decisão

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Monte José, José.

Olhou para trás?
Viu sonhos antigos?
Chorou por eles?
(saudades do que era
e de quem tinha…)

Você mudou, José.
Nem sente nem vê as coisas como via antes
Os amigos cresceram, mudaram, ficaram distantes
E seu choro é sincero.

Pois basta, José!
Encare a verdade, aceite a mudança!
Agora o sentir depende do agir
A vida depende dos olhos
os novos, que ainda não aprendeu a usar…

É preciso saber
É preciso sofrer
É preciso sorrir
É preciso viver.

É preciso acreditar no tempo.
É preciso esperar o sol
Buscar um brilho novo
Que um dia saberá enxergar…

Mas, agora, é preciso fechar os olhos.
É hora de ouvir.

Referências:
José (Carlos Drummond de Andrade)
Monte Inverno (Eduardo Faro / Guilherme de Sá)

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duvida2

Decisão nem sempre é uma coisa tão simples. Requer coragem! É comum sentirmo-nos angustiados com receio de estar tomando o caminho errado. Mas o pior é quando não tomamos caminho nenhum e permanecemos imóveis e estáticos por causa do medo e do descaso.

Lembro-me das palavras do mestre de Nazaré que disse mais ou menos assim: se o grão de trigo caído na terra não morrer, ele continua sendo um grão de trigo, e nada mais. O fim é nele mesmo! Ele pode até assegurar sua existência, mas sua finalidade será limitada! Contudo, se o grão de trigo morre, ele produz muito fruto.

Soaria estranha essa aparente contradição se não soubéssemos o sentido real do grão e da semente, que é a morte. Quem nunca plantou um feijãozinho no algodão na escola e observou curioso, a cada dia, o grão perdendo sua forma – morrendo – e se transformando numa plantinha de feijão. O estranho é ouvir essa referência como analogia à vida humana. Morrer para se ter a vida e para produzir fruto realmente gera certo desconforto na gente.

Se a vida é resultado das decisões tomadas durante minha história, sei que os sofrimentos e as alegrias surgidas durante o percurso são resultado de uma opção que eu fiz! Se eu for convicto das decisões tomadas, os sofrimentos e alegrias terão um sabor diferenciado porque terão um sentido maior. Todavia, se eu deixo que a vida decida por mim, os sofrimentos futuros, que são normais à todos, serão mais difíceis de serem encarados e a alegrias serão fugazes.

Então, se eu não decido o que devo fazer da minha vida, será ela quem decidirá por mim. Quando existe uma decisão, o sacrifício do grão de trigo (ou do feijãozinho) é celebrado, vigiado e esperado. Mas quando a vida é quem decide, eu fujo da responsabilidade de morrer e de dar frutos e deste modo significarei pouco: Pouco pra mim e pouco para os outros.

Não estou dizendo que devemos ter de antemão a certeza nas nossas decisões para não nos arrependermos depois. Certeza é o tempo quem dará. Estou, a priori, refletindo sobre as decisões que devem ser tomadas com lucidez, compromisso e responsabilidade. Nas encruzilhadas não temos certeza de qual caminho a tomar, temos somente a convicção de que estamos dando um rumo novo, e escolhemos, mesmo com os riscos e desafios dessa decisão, sofrendo a dialética existencial da vida humana. Feliz aquele que sabe decidir e que ao contrário da música não “deixa a vida me levar”.

Uma boa dica seja talvez ouvir a voz do coração… Deus aí está! Nas encruzilhadas, ele pode ser um sinal, não para um caminho mais fácil e nem para o mais difícil, mas, quem sabe, para o caminho que me fará ser mais eu mesmo.

Mas não se iluda a decisão ainda continua sendo sua!

“Agora sinto-me angustiado. O que direi? Pai, livra-me dessa hora?? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Então, Pai, glorifica o seu nome.”

(Jo 12, 20-33)

Pedro Junior

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