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Ok. Acho divertido compartilhar zoações de Justin Bieber, Restart, Crepúsculo e companhia nas redes sociais – é claro, desde que não entre no campo da ofensa. Eles próprios parecem que não ligam muito pra isso, e convenhamos, garotinhos que se apresentam como “rockstars” usando calças do Tiririca e óculos do Chaves estão pedindo para serem zoados. Gostemos ou não, todos hão de concordar que a cultura pop de hoje não é pra ser levada a sério, é uma grande brincadeira…

Mas tem gente que parece realmente ficar incomodada com essa tal “cultura de massa”, indignados com a “má qualidade”, envergonhados com o impressionante sucesso internacional que a música do Michel Teló está tendo… A esses, gostaria de dar minha singela opinião: fiquem tranqüilos, já foi pior. Bem pior.

Sim, minha gente. Basta cavucar um pouquinho na memória e – dependendo do seu grau de masoquismo – pesquisar no Google para fazer uma comparação entre a “música ruim” de hoje e a “música ruim” de 10, 15 anos atrás. Atenção: eu disse “ruim”! Nada de Cidade Negra, Cássia Eller e essas coisas que têm trocentos mil comentários no Youtube do tipo “naquele tempo é que era bom, tinha música de qualidade!” e tal…

Procure por clássicos como “Boquinha da Garrafa”, “Dança do Maxixe”, “O pinto do meu pai”, “Comprei uma panela de pressão” (ET e Rodolfo, lembra??), “Melô da Tiazinha”, “Dança da Manivela”, “Um Tapinha não Dói”, “Dança da Motinha”,  “Vai Serginho”, “Lacraia”, “Entra e sai na porta da frente na porta de trás”… Quer pop adolescente? Tente “Ó menina deixa disso quero te conhecer”, “Chalalalalá como eu quero te amar”, “Assererrê”…  Quer rock? Tente “Pula, filha da pula”, “Bagulho no Bumba”, “Es****** na manivela”… E olha que só citei músicas que estouraram nas paradas, nem falei dos “proibidões”… E nem mesmo adentrei no terreno do pagode, para que amanhã você não seja zoado no trabalho por ficar cantarolando Você jogou fora, o amor que eu te dei… o sonho que sonhei-ei-ei a cada minuto.

E outra: no século atual, não somos mais tão obrigados a ouvir coisas de que não gostamos a toda hora. Quem se lembra dos anos 90 sabe que era quase impossível não ser bombardeado a todo segundo com tais “mantras”: no rádio, na TV, no som instalado no porta-malas do carro do vizinho, emitindo mais decibéis que um avião decolando (lembra? bem pior que os celulares nos ônibus de hoje!), na festinha da escola, ou em absolutamente qualquer lugar, pois volta e meia alguém cantarolava alguma tosquice dessas – mesmo sem querer, pois era simplesmente impossível desgrudá-las do córtex. Já hoje temos internet, TV a cabo, shows mais acessíveis, maior diversidade e liberdade para os artistas, que não são mais tããão reféns das gravadoras… Hoje, se você só freqüenta certos lugares e só assiste a determinadas coisas, tem chances razoáveis de não ser incomodado com o que não gosta. Quer ver? Lembre-se de como você conheceu o Restart. Provavelmente foi na internet, procurando no Google pra ver o que era “essa coisa que todo mundo fala mal” ou através de um link no qual você clicou pela própria vontade. A própria música “Ai se eu te pego”, apesar de ter se espalhado pelos cantos do país já no início de 2011, só ficou conhecida por muitos daqueles que hoje a criticam depois que virou sucesso internacional na voz do Teló. Precisou chegar em Israel para incomodar.

Portanto, amigo, tudo bem que atualmente estamos um tanto carentes da chamada “música boa”, mas em termos de “música ruim”, acredite: já passamos pela fase pior. Hits “chatinho-chiclete” sempre existiram e sempre existirão – e logo todo mundo enjoa e eles somem da mesma forma que vieram. Pode acreditar: nada do que estamos vivendo é sinal de que o mundo vai acabar em 2012 – até porque, convenhamos: se ele não acabou no ano 2000, ao som do Bonde do Tigrão, não acaba mais!!

PS1: Ao escrever este post, me dei conta de que nem sempre é fácil definir o que faz com que uma música seja “ruim” ou “boa” – se é que existe um limite tão específico entre uma coisa e outra. Tem gente que fala que é por causa da letra pobre, mas cá pra nós… já viu coisa mais simplista do que só ficar repetindo o refrão “vale, vale tudo, só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher” por mais de três minutos, sem nenhuma estrofe? Ou ainda “tomo guaraná, suco de caju, goiabada para a sobremesa” por 17 vezes seguidas?? E, no entanto, ninguém nega que Tim Maia, apesar de maluco, era muito, muio bom. Muito menos eu!…

Sossego, um “swing do bom” que, acreditem, tem apenas 1 acorde:

 ”O cara estuda 25 anos de violino, toca Bach, Beethoven, Chopin. Aí o Tim Maia convida pra tocar Sossego: uma nota só, Dó!”

PS2: Vejam só que coisa: a internet acabou de me informar que Suzana Alves, a Tiazinha, está fazendo mestrado na USP! As voltas que a vida dá, não??

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CasaEncarei uma mudança há algumas semanas. E, é claro, ainda não deu tempo de arrumar tudo na casa nova – e nem de me sentir realmente “em casa” aqui, apesar de o novo apê ser infinitamente melhor do que o outro… Por melhor que seja, demora um pouco pra nossa casa ser realmente a “nossa casa”, né?…

Quando pensa em mudança a gente sempre pensa em trabalho, estresse, dificuldades de adaptação… Realmente é difícil. Mas sabe que às vezes esse friozinho na barriga na hora de tomar o caminho de casa e lembrar que  “é pro outro lado” me dá uma sensação boa… de mudança, mesmo, na vida, de desapego às coisas que, por mais que sejam boas (e o apê antigo com certeza vai ter sempre um cantinho do coração!), ainda podem melhorar…

E volta e meia me pego lembrando dessa musiquinha da Legião, que fala “de quem deixou a segurança do seu mundo”… Tá certo que ainda não é estritamente o meu caso (por enquanto só uni minha escova de dentes com a da minha irmã), mas me faz pensar na mudança de uma outra forma.

Fiquemos então com ela, ilustrada por esse videozinho que, como diriam as meninas, é totalmente “ahhhhh que fofo!!”. Afinal, “o mundo anda tão complicado”

O mundo anda tão complicado

(Renato Russo)

Gosto de ver você dormir
Que nem criança, com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira…
Aperta o passo por causa da garoa!
Me empresta um par de meias,
A gente chega na sessão das dez.
Hoje eu acordo ao meio-dia,
Amanhã é a sua vez…

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você!

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão.
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som…

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito,
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço…

Vamos chamar nossos amigos,
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo.
Temos a semana inteira pela frente,
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor, por amor…

PS: Créditos do Vídeo - Rachel e Marcelo Tanaka

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Se tem alguma coisa que me diverte na internet é a capacidade de conhecer coisas diferentes.

Em um instante, posso ver histórias bizarras do equador, notícias sobre a comunidade científica anti-darwinista, conceitos de design contemporâneo, e o que mais me agrada: Músicas que eu ainda não conhecia!

Essa semana tive uma grata surpresa, a banda 4 Cabeça. 4 violões e vozes que fazem a diferença na mesmice da MPB dos últimos anos…


Carcaça – 4 Cabeça

As letras são marcadas por uma reflexão cultural misturada a rimas inteligentes e melodiosas. Com uma postura autenticamente brasileira, eles inovam na forma e no conteúdo.


Brasis – 4 Cabeça

Com um jeito poético de ver e cantar a vida, conquistaram definitivamente o lugar na minha playlist.


Lembrei – 4 Cabeça

(obs. Existem poucos vídeos do 4 Cabeça no youtube, então desculpem a qualidade dos mesmos)

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Nascer do solCai uma pequena tempestade lá fora. Perdi a conta de quantas já caíram essa semana, daquelas de alagar tudo e derrubar casas. Na TV vejo uma enchente atrás da outra em cidades já caóticas, um terremoto atrás do outro num país já imensamente devastado pelo descaso humano. Mas é um lindo dia.

Morre uma grande ativista, que todos desejaríamos ser imortal. Governantes são filmados botando dinheiro na meia e na cueca, dão uma desculpa qualquer e são absolvidos. E, em ano de eleição, o povo se descabela à procura de um menos-pior. Um lindo dia.

Pra uns, um ano que parece já começar triste, à espera do fim do mundo. Para outros… o dia ainda está bonito lá fora.

Com vocês, U2. Não deixe o dia escapar.

U2 – Beautiful Day (com legendas)

PS1: Dica: clique no botão com as 4 setinhas para ver em tela inteira.

PS2: O toró é de verdade, mas esperei estiar pra ligar o computador. Fiquem tranqüilos ;-)

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Mudança de hábitoOutro dia me assustei quando percebi que “Mudança de Hábito” já tem 17 anos (sim, tô ficando velho…). Há tempos que não vejo o filme (como todos os bons da Sessão da Tarde, parece que a Globo deixou de passar…), mas graças ao Youtube pude matar a saudade de alguns trechos. Pra quem ainda não conhece, é uma delícia de comédia, cujas cenas de música, pode-se dizer, já viraram uma espécie de clássico, junto com as de sua continuação (“Mudança de Hábito 2”).

Uma das coisas que acho mais legais do filme é o belo trabalho das atrizes que fazem as “freirinhas”, que conseguem transmitir um humor puro, daqueles que a gente logo relaciona com alguém que conhece… Em tempos em que as figuras religiosas são alvo de tanto descrédito (em parte, infelizmente, por culpa do próprio clero), é bom lembrar que ainda existem freiras, padres, até bispos com uma pureza verdadeira, que  nos fazem sorrir enquanto dá vontade de apertar a bochecha… Eu mesmo conheço vários – assim como vários leigos e pessoas das mais diversas religiões.

Bem, mas sem mais delongas, deixo vocês com uma ótima cena que expressa bem o espírito do filme, feito numa época, vale lembrar, em que religiosos cantando pop não era, digamos, uma coisa lá muito normal de se ver…

Mudança de Hábito – “Hail Holy Queen”.

PS: Veja também as outras músicas do filme, “My God” e “I Will Follow Him”. Aqui você pode ver também as letras e traduções.

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Ano passado, voltando de uma viagem, passei em frente a um teatro em Belo Horizonte e vi o cartaz: Hoje – Mercedes Sosa – 21hs.


Gracias a la vida

Na mesma hora pensei em saltar da Van que me levava de volta para casa, ficar ali mesmo, comprar um ingresso e voltar de ônibus. Por educação não o fiz, e o mais estranho é que fiquei com um pensamento na cabeça: Nunca mais vou poder ver um show da Mercedes Sosa.


Todo Cambia

Infelizmente eu estava certo, pois hoje faleceu uma das maiores cantoras da história, na minha modesta opinião.

Tentei explicar a um amigo a importância de La Negra (como Mercedes era conhecida), dizendo: Ela é como o Milton Nascimento da Argentina, ou melhor, ela talvez seja como o Chico Buarque. Esquece, ela é como se fossem Chico, Elis, e Milton misturados.


Solo le pido a Dios

Na verdade eu errei, pois ninguém é igual a ninguém; e Mercedes era a prova máxima disso, ela era única.

Fica aqui um Na Música da Vida, um pouco triste pela perda de Haydée Mercedes Sosa, mulher de garra, mulher do povo, mulher que sabia tocar os corações através de sua voz inigualável.

Espero um dia ainda me encontrar com Mercedes, e pedir: Canta-me algo que me hace volver a los 17.

Volver a los 17

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U2

De repente resolvi digitar “U2” na caixa de pesquisas ali do lado e constatei, surpreso, que nunca falamos nada sobre essa banda aqui no site. “Como assim?”, pensei. Sete meses no ar, 247 posts, e a única coisa referente a Bono Vox e cia. foi uma música de fundo num vídeo e no Podcast?…

Pois já era hora de botar um videozinho deles. Ou melhor, dois (muito bons, por sinal). Se encaixa perfeitamente na nossa proposta – e, mesmo pra quem não é lá muito fã, vale a pena ao menos parar pra pensar um pouquinho no que eles representam no mundo!…

U2- Walk on (“Continue em frente”)

O U2 (nome que pode significar tanto um avião da 2ª Guerra quanto uma trocadilho com “you too”, “você também”) foi formado na década de 70 por alguns adolescentes que se conheceram na escola. Isso foi na Irlanda; era época de conflitos entre “protestantes” e “católicos”, era época da Guerra Fria; era época do Domingo Sangrento. E eles se reuniram pra fazer música. Pra encurtar a história, hoje são considerados a “maior banda do planeta”.

Mas o que faz deles tão “grandes”? O carisma? Os shows memoráveis, que sabem usar de efeitos especiais como ninguém, sem abusar? Os clipes? O rock bem feito? A pinta de “bons-moços”, sem serem “santinhos”? A espiritualidade? O ativismo pela “paz mundial”?…

Talvez tudo isso, com certeza. Mas, pra mim, o que faz o U2 ser realmente o U2, indefectível após mais de 30 anos de estrada (e com a mesma formação desde quando lançaram o 1º disco), é a forma como encaram a música. Não é só compor, gravar, tocar. É viver.

Só sei que é legal pensar que o rock’n roll, que já foi visto de forma tão negativa e, convenhamos, já causou tanta porcaria nesse mundo, tem hoje como grande ícone uns rapazes que se preocupam em passar uma mensagem bacana. Profundos, mas sem ser nem um pouco “carolas”. Sem querer formatar ninguém, sem serem “os donos da verdade”.

Por que eles sabem que o mais importante não é achar. É procurar.

I Still Haven’t Found What I’m Looking For
(Ainda não encontrei o que estou procurando)

Eu escalei as mais altas montanhas
Eu corri através dos campos
Só para estar com você

Eu corri, eu rastejei
Eu escalei os muros da cidade
Estes muros da cidade…
Só para estar com você

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando…

Eu beijei lábios de mel
Senti a cura na ponta dos dedos dela
Queimou como fogo
Esse desejo ardente

Eu falei na língua dos anjos
Eu segurei a mão do demônio
Estava quente à noite
E eu estava frio como uma pedra

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando…

Eu acredito na vinda do Reino
Quando todas as cores
Irão fundir-se em apenas uma
Mas sim, eu ainda estou correndo…

Você quebrou os laços, soltou as correntes
Você carregou a cruz
E a minha vergonha
E você sabe que eu acredito nisso!

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando…

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herbertCerta vez, Herbert Viana teve mais um de seus momentos de iluminação e escreveu uma música que não sai da minha cabeça.

Ela se chama “Soldado da Paz”, um título que se faz cada vez mais necessário nos nossos dias. Por mais paradoxal que pareça, a busca da paz se tornou uma luta, uma guerra.

Muitas pessoas acordam, apertam os olhos de um jeito forte para ter certeza que já deixaram de dormir, e escutam uma mensagem que diz: Lutar sempre, a cada dia mais, pela paz que virá.

Não tenham dúvida, são muitas pessoas que fazem isso. Muitos são os soldados, uns mais descolados, outros mais conservadores, uns mais calmos, outros mais agitados.

Deixamos esse vídeo em homenagem a estes soldados, que se colocam a serviço de um mundo melhor, na certeza de que a Vida e o tempo sempre serão seus aliados.


Cidade Negra – Soldado da Paz
(letra)

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Rosa de Saron

Há alguns anos, estava eu no carro de uma amiga, quando reparo uma música romântica tocando no CD-player. Apenas uma canção de amor… “É Ana Carolina?” Perguntei. “Não, é Rosa de Saron. É católico!” Só então me toquei que quem estava cantando era um homem, e não a famosa cantora de voz grave. Sempre admirei a voz da Ana Carolina, não só pelo timbre e pelos efeitos que ela faz, mas sobretudo pela energia que passa quando canta. Às vezes me ocorria como seria se ela ou outros grandes artistas usassem o seu talento para passar uma mensagem legal, que coadunasse com o que eu acredito. Não que não existam boas mensagens na música de hoje, há até muita gente sincera por aí, que canta o que acredita, mas sentia falta de algo mais profundo, que além de uma boa música conseguisse passar uma coisa bem cara nos dias de hoje: esperança. Uma boa mensagem numa bela voz, mas que fosse acessível a todos, não ficasse só restrito a algumas “alas” como Milton, por exemplo . Profundo, bonito e popular. Por que não?

Rosa de Saron - Depois do InvernoPois, enquanto ouvia aquelas músicas no carro da minha amiga, senti de cara que estava diante de algo diferente. Um rock bem feito, com uma voz que passava uma emoção sincera. Não ouvi muito, mas foi o suficiente para um mês depois, num encontro em Maringá, dar um tiro no escuro (no crepúsculo, talvez) e comprar um CD com um menininho triste e azul na capa. “Depois do Inverno” era o nome, e nem a arte nem as letras – e nem mesmo a sonoridade – lembravam qualquer coisa “de Igreja” que eu já tivesse ouvido. Estava eu justamente numa fase bem rockeira, mas buscando algo mais nas músicas que ouvia. E a voz daquele garoto, embora à primeira vista pudesse lembrar outras conhecidas do meio musical, era diferente. Não vinha simplesmente da garganta, tinha algo mais profundo ali. Vinha realmente do peito.

Virei fã, e contagiei muitos à minha volta, que após o estranhamento inicial (“Rosas de Sharon”? O que é isso?) logo passaram a admirar e se envolver também com aquelas músicas que não falavam só de améns e aleluias, mas de dualismos e sorrisos em meio a lágrimas…

Depois fui em alguns shows, e de forma gradual acompanhei o crescimento deles, o conhecimento, o reconhecimento – e o inevitável “histerecimento” de parte do público. No começo de 2006, num festival em BH, vi Rogério, o baixista, ser quase esmagado por uma legião de adolescentes em busca de sua assinatura num CD ou num papelzinho qualquer. Fiquei pasmo com a imagem. O segurança demorou uns 15 minutos para conseguir chegar onde ele estava e tirá-lo de lá, correndo. “Imagina se fosse o Guilherme, o vocalista?”, pensei. Naquela época ele já era motivo de berros tresloucados das meninas toda vez que subia ao palco, e mesmo assim todos eles faziam questão absoluta de estarem sempre disponíveis ao público depois dos shows, ter contato o mais próximo possível. Aquilo sempre me chamou muito a atenção.

DVD Rosa de SaronPor um período não fui um “fã” assim tão afoito, embora continuasse acompanhando e admirando o trabalho tanto quanto antes. A forma como falavam da vida, da eterna procura por Deus, aquele jeito missionário e simples de ser “artista”, chamavam mais atenção que o rock em si. Pois, em junho de 2008, estava passando por um momento complicado, término de namoro, desapontamentos com meus trabalhos na Igreja, mil inquietações quanto à carreira, ao futuro… O aguardado DVD “Acústico e ao Vivo” do Rosa acabara de ser lançado; um dia então saí do mestrado e fui decidido procurá-lo nas ruas da cidade; achei-o quase na hora da loja fechar. Tinha acabado de chegar, estava me esperando ainda dentro da caixa, ninguém ainda havia comprado naquela loja. Talvez na cidade inteira. Cheguei em casa afoito, apaguei a luz e assisti tudo de um fôlego só, sentado em almofadas no chão do quarto com o notebook no colo, o som na maior altura a me envolver. Me senti novamente um adolescente, emocionando-me com o cenário, com as filmagens, com cada música. Era uma verdadeira obra de arte, o melhor acústico que já tinha visto desde que descobri o gênero, com aquele CD sensacional dos Titãs em 1997… Mas o que mais me tocou no DVD do Rosa foi ver o depoimento da banda, contando da trajetória para chegar ali, a luta que foi conseguir realizar aquilo tudo. Me veio à mente tanta coisa, tanto trabalho, tantas pequenas “missões” que já encarei na vida, no fundo tão parecidas com aquela obra maravilhosa que eles tinham conseguido realizar, de forma tão inédita na música católica e talvez brasileira… Rock, Fé e PoesiaPouco tempo depois, ao ler, também de um só fôlego, o livro que conta a história da banda, pude constatar mais detalhes desse longo caminho que, na verdade, teve início há 20 anos atrás com a fundação do grupo, ainda algo inocente feito para tocar em grupos de oração. Com certeza naquela época eles já tinham um diferencial, talvez resumido na letra de “Chance”: “não deixe nunca de acreditar”…

Aquilo foi uma sacudida pra mim, um empurrão pra frente, uma alavancada pra enfrentar aquilo tudo que estava passando. A música do Rosa estava presente em minha vida, vivia pensando que o trabalho deles era feito para ser conhecido por todos os cantos, como qualquer outro artista de qualidade que faz sucesso por aí. Um dia, ao chegar cansado em casa, botei o DVD pra tocar enquanto constatava, triste, que já fazia tempo que ele tinha sido lançado, e por mais que tivesse alcançado muita gente, ainda não tinha extrapolado os muros da Igreja. Imaginava que o DVD era a grande chance, o tudo-ou-nada, a hora exata de tentar tal façanha. Minimizei a tela do show e, por um acaso, entrei no site da banda, coisa que não fazia há algum tempo. Tinham acabado de publicar a última notícia: Contrato fechado com a Som Livre. Sim, orações dão resultado… Outra boa alavancada.

Após o estado de êxtase inicial, minha euforia foi só crescendo, imaginando um futuro de glória para a banda. Cheguei a me preocupar com a demora pra passarem o comercial na TV aberta, com a falta freqüente do DVD nas prateleiras das lojas (enquanto nunca faltava nos camelôs). Mas bastou um pouco mais de divulgação para a banda ser a mais buscada nos sites de cifras da internet, algumas músicas começarem a bombar nas rádios e o DVD entrar na lista dos mais vendidos do país. Tudo indica que é questão de tempo para eles se tornarem plenamente conhecidos por todo mundo, ninguém mais perguntar “Quem??” quando você falar em Rosa de Saron. O sucesso chegou.

E, com ele, as dificuldades. Menos tempo para conversar com os fãs, para curtir as viagens, para dormir entre um show e outro. Toda situação nova gera stress, e alguns fazem questão de aumentá-lo com cobranças e xiliques, saudosos dos tempos em que sempre conseguiam ficar mais perto dos “ídolos”. Num show que fui há algumas semanas, uma senhorinha de igreja resmungava na volta, dentro do ônibus:  “triste é a gente viajar de longe pra chegar aqui, pagar o ingresso, comprar o CD, e não conseguir autografar o CD!” Gente reclamando da lotação, que não conseguiam chegar perto do palco – sendo que, a meu ver, estava até bem tranqüilo para um show cheio de adolescentes, com 4 mil pessoas num local fechado…

Show Rosa de SaronTalvez não tenham percebido a beleza que foi ver tantos e tantos jovens, de todos os tipos – desde aqueles que não tiram o terço do pulso até as que dançam “até o chão” com o trance que tava tocando antes, passando por aqueles que só entram no show após a segunda lata de cerveja – todos mergulhados nas canções, e vibrando de verdade a cada vez que eles falavam de paz, de Deus – coisas que todos, no fundo, pareciam buscar. Neste mês fazem exatos cinco anos que, no carro de minha amiga, ouvi pela primeira vez aquele forte verso:“não quero minha vida igual a tudo que se vê”. E pode parecer ingênuo, mas ao ver num show que fui ontem, aquele povo tão heterogêneo levantando as mãos e cantando com toda força essa mesma frase que tanto me marcou naquela época, me senti em meio a uma pequena revolução – ainda embrionária, talvez… mas bem real.

A música leva a reflexão ao fundo da alma, aonde a razão pura nem sempre consegue chegar. Poesia serve para gritar coisas que às vezes não conseguimos expressar com a devida lógica, mas que são reais, estão lá dentro. É isso o que fazem os grandes poetas. Pois imaginem se o Renato Russo, ao invés de se entregar à depressão e ao alcoolismo ao descobrir que estava com AIDS, depois de lançar o disco “As Quatro Estações”, tivesse conseguido se aprofundar ainda mais na mensagem traçada ali. Legião Urbana foi uma banda que fez uma geração inteira cantar “você me diz que seus pais não te entendem, mas você não entende seus pais”, em plena era de revolta dos anos 80. O grito de “é preciso amar como se não houvesse amanhã” está sob a pele de cada um, ecoa por toda parte, inclusive no DVD do Rosa. Desta vez, no entanto, o rock não serve somente para espantar os males de quem canta, dar um alívio enquanto a vida lá fora continua sufocando, como sufocou Renato. Ele traz a própria vida em si. Com suas cruzes, angústias e invernos, seus jogos de espelho e momentos de rara calma. Mas sempre olhando de frente.

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Michal Jackson ThrillerHá algum tempo o Luís insiste em que eu faça um Twitter pra mim. Não sou lá muito fã desse negócio, mas hoje decidi dar uma entrada pra ver qual é. Pois não consegui, o site estava congestionado. Me lembrei de quando o orkut estava ainda começando e travava toda hora, e na hora imaginei estar acontecendo algo semelhante com essa nova “modinha” da internet… Mas pouco depois um amigo entra no MSN com uma mensagem estranha, vou no Google e descubro a verdade: Michael Jackson acabara de morrer. E o Twitter travou de tanta gente procurando por notícias.

No Jornal Nacional os apresentadores abalados, na MTV só tocam os clipes dele, em suas longas versões integrais (quase curta-metragens). Realmente, ele está morto. Um fato que, apesar de não desejado, infelizmente já era meio que esperado há algum tempo… Não faltavam rumores de que o cantor estava à beira da morte, comparações de sua imagem com a do início de carreira, histórias sobre os inúmeros procedimentos médicos pelo qual passou até sofrer toda aquela estranha metamorfose corporal… Vítima de vitiligo? Portador de distúrbios mentais? Pedófilo? Talvez só o tempo esclareça a realidade dos fatos… Mas o fato é que a fama realmente parece não ter feito bem a este homem. Se, por um lado, o mundo conheceu um verdadeiro gênio da dança, da performance musical, por outro Michael Jackson conheceu o inferno e o céu em vida. Nenhum outro, certamente, foi ao mesmo tempo tão aclamado e tão criticado no show business como o “rei do pop”. Houve de tudo em seus mais de 40 anos de carreira…

Michael Jackson ao fim da vida Ainda não foram esclarecidos as verdadeiras causas da morte, o que realmente gerou a parada cardíaca e o coma. Mas me pergunto se uma análise mais profunda não encontraria tais causas na própria vida do cantor, tão atribulada desde que, conta a lenda, foi forçado pelo pai a participar de um grupo musical com seus irmãos. Foram 50 anos de uma vida louca, inimaginável para nós, reles mortais… Se a viveu bem, cabe a ele julgar. A nós, cabe aprender um pouco com as lições que tanta loucura nos traz… O artista genial, aquele que se destaca de todos os outros, tem sempre tendência a morrer mais cedo? A ser sempre um louco ou angustiado, a traduzir todo seu sofrimento em arte? Será a grande arte incompatível com a vida?…

É claro que não. Temos grandes exemplos ao longo da humanidade de gênios que souberam viver muito bem, e transmitir essa vida através da arte, da ciência, da filosofia, de formas maravilhosas. E outros que até tentaram, mas infelizmente não conseguiram… Não sei se esse foi o caso de Michael. Mas, com certeza, ele nos deixou algo de bom. Que o resto, então, nos faça refletir e pensar se aqueles que estamos idolatrando hoje não podem se tornar o Michael Jackson de amanhã. Há vários por aí que, com certeza, não estão conseguindo lidar com a fama (Britney Spears que o diga). E nós, como os estamos tratando? Incentivando ainda mais a loucura?…

Em homenagem ao Michael, um clipe que faz lembrar minha infância. É o clipe de música mais assistido no mundo em sua estréia, uma verdadeira superprodução para a época, fez história. Pois é… rs. (proibiram a incorporação dos vídeos em outros sites, mas basta clicar pra ver direto no Youtube!)

Black or White – versão com legendas

Black or White – full version
(versão rara onde, ao final, Michael vence o preconceito – e o zíper – com aquela dança que só ele sabe fazer)


Michael Jackson Dançando

Ao Michael Jackson, nossos votos de que possa, enfim, descansar (ou dançar) em paz!…

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