É com muito prazer que hoje publicamos um texto de uma leitora do blog: Vanessa Marques. Ela é educadora, poetisa, “poetinha“, e acredito eu, divide suas lembranças entre a sensibilidade de um violão, a habilidade no manejo de um Master System e as aventuras homéricas passadas em um pé de ameixa no quintal de casa. Além disso ela teve a sorte de nascer em uma ótima família: a minha, hehehe.
Seja muito bem vinda Vanessa. E aos leitores, boa leitura:
Por que você vive? Pelo que você vive? E outras perguntinhas capciosas…
Essas duas perguntas martelaram algum tempo por aqui, desde a primeira vez que entrei no site. E sei que martelou em muitas outras cabeças também. Isso porque nos fez pensar sobre coisas realmente importantes. O que a vida representa para nós? Qual seu valor real? Para os que preferem divagações mais poéticas podemos pensar:
“Será a existência uns poucos anos,
Em que pairamos sobre esta terra entre a corrupção dos homens?
Que haverá para além deste primeiro ato?
A Vida, creio, haverá ainda, a Vida!”
Tenho acompanhado reflexões belíssimas aqui. A mais atual, com o tema “Liberdade”. Me peguei pensando “pelo que” tenho vivido. Por isso, gostaria de falar sobre um dos aspectos da vida, como necessidade primordial, e que tem se tornado centro das atenções sempre que manchetes escandalosas estouram nos jornais, sempre que estes “gritam” com todas as letras GARRAFAIS, atentados em escolas, envolvendo jovens, seus companheiros de classe ou professores. Estou falando da violência. Mas não é da violência que gostaria de falar e sim do outro lado da moeda. Da paz. Não como utopia, como algo irrealizável, mas como possibilidade, como algo “alcançável” e indispensável na vida de todos nós…
Entre algumas coisas que tenho lido, coisas de gente que acredita que a mudança é possível, um detalhe me chamou a atenção: “Paz pode ser aprendida e ensinada”. Não só pode, como deve! Quando nascemos não sabemos exatamente o que é paz, não nascemos prontos para ela (como não nascemos prontos para a violência). Precisamos aprender o que essa palavra significa e como é bom vivê-la. Isso me faz lembrar uma música do Natiruts:
“Crianças não nascem más,
Crianças não nascem racistas
Crianças não nascem más,
Aprendem o que a gente ensina”
Inevitável olhar pra nós mesmos, impossível conter a enxurrada de perguntas que vão brotando…”Que temos feito pela paz, que não significa ausência de conflitos, que fazem parte da vida, mas sim a resolução não-violenta dos conflitos? *
Infelizmente os noticiários não divulgam a força e grandiosidade das pesquisas sobre “Paz”, não gritam em letras GARRAFAIS quantos educadores, quantas pessoas das comunidades carentes, pensam e fazem pela paz…pensam e fazem pela VIDA!
Nos resta a persistência…a insistência…a resiliência!
Começamos com duas perguntinhas capciosas e é com outras duas que encerramos:
“E você, acredita ou não? E então, o que você faz pela paz?”
Vanessa Marques.
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