Sofrimento

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solidãoPor Pe. Zezinho, scj

Chamava-se Cristina e tinha 23 anos e uma história de marejar os olhos. Família de onze irmãos. Das treze pessoas sobraram ela e dois irmãos, um dos quais não via há cinco anos. O pai fora morar com outra depois de encher a mãe de filhos. Fez mais três na outra matriz. Morreu aos 50 anos de cirrose hepática, a mãe morreu de complicações no pulmão.

Um por um os irmãos foram morrendo: Numa só noite dois irmãos foram esfaqueados; quatro deles em três anos por atropelamento, overdose, ataque epiléptico e doença que ela nem sabia dizer qual. Para resumir: ela e o Cristiano só tinham um ao outro. Ele com dezesseis anos, dependente dela. Queria uma ajuda porque Cristiano andava mexendo com maconha e ela não podia perdê-lo. O rapaz deu de não mais estudar nem trabalhar.

O dinheiro do aluguel mal dava para se manterem. Uma escola mudaria o Cristiano. Fiquei olhando aqueles olhos tristes e vermelhos de chorar, pelo único irmão que lhe sobrara. Indiquei um grupo católico que ajudava rapazes drogados. Conseguimos internação. Ontem fiquei sabendo que  há 6 meses o rapaz morreu afogado em Santos.

Sobrou a Cristina. Veio me ver. Está envelhecida aos 27 anos.

Só no mundo e literalmente só. Pediu licença e fez-me uma pergunta:

- Deus quis tudo isso, padre?

Se eu fosse da linha fundamentalista, iria citar umas 20 frases da Bíblia, para dizer que Deus sabe o que faz e que isso tudo foi para o bem. Como minha fé não tem resposta para tudo , respondi:

- Gostaria de saber porquê, mas não sei. Gente como você Cristina, faz a gente repensar o conceito de vida e de Deus. Agora você sofre. Daqui a 15 anos teremos outras respostas. E quem sabe você estará me explicando a dor da cruz.

Apertou-me, abraçou-me e disse:

_ Não lhe contei. Estou namorando e vamos nos casar no fim do ano. Reze por nós.

E eu…

_ Olha aí uma resposta!

26/11/2007
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Elba RamalhoOntem tive uma conversa que mexeu comigo. Foi com uma amiga psicóloga, que relatava os impasses que está enfrentando por conta de algumas pacientes que já fizeram aborto. Algumas se dizem “sem remorso”, mas não é difícil perceber as marcas indeléveis a martelar a consciência, como um recém-nascido a chorar insistentemente, por anos a fio… São histórias muito tristes, que minha amiga assiste, desconsolada, desenrolarem-se sem uma aparente solução. A impressão que se tem, enquanto profissional, é de que não há o que se fazer, não há o que dizer…

Sou daqueles que acreditam que, na vida, nada é completamente determinado; pela pouca experiência que tive na clínica enquanto estagiário de psicologia, pude me surpreender várias vezes com a infinita capacidade do ser humano de se auto-superar, de encontrar soluções nas quais nem ele mesmo acreditava. Mas creio que talvez nada seja mais difícil do que superar um aborto provocado. Freud já devia sentir isso: “Fica-se também estupefato com os resultados inesperados que se podem seguir a um aborto artificial, à morte de um filho não nascido, decidido sem remorso e sem hesitação”, disse ele certa vez.

Não é nada fácil admitir arrependimento por um aborto. Mais do que as pedras atiradas pelos mais radicais (tanto os “contra” quanto os “a favor”), o peso maior é o da própria alma. Costumam ser traumas horríveis, reconhecidos até por quem quer a legalização do aborto (mesmo que botem a culpa nas “normas sociais acerca do comportamento feminino”…). Mas, sim… sempre há algo a se fazer!

Em 1997, a Revista Veja fez uma polêmica reportagem com relatos de mulheres que haviam abortado (ainda mais tendenciosa do que uma recentemente publicada sobre o mesmo tema). Uma das entrevistadas foi a cantora Elba Ramalho, que na época ainda dizia-se angustiada com o aborto que fizera 24 anos antes. Não sabia se havia feito o certo, mas arrematava: Se ficasse grávida de novo, não faria o aborto mesmo que não desejasse o filho“. Pois hoje, doze anos depois, Elba passou a integrar o rool de artistas como Luíza Brunet e Cássia Kiss que, além de reconhecerem-se arrependidas por terem abortado, tornaram-se publicamente contrárias ao procedimento. Mais do que isso, Elba participará, neste domingo (30/08), da 3ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, que o Movimento Brasil Sem Aborto realizará em Brasília. Ela fará o show de encerramento, doando parte do cachê para a campanha. E gravou este comercial, convidando para o evento:

Uma atitude, sem dúvida, de muita coragem. É o tipo de coisa que nos faz acreditar mais nas pessoas, acreditar na vida… Mas, como era de se esperar, o apedrejamento já começou. Não faltam comentários ao vídeo no Youtube condenando-a, e consta que Elba tem recebido várias mensagens de insulto de pessoas e entidades favoráveis ao aborto. Chamam de “hipocrisia” o fato de alguém se arrepender, mudar de opinião e tentar alertar outras pessoas para que não cometam o mesmo erro. Não é fácil.

Apoiemos Elba! Que ela seja um exemplo, que não se sinta sozinha! Para quem quiser, ficam os e-mails e um link para mensagens de apoio (já mandei as minhas!). Nunca é demais…

alexandre@acaua.net

camila@acaua.net

http://www.elbaramalho.com.br/noticias/2009/08/14/de-parabens-para-elba/comment-page-2/#comment-637

PS: Se você mora em Brasília, uma boa é ir prestigiar a Elba – e a Marcha! A entrada é franca - e a solidariedade também…

 

UPDATE (27/08/09): E eis que o Correio Braziliense de hoje publica uma matéria sobre o caso, com declarações de Elba Ramalho: “O que posso dizer é que defendo a vida das crianças e ninguém vai mudar isso”. “Defendo a vida e vou morrer defendendo a vida”… “Podem me apedrejar, não vou mudar o que penso.” Parabéns, Elba!

(Dica do Wagner)

 

 

 

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gemeos 

Hoje, 4 de agosto de 2009, fazem exatos 5 meses do “Aborto de Alagoinha”, como ficou conhecido o caso em que uma equipe médica de Pernambuco abortou um casal de gêmeos filhos de uma menina de apenas 9 anos, estuprada pelo padrasto. A notícia ganhou repercussão mundial depois que o bispo de Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão automática (independente de autoridade eclesiástica) da equipe.

Na época, comentamos que era preciso tempo para que as coisas fossem ficando mais claras aos nossos olhos, tão bombardeados pela mídia (que, na época, ainda não tinham a Gripe Suína para manchetear…). Pois, cinco meses depois, não há mais notícias sobre o caso, nenhuma novidade.  E, pelo visto,  o pai da menina, o Conselho Tutelar de Alagoinha (que foi contrário ao aborto), o pároco e até mesmo a polícia da cidade continuam sem notícias de onde estão a criança, sua irmã e sua mãe, que foram encaminhadas para um abrigo não-revelado assim que saíram do hospital, mas ainda não retornaram à comunidade.

Mas, para quem não se importa só com manchetes,  deu para juntar algumas peças… Por meio de relatos de pessoas que realmente acompanharam o caso de perto, o Pe. Luís Carlos Lodi da Cruz, advogado, pós-graduando em bioética e presidente da Associação Pró-vida de Anápolis, descreveu o ocorrido em detalhes e deixou uma pergunta no ar, que após muito bafafá e discussões infindáveis sobre a excomunhão e a rispidez do bispo, muitos se esqueceram de fazer: Onde estão os gêmeos?

E é com essa pergunta que nós “lembramos” esta triste data. Onde estão?


Onde estão os gêmeos?
(a pergunta que incomoda os abortistas)

Casos de maternidade precoce

Em 5 de julho de 2006, uma índia de nove anos deu à luz, por parto cesáreo, na 38ª semana, um bebê de 2,210 kg e 42 cm. O bebê nasceu na Maternidade Municipal Moura Tapajoz, em Manaus (AM)[1].

No dia 2 de dezembro de 2006, uma menina de nove anos deu à luz em um hospital público de Lima, Peru. O bebê, que nasceu com 2,520 kg e 47 cm, foi colocado na UTI por apresentar dificuldades respiratórias. “A mãe precoce receberá ajuda psicológica, e seu filho terá toda assistência de que precisar, ressaltou o ministro [da Saúde] Vallejos, após visitá-la”[2].

A mãe mais jovem do mundo, porém, foi Lina Medina, uma menina peruana de cinco anos que foi submetida a uma cesariana em um hospital de Lima em 14 de maio de 1939 e deu à luz um menino saudável de 2,7 kg chamado Gerardo[3].


Estatísticas do Brasil

Em 2006 (último ano sobre o qual o SUS dispõe de estatísticas sobre nascidos vivos), 27.610 meninas da faixa etária de 10 a 14 anos deram à luz. Desse total, 260 deram à luz gêmeos, conforme a tabela a seguir[4]:

Nascidos vivos – Brasil

Nascimento por ocorrência por Idade da mãe e Tipo de gravidez

Período: 2006

Idade da mãe

Única

Dupla

Tripla e mais

Ignorada

Total

10 a 14 anos

27316

260

3

31

27610

Pelos dados acima, percebe-se que a pouca idade da mãe não impede que ela dê à luz com segurança, inclusive do meio da selva amazônica, e mesmo quando os bebês são gêmeos. Não estamos mais no século XIX, em que a cesariana era uma operação arriscada, com alta taxa de mortalidade materna, e havia um medo enorme de a criança ficar entravada diante de uma bacia estreita. Hoje o bom parto depende de um bom acompanhamento pré-natal.


O triste caso de Alagoinha

Em 25 de fevereiro de 2009, na pequena cidade de Alagoinha (PE), descobriu-se que uma menina de nove anos estava no quarto mês de uma gestação de gêmeos. A menina teria sido vítima de abuso sexual por parte de seu padrasto, com quem sua mãe convivia. Ele foi imediatamente preso e levado para a Penitenciária de Pesqueira.

Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o Conselho Tutelar resolveu encaminhar a menina para o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) em Recife, a fim de iniciar o acompanhamento pré-natal, depois de submetê-la aos exames no Instituto Médico Legal (IML). Chegando ao IMIP, a assistente social Karolina Rodrigues solicitou à conselheira Maria José Gomes que assinasse, em nome do Conselho Tutelar, um documento em que autorizava o aborto! Como ela se negou a fazê-lo – pois ninguém tinha vindo ao hospital para abortar – a assistente escreveu de próprio punho um documento solicitando ao Conselho Tutelar de Alagoinha um encaminhamento “no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. Difícil é imaginar em que artigo do ECA a assistente encontrou uma justificação legal para exterminar os dois bebês. O Conselho Tutelar teria até segunda-feira (2 de março) para responder. No entanto, na noite do mesmo dia 27, sexta-feira, o Jornal do Comercio anunciou que o aborto poderia ser realizado no sábado[5] (!). No dia 28, sábado, ao meio dia, o mesmo jornal anunciou que o aborto já contava com o “consentimento da família” (!) e que seria realizado naquele mesmo dia[6] (!). Essas notícias falsas, transmitidas para todo o Brasil pela assessoria de imprensa do IMIP, assustaram o Conselho Tutelar. Então o pároco de Alagoinha Pe. Edson Rodrigues, juntamente com a conselheira tutelar Maria José e mais dois paroquianos, enfrentou uma viagem de três horas de carro até Recife. Chegaram ao IMIP por volta das 15 horas. A menina brincava de boneca no hospital e nenhum aborto havia sido iniciado. Quanto à mãe, ela se mostrava totalmente desfavorável ao aborto de seus netos, alegando que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”. No entanto, ela afirmou ao pároco que tinha assinado “alguns papéis por lá”. Ora, sendo ela analfabeta, e não sabendo sequer assinar o nome, havia simplesmente posto suas impressões digitais naqueles documentos, cujo conteúdo ignorava.

Retornando a Alagoinha, os conselheiros procuraram o pai biológico da menina, que vivia separado da mãe, Sr. Erivaldo, frontalmente contrário ao aborto. Ele concordou em ir a Recife na segunda-feira (2 de março) para pedir a alta da filha do IMIP. No domingo, 1º de março, os membros do Conselho Tutelar decidiram por unanimidade encaminhar ao IMIP uma solicitação de que fosse respeitada a vontade dos pais da menina, que desejam preservar a vida dos bebês.

No dia 2 de março, segunda-feira, Sr. Erivaldo foi ao IMIP juntamente com Pe. Edson e membros do Conselho Tutelar. Foram recebidos pela assistente social Karolina Rodrigues, que afirmou que tudo já estava resolvido, pois havia obtido o consentimento (?) da mãe da menina para a prática do aborto. Os conselheiros se mostraram preocupados em salvar a vida das três crianças, ao que a assistente respondeu: “Aqui não há três crianças. Só existe uma criança, o resto são apenas embriões”. Além disso, ela acrescentou que a menina corria risco de vida. Os conselheiros estranharam, uma vez que já haviam tomado conhecimento de várias gestações bem sucedidas de menores em Recife. Por que aquele caso seria uma exceção? A assistente respondeu que, por não ser médica, não sabia explicar, mas que o aborto já havia sido decidido para salvar a vida da menina. Foi então que Sr. Erivaldo, que estava presente, apresentou-se como pai da menina e solicitou a suspensão do aborto e a alta da filha. A assistente então solicitou que todos saíssem e conversou a sós por meia hora com Sr. Erivaldo. Após a conversa, ele saiu mudado, dizendo que sua filha iria morrer e que, se fosse assim, melhor seria abortar as crianças. Quem o convenceu não foi um médico, nem uma equipe médica, mas uma assistente social que nem sequer havia sabido explicar aos conselheiros a razão do aborto.

O Conselho Tutelar então tentou entregar o documento em que se pedia a suspensão do aborto. A assistente não quis receber, alegando que não havia pedido coisa alguma ao Conselho (!). A conselheira então mostrou à assistente o documento por ela escrito de próprio punho solicitando o parecer do Conselho. A assistente, nervosa, pegou o documento, rasgou-o em pedacinhos e disse: “Isto não vale nada”. Ao saber que a conselheira havia mostrado o documento ao pároco, a assistente respondeu: “Você não deveria ter feito isso. Eu tinha dado esse documento só para você. Não tinha que mostrar para mais ninguém”. Com insistência, a assistente recebeu e protocolou o documento do Conselho e permitiu que os conselheiros visitassem a menina e a mãe. Mas esteve sempre próxima para inibir alguma pergunta que fizesse mudar o rumo das coisas.


O rapto da menina e o aborto dos gêmeos

Chocados com o que estava acontecendo no IMIP, os conselheiros fizeram contato com o bispo de Pesqueira Dom Francisco Biasin, a cuja diocese pertence a cidade de Alagoinha, e por meio dele, com o Arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho. Na manhã do dia 3 de março, terça-feira, Dom José telefonou para Dr. Antonio Figueira, diretor do IMIP, explicou o modo como os pais da menina, contrários ao aborto, estavam sendo tratados, e perguntou sobre o verdadeiro estado de saúde da menina. Dr. Antonio Figueira dirigiu-se à residência do arcebispo, no Palácio dos Manguinhos, onde se reuniu com uma equipe de médicos, psicólogos e juristas convocados por Dom José para estudar o caso. Constatando os abusos cometidos pela assistente contra os conselheiros e, sobretudo contra o pai da menina, Dr. Figueira telefonou para o IMIP determinando a suspensão do aborto. Declarou na presença de todos que a menina não corria risco iminente de vida e que, se os pais o desejassem, a gestação poderia ser levada a termo com os cuidados do hospital. Isso ocorreu por volta das 8 horas.

No início da tarde do mesmo dia, Sr. Erivaldo voltou para Recife a fim de encontrar-se com o serviço de assessoria jurídica da Arquidiocese. Assinou um documento solicitando a não realização do aborto e a alta da filha. Assinou também uma procuração a um advogado. Desta vez os abortistas entraram em pânico. Pois, de acordo com o Código Civil, Sr. Erivaldo, mesmo não coabitando mais com a mãe da menina, continuava a exercer o pátrio poder (agora chamado “poder familiar”), que incluía o direito de representar a filha nos atos da vida civil (cf. art. 1632 e art. 1634, V, CC). Assim o IMIP seria obrigado a dar alta à menina sem praticar o aborto. A solução encontrada foi raptar a menina e a mãe.

Quando Sr. Erivaldo e seu advogado chegaram ao IMIP, foram informados de que a menina e a mãe já não estavam mais no hospital. A mãe teria pedido alta para a filha e, como ela não corresse risco iminente de vida, o IMIP não havia podido recusar o pedido. Mas ninguém sabia (ou queria) dizer onde estavam as duas. Na verdade, membros do grupo Curumim, uma ONG pró-aborto[7], haviam estado lá, conversado com a mãe da menina e convencido a pedir alta para a filha. Mãe e filha haviam saído junto com Dra. Vilma Guimarães, ginecologista e coordenadora do Centro de Atenção à Mulher do IMIP. Para onde? Para o CISAM (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), um hospital onde, pelo menos desde 1996 se abortam criancinhas concebidas em um estupro. Sobre a pressa com que tudo foi feito, assim relata outro grupo pró-aborto: “Uma vez deslocado o atendimento, do IMIP para o CISAM, o aborto foi realizado depois de uma ação ágil e coordenada de grupos feministas e outros atores chaves que apóiam os direitos reprodutivos de mulheres em todas as fases de sua vida[8].O aborto foi feito no dia 4, quarta-feira. Somente ao meio-dia, quando o crime já se havia consumado, a notícia foi publicada.

Os dois bebês tinham cerca de 20 semanas quando foram expulsos do seio materno. O coração batia, o cérebro emitia ondas, todos os órgãos já estavam formados. Provavelmente eles respiraram e choraram antes de morrer. Mas até hoje ninguém informou em qual lata de lixo eles foram colocados. A mãe e a menina, após o aborto, foram transferidas para um “abrigo” desconhecido e inacessível. Até o fechamento desta edição, nem o pai Sr. Erivaldo, nem o Conselho Tutelar, nem o delegado de polícia de Alagoinha tinham conseguido ter acesso àquele lugar.


Conseqüências jurídicas

O aborto é sempre crime, mesmo que a gravidez resulte de estupro. Se o crime já foi consumado, o médico que o praticou pode ficar isento de pena se tiver havido consentimento da gestante ou, quando incapaz (como é este caso), de seu representante legal (cf. art. 128, II, CP). Se, porém, o consentimento foi obtido mediante fraude (como parece ter ocorrido com a mãe) ou se faltou o consentimento (como ocorreu com o pai Sr. Erivaldo), a isenção de pena não se aplica. A conduta dos médicos se enquadra, portanto no artigo 125 (aborto sem consentimento da gestante) ou no artigo 126, parágrafo único do Código Penal (aborto com consentimento obtido mediante fraude), cuja pena é reclusão de três a dez anos. Faz-se necessária a instauração de um inquérito policial.

A estratégia abortista é manter ocultas a mãe e a criança e extrair do caso a maior aprovação possível, por meio da mentira e do engano. Prepara-se assim o caminho para a liberação do aborto no país.

 

Roma, 13 de abril de 2009.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz.


[1] Índia de 9 anos dá à luz uma menina em Manaus. 07/07/2006 – 09h50. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u123617.shtml>

[2] Menina estuprada de 9 anos é mãe mais jovem do Peru. 02/12/2006 – 19h13. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/02/ult34u169397.jhtm>.

[3] A incrível história de Lina Medina. 11/09/2002. Correio Braziliense. Disponível em: <http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020911/vid_mat_110902_36.htm%

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Monte José, José.

Olhou para trás?
Viu sonhos antigos?
Chorou por eles?
(saudades do que era
e de quem tinha…)

Você mudou, José.
Nem sente nem vê as coisas como via antes
Os amigos cresceram, mudaram, ficaram distantes
E seu choro é sincero.

Pois basta, José!
Encare a verdade, aceite a mudança!
Agora o sentir depende do agir
A vida depende dos olhos
os novos, que ainda não aprendeu a usar…

É preciso saber
É preciso sofrer
É preciso sorrir
É preciso viver.

É preciso acreditar no tempo.
É preciso esperar o sol
Buscar um brilho novo
Que um dia saberá enxergar…

Mas, agora, é preciso fechar os olhos.
É hora de ouvir.

Referências:
José (Carlos Drummond de Andrade)
Monte Inverno (Eduardo Faro / Guilherme de Sá)

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solidaomomentos na vida em que parece não nos restar mais nada.
Mesmo que ainda haja algo a se apegar – e sempre há – esses apegos parecem não surtir o mesmo efeito de antes, não ter a mesma graça, o mesmo sabor. Nada mais é como era, e parece só nos restar uma pergunta: “E agora, José?”

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

Buscamos segurança, amor, admiração… e tantas vezes conseguimos, nos vemos artistas, poetas, humoristas, transformadores do mundo… mas sem base pra sustentar as próprias pernas.

Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Pois há momentos em que a muleta cai. Crenças, prazeres, fugas, vícios… Nada mais funciona. Não há mais fantasia, não há mais Pasárgada, Éden ou Pirlimpimpim. Só a realidade.

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

luz_camimhoE agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Nunca tentamos de tudo, mas há momentos em que tudo o que tentamos parece ser, realmente, tudo. E tudo já era.

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Por um instante tudo perde a cor, não sentimos, não agimos… não vivemos.

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

“Viver é foda, morrer é difícil”, dizia alguém. Mas ninguém quer a morte, queremos é viver de verdade, gritar, gemer, dançar até morrer de cansaço! Mas viramos pedra…

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia, sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?

Não dá pra continuar. Não dá mais pra marchar sem rumo. Não dá pra ser mais um José.

alone
(continua…)


Referências:
José (Carlos Drumond de Andrade)
Vamos fazer um filme (Renato Russo)
O que é, o que é? (Gonzaguinha)

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Por Pe. Zezinho, scj.

Susan BoyleO que houve com Susan Boyle, voz fenomenal, 47 anos, internada em maio de 2009 com sinais de colapso nervoso e com a menina Maísa, 7 anos, que chorou duas vezes por sentir-se deslocada diante das câmeras que ela parecia dominar; o que houve com centenas de pessoas a quem a fama feriu por alguns momentos ou para sempre, merece reflexão.

A notoriedade não é para qualquer pessoa nem para qualquer idade. Há formigas que carregam pesados fardos e chegam ao formigueiro. Outras, sucumbem à caminho, ou abandonam a carga. Têm acontecido com cantores, artistas, sacerdotes, jogadores e atletas. A mídia é veículo, mas pode se tornar um fardo acima da capacidade da pessoa. Isso explica os desvios de conduta de alguns jogadores de futebol que jogam tudo para o ar e tiram férias por própria conta; também artistas que abandonam o set de filmagem e vão embora cuidar de sua vida pessoal; também os religiosos que rompem com a vida espiritual pregressa e partem para o seu projeto pessoal, e isso, em todas as igrejas. Adriano na Seleção

Foram milhares os famosos feridos pela fama. Suicídios, crimes, desrespeito à palavra dada e aos contratos assinados, graves desvios de conduta, sucessivos matrimônios falidos, perda de rumo, graves problemas com a lei ou com o seu público mostram que, tanto entre eles, os notórios e famosos, quanto entre os não notórios cansados de algum fardo, há feridas incuráveis. Mas o drama ganha dimensões catastróficas quando alguém galgou os degraus da fama.

Álcool, drogas, superdoses de medicina, tendência à autodestruição estão na ordem do dia de muitos famosos; não porque são famosos, mas porque no caso deles, a fama tornou-se peso impossível de administrar. Pensaram controlar e acabaram controlados. É que ninguém fica famoso sozinho. Há todo um mecanismo de marketing atrás da fama. É esse mecanismo que sustenta os famosos que, desde o começo, se revela maior do que a pessoa promovida.

Michael JacksonOs famosos são mais levados do que imaginam ir. Como a criança no carrinho dos tutores que não deseja ir onde a levam, alguns famosos esperneiam, querem fugir do contrato, tentam saltar fora e arcar com menos compromissos, mas nem sempre conseguem. “The show must go on” dizia-se em Hollywood. Pararam de dizer, mas ainda o fazem. Em outras palavras, vale o show e não o artista, nem mesmo o artista número um! Há milhões de dólares em questão!

Aí a fama começa a doer. E é sofrimento mortal que alguns tentam amenizar com drogas. Em alguns casos, como o de Elvis Presley, Marilyn Monroe e Michael Jackson e Elis Regina, que perderam o controle do que ingeriam e do pastor Jim Jones que perdeu o controle da fé que anunciava, chega-se ao ponto do não retorno. Algum dia virá a super-dosagem. O tristemente famosos pastor matou-se e matou mais de 800 fiéis ao ver que sua Jonestown corria o risco de não dar certo… Não soube voltar atrás. Apostara demais no seu projeto.

Maísa e Sílvio SantosCrianças pagaram um alto preço pela notoriedade. De Shirley Temple a Maísa, há que se distinguir o que para uma criança é brincadeira e quando deixa de ser. No caso de Maísa, a simpática e prendada menina de sete anos, sinalizou com clareza que a brincadeira do ancião e famoso apresentador tinha ido longe demais. A brincadeira dele a feriu. Shirley Temple que, na sua época, encantou milhões de cinéfilos, amargou um terrível ostracismo ao deixar a infância. Com ela, Pablito Calvo e centenas de crianças midiáticas. A vida se lhes mudou radicalmente depois daqueles dias de holofotes.

Marilyn Monroe, Janis Joplin, Elvis Presley, Judy Garland, Michael Jackson, Elis Regina, Cássia Eller, quinze ou vinte famosos brasileiros, são apenas alguns dos mais conhecidos entre os mais de mil nomes de pessoas famosas que por um momento, ou por anos a fio perderam o controle e a paz. O caso da subitamente famosa Susan Boyle que, vivendo fama súbita de algumas semanas, precisou de ajuda logo após ter perdido uma competição, mostra que, às vezes, o peso da fama tira a pessoa do seu eixo.

Pastor Jim Jones, que comandou suicídio coletivo nos anos 70Não acontece apenas no mundo artístico. Jogadores de futebol, atletas e até religiosos guindados à fama perderam com facilidade o referencial e mudaram radicalmente de postura. Pensavam controlar a publicidade, mas foram por ela controlados. A fama, tanto quanto a mídia, são cavalos xucros. Feliz de quem consegue montá-la por anos a fio, sem cair. Na arena, a média é de cinco a oito segundos. Na vida, alguns passam décadas diante das luzes. Outros, porém, em menos de dois anos acabam cegos pelos mesmos holofotes que tanto cortejaram. A formiga cortara pedaço maior do que poderia carregar!

Quantos entre nós podem garantir que seriam mais fortes? Oremos pelos famosos. Alguns buscaram desesperadamente os pesos que hoje carregam. Outros não buscaram, mas descobriram-se famosos. Uns e outros sofrem. Mas quem quis a fama sofre mais. Muito provavelmente fez concessões que não deveria ter feito.

Fonte: www.padrezezinhoscj.com

(os grifos, as imagens e os links são nossos)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Judy_Garland

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"Eu tomei meu prozac hoje"

“A mesma sociedade que me deprime
vai me vender um remédio pra me alegrar”

André Dahmer

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Padre Pio

O sofrimento é de todos. O saber sofrer é de poucos!

Padre Pio de Pietrelcina

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knuttz_ueba_32No último mês, uma amiga me pediu um texto. Este deveria ser pequeno, especial, rápido (tinha 1 dia de prazo), e seria usado como homenagem a um amigo que se foi…

O resultado ficou este ai abaixo…


Inté

Já dizia um poeta que um homem  também chora.

Chora,  ri,  trabalha, descansa e  faz de  tudo para melhor aproveitar esta vida.

E por mais atarefado que ele seja, é  impossível negar uma  lágrima ao saber que um amigo se  foi.

Independente de orientação  teórica,  religiosa ou  futebolística, ao sentir a ausência de um amigo, homens, mulheres, crianças, choram.

Talvez, algum  filósofo ainda dirá, que a  lágrima é o único e verdadeiro  elo da  ligação humana. Platão chorou Sócrates, Cristo chorou Lázaro, e eu chorei você.

Embora nós três soubéssemos que a morte é só um substantivozinho vazio, que em nada se compara com a vida. Por mais que acreditássemos que só a vida é capaz de suplantar a morte em sentido e existência E embora emboras, se nãos,  talvez, e porquês… Choramos.

Mesmo sem achar um sentido, sabíamos que estas lágrimas levavam um pouco mais. Mais do que tristezas, alegrias, lembranças e músicas, sais e água, num
gosto salgado-azedo.

Levavam seus conselhos, seus sorrisos, e um gosto doce, pois  além de carregar mais do que a solidão de quem  fica,  levaram a esperança de quem vai.

Como dizia outro poeta,  “Não me esqueça, amigo, eu vou voltar, some  longe o  trenzinho ao deus-dará”.   Até  logo.

Luis Vinicius do Nascimento, in: Boletim Faced Maio-Junho-2009

p.s.: Em breve contaremos como que foi a  Missão Muriaé, com direito a fotos  e tudo mais….

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Já falamos sobre a Gianna Jessen aqui no site… Pra quem não se lembra, é aquela mulher que simplesmente foi abortada e… deu errado. Ou seja, alguém que está viva graças a um erro médico.

Na época, comentamos que ninguém era melhor para contar a história da Gianna que a própria, mas infelizmente não havia vídeos seus traduzidos para o português. Mas eis que o Daniel fez a boa ação de tascar as mais que merecidas legendas neste forte depoimento que ela deu num parlamento da Austrália.

Gianna Jessen (sobrevivente de aborto) – parte 1

Gianna Jessen (sobrevivente de aborto) – parte 2

“Se o aborto diz respeito somente aos direitos da mulher, então quais são os meus direitos?” Taí, uma boa reflexão pro fim de semana. O vídeo está completando um mês no Youtube com merecidas 12926 visualizações, ou seja, mais do que o “Fim do Silêncio“, que já está lá há bem mais tempo… Que continue sendo cada vez mais visto e inquietando cada vez mais gente!

Como ela mesma diz, “eu não sobrevivi para fazer as pessoas se sentirem confortáveis”.

Amém, Gianna!

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