Morte

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zilda arns

Hoje está sendo um dia triste pra mim. Me lembro de poucas notícias de morte, dentre pessoas que não conhecia pessoalmente, que me deixaram assim. Morreu Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança. Uma pessoa que fez muita coisa pela vida. E nos ensinou a viver.

Poderia aqui fazer uma bela homenagem, comentar sobre a tragicidade de sua morte junto aos militares, numa missão que buscava levar um pouco de paz a um lugar já tão massacrado como o Haiti – sem falar na própria tragédia de um terremoto tão grande para um povo que imaginávamos não poder sofrer mais do que já sofre. Mas creio que ao mistério da morte já basta o aperto no peito ao ver tantas homenagens pelos meios de comunicação afora, do Twitter a várias igrejas espalhadas pelo país. À morte, em si, não cabe sentido. Cabe o sentir.

Falemos, pois, de sua vida. Eu, particularmente, me emocionei ao ver o quanto era uma pessoa amada e conhecida, o quanto tanta gente de tantos credos – e tantos sem-credos – se comoviam de verdade com sua história. Não sabia que era tão conhecida, achava que eram poucos os que, como eu, gostavam de lembrar seu exemplo em inúmeras situações em que me diziam: “não tem jeito”. Os números são impressionantes: a Pastoral da Criança chega a reduzir pela metade a mortalidade infantil nos locais em que atua, a um custo de menos de R$1,00 por mês por criança. Zilda não fez tudo sozinha, mas fez mais que isso: soube levar centenas de milhares de pessoas a lutarem pela vida, levando-a a milhões de outras pessoas.

zilda arnsQual o seu segredo? Talvez soe simplório dizer que foi sua fé. Mas não há outra forma de dizer: Zilda, e tantos e tantos outros voluntários que realmente fazem a diferença por onde passam, o fazem por fé. Fé na vida, fé em algo melhor, fé que o mundo pode ser mudado – senão o mundo todo, ao menos o “mundo” de uma criança. Esse é o Deus de Zilda: um Deus que não acha que o Amor universal é algo demasiadamente abstrato, bonito em palavras mas longe da realidade. Um Deus que é o Amor em si, e nos dá força para amarmos também.

Talvez ainda tenhamos que esperar muito pelo dia (se é que ele vai chegar) em que o Estado faça realmente o que lhe pagamos para fazer, trabalhando com o devido respeito e dedicação por todos, sem por a culpa na falta de recursos (que, cá pra nós, são bem maiores que R$1,00 por pessoa) ou no que quer que seja. Talvez um dia todos consigamos fazer do nosso sustento uma forma de ser sustento para quem está ao nosso lado; façamos o que deve ser feito. Mas, enquanto isso, aprendamos com quem faz sem ter a obrigação de fazer. Aprendamos a amar!

Bela reportagem de 2000 que mostra o trabalho da Pastoral da Criança e sua luta pela conscientização nas eleições: “Educação é mais importante que cesta básica.”

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Ano passado, voltando de uma viagem, passei em frente a um teatro em Belo Horizonte e vi o cartaz: Hoje – Mercedes Sosa – 21hs.


Gracias a la vida

Na mesma hora pensei em saltar da Van que me levava de volta para casa, ficar ali mesmo, comprar um ingresso e voltar de ônibus. Por educação não o fiz, e o mais estranho é que fiquei com um pensamento na cabeça: Nunca mais vou poder ver um show da Mercedes Sosa.


Todo Cambia

Infelizmente eu estava certo, pois hoje faleceu uma das maiores cantoras da história, na minha modesta opinião.

Tentei explicar a um amigo a importância de La Negra (como Mercedes era conhecida), dizendo: Ela é como o Milton Nascimento da Argentina, ou melhor, ela talvez seja como o Chico Buarque. Esquece, ela é como se fossem Chico, Elis, e Milton misturados.


Solo le pido a Dios

Na verdade eu errei, pois ninguém é igual a ninguém; e Mercedes era a prova máxima disso, ela era única.

Fica aqui um Na Música da Vida, um pouco triste pela perda de Haydée Mercedes Sosa, mulher de garra, mulher do povo, mulher que sabia tocar os corações através de sua voz inigualável.

Espero um dia ainda me encontrar com Mercedes, e pedir: Canta-me algo que me hace volver a los 17.

Volver a los 17

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Ministro DireitoDeixou-nos, na última madrugada, o Ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Alberto Menezes Direito. Morreu em decorrência de um câncer no pâncreas, contra o qual vinha lutando há quatro meses. Figura grandemente respeitada até por seus discordantes, o juiz Direito (cujo sobrenome, acreditem, era esse mesmo!), no cargo de ministro do STF desde 2007, era conhecido por primar pela competência, seriedade e sensatez ao tratar dos casos mais complexos (coisas, acreditem, bastante raras em se tratando de certos juízes da nossa Suprema Corte…).

Três de seus votos mais famosos referiram-se aos casos de demarcação de terras indígenas da Reserva Raposa Serra do Sol, da lei de Liberdade de Imprensa e da Lei de Biossegurança, relativa à autorização para realização de pesquisas com Células-tronco embrionárias. Nesta última, Direito era inicialmente o único voto contrário esperado, mas conseguiu influenciar colegas do STF a estabelecerem restrições às pesquisas que destruíssem embriões (embora tenham perdido por 5 a 6).

Era muito aguardado por pró-vidas o seu voto em relação ao julgamento da autorização de aborto em casos de anencefalia, pela forma corajosa como abordava tais questões. O seu substituto deverá ser indicado pelo presidente em breve; o governo tem uma postura claramente favorável à legalização do aborto mas, a julgar pelo fato de os outros ministros que votaram contra a Lei de Biossegurança, assim como Direito, terem sido nomeados por Lula, talvez seja pouco provável que assuntos bioéticos sejam prioridade do governo na hora da escolha do novo ministro…

Nos Ministérios do Poder Executivo, ser contra o aborto não é um direito. Nas indicações do Judiciário, entretanto, o governo faz vista grossa. Seja “direito”, “esquerdo”, centro-avante ou lateral, tomara que venha um que tenha a dignidade humana como prioridade, sobretudo para quem mais necessita… Vejamos!

Quanto ao Ministro Direito, que permaneça sempre vivo - aqui e lá!…

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gemeos 

Hoje, 4 de agosto de 2009, fazem exatos 5 meses do “Aborto de Alagoinha”, como ficou conhecido o caso em que uma equipe médica de Pernambuco abortou um casal de gêmeos filhos de uma menina de apenas 9 anos, estuprada pelo padrasto. A notícia ganhou repercussão mundial depois que o bispo de Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão automática (independente de autoridade eclesiástica) da equipe.

Na época, comentamos que era preciso tempo para que as coisas fossem ficando mais claras aos nossos olhos, tão bombardeados pela mídia (que, na época, ainda não tinham a Gripe Suína para manchetear…). Pois, cinco meses depois, não há mais notícias sobre o caso, nenhuma novidade.  E, pelo visto,  o pai da menina, o Conselho Tutelar de Alagoinha (que foi contrário ao aborto), o pároco e até mesmo a polícia da cidade continuam sem notícias de onde estão a criança, sua irmã e sua mãe, que foram encaminhadas para um abrigo não-revelado assim que saíram do hospital, mas ainda não retornaram à comunidade.

Mas, para quem não se importa só com manchetes,  deu para juntar algumas peças… Por meio de relatos de pessoas que realmente acompanharam o caso de perto, o Pe. Luís Carlos Lodi da Cruz, advogado, pós-graduando em bioética e presidente da Associação Pró-vida de Anápolis, descreveu o ocorrido em detalhes e deixou uma pergunta no ar, que após muito bafafá e discussões infindáveis sobre a excomunhão e a rispidez do bispo, muitos se esqueceram de fazer: Onde estão os gêmeos?

E é com essa pergunta que nós “lembramos” esta triste data. Onde estão?


Onde estão os gêmeos?
(a pergunta que incomoda os abortistas)

Casos de maternidade precoce

Em 5 de julho de 2006, uma índia de nove anos deu à luz, por parto cesáreo, na 38ª semana, um bebê de 2,210 kg e 42 cm. O bebê nasceu na Maternidade Municipal Moura Tapajoz, em Manaus (AM)[1].

No dia 2 de dezembro de 2006, uma menina de nove anos deu à luz em um hospital público de Lima, Peru. O bebê, que nasceu com 2,520 kg e 47 cm, foi colocado na UTI por apresentar dificuldades respiratórias. “A mãe precoce receberá ajuda psicológica, e seu filho terá toda assistência de que precisar, ressaltou o ministro [da Saúde] Vallejos, após visitá-la”[2].

A mãe mais jovem do mundo, porém, foi Lina Medina, uma menina peruana de cinco anos que foi submetida a uma cesariana em um hospital de Lima em 14 de maio de 1939 e deu à luz um menino saudável de 2,7 kg chamado Gerardo[3].


Estatísticas do Brasil

Em 2006 (último ano sobre o qual o SUS dispõe de estatísticas sobre nascidos vivos), 27.610 meninas da faixa etária de 10 a 14 anos deram à luz. Desse total, 260 deram à luz gêmeos, conforme a tabela a seguir[4]:

Nascidos vivos – Brasil

Nascimento por ocorrência por Idade da mãe e Tipo de gravidez

Período: 2006

Idade da mãe

Única

Dupla

Tripla e mais

Ignorada

Total

10 a 14 anos

27316

260

3

31

27610

Pelos dados acima, percebe-se que a pouca idade da mãe não impede que ela dê à luz com segurança, inclusive do meio da selva amazônica, e mesmo quando os bebês são gêmeos. Não estamos mais no século XIX, em que a cesariana era uma operação arriscada, com alta taxa de mortalidade materna, e havia um medo enorme de a criança ficar entravada diante de uma bacia estreita. Hoje o bom parto depende de um bom acompanhamento pré-natal.


O triste caso de Alagoinha

Em 25 de fevereiro de 2009, na pequena cidade de Alagoinha (PE), descobriu-se que uma menina de nove anos estava no quarto mês de uma gestação de gêmeos. A menina teria sido vítima de abuso sexual por parte de seu padrasto, com quem sua mãe convivia. Ele foi imediatamente preso e levado para a Penitenciária de Pesqueira.

Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o Conselho Tutelar resolveu encaminhar a menina para o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) em Recife, a fim de iniciar o acompanhamento pré-natal, depois de submetê-la aos exames no Instituto Médico Legal (IML). Chegando ao IMIP, a assistente social Karolina Rodrigues solicitou à conselheira Maria José Gomes que assinasse, em nome do Conselho Tutelar, um documento em que autorizava o aborto! Como ela se negou a fazê-lo – pois ninguém tinha vindo ao hospital para abortar – a assistente escreveu de próprio punho um documento solicitando ao Conselho Tutelar de Alagoinha um encaminhamento “no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. Difícil é imaginar em que artigo do ECA a assistente encontrou uma justificação legal para exterminar os dois bebês. O Conselho Tutelar teria até segunda-feira (2 de março) para responder. No entanto, na noite do mesmo dia 27, sexta-feira, o Jornal do Comercio anunciou que o aborto poderia ser realizado no sábado[5] (!). No dia 28, sábado, ao meio dia, o mesmo jornal anunciou que o aborto já contava com o “consentimento da família” (!) e que seria realizado naquele mesmo dia[6] (!). Essas notícias falsas, transmitidas para todo o Brasil pela assessoria de imprensa do IMIP, assustaram o Conselho Tutelar. Então o pároco de Alagoinha Pe. Edson Rodrigues, juntamente com a conselheira tutelar Maria José e mais dois paroquianos, enfrentou uma viagem de três horas de carro até Recife. Chegaram ao IMIP por volta das 15 horas. A menina brincava de boneca no hospital e nenhum aborto havia sido iniciado. Quanto à mãe, ela se mostrava totalmente desfavorável ao aborto de seus netos, alegando que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”. No entanto, ela afirmou ao pároco que tinha assinado “alguns papéis por lá”. Ora, sendo ela analfabeta, e não sabendo sequer assinar o nome, havia simplesmente posto suas impressões digitais naqueles documentos, cujo conteúdo ignorava.

Retornando a Alagoinha, os conselheiros procuraram o pai biológico da menina, que vivia separado da mãe, Sr. Erivaldo, frontalmente contrário ao aborto. Ele concordou em ir a Recife na segunda-feira (2 de março) para pedir a alta da filha do IMIP. No domingo, 1º de março, os membros do Conselho Tutelar decidiram por unanimidade encaminhar ao IMIP uma solicitação de que fosse respeitada a vontade dos pais da menina, que desejam preservar a vida dos bebês.

No dia 2 de março, segunda-feira, Sr. Erivaldo foi ao IMIP juntamente com Pe. Edson e membros do Conselho Tutelar. Foram recebidos pela assistente social Karolina Rodrigues, que afirmou que tudo já estava resolvido, pois havia obtido o consentimento (?) da mãe da menina para a prática do aborto. Os conselheiros se mostraram preocupados em salvar a vida das três crianças, ao que a assistente respondeu: “Aqui não há três crianças. Só existe uma criança, o resto são apenas embriões”. Além disso, ela acrescentou que a menina corria risco de vida. Os conselheiros estranharam, uma vez que já haviam tomado conhecimento de várias gestações bem sucedidas de menores em Recife. Por que aquele caso seria uma exceção? A assistente respondeu que, por não ser médica, não sabia explicar, mas que o aborto já havia sido decidido para salvar a vida da menina. Foi então que Sr. Erivaldo, que estava presente, apresentou-se como pai da menina e solicitou a suspensão do aborto e a alta da filha. A assistente então solicitou que todos saíssem e conversou a sós por meia hora com Sr. Erivaldo. Após a conversa, ele saiu mudado, dizendo que sua filha iria morrer e que, se fosse assim, melhor seria abortar as crianças. Quem o convenceu não foi um médico, nem uma equipe médica, mas uma assistente social que nem sequer havia sabido explicar aos conselheiros a razão do aborto.

O Conselho Tutelar então tentou entregar o documento em que se pedia a suspensão do aborto. A assistente não quis receber, alegando que não havia pedido coisa alguma ao Conselho (!). A conselheira então mostrou à assistente o documento por ela escrito de próprio punho solicitando o parecer do Conselho. A assistente, nervosa, pegou o documento, rasgou-o em pedacinhos e disse: “Isto não vale nada”. Ao saber que a conselheira havia mostrado o documento ao pároco, a assistente respondeu: “Você não deveria ter feito isso. Eu tinha dado esse documento só para você. Não tinha que mostrar para mais ninguém”. Com insistência, a assistente recebeu e protocolou o documento do Conselho e permitiu que os conselheiros visitassem a menina e a mãe. Mas esteve sempre próxima para inibir alguma pergunta que fizesse mudar o rumo das coisas.


O rapto da menina e o aborto dos gêmeos

Chocados com o que estava acontecendo no IMIP, os conselheiros fizeram contato com o bispo de Pesqueira Dom Francisco Biasin, a cuja diocese pertence a cidade de Alagoinha, e por meio dele, com o Arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho. Na manhã do dia 3 de março, terça-feira, Dom José telefonou para Dr. Antonio Figueira, diretor do IMIP, explicou o modo como os pais da menina, contrários ao aborto, estavam sendo tratados, e perguntou sobre o verdadeiro estado de saúde da menina. Dr. Antonio Figueira dirigiu-se à residência do arcebispo, no Palácio dos Manguinhos, onde se reuniu com uma equipe de médicos, psicólogos e juristas convocados por Dom José para estudar o caso. Constatando os abusos cometidos pela assistente contra os conselheiros e, sobretudo contra o pai da menina, Dr. Figueira telefonou para o IMIP determinando a suspensão do aborto. Declarou na presença de todos que a menina não corria risco iminente de vida e que, se os pais o desejassem, a gestação poderia ser levada a termo com os cuidados do hospital. Isso ocorreu por volta das 8 horas.

No início da tarde do mesmo dia, Sr. Erivaldo voltou para Recife a fim de encontrar-se com o serviço de assessoria jurídica da Arquidiocese. Assinou um documento solicitando a não realização do aborto e a alta da filha. Assinou também uma procuração a um advogado. Desta vez os abortistas entraram em pânico. Pois, de acordo com o Código Civil, Sr. Erivaldo, mesmo não coabitando mais com a mãe da menina, continuava a exercer o pátrio poder (agora chamado “poder familiar”), que incluía o direito de representar a filha nos atos da vida civil (cf. art. 1632 e art. 1634, V, CC). Assim o IMIP seria obrigado a dar alta à menina sem praticar o aborto. A solução encontrada foi raptar a menina e a mãe.

Quando Sr. Erivaldo e seu advogado chegaram ao IMIP, foram informados de que a menina e a mãe já não estavam mais no hospital. A mãe teria pedido alta para a filha e, como ela não corresse risco iminente de vida, o IMIP não havia podido recusar o pedido. Mas ninguém sabia (ou queria) dizer onde estavam as duas. Na verdade, membros do grupo Curumim, uma ONG pró-aborto[7], haviam estado lá, conversado com a mãe da menina e convencido a pedir alta para a filha. Mãe e filha haviam saído junto com Dra. Vilma Guimarães, ginecologista e coordenadora do Centro de Atenção à Mulher do IMIP. Para onde? Para o CISAM (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), um hospital onde, pelo menos desde 1996 se abortam criancinhas concebidas em um estupro. Sobre a pressa com que tudo foi feito, assim relata outro grupo pró-aborto: “Uma vez deslocado o atendimento, do IMIP para o CISAM, o aborto foi realizado depois de uma ação ágil e coordenada de grupos feministas e outros atores chaves que apóiam os direitos reprodutivos de mulheres em todas as fases de sua vida[8].O aborto foi feito no dia 4, quarta-feira. Somente ao meio-dia, quando o crime já se havia consumado, a notícia foi publicada.

Os dois bebês tinham cerca de 20 semanas quando foram expulsos do seio materno. O coração batia, o cérebro emitia ondas, todos os órgãos já estavam formados. Provavelmente eles respiraram e choraram antes de morrer. Mas até hoje ninguém informou em qual lata de lixo eles foram colocados. A mãe e a menina, após o aborto, foram transferidas para um “abrigo” desconhecido e inacessível. Até o fechamento desta edição, nem o pai Sr. Erivaldo, nem o Conselho Tutelar, nem o delegado de polícia de Alagoinha tinham conseguido ter acesso àquele lugar.


Conseqüências jurídicas

O aborto é sempre crime, mesmo que a gravidez resulte de estupro. Se o crime já foi consumado, o médico que o praticou pode ficar isento de pena se tiver havido consentimento da gestante ou, quando incapaz (como é este caso), de seu representante legal (cf. art. 128, II, CP). Se, porém, o consentimento foi obtido mediante fraude (como parece ter ocorrido com a mãe) ou se faltou o consentimento (como ocorreu com o pai Sr. Erivaldo), a isenção de pena não se aplica. A conduta dos médicos se enquadra, portanto no artigo 125 (aborto sem consentimento da gestante) ou no artigo 126, parágrafo único do Código Penal (aborto com consentimento obtido mediante fraude), cuja pena é reclusão de três a dez anos. Faz-se necessária a instauração de um inquérito policial.

A estratégia abortista é manter ocultas a mãe e a criança e extrair do caso a maior aprovação possível, por meio da mentira e do engano. Prepara-se assim o caminho para a liberação do aborto no país.

 

Roma, 13 de abril de 2009.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz.


[1] Índia de 9 anos dá à luz uma menina em Manaus. 07/07/2006 – 09h50. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u123617.shtml>

[2] Menina estuprada de 9 anos é mãe mais jovem do Peru. 02/12/2006 – 19h13. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/02/ult34u169397.jhtm>.

[3] A incrível história de Lina Medina. 11/09/2002. Correio Braziliense. Disponível em: <http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020911/vid_mat_110902_36.htm%

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Michal Jackson ThrillerHá algum tempo o Luís insiste em que eu faça um Twitter pra mim. Não sou lá muito fã desse negócio, mas hoje decidi dar uma entrada pra ver qual é. Pois não consegui, o site estava congestionado. Me lembrei de quando o orkut estava ainda começando e travava toda hora, e na hora imaginei estar acontecendo algo semelhante com essa nova “modinha” da internet… Mas pouco depois um amigo entra no MSN com uma mensagem estranha, vou no Google e descubro a verdade: Michael Jackson acabara de morrer. E o Twitter travou de tanta gente procurando por notícias.

No Jornal Nacional os apresentadores abalados, na MTV só tocam os clipes dele, em suas longas versões integrais (quase curta-metragens). Realmente, ele está morto. Um fato que, apesar de não desejado, infelizmente já era meio que esperado há algum tempo… Não faltavam rumores de que o cantor estava à beira da morte, comparações de sua imagem com a do início de carreira, histórias sobre os inúmeros procedimentos médicos pelo qual passou até sofrer toda aquela estranha metamorfose corporal… Vítima de vitiligo? Portador de distúrbios mentais? Pedófilo? Talvez só o tempo esclareça a realidade dos fatos… Mas o fato é que a fama realmente parece não ter feito bem a este homem. Se, por um lado, o mundo conheceu um verdadeiro gênio da dança, da performance musical, por outro Michael Jackson conheceu o inferno e o céu em vida. Nenhum outro, certamente, foi ao mesmo tempo tão aclamado e tão criticado no show business como o “rei do pop”. Houve de tudo em seus mais de 40 anos de carreira…

Michael Jackson ao fim da vida Ainda não foram esclarecidos as verdadeiras causas da morte, o que realmente gerou a parada cardíaca e o coma. Mas me pergunto se uma análise mais profunda não encontraria tais causas na própria vida do cantor, tão atribulada desde que, conta a lenda, foi forçado pelo pai a participar de um grupo musical com seus irmãos. Foram 50 anos de uma vida louca, inimaginável para nós, reles mortais… Se a viveu bem, cabe a ele julgar. A nós, cabe aprender um pouco com as lições que tanta loucura nos traz… O artista genial, aquele que se destaca de todos os outros, tem sempre tendência a morrer mais cedo? A ser sempre um louco ou angustiado, a traduzir todo seu sofrimento em arte? Será a grande arte incompatível com a vida?…

É claro que não. Temos grandes exemplos ao longo da humanidade de gênios que souberam viver muito bem, e transmitir essa vida através da arte, da ciência, da filosofia, de formas maravilhosas. E outros que até tentaram, mas infelizmente não conseguiram… Não sei se esse foi o caso de Michael. Mas, com certeza, ele nos deixou algo de bom. Que o resto, então, nos faça refletir e pensar se aqueles que estamos idolatrando hoje não podem se tornar o Michael Jackson de amanhã. Há vários por aí que, com certeza, não estão conseguindo lidar com a fama (Britney Spears que o diga). E nós, como os estamos tratando? Incentivando ainda mais a loucura?…

Em homenagem ao Michael, um clipe que faz lembrar minha infância. É o clipe de música mais assistido no mundo em sua estréia, uma verdadeira superprodução para a época, fez história. Pois é… rs. (proibiram a incorporação dos vídeos em outros sites, mas basta clicar pra ver direto no Youtube!)

Black or White – versão com legendas

Black or White – full version
(versão rara onde, ao final, Michael vence o preconceito – e o zíper – com aquela dança que só ele sabe fazer)


Michael Jackson Dançando

Ao Michael Jackson, nossos votos de que possa, enfim, descansar (ou dançar) em paz!…

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knuttz_ueba_32No último mês, uma amiga me pediu um texto. Este deveria ser pequeno, especial, rápido (tinha 1 dia de prazo), e seria usado como homenagem a um amigo que se foi…

O resultado ficou este ai abaixo…


Inté

Já dizia um poeta que um homem  também chora.

Chora,  ri,  trabalha, descansa e  faz de  tudo para melhor aproveitar esta vida.

E por mais atarefado que ele seja, é  impossível negar uma  lágrima ao saber que um amigo se  foi.

Independente de orientação  teórica,  religiosa ou  futebolística, ao sentir a ausência de um amigo, homens, mulheres, crianças, choram.

Talvez, algum  filósofo ainda dirá, que a  lágrima é o único e verdadeiro  elo da  ligação humana. Platão chorou Sócrates, Cristo chorou Lázaro, e eu chorei você.

Embora nós três soubéssemos que a morte é só um substantivozinho vazio, que em nada se compara com a vida. Por mais que acreditássemos que só a vida é capaz de suplantar a morte em sentido e existência E embora emboras, se nãos,  talvez, e porquês… Choramos.

Mesmo sem achar um sentido, sabíamos que estas lágrimas levavam um pouco mais. Mais do que tristezas, alegrias, lembranças e músicas, sais e água, num
gosto salgado-azedo.

Levavam seus conselhos, seus sorrisos, e um gosto doce, pois  além de carregar mais do que a solidão de quem  fica,  levaram a esperança de quem vai.

Como dizia outro poeta,  “Não me esqueça, amigo, eu vou voltar, some  longe o  trenzinho ao deus-dará”.   Até  logo.

Luis Vinicius do Nascimento, in: Boletim Faced Maio-Junho-2009

p.s.: Em breve contaremos como que foi a  Missão Muriaé, com direito a fotos  e tudo mais….

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Faleceu nesta sexta-feira uma pessoa muito querida a nós: nossa amiga Vívian Santos, uma jovem estudante de medicina e atuante em dezenas de outras coisas.

Foi uma morte inexplicável, envolvendo praia, ondas, pedra, mar… Mas, com toda certeza, sua vida fez muito sentido. É até um pleonasmo dizer que Vívian foi uma pessoa especial. É como dizer que o céu é azul. Todos, absolutamente todos que puderam conviver ainda que um pouquinho com ela, guardam uma lembrança alegre, de ternura, de pureza.

Não convivi tanto assim com ela tão de perto, mas  acho que não seria exagero dizer que ela foi a pessoa mais doce que já conheci, até porque já tínhamos essa sensação enquando ela estava entre nós. Mas, como disse a uma amiga há pouco no velório, às vezes é preciso que a vida nos pregue um susto desses para que passemos a prestar mais atenção nas coisas e nas pessoas. A valorizar mais. A viver mais.

Vívian nos faz lembrar que existem, sim, pessoas puras. Pessoas que lutam pela vida por sua própria natureza, que fazem de cada segundo da sua existência uma missão de levar um pouco de paz a quem encontra. Era tão meiga que ganhou o apelido carinhoso de “bonequinha”, tal era sua doçura até para chamar a atenção dos outros, quando necessário. E era necessário, pois ela também era muito competente e coordenava vários estágios e trabalhos voluntários, sempre tentando fazer o bem, sempre com tempo para ajudar, mesmo com aquela prova de anatomia terrível no dia seguinte. E nunca deixou de tirar as melhores notas.

Não sabemos de ninguém que, algum dia, já a tenha visto mau-humorada, irritada ou com uma malícia qualquer  no coração. Sempre foi uma pessoa inacreditável, de tão adorável. Daquelas que fazem você se sentir envergonhado por ter tanta coisa podre dentro de si. Nem quando a tínhamos por perto, era fácil acreditar que ela existia, que existia alguém assim. Agora, vai ficar parecendo lenda. Mas não foi.

Ao seu noivo, aos familiares e aos amigos, só nos resta rezar para que encontrem algum conforto para aquilo que é inconfortável por si só. Quem somos nós, reles mortais, para tentar explicar algo, entender algo como uma morte assim. Quanto à Vívian, tenho certeza de que não devemos chorar ou lamentar nada. Foi uma vida plena, por mais curta que tenha sido. Não dá para ficar pensando que ela teria ainda muito tempo de vida para se realizar, se formar, casar, ter filhos. A vida dela já era realizada por si só. O sofrimento é nosso. Não dela.

Acho que uma amiga sintetizou muito bem isso tudo, numa frase para além de qualquer crença. “A Vívian era uma pessoinha tão santa que  sinto até que não faz muito sentido ficarmos rezando por sua alma… Temos é que pedir para ela interceder por nós”. Amém.

Amanhã voltamos ao “trabalho normal”. Falando mais sobre a vida.

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2005, definitivamente, foi um ano cheio para mim.  A vida foi bem intensa, passei por muitas coisas, experiências boas e ruins – mas, com certeza, todas marcantes. Um belo dia senti vontade (quase uma necessidade) de passar pro papel (ou melhor, pra algum HD) algumas reflexões sobre aquilo tudo, e de compartilhar com alguns amigos. Nascia assim o “Humano“, meu primeiro e despretencioso Blog.

A primeira coisa que escrevi foi este texto que, por algum motivo que não me lembro agora, só fui publicar no blog um bom tempo depois. É o mais velho, mas é um dos melhores. Talvez pela sinceridade do momento.

Sempre é bom recordar. Ainda mais de algo que mexe com a nossa vida

Cachorrinho

Minha cachorrinha morreu.

Enquanto alguns riem, e fazem piadinhas como que tentando me “consolar” (ou levar na brincadeira, já que gente normal não esquenta a cabeça por causa de um bicho que deixa de existir), eu fico aqui, sentindo a casa vazia e a falta que uma criaturinha “inferior” me faz…

Não, não gosto de sentimentalismo. Tenho horror… acho que nosso sentimento deve ser real, devemos lutar por aguçar nosso senso de realidade. Sentir o que deve ser sentido. Chorar quando algo é triste. Pular de alegria quando é bom. Soltar fogo pelas ventas quando é revoltante. Mas que o sentimento tenha sentido!

Por isso tento avaliar, “realisticamente”, o que eu – e todos os que conheceram a nossa querida Dhara, uma simpática labradora preta – estamos sentindo. Cabisbaixos, nos vemos pensando se realmente vamos querer ter cachorro em casa de novo. A gente acaba se envolvendo muito. E eles não duram muito tempo…

E eu, na minha mania de refletir sobre tudo, me atrevo a pensar se com as pessoas também não seria assim. Nunca sabemos o quanto ainda vamos conviver com alguém… Podemos ficar esperando alguém ir embora durante anos, e nesse tempo terminal essa pessoa ainda nos dar muitas lições, ensinar muito… como foi com João Paulo II, que deu tantas lições ao mundo com seu sofrimento. Ou podemos perder alguém em poucos segundos, sem que tivéssemos a mínima idéia de que, um dia, aquela pessoa pudesse morrer. Como foi com um padrinho meu, há algum tempo.

Em ambos os casos, a comoção foi grande. Acredito que não tanto pelo sobressalto e pelo mistério da morte… pois morte tem todo dia. Basta viver perto de um local violento, hospital ou asilo, ou mesmo ler o jornal pra ver como ela é algo banal. A morte não tem sentido, aos nosso olhos humanos. O que mais comove é a vida.

Sim, uma vida que tenha valido a pena. Uma vida que tenha feito a diferença. Uma vida que tenha marcado profundamente quem se encontrou com ela, nem que seja por um sorriso ou um jeito de ser diferente daquele ser especial… Só uma vida dessas é capaz de levar multidões inacreditáveis para um funeral no vaticano, ou mesmo algumas centenas de pessoas a uma roça no meio do nada, como foi no enterro do meu padrinho. Uma vida que comove, e que a gente sabe desde já que vai fazer muita falta…

Pois hoje, ao chegar em casa quase uma semana depois de meu pai ter enterrado sozinho o que restou da Dhara, sentindo tudo um pouco diferente, sentindo um vazio meio que inexplicável, e o coração bater mais forte quando olho pra varanda e não vejo aquele rabinho (ou melhor, rabão) abanando, aqueles olhinhos tão cativantes a acompanhar meu movimento, aquela coisinha preta deitada, querendo nada mais que se sentir perto de nós – pessoas a quem ela tinha um sentimento tão nobre, tão inexplicável –, eu penso se não devemos nos dar o direito de nos enlutarmos também por uma vida “irracional” (?) que tenha marcado a nossa. Digo, sem medo de ser sentimentalista ou piegas, que amava a Dhara. Sim, ela não tinha nada demais, não era nenhum prodígio em inteligência ou truques caninos, mas transmitia paz por onde passava. Ela não era só um poço de instinto querendo ser fiel ao dono por demonstrar um “comportamento mais proveitoso à sobrevivência do indivíduo e da espécie”, como diria nosso amigo Darwin. Era muito mais que isso. Quem a conheceu sabe…

Pois eu dedico àquela criaturinha tão especial tudo o que estou sentindo, e que sei que muitos também estão, no seu silêncio. Me redimo de não ter, talvez, feito tudo o que poderia ter feito por ela (inclusive passeado mais com ela na rua, pra exercitar melhor aqueles pequenos músculos e, quem sabe, ter aliviado um pouco todo o sofrimento pela qual ela passou). Á memória da Dhara, todo seu merecido luto – independente de existir ou não um “céu pra cachorro” ou coisa parecida.

Não pelo “direito de se entristecer”…

Mas pelo direito de poder curtir bem curtido, com todas as dores e delícias a que se tem direito, tudo – e todos – a que amamos nesta vida.

Gabriel Resgala – 07/05/05


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