feminismo

Arquivo da tag: feminismo.

Ontem foi o dia escolhido para a luta pela legalização do aborto, aqui no Brasil. E hoje, 08 de outubro, é dia do Nascituro. Dia de luta contra o aborto.

Em meio a tantos gritos, resolvemos dar também o nosso: apresentamos, enfim, a 2ª versão de um pequeno vídeo que já deu muito o que falar… São só algumas questões, bem simples, mas que já causaram muito barulho e uma imposição de silêncio. E, infelizmente, nenhuma resposta

Com vocês, então, “Fim do Silêncio ou Grito Silencioso 2″. Quem já viu, reveja. Quem já linkou, por favor, redirecione o link!

Só não fique em silêncio. Basta.

Clique aqui para ver no Youtube.
Veja também o post que originou o vídeo.

Citações do vídeo:
- Entrevista da diretora do documentário “Fim do Silêncio”
- Cenas de “Fim do Silêncio”
- Documentário “O Grito Silencioso”
- A história de Bernard Nathanson

Tags: , , , , , , , ,

Um dia desses, eu e o Gabriel passamos toda uma madrugada discutindo a questão do preconceito, no caso da psicóloga Rosângela, o homossexualismo e a psicologia. Apesar de não  conhece-la pessoalmente, ou algum de seus pacientes, acredito que posso me pronunciar sobre o assunto. E mesmo que este assunto já tenha sido abordado pelo Gabriel, gostaria de colocar o meu ponto de vista.

Para começar queria lembrar que o conceito de doença mental não é nada fácil, sendo que o que é consenso para alguns profissionais é da ordem do ridículo para outros.

De uma forma geral psiquiatras, psicólogos e psicanalistas trabalham com o sofrimento psíquico, independente se ele é considerado doença ou não. E este conceito de “Patológico X Normal” já foi utilizado para validar uma série de absurdos contra o ser humano.

Gostaria de lembrar de dois casos aqui, que talvez não sejam de amplo conhecimento.

1.

turingSe existe uma pessoa genial no ramo da ciência da computação, o nome dela é Alan Turing. Na época dos primeiros computadores, Turing FEZ esses computadores! Ele foi responsável não tanto pelas questões físicas, pois ele pensava além,  mas sobretudo pela produção de modelos abstratos de computação que possibilitaram um avanço tecnológico inimaginável desde o domínio do fogo. ELE FOI GENIAL! (E falo com a empolgação de um desenvolvedor nerd, que é  fã desse cara desde a adolescência).

turing_correndoFalta dizer que Turing foi um dos principais cientistas da Inglaterra, que liderou a construção do Colossus, computador inglês que foi uma das principais “armas” dos Aliados na 2º Guerra Mundial. Alguns historiadores acreditam que ele foi  uma peça chave para derrotar o Eixo.

Ao final da 2º Guerra, Turing foi recebido como herói de guerra, certo? ERRADO!

alan_turing5Turing era homossexual declarado e por isso, foi humilhado publicamente, impedido de realizar seus estudos e posteriormente foi julgado por “vícios impróprios”.

Considerado portador de um desvio patológico (na época considerado uma doença como o alcoolismo ou a drogadição) foi condenado a um tratamento a base se estrogênio (profundamente científico para a época) que tinha por resultados a “castração química” e o crescimento de seios.

Em 1954, o herói de guerra/doente (com vícios impróprios) se suicidou, tinha apenas 41 anos.

2.

300px-Catedral_neuquenDe 16 a 18 de agosto de 2008 ocorreu em Neuquén na Argentina o “Encuentro Nacional de Mujeres”, organizado por entidades feministas e apoiado por vários grupos de defesa dos direitos das “minorias”.

Nos anos anteriores a Catedral tinha sido alvo de depredações e ataque das participantes do encontro. Pois bem, em 2008 os jovens católicos de Neuquén decidiram fazer um cordão humano para impedir que qualquer mal fosse realizado à catedral.

feministasneuquenEstes jovens não gritavam palavras de ordem, não ofenderam as participantes, não pregaram sobre o que consideravam pecado, nada disso. Eles ficaram o tempo todo rezando um rosário. Enquanto isso eram chamados de homofóbicos, de doentes, preconceituosos e todos as ofensas possíveis ao momento.

O resultado, vejam no vídeo:

Muita confusão e desrespeito para com os jovens…
Quem é que estava sendo preconceituoso?
Quem agrediu?

Tomando como referência vários autores consagrados, podemos dizer que o modelo de saúde mental depende do modelo de homem adotado, bem como o modelo de personalidade e esquema teórico/filosófico referencial. De um modo geral a maioria das teorias psicológicas considera patológica a dificuldade de adaptação frente às novas realidades ou o uso de medidas defensivas exageradas para lidar com as mesmas.

Resumidamente, segundo o DSM o transtorno mental é: Uma síndrome ou padrão comportamental ou psicológico clinicamente significativo, que ocorre numa pessoa, estando associado com perturbação atual, incapacidade, risco significativamente crescente de sofrer morte, dor, incapacidade ou perda importante da liberdade.

Olhando por este ponto de vista, quem é que tem razão ao “adoecer ” o outro e condená-lo por isso?

Não sou fã de manuais e/ou compêndios de psicopatologia, pois acredito que olhar para as pessoas envolvidas na situação é mais importante do que olhar para o fenômeno.  Talvez se fizéssemos isto, aprenderíamos mais com as diferenças

Lembrando então dos dois casos que apresentei, pergunto:

O que é patológico, vício impróprio, preconceito, fobia, intolerância?

De que adianta considerar alguém doente?

Quem é o alienado, quem é o alienista?

Tags: , , , , , , , , , ,

A polícia do Rio de Janeiro estourou, hoje de manhã, duas clínicas de aborto que funcionavam em Botafogo, na zona sul da cidade. A reportagem do RJTV acompanhou a operação, batizada com o sugestivo nome de “Anjo”:

O que mais chama a atenção nas imagens é o triturador encontrado em uma das clínicas, e as passagens secretas da outra, que permitiam fugas rápidas em caso da chegada da polícia.

O médico dono de uma das clínicas foi preso em flagrante. E, para quem achar que ele estava apenas contribuindo para a efetivação do direito à autonomia das clientes, a polícia teve o cuidado de colher amostras de DNA no triturador, para fazer um “teste de maternidade” com elas.

De quem será o DNA encontrado? Será do “próprio corpo” de alguém?…

Bebê a bordo

PS: Eu sempre imagino que horror deve ser o momento em que a polícia chega nesses locais, o desespero, as mulheres grávidas… Na operação de hoje, tiveram de levar uma mulher direto para o hospital, ainda anestesiada da cirurgia. Infelizmente não chegaram a tempo de impedir o aborto. Que tudo corra da melhor forma possível…

Tags: , , , , ,

VÍDEO RETIRADO DO AR SOB PROTESTO.

VEJA AQUI A SEGUNDA VERSÃO.


Links que deram origem ao vídeo:

Fim do Silêncio ou da Lógica?

Trailer do documentário “Fim do Silêncio”

Reportagem da TV Canção Nova

Documentário “O Grito Silencioso”

“Eu fiz 5 mil abortos” – Depoimento de Bernard Nathanson

Veja também o abaixo-assinado.

Tags: , , , , , , , ,

gravida-negra

Com forte aparato policial para vigiar ostensivamente possíveis “manifestações contrárias”, foi lançado nesta segunda-feira, no Rio, o documentário O Fim do Silêncio, que apresenta depoimentos de mulheres que fizeram aborto com o objetivo de promover a descriminalização do mesmo (veja aqui o trailer).

O filme é financiado pelo Governo Federal através da Fundação Fiocruz, ou seja, utiliza dinheiro público para divulgar sua ideologia. Segundo reportagem do jornal O Globo, a única exigência da Fiocruz foi incluir, nos extras do DVD, os comentários de especialistas contrários e favoráveis ao aborto que foram excluídos da edição final do filme, exibida nos cinemas.

A novidade deste documentário seria mostrar a “cara” de mulheres que praticaram aborto há mais de 5 anos, prazo em que o crime “expira”, não podendo mais serem condenadas pelo que fizeram (embora possa ser suscitada a existência de apologia ao crime, já que estariam defendendo um delito previsto no Código Penal). Sem restrição alguma, serão distribuídas gratuitamente duas mil cópias do filme para escolas e entidades feministas de todo o país.

Pois, em uma entrevista à TV Canção Nova, o repórter perguntou à diretora, Thereza Jessouroun, se, além de focar a saúde das mulheres, ela em algum momento também pensara na “saúde” das crianças no ventre delas. “É… olha só… é uma questão… Não é que eu não pense na saúde das… dos… das crianças, não é isso… Eu estou falando sobre o aborto. É outro tema – ela respondeu, claramente apreensiva.

Como a reportagem foi editada, enviamos um e-mail à cineasta, perguntando se ela teria algo a acrescentar em relação à sua “explicação” que foi divulgada. Ainda não obtivemos resposta, mas receio, com sincero pesar, que na verdade não haja uma resposta satisfatória – nem ao menos lógica…

Digo isso porque o documentário parece claramente abordar a questão a partir da ótica feminista. Feminismo, que fique bem claro, das “novas ondas”, surgidas a partir dos anos 60, quando algumas militantes decidiram que não era só necessário lutar a favor dos direitos igualitários para as mulheres, mas também pelo aborto, enquadrado no conceito de “direito ao próprio corpo”. O lamentável é terem esquecido uma lição básica de matemática: um (corpo) mais um (corpo) é igual a dois (corpos). Eu, que eu saiba, nunca fiz parte do corpo da minha mãe.

Tenho amigas feministas, apóio com fervor várias de suas causas. Mas, até hoje, confesso que ninguém conseguiu me explicar o porquê de, neste caso, usar um argumento tão… falso. Nunca vi, pelo menos no Brasil (parece que lá fora elas já abrem mais o jogo), uma feminista que tivesse coragem de abordar diretamente esse assunto, sem fugir pela tangente de que “não é o caso de entrar na questão do início da vida” (se essa questão filosófica fundamental não serve pro caso do aborto, fico imaginando pra quê ela serve…). Uma vez, num debate sobre o tema (tá no youtube, pra quem quiser ver), tentei perguntar a uma militante pró-legalização por que elas insistiam em falar sobre o tal “direito ao próprio corpo”, quando na verdade todos sabem que é outro corpo (até o mais materialista dos biólogos). Ela não entendeu muito bem, se enrolou e só conseguiu dizer, de forma semelhante à Jessouroun: “não é que a gente não defenda a vida das crianças…” (sem logicamente explicar em quê consistia essa defesa). E abriu caminho pra outra debatedora, contrária ao aborto, soltar depois: “o corpo da mulher não é formado de ‘cabeça, tronco, membros e criança’, não!…”. Óbvio.

Por isso, resolvemos dar nosso grito de BASTA!”. Basta do aborto ser tratado como discussão pequena. Basta de ignorar argumentos importantíssimos, só por serem supostamente defendidos por “religiosos”. Basta de nem sequer pensar em como responder dignamente a uma pergunta óbvia, a primeira que deveria ser feita em todos os debates sobre o tema.

O aborto clandestino é um problema grave de saúde e de segurança pública? Sim, e por isso precisa ser sanado.

Há graves problemas sociais e educacionais que geram a gravidez indesejada e, por fim, o aborto? Sim. E por isso precisamos pensar em como prevenir esses problemas.

A desinformação e/ou o desespero muitas vezes levam mulheres a praticarem o aborto, sem intenção alguma de cometerem um crime? É claro! Por isso os juízes nem sempre as botam na cadeia.

Há quem questione o momento de início do direito à vida? Pode até ser. Mas não significa que não haja uma resposta. No mínimo, estaríamos “correndo o risco” de matar vidas inocentes. No máximo, as estaríamos matando por acreditar em conceitos determinados unicamente por interesses. Ou você acredita na bondade suprema das organizações internacionais que vivem pressionando todos os países para que aprovem o aborto?

Pense como quiser, argumente como quiser. O que não dá é pra ficar omitindo o óbvio. Um mais um é igual a dois.

Pé bebê barriga

Goste ou não do dois.

UPDATE (08/10/09): Veja também o nosso vídeo “Fim do Silêncio ou Grito Silencioso II“, que levanta algumas questões de dois documentários de nomes bem singulares…

Tags: , , , , ,

Grávida

Eita, tema polêmico (chega numa universidade e fala disso pra você ver)! Mas talvez não haja polêmica mais importante de ser discutida. Por quê? Porque, lá no fundo, ela envolve uma das coisas mais profundas a guiar todo o resto: a forma como encaramos a vida.

“A vida das crianças ou das mães?”, já perguntaria um observador mais esperto. Sim, porque às vezes parece que falar de aborto, hoje em dia, é só olhar pra um desses dois lados, ignorando completamente o outro. Dos que pensam que mandar pra cadeia as mulheres que abortam vai resolver tudo, aos que acham que legalizando o troço teremos até mesmo menos violência (afinal, “vai nascer menos pobre”, né?), a polarização do discurso muitas vezes reflete ideologias um tanto distantes da realidade, palavras vazias que se perdem no ar ao menor clima de “nossa, está acontecendo comigo”…

Mas voltemos àquela perguntinha básica, mas maldosa: quem vale mais, uma criança por nascer ou uma mãe desesperada?

(Iche, difícil essa, né? Dá vontade de mudar de assunto, fingir que não é com a gente… ou então embarcar numa resposta pronta, que ouvimos naquela aula de ética daquele professor esquisito…)

O problema é quando essa incerteza permanece mesmo quando tomamos uma bandeira e envolvemos outras vidas na nossa luta. Quando não sabemos responder uma pergunta básica, que deveria estar por trás de tudo o que fazemos…

Assistam ao vídeo abaixo. É pra pensar onde está indo parar o meu, o seu, o nosso dinheirinho público…


Em tempo: entre a mãe e a criança, “tentemos salvar as duas”, como diriam as boas parteiras. É possível? Ora, claro que é! E há muita gente boa que já dedica a vida a fazer isso!… Confira, por exemplo, o trabalho da Associação Nacional Mulheres pela Vida, do Rio de Janeiro. É um trabalho exemplar, que já salvou milhares de vidas mas que continua pouquíssimo conhecido – talvez pelo preconceito com que muitos ainda vêem o tema. Futuramente abordaremos melhor o trabalho desta e de outras ONGs que, muitas vezes sem nenhum apoio, fazem trabalhos que emocionam por tanta beleza e profundidade. Por hora, pensemos em como às vezes nos desesperamos tão facilmente, quando há tantas pessoas em situações tão ruins, com condições tão precárias, mas que decidem levar a vida adiante e renovar-se diante das dificuldades, “fazer da queda um passo de dança”, como diria o poeta. Afinal, quem entende do assunto sabe que aborto não salva ninguém; pelo contrário: sempre destrói, no mínimo, duas vidas.

Tags: , , ,