
Acho que inventei uma tese: A Páscoa é o Reveillon do Cristianismo. Esta palavrinha que vem do hebraico Pessah e que significa “passagem” tem muito a nos dizer. Já o reveillon é o tempo onde muitos renovam a esperança, fazem inúmeros desejos, adquirem bons propósitos para a vida e criam-se deliciosas quimeras para o mundo.
Sem querer ser cético, mas, se pensarmos bem, dia 1º de janeiro é simplesmente um dia depois do outro. Até concordo com Drummond que disse que “Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão”. Confesso que também faço minhas mandingas para que novas realizações aconteçam a cada ano. Sem dúvida é bom recomeçar, porém, não só com propósitos novos, seria bom também recomeçar com uma vida nova!
A Páscoa nos traz essa reflexão, mas, nem sempre lembramos disso. Como um livro velho, antiquado e comido pelas traças, nós esquecemos o sentido real da Páscoa, dando mais atenção aos símbolos do mercado que, em tempo de crise, luta para que o doce não se torne tão amargo e o coelhinho fofinho não vire um bichinho aterrorizante.
Mas pode a Páscoa mudar a vida de alguém? Ela nada mais é do que uma simples festa que se repete todo ano, sempre com as mesmas coisas e ritos? Concordo que a Páscoa é Festa das festas¹ e não simplesmente uma festa entre outras. Você pode até discordar de mim, amigo leitor, mas permita-me mostrar meu ponto de vista.
O período que antecede a Páscoa é um momento forte e privilegiado onde temos a oportunidade de refletir sobre a nossa vida. São 40 dias de quaresma em que, se levados a sério, numa constante busca de renovação e transformação, perceberemos claramente que a Páscoa possui um significado todo especial e diferenciado das demais datas da liturgia e das datas civis.
Pensar sobre nossa vida, atitudes, opções, opiniões, nos fará descobrir muitas coisas boas e coisas más também. A cada descoberta damos um passo em direção dessa grandiosa Festa, tornando-a diferente a cada ano, pois minha vida e concepções estarão mudadas à medida que, sem medo, me permito mudar.
Dessa forma, dependendo de minha condição espiritual, emocional e psicológica no momento, a Páscoa nunca será uma simples festa que se repete todo ano, sempre com as mesmas coisas e ritos, pois os sentimentos vivenciados nos darão uma nova visão e percepção. Nos damos conta também que, como Cristo, precisamos ressuscitar. Primeiramente devemos morrer para as coisas ruins que descobrimos durante todo o percurso reflexivo, que nos impedem de sermos felizes, para então ressuscitarmos para as coisas que realmente nos tornam mais felizes e mais humanos, indo além dos bons propósitos de uma mágica e fugaz festa de Reveillon.
A cada ano a Páscoa terá um brilho diferente, uma surpresa agradável se, sem medo, nos abrirmos para o novo. E o Novo mora em você, mora em mim e em todos nós. Só precisamos rolar a pedra que nos impede de sair e de ver o Sol e o seu brilho escondido em cada pessoa; de sentir o cheiro das flores e de um gostoso bolo de fubá da vovó; de ouvir os cantos dos pássaros, cachoeiras e de uma boa e velha música; de tocar em toda criação divina e humana também, para assim declaramos bem alto que existe uma Vida Nova.
A passagem, portanto, acontece neste momento. Em poucas palavras, passamos da morte à vida. Se de repente você se deu conta que não aproveitou nada da quaresma para refletir sobre sua vida, não percebeu que precisava mudar certas atitudes, morrer para certos vícios e ressuscitar para alguns valores, não temas! Experimente fazer essa passagem no dia de hoje. Não tenha medo… Coragem!

Garanto que os chocolates e os ovos de páscoa terão um sabor diferenciado neste domingo, não porque o chocolate seja de uma outra marca, mas porque você estará diferente, isso se você se permitir. Pois lembre-se, a decisão de rolar a pedra continua sendo sua!
Nós do “vivopelavida” desejamos a todos os amigos e amigas
UMA FELIZ PÁSCOA, UMA FELIZ PASSAGEM!
Forte abraço,
Pedro Jr.
¹ C.I.C., parágrafo 1169
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