Dizem, em jornalismo, que “nada é mais ultrapassado que o jornal de ontem”. Eis, entretanto, uma notícia da semana passada que ainda merece uma boa repercussão. O Diretório Nacional do PT decidiu, na sexta-feira (18/09), penalizar dois deputados federais ativistas na luta contra o aborto: Luiz Bassuma e Henrique Afonso.
Os dois, assim como vários outros membros do PT, sempre tiveram uma clara postura contra a legalização do aborto. Quando, em 2007, a direção nacional do partido decidiu abraçar radicalmente essa causa (da liberalização total), eles decidiram permanecer, na esperança de talvez conseguirem reverter a situação, apelando para a pluralidade de idéias sempre tão defendida pelos petistas. Mas, por conta de sua posição mais atuante contra o aborto (ou, talvez por outros motivos que os façam bons bodes-expiatórios), Bassuma e Afonso há algum tempo vinham sendo ameaçados pelas alas do partido mais ligadas ao movimento feminista. Agora, as ameaças se cumpriram.
Luiz Bassuma não poderá gozar, por um ano, de seus direitos partidários, como o de votar ou de ser eleito para cargos diretores, participar de decisões na legenda e de comissões parlamentares. Deverá também retirar todos os projetos de lei que apresentou contrários à descriminalização do aborto. Para Henrique Afonso, a punição será de 90 dias.
Bassuma decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal para anular a pena, e afirmou que vai abrir mão de concorrer à reeleição à Câmara no próximo ano para se dedicar à defesa da causa. “Entre o PT e a minha consciência, fico com minha consciência”, disse em entrevista ao Estado de S. Paulo.
Segundo muitos ativistas pró-vida, é uma notícia que deixa mais do que clara a posição do partido. Em meio a discursos “em cima do muro” sobre o tema vindos do presidente Lula e de membros do governo, o PT quer se mostrar cada vez mais radical pela legalização do aborto em qualquer situação (desde que consentido pela gestante). Segundo analistas, os deputados só não foram expulsos por puro temor da repercussão da notícia, já que a maioria da população é contrária a mudanças na lei sobre o aborto.
Não é necessário ser “de direita” para ser contra o aborto; vide o exemplo de Heloísa Helena, Plínio Sampaio e outros. Mas ser do PT está cada vez mais difícil. Corrupção e falcatruas? Pode, ninguém ganha punição. Mas defender o direito básico à vida do mais “excluído dos excluídos”, da “classe social” que menos tem voz, que nem ao menos pode gritar… não. Não pode.
PT, PT… Quem te viu e quem te vê…




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