Ciência

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Um dia desses, eu e o Gabriel passamos toda uma madrugada discutindo a questão do preconceito, no caso da psicóloga Rosângela, o homossexualismo e a psicologia. Apesar de não  conhece-la pessoalmente, ou algum de seus pacientes, acredito que posso me pronunciar sobre o assunto. E mesmo que este assunto já tenha sido abordado pelo Gabriel, gostaria de colocar o meu ponto de vista.

Para começar queria lembrar que o conceito de doença mental não é nada fácil, sendo que o que é consenso para alguns profissionais é da ordem do ridículo para outros.

De uma forma geral psiquiatras, psicólogos e psicanalistas trabalham com o sofrimento psíquico, independente se ele é considerado doença ou não. E este conceito de “Patológico X Normal” já foi utilizado para validar uma série de absurdos contra o ser humano.

Gostaria de lembrar de dois casos aqui, que talvez não sejam de amplo conhecimento.

1.

turingSe existe uma pessoa genial no ramo da ciência da computação, o nome dela é Alan Turing. Na época dos primeiros computadores, Turing FEZ esses computadores! Ele foi responsável não tanto pelas questões físicas, pois ele pensava além,  mas sobretudo pela produção de modelos abstratos de computação que possibilitaram um avanço tecnológico inimaginável desde o domínio do fogo. ELE FOI GENIAL! (E falo com a empolgação de um desenvolvedor nerd, que é  fã desse cara desde a adolescência).

turing_correndoFalta dizer que Turing foi um dos principais cientistas da Inglaterra, que liderou a construção do Colossus, computador inglês que foi uma das principais “armas” dos Aliados na 2º Guerra Mundial. Alguns historiadores acreditam que ele foi  uma peça chave para derrotar o Eixo.

Ao final da 2º Guerra, Turing foi recebido como herói de guerra, certo? ERRADO!

alan_turing5Turing era homossexual declarado e por isso, foi humilhado publicamente, impedido de realizar seus estudos e posteriormente foi julgado por “vícios impróprios”.

Considerado portador de um desvio patológico (na época considerado uma doença como o alcoolismo ou a drogadição) foi condenado a um tratamento a base se estrogênio (profundamente científico para a época) que tinha por resultados a “castração química” e o crescimento de seios.

Em 1954, o herói de guerra/doente (com vícios impróprios) se suicidou, tinha apenas 41 anos.

2.

300px-Catedral_neuquenDe 16 a 18 de agosto de 2008 ocorreu em Neuquén na Argentina o “Encuentro Nacional de Mujeres”, organizado por entidades feministas e apoiado por vários grupos de defesa dos direitos das “minorias”.

Nos anos anteriores a Catedral tinha sido alvo de depredações e ataque das participantes do encontro. Pois bem, em 2008 os jovens católicos de Neuquén decidiram fazer um cordão humano para impedir que qualquer mal fosse realizado à catedral.

feministasneuquenEstes jovens não gritavam palavras de ordem, não ofenderam as participantes, não pregaram sobre o que consideravam pecado, nada disso. Eles ficaram o tempo todo rezando um rosário. Enquanto isso eram chamados de homofóbicos, de doentes, preconceituosos e todos as ofensas possíveis ao momento.

O resultado, vejam no vídeo:

Muita confusão e desrespeito para com os jovens…
Quem é que estava sendo preconceituoso?
Quem agrediu?

Tomando como referência vários autores consagrados, podemos dizer que o modelo de saúde mental depende do modelo de homem adotado, bem como o modelo de personalidade e esquema teórico/filosófico referencial. De um modo geral a maioria das teorias psicológicas considera patológica a dificuldade de adaptação frente às novas realidades ou o uso de medidas defensivas exageradas para lidar com as mesmas.

Resumidamente, segundo o DSM o transtorno mental é: Uma síndrome ou padrão comportamental ou psicológico clinicamente significativo, que ocorre numa pessoa, estando associado com perturbação atual, incapacidade, risco significativamente crescente de sofrer morte, dor, incapacidade ou perda importante da liberdade.

Olhando por este ponto de vista, quem é que tem razão ao “adoecer ” o outro e condená-lo por isso?

Não sou fã de manuais e/ou compêndios de psicopatologia, pois acredito que olhar para as pessoas envolvidas na situação é mais importante do que olhar para o fenômeno.  Talvez se fizéssemos isto, aprenderíamos mais com as diferenças

Lembrando então dos dois casos que apresentei, pergunto:

O que é patológico, vício impróprio, preconceito, fobia, intolerância?

De que adianta considerar alguém doente?

Quem é o alienado, quem é o alienista?

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Bom, nós do Vivo Pela Vida, somos pessoas que tem um certo empuxo à vida acadêmica, conforme pode ser conferido em nossos Lattes. Uns meses atrás, assim que eu entrei no mestrado, o Gustavo me mandou um texto que me faz refletir até hoje. Segue o texto:

WildIsle-Ink-ScientistCloseEu estava com fome e você pesquisou os efeitos da Revolução Verde e dos Alimentos geneticamente modificados

Eu estava sem teto e você estudou as favelas e os cortiços

Eu estava desempregado e você discutiu sobre o mercado informal de trabalho

Eu estava doente e você falou sobre as conquistas da medicina e a melhoria na expectativa de vida

Você estudou todos os aspectos de minha vida – e eu, continuo com fome, doente, desabrigado e sem emprego…

(Anônimo)

Eu só sei que peço todos os dias, para que ser um pesquisador melhor do que os do texto…

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machado

“A verdadeira ciência não é a que se incrusta para ornato, mas a que se assimila para nutrição”
Machado de Assis

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emile_durkheim

“Não existe pior dogma que o dogma da Ciência”

Émile Durkheim

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Céu e Mar

“A mais bela e profunda emoção que se pode experimentar é a sensação do místico. Este é o semeador da verdadeira Ciência”

Albert Einstein

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Mulher azul

Todo mundo já assistiu a alguma palestra anti-drogas – seja na escola, num movimento religioso ou onde for. Há aquelas excelentes, que te fazem sair pensando na vida – e há aquelas em que você sai se lamentando de ter visto. Me lembro de uma que assisti na adolescência, com um policial até bem intencionado, mas que insistia em tratar o usuário de drogas como um delinqüente, um sujeito sempre envolvido com a criminalidade, quase sem distingui-lo de um traficante. E eu, chato como sempre, não resisti em lascar a pergunta: “mas e aquele carinha ‘paz e amor’ que planta a maconhinha dele, e diz não atrapalhar ninguém?” Ele leu o artigo que qualifica o plantio dessas substâncias como crime, e arrematou: “Ele está tão errado quanto o outro que compra. Isso é papo dele pra levar você pra onda dele!”

E o problema não é só o preconceito. Falar de drogas em geral (incluindo o álcool e o cigarro), seja em palestras ou de qualquer outra forma, é sempre algo complexo, que exige o bom senso de conhecer a realidade do público que se quer atingir, como eles já vivenciam o assunto. Por exemplo, o testemunho de um ex-toxicômano pode comover e demonstrar as alternativas que a vida pode oferecer, mas pode também incitar a curiosidade de quem vê um cara saudável e feliz falando que já experimentou de tudo – especialmente em adolescentes que, digamos, já têm um “potencial” para entrar nesse mundo. É um trabalho bastante melindroso, nem sempre fácil de se fazer…

Fé na prevenção

É isso que faz com que iniciativas como esta, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), em parceria com o PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) e a UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), sejam tão louváveis. Sabendo do potencial de instituições religiosas e movimentos afins para tratar do assunto das drogas (afinal, além de sempre promoverem ações sobre o tema, a religião é muitas vezes o lugar onde a pessoa ou a família procuram refúgio ao depararem-se com situações de risco), eles elaboraram um curso à distância, visando capacitar pessoas com papel de liderança em tais movimentos para que saibam lidar um pouco melhor com isso tudo, unindo os conhecimentos médicos e psicológicos aprendidos ao amparo da sua fé (seja ela qual for).

O curso, que terá a duração de 2 meses (abril e maio/2009), possui o sugestivo nome de “Fé na prevenção” e estará abrindo nada menos que 5000 vagas, para interessados de todo o Brasil. O melhor de tudo? É gratuito! Isso mesmo: você participa no conforto da sua casa, não paga nada e ainda recebe um certificado de Extensão Universitária pela UNIFESP, que é referência absoluta no assunto.

O público-alvo são pessoas envolvidas em algum movimento religioso, de preferência que participem de alguma atividade na área de saúde e que estejam com a “mente aberta” para discutir sobre o tema. Como fazer para se inscrever? Basta preencher o formulário do site www.fenaprevencao.org.br (onde também estão as demais informações do curso) e aguardar a confirmação da seleção. As inscrições vão só até o final do mês de março, portanto não demore – e divulgue o máximo possível, afinal não é todo dia que se vê uma oportunidade dessas!…

E, pra refletir, vamos com o meu xará Pensador: “Tem alguém aí?”

UPDATE (11/04/09): Foram prorrogadas as inscrições para o curso!! Segundo o site, as inscrições poderão ser feitas ainda neste mês de abril, e a data de início do curso ainda será confirmada.

Aproveitem!!

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