Enquanto o governo Lula tenta indicar seu ex-advogado para a vaga do Ministro Direito no Supremo Tibunal Federal, grupos favoráveis ao aborto em casos de anencefalia estão divulgando uma campanha para pressionar a corte a tomar a decisão ainda este ano. Eis o cartaz:
Cartaz pró-aborto de bebês com anencefalia (Reprodução/CCR)
Pois é… se tais grupos costumam acusar os contrários ao aborto de usar imagens “sensacionalistas“, parece que agora resolveram reconsiderar a questão e render-se ao “estilo”… Mas, ao contrário das fotos reais de abortos utilizadas pelos pró-vida, pode-se dizer que a campanha acima utiliza um argumento não muito “verdadeiro”, uma vez que, para ter-se uma certidão de óbito, é necessário, logicamente, ter primeiro uma de nascimento. Só morre quem está vivo.
Bem, creio que qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade, independente de sua posição sobre o assunto, começaria essa discussão com aquela frase: “Pois é… é um assunto complicado, né?” Se é. Mas, bem… há algo que eu gostaria de questionar.
Você teria coragem de tirar esta vida?
Giovanna era anencéfala. Seus pais, Mônica e Marcelo, sofreram muito quando souberam da notícia, e mais ainda quando a perderam, após algumas horas de vida extra-uterina. Mas, segundo Mônica, nada se compara à alegria que foi tê-la dentro de si durante nove meses, e aos poucos momentos em que pôde segurá-la nos braços. “Nada me faria interromper a vida de minha filhinha, mesmo que seu prognóstico fosse dos piores. O que eu poderia fazer por ela era dar-lhe muito amor e carinho. E foi o que fiz, protegi-a enquanto estava dentro de mim, e depois lhe demos toda a dignidade que merecia, como cidadã”.
Giovanna nasceu chorando, e teve certidão de nascimento. E de óbito. Como qualquer pessoa que passe por este mundo, seja por que tempo for…
“A AIDS não é mortal; mortais somos todos nós”, dizia o sociólogo Betinho. Talvez poder-se-ia dizer o mesmo da anencefalia: não é o tempo de vida que uma pessoa tem pela frente que justifica sua dignidade, seu direito de viver. Ninguém mataria um filho por saber que ele tem pela frente poucos dias, ou mesmo horas de vida. Por que, então, tirar a vida de um bebê indefeso, ainda no útero?…
Mônica e Marcelo resolveram ir além: pensaram em ajudar outros pais na mesma situação a perceberem que, embora o sofrimento nestes casos seja inevitável, uma certidão de óbito é sempre melhor que uma lata de lixo.
E fizeram um site, o www.anencefalia.com.br, na qual tentam reunir alguns depoimentos dentre os inúmeros casos de pessoas que, com certeza, pensam como eles. E hoje estão muito bem, cheios de desafios, mas também de muitas alegrias, como a pequena Luísa, a filhinha sapeca que a vida lhes deu após Giovanna. Quando perguntada onde está sua irmãzinha, ela é rápida no gatilho: “Lá no céu!” Amém, Luísa.






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