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Outro dia estava no ônibus lotado aqui em Campinas, voltando do trabalho, e vi um céu que parecia cena de filme do fim do mundo: 95% de nuvens pretas carregadíssimas de chuva, e no horizonte uma faixa de pôr-do-sol alaranjadíssimo, de cegar os olhos. De perder o fôlego (mais do que essa foto aí, que botei só pra ilustrar…).

Se eu tivesse um celular “bem equipado” naquela hora, acho que iria bater uma foto e compartilhar no Facebook. Mas, naquele dia, até o meu celular simplesinho estava descarregado, então só me restou apreciar aquele momento, solitário. As outras pessoas pareciam estar cansadas demais pra reparar aquilo, e se virasse pro cara do lado e dissesse: “olha o pôr do sol!”, ele no mínimo iria me olhar desconfiado…

Fiquei pensando, então, se esse mundo de compartilhamentos nas Redes Sociais é mesmo tão “vazio” quanto gostam de dizer por aí. Sim, muitas vezes as pessoas têm necessidade de postar um “fui no banheiro” no Twitter pra fugir da solidão, ou mesmo por um mergulho na “virtualidade” que beira um vício adolescente. Mas me pergunto se pode não ser uma forma bem legal de compartilharmos o que a vida de cada um de nós tem de melhor, de não guardarmos as coisas só pra gente – mesmo que seja um céu bonito.

Ou, no meu caso, de fazer com que as pessoas “reais” na minha vida não sejam somente as que tenho ao meu redor – mas também as que estão distantes. Amizades que não têm nada de “virtuais”, mas que há um tempo seriam maltratadas pela distância… E que hoje, embora não “tocáveis”, estão “clicáveis”.

Nada substitui a presença. Mas hoje temos como diminuir, e muito, a ausência!…

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“Ao lado destas duas realidades, religião e anti-religião, existe, no mundo do agnosticismo em expansão, outra orientação de fundo: pessoas às quais não foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade, estão à procura de Deus. Tais pessoas não se limitam a afirmar «Não existe nenhum Deus», mas elas sofrem devido à sua ausência e, procurando a verdade e o bem, estão, intimamente estão a caminho d’Ele. São «peregrinos da verdade, peregrinos da paz». Colocam questões tanto a uma parte como à outra. Aos ateus combativos, tiram-lhes aquela falsa certeza com que pretendem saber que não existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de polémicos, pessoas à procura, que não perdem a esperança de que a verdade exista e que nós podemos e devemos viver em função dela. Mas, tais pessoas chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais. Estas pessoas procuram a verdade, procuram o verdadeiro Deus, cuja imagem não raramente fica escondida nas religiões, devido ao modo como eventualmente são praticadas. Que os agnósticos não consigam encontrar a Deus depende também dos que crêem, com a sua imagem diminuída ou mesmo deturpada de Deus. Assim, a sua luta interior e o seu interrogar-se constituem para os que crêem também um apelo a purificarem a sua fé, para que Deus – o verdadeiro Deus – se torne acessível. Por isto mesmo, convidei representantes deste terceiro grupo para o nosso Encontro em Assis, que não reúne somente representantes de instituições religiosas. Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito.”

Papa Bento XVI, 27/10/2011 – Encontro inter-religioso em Assis

Dedicado a todos os amigos que, com suas dúvidas sinceras, me levam tão longe.

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Evitar a felicidade com medo que ela acabe é o melhor meio de ser infeliz. Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo.

Mark Twain

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Outro di ouvi essa reclamação de um senhor: “o fumante é o leproso do século XXI”. Estava se referindo às restrições cada vez maiores ao uso do cigarro, principalmente às leis que proíbem o fumo em lugares cobertos – não sei como está em outros estados, mas em MG e principalmente aqui em SP estão levando isso bem a sério…

Entendo o que querem dizer. Fumar hoje em dia é, muitas vezes, perder um pouco de convivência social… Lembro uma vez em que uma amiga do mestrado precisava falar comigo na cantina, e disse: “vamos ali fora  bater um papo enquanto eu fumo um cigarro?”. Fiquei muito sem graça, mas tive de sugerir que ela fosse fumar e depois voltasse para conversarmos, porque eu estava em crise alérgica. Foi meio chato… Mas, é claro, me aliviou de ter que ficar segurando a tosse se ela fumasse ali, ao meu lado, num local coberto.

Acho que o mais difícil disso tudo é alguns fumantes entenderem que, apesar de ser um hábito bastante prazeroso (e até mesmo social) para eles, o cigarro, para quem não fuma, é um grande incômodo (a não ser que a pessoa já esteja acostumada com a fumaça alheia a ponto de ser um fumante passivo). Lembro de uma professora que fumava em plena sala de aula (uns 4 cigarros por hora), fazendo aquela pergunta: “vocês não se importam se eu fumar, né gente?” É claro que não, professora, afinal você tem cara de brava e ninguém aqui quer ser o “aluno chato”, né…

Agora imagine se alguém perguntasse: “vocês não se importam se eu peidar aqui, né, gente?”. E imagine que o cheiro do peido, mais do que simplesmente feder por alguns segundos, também entranhasse nas roupas e nos cabelos, provocasse tosse em quem tem problemas respiratórios (uma parcela bastante considerável da população, vale dizer) e, principalmente, causasse diversos males, mais do que comprovados, à saúde de todos ao redor. É claro, pra quem peida o cheiro não é incômodo, dá até uma sensação de alívio. Os outros é que são chatos…

Desculpe a sinceridade, gente, mas é que é às vezes, infelizmente, é necessário que a sociedade se organize em leis para obrigar as pessoas a terem um pouco de bom senso, por assim dizer… É chato, prejudica um pouco o convívio social, mas creio que ninguém quer colocar um sininho no pescoço de vocês e obrigá-los a gritar ao longe: “fumante, fumante, não se aproxime!” Isso nunca! Até porque, entre um cigarro e outro, vocês continuam sendo os nossos amigos de sempre, e babaca é quem discordar disso!

No mais, saibam que vocês ficaram com o melhor local dos shoppings, casas noturnas, rodoviárias e etc: os halls abertos, sem ar condicionado, geralmente com uma bela vista das redondezas. Agora, para os não-fumantes, esses lugares ficaram bastante desconfortáveis, devido a tanta fumaça. Justamente onde antes se tinha o ar mais puro… Mas tudo bem, nós entendemos. Afinal, temos que aprender a ceder um pouquinho, para que todos possamos conseguir conviver em sociedade… não é?

Alguns comerciais legais da época em que ainda se relacionava cigarro com esportes radicais – e os fumantes acreditavam… ;)

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Talvez o mal seja que a gente pede amor o tempo todo. Não se preocupa nunca em dar amor sem esperar reciprocidade.

Caio Fernando Abreu

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Somente um louco para, sendo judeu, citar Nietzsche em uma oração de Shabat.

Maior loucura ainda é fazer isso durante uma fuga em massa da comunidade judaica em meio à  II Guerra Mundial.

Uma loucura... daquela loucura profunda e bela que somos feitos. É assim o filme Trem da Vida de Radu Mihaileanu, um dos melhores filmes que já assisti. Ele conta a história de uma pequena comunidade judaica do interior da Europa que, frente a iminência da invasão nazista, decide  executar um audacioso plano de fuga. Não conto mais para não estragar o filme, que tem esse misterioso poder de nos deliciar a cada momento.

Porém, deixo de aperitivo uma das mais belas cenas do filme, na qual o personagem Shlomo (um louco)  toma a palavra durante a oração do Shabat. Nada ortodoxo, mas pleno de humildade, Shlomo reflete sobre a natureza humana frente à Deus.


Uma das mais belas orações que eu já ví.

 No mais, como diria o poeta: Isso é tudo pessoal.

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Chesterton dizia: não há problema algum em ser ateu. O problema é que, normalmente, os ateus começam a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência, em energias… Tem gente que se emociona porque a gente é feito da mesma poeira das estrelas! Ou acredita em si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo.

Luiz Felipe Pondé

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Faz muito tempo que tenho relutado em escrever este pequeno post, não pelo texto em si, mas pelo seu conteúdo simbólico.

Ele marca uma espécie de retomada, um voltar a partir de outro ponto. Já dizia um velho provérbio latino que “O tempo muda e nós mudamos com ele“.

Acredito que também mudei um pouco nesse tempo em que estive um pouco de fora, acompanhando o site com relativa distância. Aconteceu que em um belo dia eu resolvi seguir o conselho de nosso “ADEVOGADO” e curtir uns momentos de necessário silêncio.

Muita coisa aconteceu neste intervalo, e talvez a frase que mais sintetize o meu espírito nesta retomada é: “Não tenho nenhum compromisso com as minhas idéias, o meu compromisso é com a verdade”, do genial Anísio Teixeira.

Não sei exatamente como será o prosseguimento das minhas idéias, mas que prossigam.

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Quando passei no vestibular, ouvi aquela célebre frase: “sinta-se privilegiado, pois apenas 10% da população do nosso país conseguem entrar numa faculdade. Se você conseguir se formar, aí então fará parte de um grupo mais seleto ainda: o dos 3% de brasileiros que têm um curso superior completo!” Dizem que foram esses tais “3%”, número tão difundido por aí quando se quer ilustrar a desigualdade social brasileira, que inspiraram Pedro Aguilera e um grupo de cineastas a elaborar uma série de ficção distópica com esse nome: “3 por cento”.

A série, cujo episódio piloto está fazendo um bom sucesso na internet (com todo o mérito, pois é de prender a respiração do início ao fim), nos apresenta um mundo em que há 2 lados bem definidos: o “Lado Bom” e o “Lado Ruim”. No Bom, segundo a narradora, “tem tudo o que a gente precisa, todo mundo é tratado igual”. Já no lado ruim o trabalho (ou melhor, o “serviço”) é pesado, e a vida é muito dura pra todos. Mas, neste primeiro episódio, não vemos diretamente nem o “Lado de Cá”, nem o “Lado de Lá”. Só o que acompanhamos é o início do Processo de Seleção que concede uma única permissão, ao longo de toda a vida, ao sujeito que nasce do lado “Ruim” e quer ir pro “Bom”. Só se pode tentar uma vez, ao completar 20 anos. E, todo ano, só 3% dos que se inscrevem podem passar.

Narrando assim, parece mais uma história louca de ficção científica, mas ao assistir a impressão que se tem é de que é algo bem real. Não só pelo fato de ser uma produção brasileira “que não deixa nada a dever pras gringas”, com atores bons, anônimos (poderia ser um amigo seu) e falando nosso bom e claro português, sem dublagens. Mas por retratar, claramente, situações exageradas de processos seletivos com os quais nos deparamos o tempo todo. Entrevistadores bem-treinados para nos deixar inibidos, perguntando astuciosamente coisas como “qual seu ponto fraco?”, “você seria um bom líder?”, “se você tivesse que mudar o Pão de Açúcar de lugar, o que você faria?”, e dinâmicas de grupo cujo único objetivo é vencer os adversários, sendo o mais esperto possível, não são ficção nenhuma em nosso “mundo corporativo”…

Por enquanto, só têm o primeiro episódio, produzido com verba de um concurso do Governo Federal e disponibilizado no Youtube “pra ver se conseguem financiamento de um canal de TV”. A promessa dos diretores é fazer algo do tipo Lost, em que a cada episódio as coisas vão ficando mais complexas, lançando novas possibilidades, aprofundando nas realidades dos personagens e dos mundos. Mas só este episódio, de rápidos e impactantes 27 minutos, já nos dá material pra boas reflexões… Veja por você mesmo – assiste aí (aconselho a botar em tela cheia, pra aproveitar a imagem em HD) e depois volta pra continuar lendo o texto:

Clique para assistir ao 1º episódio da série no Youtube (27 min)

Na realidade, 3% é uma crítica não somente ao vestibular – processo que, pela carga pejorativa que carrega, parece estar com os dias contados, sendo cada vez mais substituído por outros sistemas como o ENEM (trocando, a propósito, o sujo pelo encardido…). Até porque a tal porcentagem da população do país com mais de 25 anos que tem Curso Superior já está acima dos  3% pelo menos desde o Censo 2000, quando atingiu cerca de 7% – e hoje, após tantos programas de inclusão, deve estar bem maior. O que eles querem mostrar com a série é que, em nosso mundo, a competitividade vai muito além de uma prova pra entrar numa faculdade – até porque, a meu ver, o simples fato de ter um curso universitário qualquer tende a ser cada vez menos um “diferencial” no currículo – sem falar no mundo do empreendedorismo, em que cada vez mais gente consegue “chegar longe” sem necessariamente depender de diploma. E, cá entre nós, já passou da hora de voltarmos a valorizar os Cursos Técnicos, em vez de massacrar tanto a molecada durante 3 anos da flor de sua juventude num Ensino Médio que não lhes prepara pra absolutamente nada além do tal do vestibular…

Os 3% de chance são, na verdade, a forma como muitos encaram a vida, a qual parece não dar alternativa: muita gente, poucas oportunidades, só os “melhores” sobrevivem. Estes, mesmo tendo poucas chances, saberiam aproveitá-las. “Se apegue aos seus sonhos, com eles você chegará onde quiser, se for um brasileiro e não desistir nunca”, talvez tenham ouvido os personagens “do Lado de Cá” ao longo da vida, antes de se arriscarem a tentar ir para o lado dos vencedores. O lado onde ser “competitivo” é o maior dos elogios, onde não basta ser qualquer um, há de se ter um “diferencial”…

Mas… tem mesmo que ser assim?

Será que o “Lado de lá” é realmente um mundo melhor?…

Pois, numa das cenas do episódio, a entrevistadora pergunta ao jovem: “Se você pudesse escolher entre ser um herói sem ter feito nada, e salvar algumas pessoas sem ninguém nunca saber, o que faria?” Ante a resposta “solidária” já esperada, ela passa da teoria à prática, lhe dando a oportunidade de trocar sua aprovação pela reprovação das 3 próximas pessoas, ou vice-versa. Ou um ato de extremo altruísmo, ou um de grande egoísmo; sem meio-termo. O garoto escolheu o egoísmo, e passou. É como o mundo quer que pensemos que tudo funciona: “ou você, ou os outros”. É como as pessoas pensam do “Lado de Lá”…

Mas talvez o verdadeiro “Lado Bom” seja aquele em que o “ou” possa ser substituído pelo “e”. Sem necessidade de heróis ou vilões. Só eu, você, e quem mais quiser. Com competência, com competições saudáveis, sim… Mas com um mínimo de respeito, de ética. Senão, amigo… não há 3% que salvem a humanidade. Mesmo se forem “os melhores”…

PS: Se gostou da série, não deixe de clicar em “gostei” no Youtube e em “curtir” na página do Facebook, pra ajudá-los a conseguir financiamento pra produzir a série inteira!

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“Se a escola forma só para o trabalho, forma para a tristeza.”
(Domenico de Masi)

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