3ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida

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Com a ajuda do nosso amigo Saulo, encontrei estes vídeos do show da Elba Ramalho na 3ª Marcha da Cidadania pela Vida. A qualidade deixa a desejar, mas dá pra ter uma idéia de como foi:

Na abertura, o  deputado Luiz Bassuma apresenta o show declamando dois poemas: um de Mário Quintana sobre o aborto, ressaltando que ele “não tinha nada de religioso”:

Mario Quintana


“O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato.

É um roubo… Nem pode haver roubo maior.

Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo.

O aborto é o roubo infinito.

(Mário Quintana)


E, em referência às dificuldades da luta, a bela Sonho Impossível, de Chico Buarque (que ficou conhecida na voz de Maria Bethânia):

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Chico BuarqueQuantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

(Chico Buarque)


A seguir, Elba inicia declamando “Oração de S. Francisco”, emendando-a à empolgante “Tu Vens”:

Em outros vídeos, Elba aparece cantando Bate Coração e Asa Branca. Pelo visto, foi um show realmente muito bom!

Que os frutos deste ato ainda possam ser colhidos por bastante tempo! E que o direito de defender a vida seja sempre respeitado neste país…

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Marcha Nacional pela vida

Ocorreu neste fim de semana, com grande empolgação, a 3ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, organizada em Brasília pelo Movimento Brasil sem Aborto. Além da pressão de feminsitas, o ato sofreu  também uma verdadeira perseguição do Ministério da Cultura, que de última hora bloqueou o apoio financeiro que havia concedido ao evento, alegando que não sabia se tratar de uma manifestação contra o aborto – almejando com isso certa “imparcialidade” na questão… Detalhe: não é segredo pra ninguém que o governo financia e estimula, sem nenhum constrangimento, toda sorte de projetos favoráveis à legalização do aborto, como um documentário e uma caravana da UNE (que contou inclusive com recursos desviados do SUS). O próprio Ministério da Cultura tem um projeto que visa dar “maior visibilidade”  a outra causa, a LGBT – adotando, digamos, uma postura bastante parcial num assunto nada consensual na sociedade…

A cantora Elba Ramalho, principal atração artística da Marcha, recebeu um telefonema do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, dizendo que não seria mais concedido o apoio para sua apresentação (detalhe: Elba já iria fazer o show a preço de custo, doando parte do cachê para a campanha). O ministro chegou a lhe dizer que era pessoalmente contra o aborto, mas “recebeu orientação” para não apoiar a manifestação. Ela respondeu “que não concordava com essa atitude do governo e que isso era censura à livre manifestação”. E anunciou que faria o show, mesmo chovendo canivete. Dá-lhe Elba.

Os organizadores publicaram notas esclarecendo que o projeto inicial do evento, aprovado pelo Mininstério após rigorosa análise, cumpria todas as exigências estabelecidas, deixando bem clara a sua finalidade. Incorporam o mote da liberdade de expressão à marcha, e saíram pelas ruas gritando pela vida e pela justiça. Divulgaram fotos e um vídeo, que infelizmente não registrou nenhum discurso (daqueles empolgantes), nem tampouco o show da Elba, que começou com a bela “Oração de S. Francisco” e terminou com Gonzaguinha: “é a vida, é bonita e é bonita!…”

Ah… E como eles arcaram com os custos, sem os R$113 mil que o governo havia prometido? Não sei. Só sei que divulgaram uma conta para depósitos… Com certeza, toda ajuda será mais que necessária!

Associação Nacional da Cidadania pela Vida (ADIRA)

Unibanco, ag 0635, c/c 155115-2

A vida agradece…

PS: Ah, e pra quem quiser mandar um recado para o Ministério da Cultura: http://www.cultura.gov.br/site/fale-com-o-ministerio

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Elba RamalhoOntem tive uma conversa que mexeu comigo. Foi com uma amiga psicóloga, que relatava os impasses que está enfrentando por conta de algumas pacientes que já fizeram aborto. Algumas se dizem “sem remorso”, mas não é difícil perceber as marcas indeléveis a martelar a consciência, como um recém-nascido a chorar insistentemente, por anos a fio… São histórias muito tristes, que minha amiga assiste, desconsolada, desenrolarem-se sem uma aparente solução. A impressão que se tem, enquanto profissional, é de que não há o que se fazer, não há o que dizer…

Sou daqueles que acreditam que, na vida, nada é completamente determinado; pela pouca experiência que tive na clínica enquanto estagiário de psicologia, pude me surpreender várias vezes com a infinita capacidade do ser humano de se auto-superar, de encontrar soluções nas quais nem ele mesmo acreditava. Mas creio que talvez nada seja mais difícil do que superar um aborto provocado. Freud já devia sentir isso: “Fica-se também estupefato com os resultados inesperados que se podem seguir a um aborto artificial, à morte de um filho não nascido, decidido sem remorso e sem hesitação”, disse ele certa vez.

Não é nada fácil admitir arrependimento por um aborto. Mais do que as pedras atiradas pelos mais radicais (tanto os “contra” quanto os “a favor”), o peso maior é o da própria alma. Costumam ser traumas horríveis, reconhecidos até por quem quer a legalização do aborto (mesmo que botem a culpa nas “normas sociais acerca do comportamento feminino”…). Mas, sim… sempre há algo a se fazer!

Em 1997, a Revista Veja fez uma polêmica reportagem com relatos de mulheres que haviam abortado (ainda mais tendenciosa do que uma recentemente publicada sobre o mesmo tema). Uma das entrevistadas foi a cantora Elba Ramalho, que na época ainda dizia-se angustiada com o aborto que fizera 24 anos antes. Não sabia se havia feito o certo, mas arrematava: Se ficasse grávida de novo, não faria o aborto mesmo que não desejasse o filho“. Pois hoje, doze anos depois, Elba passou a integrar o rool de artistas como Luíza Brunet e Cássia Kiss que, além de reconhecerem-se arrependidas por terem abortado, tornaram-se publicamente contrárias ao procedimento. Mais do que isso, Elba participará, neste domingo (30/08), da 3ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, que o Movimento Brasil Sem Aborto realizará em Brasília. Ela fará o show de encerramento, doando parte do cachê para a campanha. E gravou este comercial, convidando para o evento:

Uma atitude, sem dúvida, de muita coragem. É o tipo de coisa que nos faz acreditar mais nas pessoas, acreditar na vida… Mas, como era de se esperar, o apedrejamento já começou. Não faltam comentários ao vídeo no Youtube condenando-a, e consta que Elba tem recebido várias mensagens de insulto de pessoas e entidades favoráveis ao aborto. Chamam de “hipocrisia” o fato de alguém se arrepender, mudar de opinião e tentar alertar outras pessoas para que não cometam o mesmo erro. Não é fácil.

Apoiemos Elba! Que ela seja um exemplo, que não se sinta sozinha! Para quem quiser, ficam os e-mails e um link para mensagens de apoio (já mandei as minhas!). Nunca é demais…

alexandre@acaua.net

camila@acaua.net

http://www.elbaramalho.com.br/noticias/2009/08/14/de-parabens-para-elba/comment-page-2/#comment-637

PS: Se você mora em Brasília, uma boa é ir prestigiar a Elba – e a Marcha! A entrada é franca - e a solidariedade também…

 

UPDATE (27/08/09): E eis que o Correio Braziliense de hoje publica uma matéria sobre o caso, com declarações de Elba Ramalho: “O que posso dizer é que defendo a vida das crianças e ninguém vai mudar isso”. “Defendo a vida e vou morrer defendendo a vida”… “Podem me apedrejar, não vou mudar o que penso.” Parabéns, Elba!

(Dica do Wagner)

 

 

 

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