Ontem foi o dia escolhido para a luta pela legalização do aborto, aqui no Brasil. E hoje, 08 de outubro, é dia do Nascituro. Dia de luta contra o aborto.
Em meio a tantos gritos, resolvemos dar também o nosso: apresentamos, enfim, a 2ª versão de um pequeno vídeo que já deu muito o que falar… São só algumas questões, bem simples, mas que já causaram muito barulho e uma imposição de silêncio. E, infelizmente, nenhuma resposta…
Com vocês, então, “Fim do Silêncio ou Grito Silencioso 2″. Quem já viu, reveja. Quem já linkou, por favor, redirecione o link!
Só não fique em silêncio. Basta.
Clique aqui para ver no Youtube. Veja também o post que originou o vídeo.
Com forte aparato policial para vigiar ostensivamente possíveis “manifestações contrárias”, foi lançado nesta segunda-feira, no Rio, o documentário O Fim do Silêncio, que apresenta depoimentos de mulheres que fizeram aborto com o objetivo de promover a descriminalização do mesmo (veja aqui o trailer).
O filme é financiado pelo Governo Federal através da Fundação Fiocruz, ou seja, utiliza dinheiro público para divulgar sua ideologia. Segundo reportagem do jornal O Globo, a única exigência da Fiocruz foi incluir, nos extras do DVD, os comentários de especialistas contrários e favoráveis ao aborto que foram excluídos da edição final do filme, exibida nos cinemas.
A novidade deste documentário seria mostrar a “cara” de mulheres que praticaram aborto há mais de 5 anos, prazo em que o crime “expira”, não podendo mais serem condenadas pelo que fizeram (embora possa ser suscitada a existência de apologia ao crime, já que estariam defendendo um delito previsto no Código Penal). Sem restrição alguma, serão distribuídas gratuitamente duas mil cópias do filme para escolas e entidades feministas de todo o país.
Pois, em uma entrevista à TV Canção Nova, o repórter perguntou à diretora, Thereza Jessouroun, se, além de focar a saúde das mulheres, ela em algum momento também pensara na “saúde” das crianças no ventre delas. “É… olha só… é uma questão… Não é que eu não pense na saúde das… dos… das crianças, não é isso… Eu estou falando sobre o aborto. É outro tema” – ela respondeu, claramente apreensiva.
Como a reportagem foi editada, enviamos um e-mail à cineasta, perguntando se ela teria algo a acrescentar em relação à sua “explicação” que foi divulgada. Ainda não obtivemos resposta, mas receio, com sincero pesar, que na verdade não haja uma resposta satisfatória – nem ao menos lógica…
Digo isso porque o documentário parece claramente abordar a questão a partir da ótica feminista. Feminismo, que fique bem claro, das “novas ondas”, surgidas a partir dos anos 60, quando algumas militantes decidiram que não era só necessário lutar a favor dos direitos igualitários para as mulheres, mas também pelo aborto, enquadrado no conceito de “direito ao próprio corpo”. O lamentável é terem esquecido uma lição básica de matemática: um (corpo) mais um (corpo) é igual a dois (corpos). Eu, que eu saiba, nunca fiz parte do corpo da minha mãe.
Tenho amigas feministas, apóio com fervor várias de suas causas. Mas, até hoje, confesso que ninguém conseguiu me explicar o porquê de, neste caso, usar um argumento tão… falso. Nunca vi, pelo menos no Brasil (parece que lá fora elas já abrem mais o jogo), uma feminista que tivesse coragem de abordar diretamente esse assunto, sem fugir pela tangente de que “não é o caso de entrar na questão do início da vida” (se essa questão filosófica fundamental não serve pro caso do aborto, fico imaginando pra quê ela serve…). Uma vez, num debate sobre o tema (tá no youtube, pra quem quiser ver), tentei perguntar a uma militante pró-legalização por que elas insistiam em falar sobre o tal “direito ao próprio corpo”, quando na verdade todos sabem que é outro corpo (até o mais materialista dos biólogos). Ela não entendeu muito bem, se enrolou e só conseguiu dizer, de forma semelhante à Jessouroun: “não é que a gente não defenda a vida das crianças…” (sem logicamente explicar em quê consistia essa defesa).E abriu caminho pra outra debatedora, contrária ao aborto, soltar depois: “o corpo da mulher não é formado de ‘cabeça, tronco, membros e criança’, não!…”. Óbvio.
Por isso, resolvemos dar nosso grito de “BASTA!”. Basta do aborto ser tratado como discussão pequena. Basta de ignorar argumentos importantíssimos, só por serem supostamente defendidos por “religiosos”. Basta de nem sequer pensar em como responder dignamente a uma pergunta óbvia, a primeira que deveria ser feita em todos os debates sobre o tema.
O aborto clandestino é um problema grave de saúde e de segurança pública? Sim, e por isso precisa ser sanado.
Há graves problemas sociais e educacionais que geram a gravidez indesejada e, por fim, o aborto? Sim. E por isso precisamos pensar em como prevenir esses problemas.
A desinformação e/ou o desespero muitas vezes levam mulheres a praticarem o aborto, sem intenção alguma de cometerem um crime? É claro! Por isso os juízes nem sempre as botam na cadeia.
Há quem questione o momento de início do direito à vida? Pode até ser. Mas não significa que não haja uma resposta. No mínimo, estaríamos “correndo o risco” de matar vidas inocentes. No máximo, as estaríamos matando por acreditar em conceitos determinados unicamente por interesses. Ou você acredita na bondade suprema das organizações internacionais que vivem pressionando todos os países para que aprovem o aborto?
Pense como quiser, argumente como quiser. O que não dá é pra ficar omitindo o óbvio. Um mais um é igual a dois.
Goste ou não do dois.
UPDATE (08/10/09): Veja também o nosso vídeo “Fim do Silêncio ou Grito Silencioso II“, que levanta algumas questões de dois documentários de nomes bem singulares…
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