe sem ver nada. Ainda não conseguia entender, enquanto milhares de pensamentos percorriam concomitantemente sua cabeça. Os passos lentos de agora em nada refletiam a ansiedade de quando viera, momentos antes, pelo mesmo caminho. Agora, sim, sentia <strong>angústia </strong>de verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">A tarde já se ia, a noite começava a despontar. O céu limpo ia tomando um azul cada vez mais escuro, enquanto estrelas iam surgindo aqui e a ali. No oeste, um vermelho-alaranjado denunciava que o sol ainda estava por perto, recém-escondido atrás do monte, enquanto a lua ganhava cada vez mais brilho no horizonte oposto. Ainda estava grande e amarela, insistindo em iluminar a escuridão que surgia.</p>
<p style="text-align: justify;">O olhar de José foi se voltando para o céu, e sem perceber começou a contemplar aquela bela cena, que poderia tranqüilamente passar por corriqueira – e que, de certa forma, não deixava de sê-lo. Quando deu por si, estava parado no meio da rua, a olhar para o céu, sem pensar em nada. Por um <strong>instante</strong>, sentiu paz. Não estava sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Passou o resto da noite a meditar as escrituras, os preceitos que guardava com afinco na mente e no coração. Pensou nas penalidades aplicadas a cada caso, estupro, adultério, rejeição&#8230; A última coisa que queria era denunciar Maria, isso nunca! Morreria por ela, mesmo que tivesse cometido o pior dos pecados. Mesmo que fosse a última das pecadoras, aquela mulher merecia todo o perdão do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a lei era necessária, mas&#8230; Não seria <strong>justo</strong>! A lei servia para proteger o povo do pecado, e nisso era boa&#8230; mas como salvar a pobre alma que caísse em pecado? Quem salvaria a mulher pecadora, quem salvaria a todos?&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pensou em abandoná-la em segredo. Fugiria para longe, sem nada dizer; assim pensariam que o filho era seu, e portanto dariam todo o amparo a ela e à criança. Toda a cidade iria amaldiçoá-lo para sempre, mas sabia que Deus seria sua testemunha, e lhe protegeria de qualquer desgraça.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, era o melhor a fazer. Sangue algum seria derramado. Estava resolvido.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas&#8230; por que ainda algo não lhe parecia estar bem? Por que não sentia <strong>firmeza </strong>em seu coração?</p>
<p style="text-align: justify;">Preparou-se para dormir. Já deitado, lembrou-se do pedido de Maria para que orasse. Dirigiu-se a Deus, já sem forças, entregando-lhe toda aquela situação. Agora tudo estava em Suas mãos, já não dependia da sua limitada inteligência humana, de simples carpinteiro. Que fosse feita a vontade divina, independente de qual fosse. Recitou alguns salmos, sussurrou profecias. Dormiu rezando.</p>
<p style="text-align: justify;">Passou uma noite agitada, virando-se várias vezes na cama durante o sono. Até que uma luz fê-lo ir acordando aos poucos. Uma sensação misteriosa, então, foi apoderando-se de sua alma; arrepiou-se, sentindo um misto de <strong>temor </strong>e <strong>fascínio</strong>. Abriu os olhos devagar, distinguindo aos poucos uma figura difícil de descrever, só saberia dizer que, por algum motivo, sabia de onde aquela criatura viera. Sentia, naquele momento, que estava envolto ao sagrado.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, filho de Davi!</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, era um anjo. Um anjo a falhar-lhe!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o povo dos seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele poria nome no menino!? Então Deus havia lhe escolhido como pai!</p>
<p style="text-align: justify;">_ José, creia que tudo isto aconteceu para se cumprir o que Deus falou por meio do profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emanuel, Deus conosco!”</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a profecia! Então ele fora o escolhido!</p>
<p style="text-align: justify;">_ <strong>A profecia</strong>! – gritou, levantando-se num ímpeto. O anjo sumira, agora via seu quarto, e a manhã começando a despontar timidamente no céu ainda negro, lá fora.</p>
<p style="text-align: justify;">Saiu correndo, do jeito que estava. Agora sim sentia-se um <strong>menino</strong>, a atravessas as ruas como um alazão, percorrendo o trajeto mais rápido do que nunca fizera.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria!!</p>
<p style="text-align: justify;">Nem bateu na porta, foi direto à janela do quarto da noiva, assutando-a.</p>
<p style="text-align: justify;">_ José!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Maria, não é preciso dizer nada, minha amada! Agora eu sei, agora eu vejo o que Deus realizou em ti! Eu sabia que seria incapaz de fazer algo assim, tu não tens pecado, minha doce Maria! Pelo contrário, és a mais pura das mulheres!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Eu nunca te trairia, meu José&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Nem a mim nem a Deus, minha Maria! Eu sempre soube disso. Por isso não conseguia entender&#8230; Mas Deus me iluminou a mente, e agora eu compreendo! E como me deixa feliz ver tudo que Ele está realizando em nós! Você alcançou graça diante de Deus, minha amada. Ele te escolheu entre todas as mulheres&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah, José! Te digo que meu espírito exulta de alegria pelas maravilhas que Deus está realizando! Deus se fez homem, e está aqui <strong>dentro </strong>de mim&#8230; Ele olhou para a nossa humildade, nós que somos simples servos, tão pobres&#8230; Veja, José: Ele retira o trono dos poderosos, dos gananciosos, e escolhe os <strong>puros </strong>e <strong>simples</strong>!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ E nós somos testemunhas disso, minha Maria. Nossa vida será um testemunho <strong>vivo </strong>das maravilhas que Deus realiza através do seu povo!</p>
<p style="text-align: justify;">E assim foi&#8230;</p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://vivopelavida.com.br/2009/12/24/o-natal-de-jose-pt-2/" target="_blank">Continua&#8230;</a></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/flor-no-deserto2-pb.JPG"><img class="size-full wp-image-3171 aligncenter" title="flor no deserto2 pb" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/flor-no-deserto2-pb.JPG" alt="flor no deserto2 pb" width="294" height="233" /></a><br />
</em>
</p>
<p style="text-align: left;"><em>PS: Como disse <a href="http://vivopelavida.com.br/2009/12/22/uma-reflexao-de-natal/" target="_blank">ontem</a>, este conto não tem pretensão alguma de ser uma narrativa definitiva, de seguir algum rigor. Me inspirei nos Evangelhos, mas foi sobretudo uma liberdade que tomei, deixando a criatividade reinar no Natal, assim como deve ter reinado na cabeça daquele casal, ao preparar um berçário num curral…</em></p>


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<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/20/o-natal-de-jose-pt-2-2/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 2)'>O Natal de José (pt. 2)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2010/12/19/o-natal-de-jose-pt-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José'>O Natal de José</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Uma Reflexão de Natal&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 08:04:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Resgala</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Universal]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Este fim de ano, pra variar, está sendo puxado (um dos motivos do meu sumiço aqui do site&#8230;). Tem muita coisa acontecendo, mas basta dizer três palavras pra todo mundo entender perfeitamente a gravidade da situação e nem querer saber do resto: “Reta Final do Mestrado”. Nessas situações, a gente fica sempre querendo se concentrar [...]


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<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/12/23/o-natal-de-jose-parte-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 1)'>O Natal de José (pt. 1)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/06/09/reflexao-sobre-a-vida/' rel='bookmark' title='Reflexão sobre a vida&#8230;'>Reflexão sobre a vida&#8230;</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Natal-de-reflexão.jpg"><img class="size-full wp-image-3142 aligncenter" title="Natal" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Natal-de-reflexão.jpg" alt="Natal" width="408" height="269" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Este fim de ano, pra variar, está sendo <em>puxado </em>(um dos motivos do meu sumiço aqui do <em>site</em>&#8230;). Tem muita coisa acontecendo, mas basta dizer três palavras pra todo mundo entender perfeitamente a gravidade da situação e nem querer saber do resto: <em>“Reta Final do Mestrado”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Nessas situações, a gente fica sempre querendo se concentrar no que é mais “importante”, deixar o resto de lado. Mas aí vem o <strong>Natal</strong>. Sim, o Natal: luzes, papais-noéis, rua movimentada até de noite, sorrisos, amigos-ocultos, músicas da Simone&#8230; Este ano pensei que iria passar praticamente imune a isso tudo. Mas, felizmente, não consegui. Em parte, graças à prefeitura de Juiz de Fora &#8211; impossível passar pelo centro da cidade e não desviar o olhar pra decoração de Natal, esse ano eles capricharam. Sem perceber, você já <strong>parou</strong>. E refletiu.</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_3136" class="wp-caption      alignright" style="width: 263px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: center;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Central-natal-2.jpg"><img class="size-full wp-image-3136" title="Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Central-natal-2.jpg" alt="Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora" width="253" height="180" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd" style="text-align: center;"><em>Cine-Theatro Central &#8211; J. de Fora</em></dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">E foi o que fiz domingo, enquanto o padre dizia na missa que o Natal<em> “é a maior festa da humanidade”</em>. Na hora, qualquer um com um pouco de conhecimento sobre doutrina se sentiria impelido a corrigi-lo, a lembrar que a maior festa do Cristianismo é a Páscoa&#8230; Mas – péra lá! Ele disse “da <strong>humanidade</strong>”, não foi? Foi. Então talvez ele tenha razão. O Natal está <strong>além </strong>das fronteiras do Cristianismo, unindo tantas culturas diferentes em torno de uma mesmo clima&#8230; Cada uma do seu jeito, é verdade: na Europa celebram o dia de S. Nicolau (o “Papai Noel de verdade”); nos EUA gostam de duendes, renas, da tal da “magia”; no Japão fazem um boneco com olhos na nuca que <a href="http://74.125.93.132/search?q=cache:http://educadi.psico.ufrgs.br/ildo/proj97/natal/natal0305.html" target="_blank">vigia as crianças arteiras</a>. Mas o fato é que o Natal está muito além de ser uma festa “só” cristã. A própria <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Natal" target="_blank">origem</a> da data tem a ver com o dia da celebração pagã ao deus sol – já que não sabiam ao certo quando Jesus nasceu, resolveram dizer: <em>“comemoremos no dia do maior dos deuses, que é o mesmo em qualquer lugar”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Mas por que será que é normal ouvir um <em>hare krishna</em>, budista ou ateu desejando “<strong>feliz Natal</strong>” a alguém, sem nenhum constrangimento? Se muitos que a comemoram sequer acreditam em Deus (muito menos em Papai Noel), o que há de tão universal assim nessa data, para ser tão lembrada?&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/ceia-de-natal.jpg"><img class="size-full wp-image-3149 alignleft" title="Ceia de Natal" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/ceia-de-natal.jpg" alt="Ceia de Natal" width="257" height="164" /></a>Bem, Natal é um tempo de <strong>solidariedade</strong>, de <strong>paz</strong>. E, é claro, da tríade <strong>família-presentes-comida</strong>, que não pode faltar. Natal, pra todo mundo, é tempo de trocar presentes regados a uma ceia apetitosa ao lado dos parentes mais próximos (ou não tão próximos assim&#8230;). Seja uma família pequenininha mãe-pai-e-filho ou aquelas enormes de quem tem 3 casamentos no currículo, cada um com dois filhos e uma ex-sogra. Natal é sagrado: tem que passar todo mundo junto.</p>
<p style="text-align: justify;">E, convenhamos, é <strong>bonito</strong>. Presentes são uma bela forma de demonstrar carinho, e fazer a alegria do outro. Compartilhar uma boa ceia é comungar o prazer, a fartura, e todo o simbolismo que essa refeição traz. E é muito bom ter uma data em especial no ano pra reunir toda a família num clima de confraternização (ao contrário dos velórios&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Papai-Noel-assustando-crianças.jpg"><img class="size-full wp-image-3143   alignright" title="Papai Noel e a alegria do Natal" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Papai-Noel-assustando-crianças.jpg" alt="Papai Noel e a alegria do Natal" width="182" height="214" /></a>Mas então&#8230; Surge outra pergunta. Se é algo assim tão universal, por que tem tanta gente que <strong>não gosta</strong> de Natal?</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, senhor. Tem muita gente. E nem é preciso recorrer a blogueiros mau-humorados ou piadistas de <em>Stand-up</em>. Você provavelmente deve conhecer alguém pra quem essa data tenha um sentimento meio melancólico, triste – mesmo que essa pessoa não conte isso pra ninguém&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas&#8230; Por quê? Justo numa data que deveria trazer tanta <strong>alegria</strong>?&#8230; Bem, talvez exatamente por pensar nessas coisas que <strong>condicionamos </strong>à alegria, nessa época. Tem gente que passa o Natal <em>sem </em>paz, <em>sem</em> solidariedade – ou que passa a noite se lembrando de tanta gente <em>carente </em>dessas coisas, pelo mundo afora. Para muitos, <em>não há</em> presentes. <em>Não há</em> comida. E a família não é o <em>ideal </em>que se imagina&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, é triste. Talvez essa melancolia seja também um pouco constitutiva do Natal, lado a lado com a alegria. Talvez o Natal não seja tão <em>colorido </em>quanto os dos comerciais na TV&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/nascimento-de-jesus.jpg"><img class="size-full wp-image-3141   alignleft" title="Noite de Natal" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/12/nascimento-de-jesus.jpg" alt="Noite de Natal" width="222" height="288" /></a>Mas aí, sabe&#8230; Me pego a pensar no <strong>primeiro</strong> Natal. Que também é uma cena universal. Não precisa ter um credo específico pra se emocionar com a bela história de uma Maria, um José e um pequeno filho&#8230; Que, naquela noite, ao que parece, não tiveram a solidariedade dos próprios familiares de José, ficando sem abrigo e talvez sem comida. Os presentes dos Reis Magos? Só algum tempo depois, ué. Nem com um <em>boeing</em> eles chegariam a um fim-de-mundo como Belém na mesma noite&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Foi uma noite que não lembra em nada as nossas noites de Natal, hoje. Mas talvez não tenha existido noite mais <strong>Feliz</strong>&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Em homenagem a essa Noite, então, relembrarei aqui, a partir de amanhã, um desafio que me fiz no ano passado, no meu <a href="http://humanando.blogspot.com/2008/12/o-natal-de-jos.html" target="_blank">blog pessoal</a>: imaginar como teria sido aquela <strong>primeira noite</strong>. Deu um conto interessante, profundo pra uns, estranho pra outros; mas de forma alguma definitivo, pretendendo seguir algum rigor. Me inspirei nos Evangelhos, mas foi sobretudo uma <strong>liberdade </strong>que tomei, deixando a criatividade reinar no Natal, assim como deve ter reinado na cabeça daquele casal, ao preparar um berçário num curral&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Naquela noite nasceu a <strong>Esperança</strong>. Em meio a toda a alegria dos perus, Papais-Noéis e tios bêbados, não nos esqueçamos, pois, do que é mais importante. Não a deixemos <strong>morrer</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param value="http://www.youtube.com/v/L8GPR2bOzAU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/L8GPR2bOzAU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/L8GPR2bOzAU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em> </em>
</p>
<p style="text-align: center;"><em>“O Amor nasceu em meio ao frio de uma noite&#8230;”</em></p>


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<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/12/23/o-natal-de-jose-parte-1/' rel='bookmark' title='O Natal de José (pt. 1)'>O Natal de José (pt. 1)</a></li>
<li><a href='http://vivopelavida.com.br/2009/06/09/reflexao-sobre-a-vida/' rel='bookmark' title='Reflexão sobre a vida&#8230;'>Reflexão sobre a vida&#8230;</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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