aborto

Arquivo da tag: aborto.

Seja você a favor ou contra a legalização do aborto, provavelmente concordará que o ideal deveria ser que ele não existisse. Digo “provavelmente” porque, acreditem, em alguns países não é raro encontrar quem considere esta uma prática natural, não mais do que uma espécie de “método anticoncepcional tardio”. Mas no Brasil, felizmente, todos parecemos estar realmente buscando soluções para diminuir as conseqüências dessa prática – ao menos, é o que todos dizem, não é?…

Pois, ao invés de ficar só na eterna discussão sobre o que deve ser legalizado ou não, um deputado do Rio de Janeiro teve a coragem de propor o que realmente faria sentido: a prevenção ao aborto e ao abandono de incapaz. Ele explica seu projeto na entrevista abaixo, feita à TV Alerj.


Acha que não funciona? Que é algo que não há como controlar? Que o aborto é um “mal necessário”? Pois assista também, no vídeo, o depoimento da Dóris Hipólito, que coordena há vários anos um projeto que faz realmente isso: dar condições para que as mulheres não tenham que recorrer ao aborto – a intenção inicial, geralmente, é encaminhar o filho para adoção, mas muitas acabam, ao longo da gravidez, decidindo ficar realmente com ele.

O pressuposto é que, se as mulheres geralmente recorrem ao aborto (e, em casos mais complicados, ao abandono dos filhos recém-nascidos) por não encontrarem apoio da família e da sociedade, que se dê, então, esse apoio, da forma como é necessário. Já tive a oportunidade de conhecer o trabalho da Dóris na Baixada Fluminense (onde as vagas em maternidades são cada vez mais escassas), e posso dizer: a prevenção não só é algo que funciona, mas que realmente nos toca profundamente!

Parabéns ao deputado Jânio Mendes pela iniciativa (veja a íntegra aqui), e que surjam cada vez mais outras! É disso que realmente precisamos!!

PS1: Mesmo que você não compartilhe, por exemplo, da posição religiosa do deputado e da Dóris, vale a pena pensar no assunto – e, por que não, em outras formas de levar à frente essa idéia!

PS2: Achei também a proposta da deputada Liziê Coelho, de um programa semelhante de prevenção ao aborto no Piauí. Parece também muito bom!

Tags: , , , , ,

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.

Fernando Pessoa

Mônica e sua filha Giovanna, que nasceu com anencefalia:
“Quem não tem vida chora?”

(Conheça sua bela história aqui)

Tags: , , , , , ,


“Ao feto, reduzido no fim das contas à condição de lixo ou de outra coisa imprestável e incômoda, não é dispensada de nenhum ângulo a menor consideração ética ou jurídica nem reconhecido grau algum da dignidade jurídica que lhe vem da incontestável ascendência e natureza humana. Essa forma de discriminação em nada difere, a meu ver, do racismo e do sexismo e do chamado especismo. Todos esses casos retratam a absurda defesa em absolvição da superioridade de alguns, em regra brancos de estirpe ariana, homens e ser humanos, sobre outros, negros, judeus, mulheres, e animais. No caso de extermínio do anencéfalo encena-se a atuação avassaladora do ser poderoso superior que, detentor de toda força, infringe a pena de morte a um incapaz de prescendir à agressão e de esboçar-lhe qualquer defesa.”

Ministro Cézar Peluso
Presidente do Supremo Tribunal Federal

12-04-2012
Um dia triste para quem luta contra o aborto em nosso país.

Tags: , , , ,

Amanhã, dia 11/04/2012, o Supremo Tribunal Federal irá julgar a legalidade da “interrupção da gravidez” em casos de anencefalia. Aproveitando o debate, vamos tentar resumir, de tudo o que já falamos sobre o caso, 11 pontos que achamos importantes de se destacar, diante de tanta coisa que se diz por aí…

1)      Anencefalia NÃO é ausência total do encéfalo. Ao contrário do que o termo possa sugerir, a criança com anencefalia geralmente conserva algumas estruturas encefálicas, como o tronco cerebral, que permite algumas funções vitais. Ou seja, não é um “pequeno zumbi”, está certamente viva e apesar de provavelmente ter pela frente uma vida bem curta, não há como saber com precisão quanto tempo ela durará.

2)      O bebê com anencefalia NÃO vive em estado vegetativo. Além de ser capaz, muitas vezes, de desempenhar funções vitais como a respiração, apresenta ainda movimentos reflexos e pode ainda receber estímulos, como ouvir a voz dos pais, mesmo que não tenha a estrutura cerebral completa para processá-los.

3)      O sofrimento em ter um filho com anencefalia, apesar de ser profundo, em geral é menor do que o de descobrir, na hora do parto, que a criança está morta – caso este que, infelizmente, estamos bem mais acostumados a ver. Certamente é difícil comparar “tipos de dores”, mas o que os pais que passaram pela experiência da anencefalia geralmente dizem é que saber antecipadamente, durante a gestação, que o filho terá uma vida curta, equivale a ter a notícia de que uma pessoa querida da família terá poucos meses de vida. Por mais doloroso que seja, isso permite que o luto seja vivenciado aos poucos, preparando a todos para o momento derradeiro – ao contrário de perder alguém abruptamente, num acidente, por exemplo.

4)      A mãe que leva a gestação de uma criança com anencefalia até o fim NÃO tem sua dignidade humana ferida, NÃO é um “caixão ambulante”, como dizem por aí. Pelo contrário, há bastante dignidade em escolher “encarar a realidade de frente” para dar ao filho uma certidão de nascimento, mesmo que seguida da de óbito – e não somente uma lata de lixo. E esses pais, em geral, recusam-se a serem chamados de “heróis”, alegam que somente estavam fazendo sua parte, como outros pais fariam. Os relatos, em geral, são de dor, mas também de tranqüilidade e um sentimento de “dever cumprido”; não conheço quem se arrependeu de levar a gravidez adiante nestes casos. Por outro lado, muitos pais que abortam arrependem-se profundamente.

5)      Interromper a gestação em caso de anencefalia é, SIM, um aborto. Afinal, aborto é, por definição, a interrupção de uma vida dentro do útero – e, obviamente, só morre quem está vivo. Se a criança com anencefalia já estivesse morta, a medicina classificaria como “aborto espontâneo”, e não “antecipação terapêutica do parto” ou outros eufemismos que gostam de dar no Brasil para disfarçarem a real intenção do ato de abortar (em outros países eles costumam ser mais diretos).

6)      O aborto em casos de anencefalia é, sim, eugênico. Eugenia é tudo aquilo que visa “melhorar a raça”, eliminando seres que tenham determinada característica que julgamos inferior – seja ser mulher, ser judeu, ter uma deficiência. Podendo-se eliminar pessoas com anencefalia, nada garante que amanhã não poder-se-á fazer o mesmo em casos de Síndrome de  Down, por exemplo. Por que não?…

7)      Este caso só está tendo tanto peso graças à pressão poderosa de grupos que querem o aborto aprovado a todo custo em nosso país. Não é um apelo surgido da sociedade. Não há, por exemplo, uma iniciativa de “pais pelo direto de abortar”; pelo contrário, a maioria dos que o fizeram foi, de alguma forma, por influência de médicos. Se há um movimento dos pais, este é em geral no sentido de levar a gravidez adiante, como em vários sites do tipo que encontramos rapidamente em pesquisas na internet.

8)      A pressão para aprovação do aborto no Brasil vem de instituições internacionais fortíssimas, interessadas no controle populacional (não agüentam mais verem tanto pobre no planeta, então acham melhor dar um fim neles), no lucro do procedimento abortivo (medicamente muito mais rentável e rápido do que acompanhar uma gestação até o fim) e em teorias neo-feministas que pregam que a única forma de a mulher se libertar totalmente da opressão machista será quando puder ter a liberdade de tirar a vida dos filhos dentro do próprio útero. Sim, são teorias no mínimo estranhas, mas que conseguiram o que queriam em diversos países – obviamente, sempre disfarçando um pouco o que realmente pensam.

9)      Com a aprovação do Supremo, muitos pais que tiverem diagnóstico de filhos com anencefalia serão, SIM, pressionados a abortar. A certeza de que isto irá acontecer vem da constatação de que já ocorre: vários pais relatam terem sido fortemente influenciados por médicos no sentido de darem um fim à gravidez – muitas vezes até desrespeitados em sua decisão de não abortar. Sejamos sinceros: para um médico que não esteja muito interessado em aprofundar-se em questões éticas, é bem mais “fácil” dar logo um “fim” à situação e deixar a família resolver suas dores e traumas sozinha do que acompanhar todo o sofrimento deles até o parto, e trabalhar por levar adiante uma vida que ele sabe que não terá muito futuro. Para ele, aquilo pode não ter sentido. O fato é que, para os pais, cada instante poderá ter todo sentido do mundo…

10)   Ser contra o aborto nestes casos não é só coisa de “setores religiosos”. Se hoje temos um peso religioso forte em movimentos “pró-vida”, certamente é pelo fato de a religião dar mais força e representatividade pra quem pensa assim. Mas, no silêncio das pesquisas de opinião, por exemplo, vemos que mesmo quem não tem religião é, em geral, contra o aborto. Pode ser uma questão religiosa, mas antes de tudo é uma questão ética.

11)   Vale lembrar que o Supremo Tribunal Federal que, infelizmente, deve aprovar esse tipo de aborto, é o mesmo que barrou a lei da Ficha Limpa (uma das melhores iniciativas populares do país), e que constantemente solta políticos ladrões que, a muito custo, a polícia consegue jogar na cadeia. Verdade seja dita: um corpo de juízes que, além de julgarem-se no direito de legislar, “fazer leis” em seu bel prazer, ainda parecem achar-se acima da própria lei e da própria ética. Não estão, realmente, do lado do povo a quem juraram servir. Mas queira Deus que eu esteja errado…

Tags: , , ,

Um dos documentários mais interessantes que vi na faculdade foi “Do Luto à Luta“, de Evaldo Mocarzel (pai daquela garota com Síndrome de Down que faz novelas na Globo). Trata-se de depoimentos de famílias que passaram pela experiência de ter um filho com Down, além de demonstrar a vida que os portadores da síndrome levam – alguns até mesmo trabalhando como diretores de cinema!

Mas o que achei mais interessante no filme foi perceber que, em geral, o relato dos pais revela um grande choque no momento em que ficam sabendo da notícia, passam por um verdadeiro “luto” ao descobrirem que o filho “normal” que tanto esperavam não existe… (alguns entram em profundo desespero, muitas vezes por desconhecer o que era o tal do “mongolismo” de que os médicos falavam). Mas todos eles relataram que, após o luto, quando veio a hora de levar a vida em frente e aprender mais sobre a síndrome pra poder dar o devido cuidado ao filho, o “luto” transformou-se em “luta“. Nem tanto contra as dificuldades de se criar uma criança com Down, embora elas existam; mas, acima de tudo, uma luta contra o preconceito. Chega a ser surpreendente vê-los falando: “Hoje, não queria que meu filho fosse de outro jeito. Hoje agradeço a Deus por ter um filho com Down, e por tudo o que isso me proporcionou”.

Impressionante, ao imaginarmos que é algo que pode acontecer com qualquer um de nós, que não desejaríamos passar por isso… mas, se passarmos, talvez um dia nos peguemos falando a mesma coisa! Já pensou?…

O documentário vai aí, para quem quiser. Recomendo bastante, é um filme bem bonito, bastante elogiado e, se não me engano, ganhador de prêmios por aí. Vale com certeza a pena dedicar uns momentos para assistir. Faz pensar!

Parte 2Parte 3 / Parte 4 / Parte 5 / Parte 6 / Parte 7 / Parte 8

Bem, mas… por que eu coloquei “anencefalia” no título do post?

Porque, ao ler depoimentos de pais que tiveram filhos com anencefalia, me peguei percebendo detalhes bem parecidos. A tristeza da descoberta, a frieza (por vezes estupidez) dos médicos ao dar a notícia e sugerir alternativas, o olhar estranho dos amigos, a invasão de tantas pessoas querendo lhe dizer o que fazer, o amor incondicional que vai se sobrepondo a tudo… Enfim, um luto que se transforma em luta.

Acha que estou exagerando? Que a experiência com a Anencefalia é muito mais dolorosa, difícil de comparar? Realmente é complicado comparar duas síndromes tão distintas, mas verifiquei que, para os pais, vê-se certa semelhança – com a diferença de que, na Síndrome de Down, a luta dura a vida inteira, e na Anencefalia, em geral, alguns meses (do diagnóstico durante a gravidez até o óbito da criança). E, surpreendentemente, pode-se dizer que os pais geralmente sentem quando a vida do bebê se vai é um misto de alegria pelos poucos momentos que passou com a criança com a sensação de “dever cumprido”, ao ter feito o possível para serem bons pais no pouco tempo em que estiveram com o filho.

Loucura? Mascaramento do fato de estar cuidando de um filho “zumbi” que nem cérebro tem? Neurose motivada pela moral religiosa que proíbe o aborto desses fetos??

Bem, pelo que conheci destes casos (e alguns até pessoalmente), digo categoricamente que não. Como na Síndrome de Down, muitas dessas opiniões aí são puro preconceito – muitos deles, infelizmente, incentivados por lobbys políticos poderosos que querem, a todo custo, ver o aborto aprovado em nosso país (e tentam conseguí-lo pelas “beiradas”). Acreditem…

Pois veja os depoimentos abaixo ou visite o site www.anencefalia.com.br, onde são contadas histórias emocionantes de casais que passaram por esta experiência.

Garanto que irá, no mínimo, questionar-se sobre seus conceitos.

E, no máximo, vai pensar na vida. Repensar sua vida…



PS: Para saber o que realmente é a anencefalia, visite Anencefalia-info (com base em artigos científicos).

Tags: , , , ,

Neste pequeno vídeo que está dando o que falar por aí, uma mulher (até então desconhecida) pede a palavra na sessão do Senado em comemoração ao Dia Internacional da Mulher e questiona os movimentos que se dizem “representantes das mulheres”, nas pessoas das senadoras ligadas a eles, sobre os reais interesses da legalização do aborto.

É uma pergunta que deve ser feita: se todas as pesquisas indicam que a grande maioria da população brasileira é contra a legalização, e se metade dessa maioria é constituída por mulheres, por que os movimentos feministas, que tantas conquistas já trouxeram a elas, hoje têm a legalização do aborto como uma de suas principais bandeiras? Eles dizem que as representam – dizem até que “se as mulheres tivessem mais poder no Estado/na Igreja, o aborto já teria sido legalizado”. Será mesmo??

Pois a mulher do vídeo foi além: “50% das crianças abortadas são mulheres.” É verdade…. E isso sem contar que, com o aborto legalizado numa sociedade cujos alguns setores ainda têm um forte resquício de machismo, eu não me espantaria se o número de mulheres abortadas passasse a ser até maior que o de homens…

Parabéns a essa mulher, pela coragem – e pela verdadeira lucidez, ao ser incisiva sem nem mesmo deixar de considerar o “comprometimento com o bem” de quem luta do lado contrário. Se este comprometimento existe ou não, o tempo dirá… O que não se pode deixar passar é o debate claro, direto, sem hipocrisia de parte alguma. É assim que tem que ser!

E em tempo: se você não quer que o aborto, a eutanásia e até a incitação ao suicídio (!) passem a ser permitidos pela lei, não deixe de se manifestar contra as mudanças do Código Penal. Entre aqui para entender e saber como agir!

PS1: Ficaram duas curiosidades, para mim: assistir ao resto da sessão, com a resposta das senadoras, e saber quem é esta mulher. A primeira vou tentar satisfazer depois, no site da TV Senado. Já a segunda, a única pista que tenho é o sotaque paulistano…

UPDATE (15-03-12): Pronto, descobri. Seu nome é Renata Gusson Martins, é Farmacêutica-bioquímica aqui em São Paulo. Aqui ela se apresenta e manda uma mensagem pra todos…

PS2: Para saber mais sobre as Fundações Ford, Rockefeller, McArthur e outras que mantêm suas estruturas gigantes difundindo a política do aborto pelo mundo, clique aqui.

Tags: , , , ,

E-mail pregando violência contra aborteiros

Comentário enviado (reprodução):

Autor: Ronaldo
Comentário:
Só acho o seguinte,deveríamos seguir o exemplo da luta contra o aborto nos Estados Unidos;devemos matar esses monstros aborteiros com tiros e bombas.

Nossa resposta:

Olá Ronaldo.

Tentamos lhe responder por e-mail, mas como aparentemente o endereço que forneceu não existe, gostaríamos de lhe responder por aqui. Não publicamos o seu comentário, quando enviado, por ser enquadrado como incitação à violência, o que poderia trazer problemas inclusive para nós, donos do site.

Em todo caso, fica a reflexão sobre as melhores formas de diminuir a violência, os crimes. Será que é matando que ensinaremos a não matar? Será que é com ódio que tiraremos o ódio da mente dos outros? É uma lógica bastante contraditória,  de quem parece não acreditar no ser humano. Se acreditamos no valor da pequena pessoa inocente que ainda nascerá, mesmo assumindo a possbilidade de ela se tornar um “Hitler” da vida, também podemos acreditar no valor da vida daquele que aborta, mesmo que seus atos digam o contrário. Se alguém tivesse matado Bernard Nathanson, um dos maiores aborteiros que já existiu, nós não teríamos tido um dos maiores difusores da causa pró-vida, pois depois que se arrependeu ele salvou milhões de pequenas vidas em todo o mundo. Procure saber a sua história.

Há pouco tempo tivemos um exemplo triste em Realengo, de um rapaz que em sua mente louca pensava estar cometendo um ato de justiça contra os maus, mas que na verdade só trouxe mais terror a todos. Será que, mesmo não sendo loucos, não estaríamos seguindo o mesmo raciocínio?

Sinceramente, não sei o que é pior. O que mata um inocente, ou o que tenta fazer justiça com as próprias mãos movido pela vingança.

Penso que há várias outras soluções além de simplesmente extravasarmos nosso ódio, nos igualando a eles. Já salvamos algumas vidas, sem precisar matar ninguém. Espero sinceramente que, em sua vida, você consiga fazer o mesmo!..

Abraços!

Gabriel Resgala – equipe Vivo pela Vida

Tags: , , , ,

Sérgio Cabral - foto Rafael Andrade / Folhapress

Foi a pergunta que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fez hoje durante um discurso, para justificar a legalização do aborto. Ainda com as luzes dos holofotes sobre sua imagem, devido à aparentemente “bem-sucedida” guerra contra o tráfico (que, apesar de histórica, ainda me causa certo ceticismo, enquanto não estiver incrustada num projeto bem mais amplo, que envolva uma verdadeira mudança de mentalidade social e dure além das Olimpíadas), Cabral voltou a causar polêmica ao falar da situação do aborto.

A última tinha sido em 2007, quando insinuou que a legalização diminuiria a violência no Rio, uma vez que a alta taxa de natalidade das comunidades mais pobres seria, em suas palavras, “uma fábrica de produzir marginais”. Ou seja, aborto legalizado = menos pobres vivos = menos violência (sim, era dele que a Heloísa Helena estava falando no vídeo do post anterior)…

Hoje, a polêmica ficou por conta da forma “casual” com que o político tratou o ato de abortar. “Quem nunca teve que abortar um filho?” equivale, em sua fala, a “quem nunca dirigiu após beber?”, “quem nunca sonegou imposto?” ou “quem nunca surrupiou algo no supermercado?” (ele poderia, talvez, até ter perguntado “quem nunca recebeu um mensalãozinho?” – mas creio que a comparação iria causar certo desconforto com suas alianças….).

O problema, governador, é que não é por que “todo mundo” (ou ao menos um “todo mundo” dentre a sua roda de amigos, porque ao menos aqui onde eu moro isso é bem diferente…) comete determinado ato, que ele deveria ser lícito. A direção irresponsável e a corrupção política, por exemplo, são coisas tidas como “corriqueiras” pra muita gente, até mesmo culturais em certos meios. Mas são dois dos maiores problemas do Brasil. Causas das maiores mortes, e de grande parte da nossa miséria, do nosso sofrimento. Será que deveríamos legalizar a bebida ao volante? E a corrupção??

Governador, gostaria sinceramente que conhecesse o trabalho de pessoas como essa mulher, chamada Dóris Hipólito. Há vários trabalhos como esses aí no seu Estado, sabia? Eles enfrentam grandiosos sacrifícios em lugares onde políticos como o senhor só costumam pisar se puderem receber votos em troca, como a Baixada Fluminense, para tentar dar uma solução diferente para o que o senhor acha casual. Tentam resgatar a vida de pessoas que, por algum motivo (como o senhor mesmo falou, geralmente em meio a desespero), pensam em recorrer ao aborto. Eles não acham que os pobres devem ter o mesmo “direito” dos ricos de tirar a vida de seus filhos, até porque sabem que os pobres, geralmente, não pensam assim. Pobre, com toda a dificuldade do mundo, quer ter o filho. E é dever do Estado lhe dar uma vida digna. Não matá-lo, como num “BOPE pré-natal”...

Ouça este recado que ela mandou para o senhor, governador. E reflita.

Tags: , , , , ,

heloisa-helena

A descriminalização do aborto é muitas vezes relacionada a um discurso “de esquerda”,  comprometido com o bem-estar social, com os interesses das classes marginalizadas, em especial das mulheres pobres.

O que não se percebe, porém, é que tal proposta só beneficiaria, na verdade, justamente aqueles interessados em subjugar os mais pobres a um sistema social pra lá de perverso

Quem explica é a vereadora de Alagoas, ex-senadora, ex-candidata à presidência da república e ex-presidente do PSOL, Heloísa Helena. Enfermeira, professora da área de Saúde Pública e profunda conhecedora do assunto, ela teve a coragem de enfrentar as diretrizes do próprio partido, comprometido com a legalização do aborto, para denunciar o que considera uma verdadeira enganação. Radicalmente contrária à proposta, para Heloísa a legalização não passa de uma idéia destinada a maquiar a verdadeira raiz do problema: a falta de interesse em políticas sociais realmente eficazes.

Se você pensa que ser contra a legalização do aborto é coisa de gente “reacionária de direita”, não deixe de assistir a este pequeno depoimento. E refletir…

PS1: Depoimentos retirados do Documentário “Quantos eu te amo”, de 2009.

PS2: Especula-se que, após as últimas eleições, o futuro político de Heloísa Helena esteja talvez cada vez mais afastado do PSOL e mais próximo a Marina Silva. E, pelo visto, a questão do aborto deve ter um peso importante nessa decisão…

Tags: , , , , ,

20070830_brasilia_jose_serra_590

Após as declarações contraditórias de Dilma Roussef em relação à legalização do aborto, às vésperas do primeiro turno, o tema tomou as discussões eleitorais “como nunca antes na história deste país”. Para quem luta contra o aborto, não deixa de ser uma vitória: enfim, estão se preocupando com isso nas campanhas presidenciais, e se preocupando muito. Daqui pra frente, todo político, seja de que cargo for, pensará duas vezes antes de propor ou assinar qualquer ato que possa comprometer seus votos nesta questão. E o povo deverá ficar mais atento.

A desvantagem é na forma como o tema ainda é tratado. Além de limitar o aborto ao âmbito “religioso” (fundamentalista?), perdendo a oportunidade de se aprofundar a discussão, os interesses parecem meramente eleitoreiros. Será que realmente se preocupam com os bebês, e com as mães?…

É pensando nisso que divulgamos mais este vídeo, que mostra José Serra indo pelo mesmo caminho de sua adversária. Aproveitando a confusão em que Dilma se meteu, com a volta da propaganda eleitoral o tucano passou a mostrar belas propagandas de atenção ao nascituro (uma delas começando com a provocativa frase: “Ter um filho não é uma escolha”), dizendo que “sempre” foi contra o aborto.

Ora, será que foi mesmo?

Vejam…

PS: Para entender porque a Norma Técnica aprovada pelo Serra é inconstitucional, clique aqui.

Fontes:

Programa político – 08/10

Norma técnica – 1998

Entrevista à revista Época – 10/04/2010

Debate das TVs Católicas (Canção Nova e Aparecida)

Ato falho de Serra

Tags: , , , , , ,

« Mais antigos