Pois, em meio a isso tudo, eis que a internet nos proporciona também uma montagem boba – mesmo! -, mas que nos dá algo que a campanha quase não proporcionou (com excessão, talvez, do Plínio, da Weslian e, de certo modo, do Tiririca): risos!
Com vocês, o trabalho exaustivo de um cara que não tinha mais o que fazer e gastou seu tempo botando o Serra e a Dilma pra cantarem juntos, manifestando um amor contido – e recíproco!…
Porque ele é feio, mas também tem a mania de insistir e assumir o que quer!…
Lembro bem de um ditado que me contaram no começo da faculdade: “Só louco não muda de idéia”. Durante a faculdade tive certeza de uma coisa: louco muda muito de idéia.
Aliás, todos nós mudamos. A questão é: quando e por quê?
São muitos os motivos que podem levar uma pessoa a mudar de opinião. Aqui no site já publicamos um texto sobre a feliz mudança de de Elba Ramalho e Pitty. No caso de ambas, os abortos que sofreram (o de Elba foi artificial e o de Pitty, espontâneo) ocasionaram uma mudança radical na forma de ver e valorizar a vida. As entrevistas que vieram posteriormente apenas publicaram uma mudança verdadeira e particular.
A questão é quando essa mudança ocorre de uma hora para outra, com uma presidenciável e faltando apenas 4 dias para a eleição. Suspeito… MUITO!
Na hora da eleição, Fernando Henrique já virou católico, Lula não soube de nada (e infelizmente não pôde comparecer a debate). Para variar, Dilma misteriosamente se tornou contra o aborto….
Confira no vídeo e tire suas próprias conclusões!
Veja também, aqui, a posição dos principais presidenciáveis sobre o aborto.
Antes de mais nada, como mesário (não voluntário, confesso), não posso deixar de lembrar a todos de levarem documento com foto & título de eleitor para votarem no próximo domingo. Pois é, agora estão exigindo dois documentos, fazer o quê? Se precisar reimprimir o título, corra até o Cartório Eleitoral até quinta-feira (dia 30) – ou poderá ficar sem votar! [UPDATE - 01/10/2010: Pois é, eles voltaram atrás na última hora. Não sei o que foi pior: aquela exigência descabida (aprovada pelo presidente um ano atrás) ou a sua revogação a 3 dias das eleições, motivada por claro medo de perder votos, depois de tantos gastos com propaganda e milhões de pessoas passando horas na fila pra reimprimir o título... Agora basta levar um documento oficial com foto, ok?].
Bem, mas vamos lá! Continuando a nossa série “urna não é penico”, com vocês, aqueles que são os três maiores mitos eleitorais do Brasil, na minha opinião – nos quais, acho, a maioria da população acredita. Você sabia?
1º MITO: “Se mais de 50% dos eleitores anularem o voto, haverá novas eleições”.
Cá pra nós: seria bom se fosse verdade. Imagina, uma eleição em que os eleitores, indignados com a falta de opções, pudessem manifestar isso através do voto: “não queremos nenhum de vocês, terão que arranjar outros!”, e os partidos desesperados, tendo que se virar para conseguir candidatos melhores…
Mas, na verdade, não funciona assim. Embora haja vários textos afirmando o contrário por aí, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirma: votos brancos e nulos não servem pra NADA. Nada mesmo. Entenda aqui.
2º MITO: “Se eu não quero que um candidato ganhe, devo votar naquele que tem mais chances de derrotá-lo, já no 1º turno”.
O segundo turno acontece, nas eleições para cargos do Executivo, quando os votos do candidato que está em primeiro lugar não ultrapassa a soma de todos os outros. Este videozinho explica de forma rápida e divertida como funciona:
Ou seja: o primeiro turno existe exatamente para você poder votar em que você quiser, sem ter que se preocupar com o “voto útil”.
Se você não quer que o candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas ganhe, basta votar em qualquer um dos outros para colaborar para que haja segundo turno, pois o que vale é a soma de todos. E, se você não quer que o candidato que está em segundo lugar ganhe, votando em um candidato que está em terceiro lugar você estará exatamente diminuindo as chances do sujeito de quem você não gosta ir para o segundo turno (vai que o seu candidato consegue ultrapassá-lo?).
No segundo turno, aí sim, a decisão se dá muitas vezes de forma mais pragmática, votando em um (o “menos pior”) para que o outro não ganhe. Ou, é claro, confirmando o voto que demos no primeiro turno, se for o caso.
3º MITO: “Vou votar num bizarro qualquer pra deputado, como protesto. Pior do que tá não fica”.
Fica sim, seu abestado. Se parece uma boa piada votar em candidatos “bizarros”, saiba que alguém irá rir por último, e da sua cara. Além de botar uma pessoa despreparada no poder, você estará colaborando para dar mais votos para o partido ou coligação, e com isso eleger outros candidatos que você nem conhece – e que podem ser os piores possíveis!
O problema é que as eleições para deputado federal ou estadual (diferentemente dos outros cargos) são feitas pelo sistema proporcional, em queo número de votos que o partido ou coligação obtiver, somando todos os seus candidatos, irá designar o percentual de vagas no Congresso que esse partido ou coligação terá. Um exemplo clássico: em 2002, Enéas foi o deputado mais votado do Brasil, tendo mais de 1 milhão e meio de votos. O seu partido (PRONA), com isso, obteve uma boa porcentagem de votação, conquistando 6 vagas na Câmara. Só que, por se tratar de um partido pequeno, seus candidatos “mais votados” tinham pouquíssimos votos, inclusive um sujeito com apenas 275 votos. Foi eleito um deputado federal que obteve menos votos do que eu tenho em amigos no Orkut.
É extremamente injusto, mas infelizmente é a realidade. E votando no Tiririca, seu abestaiado, você estará elegendo também nomes como Valdemar Costa Neto e José Jenoíno, velhos conhecidos do Mensalão. Sabia disso?
Portanto, pra escolher um deputado, é importante analisar bem o PARTIDO e/ou a COLIGAÇÃO, talvez até mais do que o candidato. Pois é!…
Bem, por hora é isso! Quer saber mais? Faça o teste do site da Veja e verifique se você sabe diferenciar outras mentiras e verdades eleitorais!
Tenha um bom voto! E colabore para espalhar essas informações, a democracia depende disso!!
Você sabe o que o seu candidato a presidente realmente pensa sobre o aborto? Seguem, a seguir, declarações em vídeo dos 4 principais presidenciáveis que valem a pena serem vistas…
Dilma:
(em entrevista à revista Isto É)
_ O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada. Eu não tive que fazer aborto. (…) Eu acho que, do ponto de vista de um governo, o aborto não é uma questão de foro íntimo, mas de saúde pública. Você não pode hoje segregar mulheres.
_ A sra. defende uma legislação que descriminalize o aborto?
_ Que obrigue a ter tratamento para as pessoas, para não haver risco de vida. (…) Atendimento público para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto.
José Serra:
(no debate das TVs católicas)
_ Durante a Assembléia Nacional Constituinte (…) eu inclusive juntei vários parlamentares (…) pra fazer uma frente parlamentar contra o plebiscito da pena de morte. Porque não é uma questão que pode ser resolvida na base do 51(%) x 49(%). Eu, com relação ao aborto, penso a mesma coisa. Não faria plebiscito, de jeito nenhum.
O Programa Nacional de Direitos Humanos (do governo Lula), se virasse lei, como eles queriam, iria criminalizar quem é contra o aborto. Porque, se diz que o aborto é um dos pilares dos Direitos Humanos, quem é contra o aborto estaria contrariando os direitos Humanos. Não tem o menor cabimento.
Marina e Plínio:
(no debate das TVs católicas)
Marina:
_ Eu tenho uma posição contrária ao aborto (…). E a vida do ser humano para mim é um valor inegociável. O problema é que nós temos uma sociedade que (…) tem pouca informação sobre o assunto – e que o Congresso pode decidir sobre o assunto sem que a sociedade tenha feito o debate adequadamente. É por isso que eu defendo que na democracia se faça o plebiscito. (…) Que a gente possa entrar no mérito. Pode ter certeza que não é uma defesa pela metade e tenho profunda convicção em relação à defesa da vida.
O que está sendo colocado é a vida das 100 mil mulheres, mas também há as 100 mil vidas que são ceifadas junto com essas 100 mil mulheres. Quem é que protege essa vida indefesa que está ali e que precisa ser protegida? No meu entendimento, o Estado não pode se ausentar desta discussão como um princípio. (…) E eu, em nenhum momento, vou deixar de colocar o meu ponto de vista e de fazer a defesa daquilo que eu acho que é o melhor.
Eu digo que não faço satanizações porque eu sei que uma mulher que faz o aborto sofre, depois, tem graves problemas – inclusive emocionais – e eu tenho esse olhar, também, de acolhimento.
Plínio:
Como cristão, eu sou contra o aborto. Mas assim como não aceito que me imponham condutas baseadas em valores contrários à minha fé, não tenho o direito de impor condutas decorrentes da minha fé a quem não a tem.
A interrupção precoce da gravidez é um problema social que mata mais de 100 mil jovens todos os anos – jovens pobres. (…) O combate à interrupção precoce da gravidez requer ação preventiva. Combate ao erotismo de uma sociedade burguesa. E a legalização de intervenções, ou seja, o controle da lei. A decisão corresponde à mulher, pois ninguém defende mais o filho do que a mãe.
_ A interrupção precoce da gravidez é um problema social que mata mais de 100 mil jovens todos os anos – jovens pobres. (…) Nesse debate, eu defenderei a posição do meu partido. O combate à interrupção precoce da gravidez requer ação preventiva. Combate ao erotismo de uma sociedade burguesa. E a legalização de intervenções, ou seja, o controle da lei. A decisão corresponde à mulher, pois ninguém defende mais o filho do que a mãe.
Analisando…
Me parece que Dilma só se diz “pessoalmente contrária ao aborto” pelos problemas decorrentes à mulher: “é uma agressão ao corpo”, “dói”, etc. Em nenhum momento sequer se lembra da criança, da vida intra-uterina. Por isso, não vê problemas em declarar-se favorável à legalização e ao oferecimento de aborto no SUS.
E, como Ministra do governo Lula, já colaborou muito para que isto se concretizasse – este vídeo mostra, em fatos comprovados por documentos, alguns dos atos de Dilma e do PT pela promoção do aborto no Brasil.
Plínio, apesar de ter sido o único a citar uma atitude de prevenção (que é algo essencial no combate ao aborto), vai no mesmo caminho de Dilma, citando estatísticas retiradas sabe-se lá de onde (dizer que há centenas de milhares de mortes por aborto por ano no Brasil não tem fundamentação alguma, quanto mais de “jovens pobres”). Usa eufemismos para dizer o que no seu site está claro: “defesa da legalização do aborto”.
Serra, a meu ver, parece estar utilizando essa questão mais para atacar Dilma (e apresentar um diferencial que lhe dê votos) do que necessariamente para defender a bandeira contra o aborto. Antes da campanha parecia mais “neutro” neste assunto, e se esquece de mencionar que, quando foi Ministro da Saúde, aprovou a primeira Norma Técnica a possibilidar o aborto no SUS em casos de estupro e risco de vida. Mas, convenhamos, hoje não parece determinado a ampliar este serviço. Até porque sabe que seus votos dependem disso.
Já a Marina me parece ser, dentre estes quatro, a candidata mais convencida da importância da defesa da vida não-nascida. Neste debate em específico, ao ser pressionada, ela manifestou de forma mais clara sua posição pessoal (que às vezes parece tentar minimizar, talvez para não polemizar com seu partido e com uma boa parcela de eleitores “liberais”), ao lembrar do que realmente está em jogo: as “vidas indefesas” que são “ceifadas” sem que haja quem as proteja. Sem se esquecer, é claro, do acolhimento à mulher, que tanto sofre com a situação.
[UPDATE - 02/10/2010: Ficou faltando, aqui, dizer o que eu penso sobre a proposta da Marina de um plebiscito para decidir a questão. Confesso que não sei se seria realmente a melhor alternativa, visto a gravidade do assunto (que deveria, a meu ver, ter entrado na Constituição). Mas, dependendo de como é feito, um plebiscito pode ser uma alternativa interessante de manifestação da democracia, levando a decisão à população (e, como ela disse, não deixando que o Congresso decida sozinho). Pode ser uma boa forma de conscientização, algo central no problema do aborto, mais importante que a mera proibição ou liberação. E cá pra nós, acredito que, sendo nosso povo como é, após se informar não vai mudar sua opinião (majoritariamente contrária ao aborto), mas até mesmo reforçá-la, ao conhecer melhor a realidade - é claro, se os dois lados souberem expor bem suas idéias, sem exageros ou maquiagens...].
É claro, há várias outras questões a serem levadas em conta na hora de decidir o voto. Mas a posição sobre o aborto é, com certeza, algo importante a ser analisado, não só nos candidatos à presidência (que gerenciam o SUS e influenciam fortemente os membros de outros poderes – os legisladores e até os ministros do Supremo, que são indicados pelo presidente) mas também nos deputados federais e senadores.
Afinal, trata-se do direito à vida, que é primordial, anterior a todos os outros – pois tudo o mais que se decidir será para os que já nasceram.
Outro dia estava assistindo à reprise do especial de 10 anos do Programa do Jô, no qual ele fez um bate-papo coletivo com alguns comediantes da “nova geração”. Uma das perguntas foi sobre os “limites” do humor. Até onde pode ir uma piada? Como fazer rir sem ofender, sem brincar com coisa séria demais, sem baixar o nível? No geral, a resposta dos convidados girou em torno do bom-senso e da própria graça como medida desse limite. Alguns disseram que, se algo é muito apelativo, acaba perdendo a graça por si.
Pois fui dormir pensando em como algumas coisas ruins podem, sim, fazer rir… Quem já foi vítima de bullyng, é gago, anão, fanho, etc, sabe o quanto algo que é extremamente sofrido para uns pode ser engraçado para os outros. Há momentos em que temos até consciência de que algo é sério, mas é difícil segurar a vontade de rir. É claro, muitas vezes o riso pode dar leveza a uma situação mais tensa, tornando-se “um bom remédio” – mas há um sério risco de deixarmo-nos levar por ele e esquecer que esse alívio não resolve o problema. É como um analgésico: ajuda – e muito!– a levar a vida, mas não cura a dor. Em muitos casos, ainda piora a situação, pois a mascara.
Quer ver? Dá uma olhada nesse videozinho de campanha eleitoral. É do Tiririca. Sim, ele mesmo.
Eu sou o Tiririca da televisão. Sou candidato a deputado federal. O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim, que eu te conto!
Vote em Tiririca. Pior do que tá, não fica!
O povo não é palhaço! Mas eu sou.
Impossível não rir desse cara. Ele mesmo parece não estar se agüentando com a maior piada que já contou na vida: se candidatar a deputado federal pelo maior colégio eleitoral do país (São Paulo), não como cidadão “real”, mas como o próprio personagem-palhaço, e ainda tirar um sarro mais do que explícito dos seus colegas políticos. A ponto de causar certo incômodo às alianças do seu partido…
É muito engraçado, sem dúvida! Mas… o problema é o limite. O limite da piada.
Sim, porque… Ele pode ganhar. Tem grandes chances disso. Freqüentemente um ou outro candidato bizarro é eleito, muitas vezes ficando entre os mais votados do país. O povo vota na piada, no riso como remédio pra um problema sério. No analgésico, no alívio instantâneo de “tirar uma” com a cara dos outros “palhaços” que tanto nos passam a perna. E o Tiririca é o mais escrachado, é como se dissesse: “palhaço por palhaço, vote no mais engraçado”. E somos levados a premiar sua ousadia humorística, dando-lhe o voto.
Depois? Ah, depois… Bem, eu vejo duas cenas. Claquete 1.
Tiririca vence como o deputado mais votado do país, seus eleitores se matam de rir, o resto do país torce o nariz. Após eleito, no entanto, evita dar entrevistas, causando suspense. Na primeira seção do plenário, tira a roupa de palhaço, toma o microfone e faz um discurso sério, tão sério como ninguém nunca o ouviu falar antes. Usa o exemplo de sua eleição, como um personagem cômico, para mostrar aos seus colegas a falta de seriedade reinante no meio parlamentar, mostrando sincera indignação. E dirige-se inclusive ao eleitor, visivelmente emocionado: “vocês elegeram um palhaço. Mas não merecem ser tratados como tal. Para isso, só depende de quem colocam cá em cima. Por favor, não percam a esperança. Não desistam!”
Claquete 2: Tiririca é eleito, o povo se mata de rir, a mídia cai em cima fazendo perguntas sérias ao novo deputado, para as quais recebe as respostas mais hilárias possíveis. Após algumas semanas de piadas, no entanto, ele começa a sentir-se perdido em meio às ocupações do cargo, e pede auxílio a seus acessores, para que lhe indiquem o que fazer. O partido, que já usou sua vitória cheia de votos para engordar a legenda e eleger outros candidatos que sozinhos não venceriam nem como vereadores, passa a usar também de sua cadeira para ter mais um voto garantido nos trâmites da casa. Tiririca vira mais uma marionete. Somos, mais uma vez, feitos de palhaços – mesmo quando achamos que nós é que estávamos rindo deles. Eles não riem conosco; riem de nós. Riem por último. E a piada, para nós, vai perdendo a graça…
Seja você a favor ou contra a legalização do aborto, provavelmente concordará que o ideal deveria ser que ele não existisse. Digo “provavelmente” porque, acreditem, em alguns países não é raro encontrar quem considere esta uma prática natural, não mais do que uma espécie de “método anticoncepcional tardio”. Mas no Brasil, felizmente, todos parecemos estar [...]
Estou há 1 mês e meio morando em São Paulo. Antes disso, fiquei 7 meses em Campinas, vindo à capital pelo menos uma vez por mês. Ou seja, já deu pra sentir um pouco a “pegada” dessa cidade louca. Uma cidade em que, quem diria, eu nunca imaginei que estaria morando. “Já é muita gente, [...]
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Fernando Pessoa Mônica e sua filha Giovanna, que nasceu com anencefalia: “Quem não tem vida chora?” (Conheça sua bela história aqui)
Comentários