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Não é raro ouvir pessoas dizerem que o aborto é um “mal necessário“, servindo como uma alternativa ao abandono de bebês. “Pra que deixar viver tantas crianças sem futuro?”, já me questionaram algumas vezes…

Pois vejam o que acha este jovem argentino:


Argentino abandonado na maternidade reencontra mãe no Facebook

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

MauricioBarrios

Um estudante argentino de 23 anos, que havia sido abandonado em um hospital quando tinha sete dias de vida, encontrou a mãe biológica através do site de relacionamentos Facebook.

Mauricio Barrios, que mora na província de Córdoba com a família que o adotou, lançou em março uma página no Facebook chamada “Busco a mi mamá” (”Procuro minha mãe”), na tentativa de encontrar a mãe biológica.

Segundo ele, além da família adotiva, 25 mil pessoas se uniram à campanha na rede social para tentar ajudá-lo.

“Há uma semana apareceu uma amiga da minha mãe biológica, que a ajudou naquela época. O nome dela é Iris e ela me disse onde morava a família da minha mãe. Viajei com parentes (adotivos) à Villa del Totoral, e lá encontrei meus avós, meus tios e primos”, disse ele ao jornal Clarin.

Desculpas

Como a mãe não estava na cidade, o encontro entre eles só ocorreu no último domingo, em uma praça, na companhia de familiares.

“Ela me abraçou, pediu desculpas, e eu a desculpei e a agradeci por me deixar ter vida”, disse.

Segundo Mauricio, a mãe biológica teria contado que a gravidez foi “um acidente”, que casou com outra pessoa, mas não tem filhos.

Mauricio contou que foi deixado pela mãe biológica num hospital após ter sido nascido prematuro no dia 1º de janeiro de 1987.

“Eu queria agradecer porque ela me deixou nascer, não me abortou. Ela me manteve vivo durante os sete meses da gravidez”, afirmou, nesta segunda-feira, diante das câmeras de televisão da Argentina.

“Sinto um imenso alívio. Eu sempre quis saber quem era minha família de sangue. Sempre tive essa curiosidade, essa pergunta constante. Estou muito mais tranquilo e feliz agora”, disse, por telefone, à BBC Brasil.

Na segunda-feira, Mauricio agradeceu no Facebook o apoio dado a ele.

Fonte: BBC Brasil, 20/04/10 (grifos nossos).

GrávidaA matéria da ACI Digital destaca também as palavras trocadas por Maurício e sua mãe: “Obrigado por ter tido a valentia de me suportar sete meses e não ter me abortado”; ele disse. Ela, muito emocionada, pediu-lhe: “meu filho; sou eu, sua mamãe. Não me odeie. Perdoe-me. Recordei-te sempre, nunca me esqueci de você”. Após o encontro, Maurício relatou: “senti-me pleno, nunca tinha experimentado a serenidade da alma. Por fim pude fechar minha história”.

Em vez de revolta pelo abandono, gratidão pela vida; em vez de mágoa, perdão. Ao ver situações como esta, penso em como tantas vezes somos levados a desacreditar nas pessoas projetando nelas as nossas próprias dificuldades… Ora, não é porque eu não sei se conseguiria ter uma atitute tão nobre como a desse garoto que devo desconfiar de quem a tenha.

Em vez de querer que o mundo seja limitado como nós, deveríamos ampliar um pouco nossa visão, para enxergá-lo melhor!

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Continuando a série “Porquê não fazer aborto” gostaria de mostrar algumas coisas que foram publicadas por outros sites…

Em primeiro lugar temos um vídeo encontrado pelo Willian Murat, no qual podemos ver o coração de uma criança de 4 semanas de gestação… Confiram!

É simplesmente lindo!… O coração dela bate 113 vezes por minuto!
E tem gente que ainda fala que é só um “bolinho de células”!

A segunda reportagem que me interessou foi do blog Insoonia. Preparem-se para momentos fofuchos extremos!

Camisas especiais para grávidas!

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camisetas_para_gravidas_02camisetas_para_gravidas_03camisetas_para_gravidas_04camisetas_para_gravidas_05camisetas_para_gravidas_06

Espero demorar muito para dar essas camisas de presente para minha futura mulher…. mas faço questão de fazer isso algum dia!
Já estou pensando em modelos mais nerds, com o bebê encenando cenas de filmes ou brincando! hehehe

Beijos e uma ótima semana!

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gato_sapoUma vez, em um debate, escutei de uma colega a seguinte frase: Feto não é gente! Em outra oportunidade nos deixaram um comentário no qual chamavam uma criança nascitura de “girino”, também destituindo o feto de qualquer caráter de humanidade.

Em vários discursos que já escutei, essas crianças (que somente ainda não tiveram a oportunidade de nascer) eram colocadas abaixo de quaisquer outros animais. Existe até uma metáfora batida no meio “pró-vida”, mas que sempre vale a pena ser repetida, que diz assim:

Geralmente, as mesmas pessoas que lutam pela legalização do aborto também apóiam o projeto tamar. É a metáfora do tamar-matar. Como uma pessoa pode lutar pela morte de uma criança, que ainda não nasceu, ao mesmo tempo em que se esforça para ajudar a vida de tartaruguinhas, que também ainda não nasceram?

Como já dissemos aqui outras vezes, lógica não parece ser uma disciplina muito estudada em alguns meios…

Continuando a saga “Porquê não fazer um aborto”, veja algumas imagens do fotógrafo Lennart Nilsson, desta vez, mostrando os primeiros 28 dias de uma criança.

5a6dias5 ou 6 dias…

8dias8 dias, olhem que lindo!

24dias_coracao24 dias, já com o coração…

28dias_colina_vertebral28 dias, com o coração e a coluna vertebral…
Como é que se pode dizer que não é uma criança?

Um ótimo final de semana!
Se você não viu, veja a primeira parte deste post
E como diria o Dominó, viva a vida!

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crianca01Já vi muita gente reclamando das campanhas contrárias ao aborto. Não pela proposta, mas pela forma com que ela é exposta. Muitas pessoas que são contrárias ao aborto, mas que  acreditam que imagens de crianças cruelmente mortas, não são coisas agradáveis de se ver.

Eu entendo que aquelas imagens são reais, e que exatamente por isso demonstram todo o horror que o aborto trás para a humanidade. Mas também acredito que cada proposta tem sua hora e seu lugar e, talvez, seja mais interessante promover a beleza da vida em relação ao horror da morte.

Crianca02Por isso, preparei um conjunto de posts que vão abordar como é a vida do nascituro e porque não se deve apoiar a idéia do aborto. Queremos expor os motivos para considerar aquele serzinho como uma criança, e não como um conjunto de “células amorfas”.

Vamos ver algumas imagens, tiradas pelo fotógrafo Lennart Nilsson,  que demonstram com uma beleza inigualável o processo de gestação de uma criança.

Hoje, temos as primeiras imagens, que vão até o momento da fecundação. Acho que esta parte não precisa de muitas explicações, todo mundo sabe como funciona o processo… certo?


espermas_entrando_no_canal_vaginal

Espermatozóides adentrando o canal vaginal


ovulo
Óvulo


o_espermarozoide_vencedor

O espermatozóide Vencedor…
Sim, você já foi um, hehehe!

As fotos foram retiradas do site:
http://www.lennartnilsson.com/child_is_born.html
mas espere… tem mais vindo por aí!

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Pode ser que muita gente já tenha visto esse vídeo, mas como eu quase não vejo televisão, essa notícia foi uma novidade para mim.

E que novidade! Mesmo sabendo do final feliz, fiquei desesperado vendo o acidente.

E é uma coisa que faz pensar. Um minuto de distração e pronto: a vida pode mudar para sempre. Ao mesmo tempo, como já dizia Renato Russo:  “Quando tudo está perdido.  Sempre existe uma luz…

Nesse post rápido, acho que só posso dizer uma coisa: ainda bem que a vida é imprevisível!

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Um dia desses, eu e o Gabriel passamos toda uma madrugada discutindo a questão do preconceito, no caso da psicóloga Rosângela, o homossexualismo e a psicologia. Apesar de não  conhece-la pessoalmente, ou algum de seus pacientes, acredito que posso me pronunciar sobre o assunto. E mesmo que este assunto já tenha sido abordado pelo Gabriel, gostaria de colocar o meu ponto de vista.

Para começar queria lembrar que o conceito de doença mental não é nada fácil, sendo que o que é consenso para alguns profissionais é da ordem do ridículo para outros.

De uma forma geral psiquiatras, psicólogos e psicanalistas trabalham com o sofrimento psíquico, independente se ele é considerado doença ou não. E este conceito de “Patológico X Normal” já foi utilizado para validar uma série de absurdos contra o ser humano.

Gostaria de lembrar de dois casos aqui, que talvez não sejam de amplo conhecimento.

1.

turingSe existe uma pessoa genial no ramo da ciência da computação, o nome dela é Alan Turing. Na época dos primeiros computadores, Turing FEZ esses computadores! Ele foi responsável não tanto pelas questões físicas, pois ele pensava além,  mas sobretudo pela produção de modelos abstratos de computação que possibilitaram um avanço tecnológico inimaginável desde o domínio do fogo. ELE FOI GENIAL! (E falo com a empolgação de um desenvolvedor nerd, que é  fã desse cara desde a adolescência).

turing_correndoFalta dizer que Turing foi um dos principais cientistas da Inglaterra, que liderou a construção do Colossus, computador inglês que foi uma das principais “armas” dos Aliados na 2º Guerra Mundial. Alguns historiadores acreditam que ele foi  uma peça chave para derrotar o Eixo.

Ao final da 2º Guerra, Turing foi recebido como herói de guerra, certo? ERRADO!

alan_turing5Turing era homossexual declarado e por isso, foi humilhado publicamente, impedido de realizar seus estudos e posteriormente foi julgado por “vícios impróprios”.

Considerado portador de um desvio patológico (na época considerado uma doença como o alcoolismo ou a drogadição) foi condenado a um tratamento a base se estrogênio (profundamente científico para a época) que tinha por resultados a “castração química” e o crescimento de seios.

Em 1954, o herói de guerra/doente (com vícios impróprios) se suicidou, tinha apenas 41 anos.

2.

300px-Catedral_neuquenDe 16 a 18 de agosto de 2008 ocorreu em Neuquén na Argentina o “Encuentro Nacional de Mujeres”, organizado por entidades feministas e apoiado por vários grupos de defesa dos direitos das “minorias”.

Nos anos anteriores a Catedral tinha sido alvo de depredações e ataque das participantes do encontro. Pois bem, em 2008 os jovens católicos de Neuquén decidiram fazer um cordão humano para impedir que qualquer mal fosse realizado à catedral.

feministasneuquenEstes jovens não gritavam palavras de ordem, não ofenderam as participantes, não pregaram sobre o que consideravam pecado, nada disso. Eles ficaram o tempo todo rezando um rosário. Enquanto isso eram chamados de homofóbicos, de doentes, preconceituosos e todos as ofensas possíveis ao momento.

O resultado, vejam no vídeo:

Muita confusão e desrespeito para com os jovens…
Quem é que estava sendo preconceituoso?
Quem agrediu?

Tomando como referência vários autores consagrados, podemos dizer que o modelo de saúde mental depende do modelo de homem adotado, bem como o modelo de personalidade e esquema teórico/filosófico referencial. De um modo geral a maioria das teorias psicológicas considera patológica a dificuldade de adaptação frente às novas realidades ou o uso de medidas defensivas exageradas para lidar com as mesmas.

Resumidamente, segundo o DSM o transtorno mental é: Uma síndrome ou padrão comportamental ou psicológico clinicamente significativo, que ocorre numa pessoa, estando associado com perturbação atual, incapacidade, risco significativamente crescente de sofrer morte, dor, incapacidade ou perda importante da liberdade.

Olhando por este ponto de vista, quem é que tem razão ao “adoecer ” o outro e condená-lo por isso?

Não sou fã de manuais e/ou compêndios de psicopatologia, pois acredito que olhar para as pessoas envolvidas na situação é mais importante do que olhar para o fenômeno.  Talvez se fizéssemos isto, aprenderíamos mais com as diferenças

Lembrando então dos dois casos que apresentei, pergunto:

O que é patológico, vício impróprio, preconceito, fobia, intolerância?

De que adianta considerar alguém doente?

Quem é o alienado, quem é o alienista?

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Vai um videozinho legal pra mostrar pro seu pai:

 


 

Pra quem não reconheceu, esse cara é o Fábio Sampaio, que ficou “famoso” na internet no início do ano, com o vídeo “É preciso saber viver – 11 vozes e palmas“. Nós aqui do VPV gostamos tanto daquele vídeo que viramos fãs do cara e da banda dele, a Tanlan. Graças àquele vídeo, o Fábio acabou sendo contratado para fazer esse comercial de dia dos pais pra uma loja lá do Mato Grosso, e dia desses ele acabou recebendo a grande notícia de que está grávido. Sim, esse vai ser o seu primeiro dia dos pais!

Fábio, velhão, tudo de bom pra você! Que Deus abençoe muito essa sua nova vida, e tenha a honra de ser homenageado com seu próprio vídeo!! ;-)

E, para nossos pais e todos os outros que conhecem a graça de participar um pouco desse milagre que é a transmissão da vida, um grandioso abraço neste grande dia!

PS: Enquanto  isso, nós esperamos ansiosos (mas nem tanto) o dia em que também compartilharemos da graça da paternidade… Eita!..

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gemeos 

Hoje, 4 de agosto de 2009, fazem exatos 5 meses do “Aborto de Alagoinha”, como ficou conhecido o caso em que uma equipe médica de Pernambuco abortou um casal de gêmeos filhos de uma menina de apenas 9 anos, estuprada pelo padrasto. A notícia ganhou repercussão mundial depois que o bispo de Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão automática (independente de autoridade eclesiástica) da equipe.

Na época, comentamos que era preciso tempo para que as coisas fossem ficando mais claras aos nossos olhos, tão bombardeados pela mídia (que, na época, ainda não tinham a Gripe Suína para manchetear…). Pois, cinco meses depois, não há mais notícias sobre o caso, nenhuma novidade.  E, pelo visto,  o pai da menina, o Conselho Tutelar de Alagoinha (que foi contrário ao aborto), o pároco e até mesmo a polícia da cidade continuam sem notícias de onde estão a criança, sua irmã e sua mãe, que foram encaminhadas para um abrigo não-revelado assim que saíram do hospital, mas ainda não retornaram à comunidade.

Mas, para quem não se importa só com manchetes,  deu para juntar algumas peças… Por meio de relatos de pessoas que realmente acompanharam o caso de perto, o Pe. Luís Carlos Lodi da Cruz, advogado, pós-graduando em bioética e presidente da Associação Pró-vida de Anápolis, descreveu o ocorrido em detalhes e deixou uma pergunta no ar, que após muito bafafá e discussões infindáveis sobre a excomunhão e a rispidez do bispo, muitos se esqueceram de fazer: Onde estão os gêmeos?

E é com essa pergunta que nós “lembramos” esta triste data. Onde estão?


Onde estão os gêmeos?
(a pergunta que incomoda os abortistas)

Casos de maternidade precoce

Em 5 de julho de 2006, uma índia de nove anos deu à luz, por parto cesáreo, na 38ª semana, um bebê de 2,210 kg e 42 cm. O bebê nasceu na Maternidade Municipal Moura Tapajoz, em Manaus (AM)[1].

No dia 2 de dezembro de 2006, uma menina de nove anos deu à luz em um hospital público de Lima, Peru. O bebê, que nasceu com 2,520 kg e 47 cm, foi colocado na UTI por apresentar dificuldades respiratórias. “A mãe precoce receberá ajuda psicológica, e seu filho terá toda assistência de que precisar, ressaltou o ministro [da Saúde] Vallejos, após visitá-la”[2].

A mãe mais jovem do mundo, porém, foi Lina Medina, uma menina peruana de cinco anos que foi submetida a uma cesariana em um hospital de Lima em 14 de maio de 1939 e deu à luz um menino saudável de 2,7 kg chamado Gerardo[3].


Estatísticas do Brasil

Em 2006 (último ano sobre o qual o SUS dispõe de estatísticas sobre nascidos vivos), 27.610 meninas da faixa etária de 10 a 14 anos deram à luz. Desse total, 260 deram à luz gêmeos, conforme a tabela a seguir[4]:

Nascidos vivos – Brasil

Nascimento por ocorrência por Idade da mãe e Tipo de gravidez

Período: 2006

Idade da mãe

Única

Dupla

Tripla e mais

Ignorada

Total

10 a 14 anos

27316

260

3

31

27610

Pelos dados acima, percebe-se que a pouca idade da mãe não impede que ela dê à luz com segurança, inclusive do meio da selva amazônica, e mesmo quando os bebês são gêmeos. Não estamos mais no século XIX, em que a cesariana era uma operação arriscada, com alta taxa de mortalidade materna, e havia um medo enorme de a criança ficar entravada diante de uma bacia estreita. Hoje o bom parto depende de um bom acompanhamento pré-natal.


O triste caso de Alagoinha

Em 25 de fevereiro de 2009, na pequena cidade de Alagoinha (PE), descobriu-se que uma menina de nove anos estava no quarto mês de uma gestação de gêmeos. A menina teria sido vítima de abuso sexual por parte de seu padrasto, com quem sua mãe convivia. Ele foi imediatamente preso e levado para a Penitenciária de Pesqueira.

Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o Conselho Tutelar resolveu encaminhar a menina para o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) em Recife, a fim de iniciar o acompanhamento pré-natal, depois de submetê-la aos exames no Instituto Médico Legal (IML). Chegando ao IMIP, a assistente social Karolina Rodrigues solicitou à conselheira Maria José Gomes que assinasse, em nome do Conselho Tutelar, um documento em que autorizava o aborto! Como ela se negou a fazê-lo – pois ninguém tinha vindo ao hospital para abortar – a assistente escreveu de próprio punho um documento solicitando ao Conselho Tutelar de Alagoinha um encaminhamento “no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. Difícil é imaginar em que artigo do ECA a assistente encontrou uma justificação legal para exterminar os dois bebês. O Conselho Tutelar teria até segunda-feira (2 de março) para responder. No entanto, na noite do mesmo dia 27, sexta-feira, o Jornal do Comercio anunciou que o aborto poderia ser realizado no sábado[5] (!). No dia 28, sábado, ao meio dia, o mesmo jornal anunciou que o aborto já contava com o “consentimento da família” (!) e que seria realizado naquele mesmo dia[6] (!). Essas notícias falsas, transmitidas para todo o Brasil pela assessoria de imprensa do IMIP, assustaram o Conselho Tutelar. Então o pároco de Alagoinha Pe. Edson Rodrigues, juntamente com a conselheira tutelar Maria José e mais dois paroquianos, enfrentou uma viagem de três horas de carro até Recife. Chegaram ao IMIP por volta das 15 horas. A menina brincava de boneca no hospital e nenhum aborto havia sido iniciado. Quanto à mãe, ela se mostrava totalmente desfavorável ao aborto de seus netos, alegando que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”. No entanto, ela afirmou ao pároco que tinha assinado “alguns papéis por lá”. Ora, sendo ela analfabeta, e não sabendo sequer assinar o nome, havia simplesmente posto suas impressões digitais naqueles documentos, cujo conteúdo ignorava.

Retornando a Alagoinha, os conselheiros procuraram o pai biológico da menina, que vivia separado da mãe, Sr. Erivaldo, frontalmente contrário ao aborto. Ele concordou em ir a Recife na segunda-feira (2 de março) para pedir a alta da filha do IMIP. No domingo, 1º de março, os membros do Conselho Tutelar decidiram por unanimidade encaminhar ao IMIP uma solicitação de que fosse respeitada a vontade dos pais da menina, que desejam preservar a vida dos bebês.

No dia 2 de março, segunda-feira, Sr. Erivaldo foi ao IMIP juntamente com Pe. Edson e membros do Conselho Tutelar. Foram recebidos pela assistente social Karolina Rodrigues, que afirmou que tudo já estava resolvido, pois havia obtido o consentimento (?) da mãe da menina para a prática do aborto. Os conselheiros se mostraram preocupados em salvar a vida das três crianças, ao que a assistente respondeu: “Aqui não há três crianças. Só existe uma criança, o resto são apenas embriões”. Além disso, ela acrescentou que a menina corria risco de vida. Os conselheiros estranharam, uma vez que já haviam tomado conhecimento de várias gestações bem sucedidas de menores em Recife. Por que aquele caso seria uma exceção? A assistente respondeu que, por não ser médica, não sabia explicar, mas que o aborto já havia sido decidido para salvar a vida da menina. Foi então que Sr. Erivaldo, que estava presente, apresentou-se como pai da menina e solicitou a suspensão do aborto e a alta da filha. A assistente então solicitou que todos saíssem e conversou a sós por meia hora com Sr. Erivaldo. Após a conversa, ele saiu mudado, dizendo que sua filha iria morrer e que, se fosse assim, melhor seria abortar as crianças. Quem o convenceu não foi um médico, nem uma equipe médica, mas uma assistente social que nem sequer havia sabido explicar aos conselheiros a razão do aborto.

O Conselho Tutelar então tentou entregar o documento em que se pedia a suspensão do aborto. A assistente não quis receber, alegando que não havia pedido coisa alguma ao Conselho (!). A conselheira então mostrou à assistente o documento por ela escrito de próprio punho solicitando o parecer do Conselho. A assistente, nervosa, pegou o documento, rasgou-o em pedacinhos e disse: “Isto não vale nada”. Ao saber que a conselheira havia mostrado o documento ao pároco, a assistente respondeu: “Você não deveria ter feito isso. Eu tinha dado esse documento só para você. Não tinha que mostrar para mais ninguém”. Com insistência, a assistente recebeu e protocolou o documento do Conselho e permitiu que os conselheiros visitassem a menina e a mãe. Mas esteve sempre próxima para inibir alguma pergunta que fizesse mudar o rumo das coisas.


O rapto da menina e o aborto dos gêmeos

Chocados com o que estava acontecendo no IMIP, os conselheiros fizeram contato com o bispo de Pesqueira Dom Francisco Biasin, a cuja diocese pertence a cidade de Alagoinha, e por meio dele, com o Arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho. Na manhã do dia 3 de março, terça-feira, Dom José telefonou para Dr. Antonio Figueira, diretor do IMIP, explicou o modo como os pais da menina, contrários ao aborto, estavam sendo tratados, e perguntou sobre o verdadeiro estado de saúde da menina. Dr. Antonio Figueira dirigiu-se à residência do arcebispo, no Palácio dos Manguinhos, onde se reuniu com uma equipe de médicos, psicólogos e juristas convocados por Dom José para estudar o caso. Constatando os abusos cometidos pela assistente contra os conselheiros e, sobretudo contra o pai da menina, Dr. Figueira telefonou para o IMIP determinando a suspensão do aborto. Declarou na presença de todos que a menina não corria risco iminente de vida e que, se os pais o desejassem, a gestação poderia ser levada a termo com os cuidados do hospital. Isso ocorreu por volta das 8 horas.

No início da tarde do mesmo dia, Sr. Erivaldo voltou para Recife a fim de encontrar-se com o serviço de assessoria jurídica da Arquidiocese. Assinou um documento solicitando a não realização do aborto e a alta da filha. Assinou também uma procuração a um advogado. Desta vez os abortistas entraram em pânico. Pois, de acordo com o Código Civil, Sr. Erivaldo, mesmo não coabitando mais com a mãe da menina, continuava a exercer o pátrio poder (agora chamado “poder familiar”), que incluía o direito de representar a filha nos atos da vida civil (cf. art. 1632 e art. 1634, V, CC). Assim o IMIP seria obrigado a dar alta à menina sem praticar o aborto. A solução encontrada foi raptar a menina e a mãe.

Quando Sr. Erivaldo e seu advogado chegaram ao IMIP, foram informados de que a menina e a mãe já não estavam mais no hospital. A mãe teria pedido alta para a filha e, como ela não corresse risco iminente de vida, o IMIP não havia podido recusar o pedido. Mas ninguém sabia (ou queria) dizer onde estavam as duas. Na verdade, membros do grupo Curumim, uma ONG pró-aborto[7], haviam estado lá, conversado com a mãe da menina e convencido a pedir alta para a filha. Mãe e filha haviam saído junto com Dra. Vilma Guimarães, ginecologista e coordenadora do Centro de Atenção à Mulher do IMIP. Para onde? Para o CISAM (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), um hospital onde, pelo menos desde 1996 se abortam criancinhas concebidas em um estupro. Sobre a pressa com que tudo foi feito, assim relata outro grupo pró-aborto: “Uma vez deslocado o atendimento, do IMIP para o CISAM, o aborto foi realizado depois de uma ação ágil e coordenada de grupos feministas e outros atores chaves que apóiam os direitos reprodutivos de mulheres em todas as fases de sua vida[8].O aborto foi feito no dia 4, quarta-feira. Somente ao meio-dia, quando o crime já se havia consumado, a notícia foi publicada.

Os dois bebês tinham cerca de 20 semanas quando foram expulsos do seio materno. O coração batia, o cérebro emitia ondas, todos os órgãos já estavam formados. Provavelmente eles respiraram e choraram antes de morrer. Mas até hoje ninguém informou em qual lata de lixo eles foram colocados. A mãe e a menina, após o aborto, foram transferidas para um “abrigo” desconhecido e inacessível. Até o fechamento desta edição, nem o pai Sr. Erivaldo, nem o Conselho Tutelar, nem o delegado de polícia de Alagoinha tinham conseguido ter acesso àquele lugar.


Conseqüências jurídicas

O aborto é sempre crime, mesmo que a gravidez resulte de estupro. Se o crime já foi consumado, o médico que o praticou pode ficar isento de pena se tiver havido consentimento da gestante ou, quando incapaz (como é este caso), de seu representante legal (cf. art. 128, II, CP). Se, porém, o consentimento foi obtido mediante fraude (como parece ter ocorrido com a mãe) ou se faltou o consentimento (como ocorreu com o pai Sr. Erivaldo), a isenção de pena não se aplica. A conduta dos médicos se enquadra, portanto no artigo 125 (aborto sem consentimento da gestante) ou no artigo 126, parágrafo único do Código Penal (aborto com consentimento obtido mediante fraude), cuja pena é reclusão de três a dez anos. Faz-se necessária a instauração de um inquérito policial.

A estratégia abortista é manter ocultas a mãe e a criança e extrair do caso a maior aprovação possível, por meio da mentira e do engano. Prepara-se assim o caminho para a liberação do aborto no país.

 

Roma, 13 de abril de 2009.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz.


[1] Índia de 9 anos dá à luz uma menina em Manaus. 07/07/2006 – 09h50. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u123617.shtml>

[2] Menina estuprada de 9 anos é mãe mais jovem do Peru. 02/12/2006 – 19h13. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/02/ult34u169397.jhtm>.

[3] A incrível história de Lina Medina. 11/09/2002. Correio Braziliense. Disponível em: <http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020911/vid_mat_110902_36.htm%

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Hoje de manhã vi uma reportagem sobre a crescente oferta de barrigas de aluguel pelo Brasil. Nada de novo, nada que já tivesse sido abordado em uma novelinha velinha, que de tão marcante, só deixou a trilha sonora na memória…

Agora agüenta, coração!…

O que mais me impressionou nessa reportagem foi a entrevista com algumas das mulheres que se oferecem para ser um ventre alugado. Elas falavam que viam nessa oportunidade uma forma de realizar alguns sonhos, e que só o dinheiro poderia concretizá-los.

Minha mente preconceituosa logo se impôs e fez questão de se colocar, pensei eu: estes sonhos eram formados por carros, viagens, roupas e outras coisas que para mim são secundárias…

Qual não foi minha surpresa quando os sonhos que faziam a cabeça (e a pouca esperança de vida melhor) das entrevistadas eram coisas que eu também almejava. Uma que queria estudar, outra falou que queria reformar a casa. Outra era marinheira de segunda viagem, sendo que em sua primeira vez tinha ajudado uma prima que não podia engravidar.

É claro que a barriga de aluguel é um assunto complicado, controverso e complexo, mais um daqueles com um jeitinho dos que gostamos de abordar aqui no Vivo Pela Vida. O Brasil não tem uma legislação específica para o aluguel de ventres e pelo que soube, a única posição pública do tema é uma portaria do CRM.

Acho que a minha pergunta hoje não se dá tanto em relação às barrigas de aluguel. O que mais me impressionou foram os sonhos.

De um lado os sonhos daqueles casais que querem ter um filho (coisa que também desejo ardentemente, embora num futuro distante) que se submetem até mesmo a pagar por isso, praticamente comprando sua gestação. Do outro lado os sonhos daquelas mulheres: estudar, reformar a casa, e outras coisas que podem parecer pequenas, mas só quem sonha sabe o tamanho e o peso de cada um.

O que me causa certa estranheza é essa certeza que parece pairar sobre o mundo: os sonhos podem ser comprados, cada um tem seu preço. Não importa o tamanho, não importa a importância, não importam os meios…

E só Deus sabe como é que funcionam as regras desse negócio, daqueles que faturam muito não se importando com os meios, muito dinheiro explorando sonhos alheios.

Somos quem podemos ser… Sonhos que podemos ter…

Espero escrever de novo, com mais profundidade, sobre esse assunto das barrigas de aluguel. Mas fica aqui uma pergunta… Quanto custa o seu sonho?

Os meus? Sei que se os visse à venda sofreria de uma grande tentação, um verdadeiro teste, imagina só se ainda houvesse uma promoção, leve 3 e pague 2! Que bom que eles não são vendidos nem alugados…

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Pitty

Ela é símbolo de atitude para muitos jovens, e prega principalmente a autonomia de pensamento frente às ideologias que a sociedade tenta nos impor. Em uma entrevista feita em dezembro para o canal Multishow, a cantora Pitty deu um pequeno depoimento sobre a tragédia pessoal que foi ter passado por um aborto espontâneo, mesmo em se tratando de uma gravidez não planejada. “A forma que eu encontrei pra não me transformar numa bêbada, drogada e sofredora por causa do que tinha acontecido comigo foi enfiar a cara no trabalho”, diz. A partir da experiência, Pitty, que antes dizia não querer ter filhos, revelou ter mudado seu ponto de vista sobre ser mãe:

Mudei porque eu descobri uma coisa que eu não sabia. Eu descobri uma sensação que eu não sabia que existia, e que você só consegue saber quando você passa. Foi muito pouco, mas já deu pra sacar, já deu pra entender a dimensão que aquilo pode vir a ter. Uma sensação de plenitude, de vida, como você nunca teve antes, sabe, como nada pode te proporcionar aquilo.

Mas foi bom, foi bom por esse lado, porque agora eu sei que eu quero. E agora virou uma questão de honra e, sabe, daqui a um tempo me agüenta com seis filhos! (risos) Vou sair pra tocar e vai ter que ter um berço em cada canto!… (risos)”

Para além de encarar a maternidade como um simples projeto de vida individual e plenamente controlado, a fala de Pitty parece indicar um contato com o chamado “mistério” que envolve a situação de ser mãe (algo que “você só consegue saber quando você passa”, como disse), e um forte desejo de se envolver neste mistério. E ela fala de si mesma durante a gestação não como uma “futura” mãe, mas como alguém que, de certa forma, já era mãe, mesmo estando grávida de apenas três meses. Não parecia falar daquilo como uma ilusão, um sentimento devido somente à expectativa do que viria a acontecer, mas como uma experiência real, profundamente marcante: “Foi muito pouco, mas já deu pra sacar, já deu pra entender”. A ponto de vivenciar no aborto um sofrimento sem precedentes.

Em outra entrevista, concedida algum tempo antes da gravidez, a roqueira havia se declarado a favor da descriminalização do aborto provocado, a partir dos argumentos geralmente levantados por quem defende esta bandeira (liberdade de escolha, saúde pública, Estado laico, etc). Nesta entrevista mais recente, ela revela, contudo, que ainda tem muito o que refletir sobre o que lhe ocorreu. Ainda não se sabe se Pitty chegou rever sua posição quanto ao aborto provocado, mas uma coisa é certa: a experiência de uma gravidez não-planejada seguida de um aborto espontâneo marcou profundamente sua concepção sobre o assunto, a ponto de mudar completamente seus planos de vida, desejar ter vários filhos por “uma questão de honra”. Resta-nos esperar para ver o que virá da mente existencialmente livre de Pitty – e, sobretudo, aproveitar para refletirmos, nós mesmos, sobre isso tudo…

Ao som de Ira! e Pitty – “Eu quero sempre mais”

“mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei”…

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