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	<title>Vivo pela Vida &#187; Limites</title>
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		<title>A coxa do frango</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 02:50:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Resgala</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedoria]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="size-full wp-image-2102 alignright" title="coxa_de_frango_02" src="http://vivopelavida.com.br/wp-content/uploads/2009/07/coxa_de_frango_02.jpg" alt="coxa_de_frango_02" width="221" height="259" /></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto vou acordando aos poucos, ouço a <strong>conversa </strong>lá na sala. Minha tia:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;&#8230;e eu sempre me perguntava quando é que eu ia comer a <strong>coxa</strong> do frango&#8230;&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Ela cresceu numa geração em que os mais velhos eram super-respeitados, criança não tinha vez. A elas restava o peito, a asa, o pé do frango&#8230; E, depois, foi vendo florescer uma época em que os filhos passaram a tomar conta da casa, e <strong>exigem</strong> a coxa com unhas e berros.</p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente hoje não é preciso mais tantas divisões, já vendem frango congelado em pedaços, pra uma distribuição de riquezas mais igualitária entre as <em>“classes”</em> familiares (hoje quem não tem vez é o frango, coitado, criado de forma cada vez mais desumana – ou <em>“desfranguínea”</em>, sei lá&#8230;). Mas, naqueles casos em que não há indústria alimentícia que dê jeito, alguns filhos literalmente <em>matam</em> os pais – e quem mais estiver pela frente – para conseguirem o que querem&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Isso me faz lembrar uma constatação de vários estudiosos do nosso tempo – inclusive dos psicanalistas, que em outra época tanto foram citados como responsáveis pela “liberalização” de tudo&#8230; Querendo ou não, a imagem de Freud sempre foi uma espécie de <em>Che Guevara</em> das rebeliões de costumes. Contra todas as repressões psicológicas, havia sempre quem citasse um “Freud diz”&#8230; “Freud explica”&#8230; Abaixo o machismo, a repressão sexual, a forma autoritária de criar os filhos&#8230; Abaixo tudo, acima a liberdade!</p>
<p style="text-align: justify;">E foram mudanças importantes, não há como negar&#8230; mas quem realmente leva Freud e tantos outros estudiosos a sério sabe que hoje o problema é outro. Muitas revoluções, Pílulas e Conselhos Tutelares depois, a questão que mais tira o sono de quem estuda e cuida de pessoas e da sociedade em geral, embora ainda haja muito a ser <em>“desreprimido”, </em>é exatamente a <strong>falta de limites</strong>. Pulamos de um mundo altamente repressor, o do <em>pé do frango</em>, para um em que a <em>coxa</em> não é mais o resultado de uma conquista, mas uma exigência inegociável, doa a quem doer. Ninguém passou pelas lutas e pelo idealismo de outrora para chegar às conquistas, não vivenciamos as dificuldades, nem conhecemos a fundo o valor simbólico que uma simples coxinha tem. Mas já nascemos comendo coxa, então ai de quem nos vier com moela&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Esquecemos, no entanto, que nem sempre a <em>falta de coxa</em> é repressão. Ás vezes é só um limite, algo não só natural, mas também necessário para nós, reles humanos. Somos delimitados por natureza, sempre há uma <em>criptonita</em> a nos lembrar que até a maior das forças tem seu limite. A busca por descobri-lo, é claro, pode ser infinita, e isso é a vida: sempre desconfiar do dito “impossível”&#8230; Mas há um limite que somos nós mesmos que devemos demarcar: a fronteira do <strong>território alheio</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto não entendermos isso e nos esforçarmos por ensinar aos nossos filhos (para que não se tornem os <em>roubadores de coxinhas</em> de amanhã), vamos cansar de ouvir educadores, psicanalistas, psicólogos, sociólogos e esses “milionários” dos livros de auto-ajuda sempre baterem na mesma tecla: nossa sociedade carece de limites. Há tempos o problema já não está tanto no <em>freio</em>, mas no <em>acelerador</em>. Correr é bom, mas é preciso lembrar que a estrada não foi feita só pra gente. Tem mais gente no <strong>caminho</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito mais&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xB7B4H9crh4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/xB7B4H9crh4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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