Pensei em várias coisas pra começar o ano aqui no VPV. Situações revoltantes não faltam, reflexões importantes também não… Mas nenhuma delas ainda se “concretizou”, me envolveu de modo a tomar forma na mente e na tela do computador.
Acabo de receber, porém, uma notícia tão animadora, que me deu vontade de compartilhar com vocês esse videozinho, enviado pelo Gu, meu irmão!
É um clipezinho de Bob Sinclar e Steve Edwards que bota pra cima (lhe desafio a assistir sem dar um único sorriso)! Dá esperança. Como a notícia que recebi… Um amigo ficará um pouco mais distante. Por uma causa grandiosa…
Um dia, porém, estaremos juntos. Seja como for… Yeah!
Together (Juntos)
Bob Sinclar
Tradução:
Oh yeah, estamos de volta agora!
Mais notícias ruins no rádio
O Planeta Terra está pronto pra explodir
Hoje as estrelas perdem seu brilho
Afastaram todas
Juntos, temos a esperança de poder ir longe!
(Deixe-me te ouvir dizer:)
Um dia estaremos juntos
Nunca vamos nos separar
Um coração, uma idéia
Um dia estaremos juntos
Lembre-se que esse velho mundo é seu e meu!
Vê esse homem com uma caneta e uma arma?
Ele diz para todos que tudo acabou (oh não!)
Não, eu não acredito que é verdade
Mas eu acho que é para mim e você
Juntos encontrarmos uma solução.
(Eu acredito em você!)
Um dia estaremos juntos
Nunca vamos nos separar
Um coração, uma idéia
Um dia estaremos juntos
Lembre-se que esse velho mundo é seu e meu! Oh oh oh…
Suspeita de pneumonia, problemas no mestrado, no trabalho, um calor chato e uma eterna pergunta que não para de martelar… Para onde estou indo?
Sim, queria saber onde.
Tantos são os caminhos. Para alguns deles sei que não sirvo, outros simplesmente não me servem.
Talvez seja por isso que penso tanto em ter um gato, meu eu-alice cansou de não se importar…
Mas existe esperança. Que surge numa música ou no silêncio do depois, mas vem lembrar que devo estar no caminho certo… pelo menos um pouco mais certo do que o último passo.
“Essa turminha da pesada irá viver altas aventuras numa floresta misteriosa, onde tudo pode acontecer… Irão encarar grandes desafios, mas com sua casa voadora e seu fiel companheiro canino, eles enfrentam qualquer perigo!” – esta, provavelmente, seria a descrição de “UP – Altas Aventuras”, caso o filme, hipoteticamente, estreiasse na Sessão da Tarde. O que, logicamente, seria a deixa para eu mudar de canal ou procurar outra coisa pra fazer. Mas bastaria o narrador acrescentar um pequeno detalhe, uma simples palavrinha, para mudar completamente a minha concepção e me deixar grudado na tela da TV, esquecido da vida: PIXAR.
E foi a Pixar, essa autora de obras-primas como Toy Story 1 e 2, Monstros S.A. e Procurando Nemo, que me fez largar tudo e ir ao cinema ontem, debaixo de chuva, para conferir a sua nova estréia, sem mal ter visto nenhum trailer ou comentário do filme. Quis manter o suspense de propósito, sabia que não iria me decepcionar. E nem é preciso dizer que estava certo. “E a Pixar acerta mais uma vez”,deve ser uma das frases mais repetidas pelos mais diversos críticos de cinema ao redor do mundo, toda vez que eles lançam uma animação nova. É claro, com direito a um ou outro descontente, pra não virar unanimidade burra…
Mas, ó raios, qual o segredo? O que fez esses caras, que nos anos 80 produziam curtas em 3-D só pra mostrar o potencial dos computadores que vendiam (e já começaram criando um clássico logo no primeiro trabalho, o “Luxo Jr”) se tornarem hoje, mais do que um dos estúdios mais lucrativos e premiados de Hollywood, mas os maiores “cativadores” de crianças e adultos (e adolescentes e idosos!) nos mais diversos cantos do planeta, equiparando-se (ou talvez superando) a história da própria Disney, sua todo-poderosa proprietária?
Pra começar, sugiro uma olhada no curta-metragem que antecede UP nos cinemas, “Parcialmente Nublado” (Party Cloudy). Depois continuamos a conversa.
(se quiser, clique no “quadradinho” para ver em tela inteira)
E aí? Riu? Se encantou? Ficou falando “ah, que fofo!!”? Chegou a sentir um nozinho na garganta? Tá refletindo sobre a mensagem? Pois é, eu também. Tudo isso em míseros 5 minutos. Agora, imagine o que são 96 minutos disso. É UP.
Aliás, é mais que isso. Algumas seqüências são, sem exagero, dignas de entrar para a história do cinema, como os tão aclamados 10 minutos iniciais. É tão poético quanto “Wall-e”, a coqueluxe mais “adulta” do estúdio – mas, ao contrário dele, tem “ritmo de aventura” pra criança nenhuma botar defeito. Talvez por pressões comerciais, UP tem mais clichês do gênero que as outras animações da Pixar, mas não deixa de surpreender nem por um segundo. Como? Simples: o grande trunfo não é tanto a história que se tem pra contar, e sim comocontar a história. É isso que faz a Pixar ser a Pixar.
Pois, num roteiro que à primeira vista não tem nada de mais (exceto pela casa içada por balões, que deixaria aquele padre brasileiro chupando o dedo), UP consegue sensibilizar qualquer idade falando sobre perdas, relacionamentos, problemas familiares, limitações, solidão, desilusões com sonhos de toda uma vida… e sobretudo sobre os valores que superam isso tudo – temperados com aquele bom humor pra lá de inteligente, gargalhante mesmo, essencial para qualquer vida que se pretenda feliz. E tudo isso mesclando profundidade e leveza de uma forma que talvez nunca se tenha visto na história do cinema para crianças – com exceção, talvez, de outros títulos da própria Pixar… Enquanto a Disney ainda tenta achar a magia que perdeu em algum lugar dos anos 90, a Pixar a reinventa, mostrando que sonhos combinam, sim, com realidade. Que no final não precisa ser sempre igual, com príncipe encantado matando a bruxa, beijo na boca e felizes para sempre. Em UP, a fantasia serve justamente para mostrar que a maior aventura é a vida real, com toda sua chatice, seus sofrimentos e alegrias. Nas obras da Pixar, quem vive a vida normal, sem poderes especiais, não é “trouxa”, como na série Harry Potter. É alguém que sabe viver.
E saber viver inclui primar sempre por uma produção caprichadíssima, ter gosto em nos brindar com pequenos e extasiantes detalhes. Fazer o que se faz com paixão, dando sabor ao fruto do seu trabalho, mesmo que os outros façam quase que só pelo lucro… Aliás, pra quem ainda não entendeu a parceria atual Disney/Pixar, imagine uma boa padaria. A Disney é o dono, o cara que até já fez muita coisa legal, mas que hoje só fica no caixa, pensando nos dividendos e na melhor forma de vender os produtos. O padeiro, mesmo, é a Pixar. É ela quem faz os sonhos.
Animações de outros estúdios, como Shrek e Era do Gelo, podem te fazer sair do cinema rindo. Mas só a Pixar, além das dores na barriga de tanto gargalhar, te dá também vontade de aplaudir quando começam os créditos – enquanto o sorriso, que não sai do rosto, tenta segurar aquela lágrima teimosa… Pra finalizar, só uma frase do comentarista Érico Borgo que, por ocasião do lançamento de Wall-E, sintetizou o que não só eu, mas certamente milhões de pessoas ao redor do mundo gostariam de dizer: “Parece que a Pixar tem mesmo fé na humanidade. E não é que também tenho mais fé no mundo sabendo que temos a Pixar?”.
Bom, nós do Vivo Pela Vida, somos pessoas que tem um certo empuxo à vida acadêmica, conforme pode ser conferido em nossos Lattes. Uns meses atrás, assim que eu entrei no mestrado, o Gustavo me mandou um texto que me faz refletir até hoje. Segue o texto:
Eu estava com fome e você pesquisou os efeitos da Revolução Verde e dos Alimentos geneticamente modificados
Eu estava sem teto e você estudou as favelas e os cortiços
Eu estava desempregado e você discutiu sobre o mercado informal de trabalho
Eu estava doente e você falou sobre as conquistas da medicina e a melhoria na expectativa de vida
Você estudou todos os aspectos de minha vida – e eu, continuo com fome, doente, desabrigado e sem emprego…
Duas da madrugada. Acabei de ver um bom filme na TV, dei um pulinho na geladeira e vim pra cama, ler ou escrever um pouco até o sono me derrubar. Além de ser um feliz portador daquela estimável companheira de metade da população de cidades frias, a rinite alérgica, as minhas vias aéreas superiores são um verdadeiro labirinto, ficam desorientando o ar que só quer entrar e chegar aos pulmões. De modo que, se “pegar no sono” pra mim já é uma façanha difícil por natureza, quando a sinusite ataca tenho que quase ficar bêbado de tanto sono pra conseguir pregar os olhos… Mas tudo bem. É a vida.
Mas nem bem me recosto na cama, e o Billy de repente começa a latir e a uivar alto lá fora. Ah, esqueci de dizer: estou na roça com meu pai (que a esta hora já está no enésimo ronco), e o Billy é o nosso cão-de-guarda com cara de mau. Tem cara de rottweiler, o pêlo (e os carrapatos) lembram um vira-lata de rua, mas na verdade não passa de um labrador capado, preguiçoso como a mãe. Mas estranho aquela latição toda, e vou lá fora dar uma olhada. Corajosamente abro a porta, saio pra varanda, e quando olho pro lado lá está ela. Toda amarelona, minguando ou crescendo, não sei. Só sei que quando não se tem nenhuma luz artificial por todo o raio onde a vista alcança, a lua parece sempre cheia, a noite é sempre clara, quando não há nuvens pra atrapalhar. Mas as poucas de hoje não atrapalham, pelo contrário: compõem com ela uma paisagem inenarrável, ostentada por sobre a pequena mata no alto do morro.
Então fico lá, meio que hipnotizado, contemplando aquele pequeno (?) espetáculo naquele pequeno (?) fim-de-mundo. Sapos coachando, grilos cricrilando, uma água correndo lá longe: eu, só eu, de ser humano acordado naquele lugar, talvez num raio de dezenas de quilômetros. O Billy, a essa altura, já trocando os latidos por arfadas simpáticas, feliz por ter atraído minha atenção. Me trouxe até aqui pra ver isso, garoto? Frio de orvalho, cheiro de mato. Tanta coisa se passando pela cabeça naqueles poucos instantes ali, olhando pra ela e suas nuvens-figurantes… Mas mais do que pensar, é daqueles momentos pra se sentir. De ouvir o silêncio dos sons da natureza. Quando tudo fala e a gente se cala…
E fico pensando, sabe? Como seria a humanidade, se todos parassem pra ver a lua, de vez em quando… Se se permitissem, também, ter essa sensação de um num-sei-o-quê-vindo-num-sei-daonde a inebriar os sentidos e a te dizer: “shhh! Escuta!”Calar por dentro e por fora, despir-se, desarmar-se. Sentir o vento, e só…
Mas aí me lembro que nossas sensações são moldadas, de certa forma, por quem nós somos, por nossa história. O mesmo céu que pra mim, neste momento, é isso tudo, pra outro é um céu bonito e só. Sem essa frescura toda. Muitos nem iriam notar. Alguns poderiam ter idéia pra um poema romântico ou uma musiquinha melosa, outros lembrariam de casos antigos, outros fariam um blues dos mais deprês. Para alguns é real o lobisomem, para outros mais real é a fome – e aquele queijão lá em cima… (se cair nóis come).
Não adianta. Por mais que pra uns a lua pareça passar uma mensagem clara, pra outros a imagem é outra. Cada um tem a sua lua, e a minha é essa. Ninguém mais, nenhuma alma viva a ter, neste momento, esta visão. É para mim.
Resta-me, quem sabe, tentar partilhar um pouco desse meu céu, tentar passar um pouco do que a lua me disse, pra quem estiver do meu lado. Não posso querer substituir aquela visão, nem que eu fosse a mais bonita das criaturas – mas pra isso basta olhar pra cima, de onde quer que você esteja. Enquanto isso, vou tentando ser um pouquinho de “lua” pra quem não a viu como eu vi. Assim, quem sabe, posso tentar aprender também com o que ele viu e eu não… com o céu de cada um.
Gabriel Resgala – jan/09
PS: Sim, andamos sumidos… Culpa dos nossos computadores, que resolveram organizar uma greve sincronizada e falharam todos ao mesmo tempo… Pois é. Mas um dia cada colaborador do site ainda terá o próprio notebook corporativo da Vivo Pela Vida Foundation, com acesso à internet sem fio em qualquer canto – vai vendo…
No último mês, uma amiga me pediu um texto. Este deveria ser pequeno, especial, rápido (tinha 1 dia de prazo), e seria usado como homenagem a um amigo que se foi…
O resultado ficou este ai abaixo…
Inté
Já dizia um poeta que um homem também chora.
Chora, ri, trabalha, descansa e faz de tudo para melhor aproveitar esta vida.
E por mais atarefado que ele seja, é impossível negar uma lágrima ao saber que um amigo se foi.
Independente de orientação teórica, religiosa ou futebolística, ao sentir a ausência de um amigo, homens, mulheres, crianças, choram.
Talvez, algum filósofo ainda dirá, que a lágrima é o único e verdadeiro elo da ligação humana. Platão chorou Sócrates, Cristo chorou Lázaro, e eu chorei você.
Embora nós três soubéssemos que a morte é só um substantivozinho vazio, que em nada se compara com a vida. Por mais que acreditássemos que só a vida é capaz de suplantar a morte em sentido e existência E embora emboras, se nãos, talvez, e porquês… Choramos.
Mesmo sem achar um sentido, sabíamos que estas lágrimas levavam um pouco mais. Mais do que tristezas, alegrias, lembranças e músicas, sais e água, num
gosto salgado-azedo.
Levavam seus conselhos, seus sorrisos, e um gosto doce, pois além de carregar mais do que a solidão de quem fica, levaram a esperança de quem vai.
Como dizia outro poeta, “Não me esqueça, amigo, eu vou voltar, some longe o trenzinho ao deus-dará”. Até logo.
Para quem não sabe, às vezes eu também blogo sobre música, bem às vezes…
Vou tentar fazer alguma coisa aqui no Vivo Pela Vida também, principalmente em relação a músicas que eu acredito que ressaltem uma posição “legal” diante da vida.
Uma semana dessas, estava vendo o “Altas Horas”, e tive uma grata surpresa: a banda Chimarruts.
(Chimarruts – O Sol)
De cara já pude perceber que além da qualidade (eles são ótimos músicos), a proposta da banda também era ver a vida, o amor e o reggae de formas diferentes…
(Chimarruts – Não deixe de Sonhar)
As canções que conheci até agora, falam de Paz, Vida, Fé, Sonhos, Percalços… ou seja, tudo dentro da proposta do Vivo Pela Vida…
É bem verdade que eles não são perfeitos (como todos os seres humanos), mas gostei muito, e recomendo a todos.
De quebra, ai vai uma amostra do trabalho que eles desenvolvem.
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