Religião

Arquivos da categoria: Religião .

vlc02

Está no ar o segundo número oficial do VIDA LOUCA CAST, o Podcast do Vivo Pela Vida.

Neste episódio (continuação deste aqui): Gabriel ResgalaLuis Nascimento e Pedro Júnior continuam conversando sobre o assunto “que não se discute“: RELIGIÃO!

liberdade

Descubra o segredos dos banheiros da UFJF, o que é laicidaderelativismo e veja se você também consegue fazer o impossível.

Nossos integrantes ainda batem um papo sobre as doutrinas que se dizem mais católicas que o catolicismo, sobre a engenharia cristã, ecumenismo, utopia e diálogo religioso.

..

Escute aqui!

 

ou clique aqui para fazer o Download
(clique com o botão direito e escolha “
Salvar como…”)

Duração: 50 min.  – Tamanho: 35 MB

Se não escutou, não deixe de escutar o nosso primeiro episódio! Pedimos desculpas pela demora em lançar este segundo episódio, mas temos certeza que vocês nos perdoarão… hehehe.

Escutem e comentem!

Tags: , , , , , , , , , , , ,

visao_mundial

world_vision01

Faz bastante tempo que a @evangelista nos indicou a Visão Mundial, uma organização brasileira, não governamental e cristã que luta pelo desenvolvimento, promoção humana, justiça, assistência social, e combate a pobreza.

VM_bannerVocê pode ler mais sobre a Visão Mundial aqui, mas o mais importante é saber que esta é uma organização que se dedica a apoiar projetos de desenvolvimento e transformação social, que promovam vida em abundância para crianças, em todos os níveis que isso seja possível.

Através dela você pode encontrar e apadrinhar crianças, segundo as suas condições, ao mesmo tempo em que recebe informações sobre o projeto que beneficia a comunidade na qual a criança está inserida.

Vale como dica para todos os nossos visitantes, quer seja esta organização ou outra, existe muita gente precisando da nossa ajuda por aí…

Tags: , ,

“Deus é o silêncio do universo, e o ser humano, o grito que dá sentido a esse silêncio”

o_grito_homerJosé Saramago


(Segundo o Gabriel, esta frase é um ótimo exemplo de como as palavras podem adquirir um novo sentido dependendo de quem fala… )
Imaginem a mesma frase sendo dita por algum grande místico… por que não?

Tags: , , , ,

vlc01

Está no ar o primeiro número oficial do VIDA LOUCA CAST! O Podcast do Vivo Pela Vida.

Neste episódio: Gabriel Resgala, Luis Nascimento e Pedro Júnior se encontram em um lugar muito esquisito para falar de um assunto que, dizem por ai, não se discute… RELIGIÃO!

Se divirta conferindo as loucuras (e algumas reflexões sérias) de um grupo que possui um ex-xintoísta, um devoto do Imperador Constantino um cientista da religião que acha é minoria. Escute alguns dos absurdos que já ouvimos por aí, conheça a dogmática da doutrina corinthiana e participe da campanha: PAREM DE GRITAR!

religiao_variasAviso: Este não é um podcast teológico, apologético, dogmático, científico, ou qualquer outro “ico” que dê alguma casca de seriedade ao assunto… Este é um bate papo informal, ocorrido logo após uma sinuca, no qual expomos o que ACHAMOS sobre “religião”. Esse podcast é a primeira parte de uma longa conversa, a segunda parte será publicada em breve… aguardem…

Veja ainda:

Escute aqui!

 

ou clique aqui para fazer o Download
(clique com o botão direito e escolha “
Salvar como…”)

Duração: 45 min.  – Tamanho: 42 MB

Tags: , , , , , , , , , ,

E não é que alguém ouviu as minhas preces?… Há algum tempo eu resmungava aqui de curiosidade por imaginar como teria sido o “encontro improvável” entre Zeca Baleiro e Pe. Zezinho, num evento ocorrido em S. Paulo em 2005. Pois não é que pouco tempo depois colocaram este videozinho no Youtube?..

É um trecho da música Eu tenho fé, do Pe. Zezinho, que o Zeca Baleiro “desenterrou” do LP Estou pensando em Deus, de 1972. Época em que ele ainda era criança, e a voz do jovem padre ecoava da vitrola levando um pouco de paz à sua casa, como levou à minha… e ainda leva.

Aos mais nerds, provoco inveja dizendo que lá em casa (na dos meus pais) tem o LP original, tal qual essse aqui. Fica lá guardadinho junto com  os outros, só esperando eu chegar de viagem pra limpar a agulha e ficar curtindo a saudade de uma época que não vivi… Época em que ele falava para os jovens, com canções calmas que nem sempre agradavam os mais libertários, mas já deixavam os tradicionalistas de cabelo em pé. Em que ele reconhecia: Eu sei que da verdade eu não sou dono” – mas isso nunca foi problema. As canções  serenas e fortes, daquela paz inquieta toda, já transmitiam, por si, a Verdade.

Veja o videozinho, acho que você vai entender. E sim, eu vou mandar uma mensagem  pra quem o postou, perguntando se não tem também “Heavy Metal do Senhor” na voz desses dois Zés pra mostrar pra gente… Afinal, Deus canta ou não canta?

Tags: , , , ,

Fábio de Melo

Quando as pessoas começam a se considerar melhores, mais verdadeiras, mais dignas por conta de uma postura religiosa, elas acabam se sentindo no direito de desprezar o que é diferente delas.

E é aí que mora o maior dos perigos.

Pe. Fábio de Melo

Tags: , , ,

Padre Fábio no Jô

Veja aqui a entrevista na íntegra:

Padre Fábio de Melo no Jô – parte 1

Padre Fábio de Melo no Jô – parte 2

Padre Fábio de Melo no Jô – parte 3

Padre Fábio de Melo no Jô – parte 4

Padre Fábio de Melo no Jô – parte 5

Ele é o maior fenômeno de mídia dos últimos tempos: seu primeiro CD lançado por uma grande gravadora, em um único mês, atingiu o primeiro lugar entre os mais vendidos de 2008. Seu recém-lançado DVD vai pelo mesmo caminho, e seu último livro é destaque absoluto em todas as livrarias. Ele é Fábio de Melo, um padre nada convencional, tentando passar uma mensagem bem convencional: o cristianismo.

Fábio de MeloForma nova de passar o mesmo conteúdo de sempre? Uma tentativa moderna de pregar um conteúdo “anti-moderno por natureza”? Ou simplesmente um transbordar natural, da forma como ele sabe fazer, daquilo que ele vive e sente?… Seja como for, Padre Fábio causa estranheza. Sua primeira impressão, arrisco dizer, nunca é das melhores – com exceção, talvez, das interessadas em algo além da batina, por assim dizer. Já perdi a conta de quantas pessoas já vi descerem a lenha nele num primeiro momento, e depois voltarem atrás, ao prestar mais atenção no que ele diz… Eu, inclusive (a carapuça serve que é uma beleza…). Convenhamos, não é nada fácil entender o que quer esse tal padre com pinta de galã, que às vezes mais parece uma versão rejuvenescida do Fábio Júnior. Tô mentindo?…


E foi com certa estranheza que Jô Soares o recebeu em seu programa, na semana passada. Achei interessante notar a diferença da sua postura entre a primeira metade da entrevista e a segunda. Até o primeiro intervalo, Jô deu várias daquelas suas clássicas tiradas, sérias ou irônicas, que parecem ser mais pra implicar com o convidado do que para debater seriamente o tema, ou mesmo fazer uma “crítica construtiva”…

Foi assim até o padre cantar a primeira música. Praticamente nenhuma pergunta sobre o trabalho ou a vida pessoal dele, só debates teológicos e alfinetadas à Igreja. Pe. Fábio tentava se livrar das saias justas (para ira dos mais conservadores, que ainda nutriam a esperança de vê-lo de batina defendendo a “Santa e Infalível Igreja” a todo custo, ao invés de admitir que querer ser sempre dono da verdade é arrogância)…

Fábio de Melo e bandaAté que chegou a hora de apresentar sua banda. Aí, pronto. Ao ver que todos os músicos do padre estavam com a frase “Todos contra a pedofilia” estampada na camisa, o Jô disse que aquela era uma campanha “supérflua”, já que, a seu ver, “ninguém é a favor da pedofilia” (talvez ele acredite que os pedófilos ajam contra a própria vontade, quem sabe..). O padre, sem perder a simpatia, ainda tentou explicar o óbvio, da importância da visibilização da campanha (que nem era dele), mas não adiantou. Jô Soares, que se declara católico, não estava mesmo a fim de dar um voto de confiança àquele sujeito que, ora essa, estava ali, “ousadamente”, representando a mais malfadada de todas as instituições – a Igreja Católica. E disparou:

“Me parece (não sei, talvez eu esteja enganado) que esta camiseta também é pra que se faça uma campanha pra tirar um pouco da Igreja essa reputação de tantos padres pefófilos, de tantos casos, tantos escândalos ligando a Igreja a casos de pedofilia”.


(Jô critica campanha contra pedofilia do Pe Fábio – a partir de 4:28)

Jesus, que não media palavras na hora de botar o dedo em riste e atacar hipocrisias, também se calou diante de algumas perguntas, quando sentia que não estavam a fim de ouví-lo, mas de condená-lo independente da resposta. Talvez seja o que se passa pela cabeça do padre quando ouve uma indelicadeza dessas. E, em resposta, ressaltou o intuito da campanha (que, como ele já havia dito, não era da Igreja Católica) e fez o que lhe restava fazer: cantar.

O engraçado é que, conversando depois com alguns amigos sobre essa entrevista, o único que não achou o Jô “indelicado” foi justamente um que viu somente a segunda metade da entrevista. Exatamente quando Pe. Fábio começou a cantar e a falar mais do seu trabalho e de suas reflexões. No final, o apresentador, já bem mais simpático, pediu uma bênção. O padre deu, terminando em grande estilo. Talvez depois ele desabafe em algum de seus programas na TV Canção Nova. Mas aquela não era a hora de travar uma batalha apologética. Era a hora de passar sua mensagem.

Talvez, durante este programa, o Jô tenha entrado para o rol dos que vestem a carapuça “eu já falei mal do Pe Fábio e hoje o admiro”. Talvez continue engrossando a lista dos fazem de ataques gratuitos à Igreja um esporte divertido – modalidade preferida de muitos “intelectuais”, que estranhamente são bastante exigentes ao formular críticas embasadas sobre outras instituições ou correntes de pensamento. Padre Fábio de Melo está enfrentando um momento paradoxal, em que a religião vende pra burro e, ao mesmo tempo, é atacada pra burro. Burro, ora essa, é quem simplesmente vai com as outras e segue o discurso que tá na moda, sem nem ao menos refletir por si próprio. Seja de que lado for.

Em tempo: Todos contra a pedofilia! Seja de padres, artistas de TV ou aquele rapaz simpático da esquina…

Tags: , , , , , ,

Senhor,

Quero ser grito,

O grito do oprimido, do excluído, dos sem voz!

Quero ser silêncio,

O silêncio do perseguido por causa da justiça e da paz.

Quero ser paz,

No sonho de ver transformada uma Terra

Quero ser guerra,

Num mundo de conformismos, cantar a Libertação.

untitled

Senhor,

Que o TER nunca substitua o SER.

Como seria esquisito um “Ter-Humano”,

Prefiro ser humano!

Senhor… Essa é a minha oração…

Tags: ,

universo

Como está sendo, disparadíssimo, o assunto mais bombante de toda a (curta) história deste blog, falemos mais de aborto! No nosso último vídeo, mencionamos que um dos maiores militantes pró-vida, o Dr Bernard Nathanson, começou sua atuação contra o aborto ainda sem seguir nenhuma religião. Na época ele se declarava ateu. Seria uma grande excessão, já que um dos maiores argumentos dos defensores do aborto é de que a religião não pode interferir na sociedade, que é questão de fé dizer que a vida começa na concepção e tal?…

Pois uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 2007 mostra que a esmagadora maioria (82%) das pessoas sem-religião (categoria que inclui os ateus) do país são contrárias à legalização do aborto.  Na verdade, conheço ateus que são veementemente contra, apenas não se expõem tanto na causa como os cristãos. Não sei, sinceramente, por quê.

Sem-religião (incluindo ateus) são contra aborto. Clique para ampliar.

Detalhe da pesquisa: sem-religião são contra aborto. (Clique p/ ampliar).

Pois, numa dessas andanças pela internet, encontrei um post interessante no famoso blog Liberal Libertário Libertino. O autor, Alex Castro, considera-se ateu, mas diz que nada é mais “chato e ilógico” que um ateu militante.  Embora tenha lá suas crenças meio ingênuas em relação à religiosidade (como acreditar que religiosos tenham QI mais baixo… aff!!), o cara parece não ter medo de questionar alguns lugares-comuns das clássicas cartilhas anti-religião, como por exemplo achar que “ser contra o aborto é coisa de religioso dogmático” (no pior sentido do termo). Ou melhor, não tem tanto medo, pois a certa altura da argumentação ele confessa que teme continuar com o próprio raciocínio, por receio de acabar concordando “com uma das piores escórias da terra, a ultra-direita radical religiosa”…

Nós também abominamos o radicalismo, Alex. Seja ele cristão, ateu, de direita, esquerda, centro… Mas acreditamos que não há como negar as conclusões importantes que às vezes vêm da boca até de um ultra-radical. Seria um preconceito contra eles. Aliás, acho que o pior preconceito é quando a gente mesmo vai chegando a alguma conclusão, e de repente pensa: “vixe, não posso pensar assim, isso é coisa ‘daquele’ tipo de gente”…

Mas ele continua. Vai questionando aquela convenção social e jurídica, que muitas vezes tomamos como óbvia, do nascimento como o momento segundo o qual “passamos a existir”. É aquela coisa: na verdade, o debate é sobre quando começamos a ter direito à vida, já ninguém com um mínimo de QI (e honestidade) é doido de negar que embrião é um ser pertencente à espécie humana, biologicamente distinto de qualquer outro. Para a ciência “pura”, não há dúvida alguma. A questão é filosófica.

Pois este sujeito chamou a atenção para um ponto interessante: se há mesmo essa dúvida, qual risco deveríamos correr? Ir contra a liberdade, ou contra a vida?

Nós temos nossas respostas, mas por hora vou deixar vocês com alguns trechos do texto do Alex Castro. Para refletir… (os grifos são meus).

alex-castro“Nasci às 9:45hs do dia 16 de fevereiro de 1974. Mas sério, o que foi que houve assim de tão fantástico nesse momento? O que foi que mudou? (…) Às 15:30hs de 15 de fevereiro de 1974, eu fazia praticamente as mesmas coisas que eu fazia às 15:30hs de 16 de fevereiro.”

“Se alguém me matasse hoje, ou se alguém tivesse me matado em agosto de 1973, quando eu tinha três meses de concebido, também daria, na prática, rigorosamente no mesmo. (…) A diferença é que o primeiro assassinato me permitiu, pelo menos, 30 anos e duas semanas de vida. O segundo, nem isso.”

“A questão do aborto é uma das mais polêmicas da nossa época. Talvez seja a questão que vai definir o nosso tempo. Sempre que encontro um brasileiro do século XIX, eu me me pergunto: será que ele era contra ou a favor da escravidão? Como será que ele se posicionou?”

“Quase todos os meus amigos, liberais, seculares, cosmopolitas, politicamente corretos e prafrentex, são a favor do aborto por princípio e por agremiação. Dizem que é só um procedimento médico e pronto. Como se impedir uma pessoa de existir fosse equivalente a arrancar um dente para impedi-lo de apodrecer. Simplesmente se negam a considerar qualquer aspecto filosófico da coisa. Eu os respeitaria mais se tivessem a coragem de encarar esse aspecto e rejeitá-lo. Mas não. Acho que têm medo das implicações de andar por esse caminho.”

“Ninguém defende mais a liberdade do que eu. Mas acho que a ninguém deve ter a liberdade de matar ou impedir outra pessoa de existir. Se ainda existe um debate científico válido sobre o que é vida e quando ela de fato começa, então acho que devíamos errar em favor da vida, não em favor da escolha. Pelo menos, por enquanto.”

Feto“Só há um único argumento nessa história que considero absolutamente imbecil, mesquinho, indefensável e chauvinista: dizer que homem não tem nada a ver com isso. (…) Senão, daqui a pouco vão dizer que um homicídio cometido por mulher, cuja vítima seja mulher, não pode ser investigado por um homem.”

Ele foge de tentar fechar a questão, mas dá claros indícios de que considera um assunto bem mais complexo e importante do que se diz por aí. É questão de existência, e isso vai além de ser direitista, religioso ou do sexo masculino. É questão de princípios.

E arremata: “acho que devíamos errar em favor da vida, não em favor da escolha”. Pois foi com esse pensamento que eu comecei essa luta toda pela vida. E, a cada dia, chego mais à conclusão de que, na verdade, estamos acertando.

Mas se o que te resta, leitor, após tudo isso, é somente uma dúvida, não tenha medo de parecer conservador, reacionário ou o que quer que seja. Seja fiel aos seus princípios! Na dúvida, não mate, e não colabore com a morte. Sempre há uma solução.

Tem de haver!

Feto segurando a mão do médico

PS: Como o texto que citei é de 2004, dei uma olhada em algumas postagens mais recentes do blog do Alex, para ver se ele havia mudado de idéia sobre o tema. Pelo visto, não. Se se interessar, dê uma olhada na introdução e nas três historinhas (“O Anti-aborto preventivo”, “O Aborto Retroativo” e “O Aborto Compulsório”) que ele escreveu no ano passado. Pode ser interessante – é claro, se você gosta de humor irônico e não se ofende fácil com tiradas anti-religiosas…

Tags: , , ,

Passagem

Acho que inventei uma tese: A Páscoa é o Reveillon do Cristianismo. Esta palavrinha que vem do hebraico Pessah e que significa “passagem” tem muito a nos dizer. Já o reveillon é o tempo onde muitos renovam a esperança, fazem inúmeros desejos, adquirem bons propósitos para a vida e criam-se deliciosas quimeras para o mundo.

Sem querer ser cético, mas, se pensarmos bem, dia 1º de janeiro é simplesmente um dia depois do outro. Até concordo com Drummond que disse que Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão”. Confesso que também faço minhas mandingas para que novas realizações aconteçam a cada ano. Sem dúvida é bom recomeçar, porém, não só com propósitos novos, seria bom também recomeçar com uma vida nova!

A Páscoa nos traz essa reflexão, mas, nem sempre lembramos disso. Como um livro velho, antiquado e comido pelas traças, nós esquecemos o sentido real da Páscoa, dando mais atenção aos símbolos do mercado que, em tempo de crise, luta para que o doce não se torne tão amargo e o coelhinho fofinho não vire um bichinho aterrorizante.

Mas pode a Páscoa mudar a vida de alguém? Ela nada mais é do que uma simples festa que se repete todo ano, sempre com as mesmas coisas e ritos? Concordo que a Páscoa é Festa das festas¹ e não simplesmente uma festa entre outras. Você pode até discordar de mim, amigo leitor, mas permita-me mostrar meu ponto de vista.

O período que antecede a Páscoa é um momento forte e privilegiado onde temos a oportunidade de refletir sobre a nossa vida. São 40 dias de quaresma em que, se levados a sério, numa constante busca de renovação e transformação, perceberemos claramente que a Páscoa possui um significado todo especial e diferenciado das demais datas da liturgia e das datas civis.

Pensar sobre nossa vida, atitudes, opções, opiniões, nos fará descobrir muitas coisas boas e coisas más também. A cada descoberta damos um passo em direção dessa grandiosa Festa, tornando-a diferente a cada ano, pois minha vida e concepções estarão mudadas à medida que, sem medo, me permito mudar.

Dessa forma, dependendo de minha condição espiritual, emocional e psicológica no momento, a Páscoa nunca será uma simples festa que se repete todo ano, sempre com as mesmas coisas e ritos, pois os sentimentos vivenciados nos darão uma nova visão e percepção. Nos damos conta também que, como Cristo, precisamos ressuscitar. Primeiramente devemos morrer para as coisas ruins que descobrimos durante todo o percurso reflexivo, que nos impedem de sermos felizes, para então ressuscitarmos para as coisas que realmente nos tornam mais felizes e mais humanos, indo além dos bons propósitos de uma mágica e fugaz festa de Reveillon.

A cada ano a Páscoa terá um brilho diferente, uma surpresa agradável se, sem medo, nos abrirmos para o novo. E o Novo mora em você, mora em mim e em todos nós. Só precisamos rolar a pedra que nos impede de sair e de ver o Sol e o seu brilho escondido em cada pessoa; de sentir o cheiro das flores e de um gostoso bolo de fubá da vovó; de ouvir os cantos dos pássaros, cachoeiras e de uma boa e velha música; de tocar em toda criação divina e humana também, para assim declaramos bem alto que existe uma Vida Nova.

A passagem, portanto, acontece neste momento. Em poucas palavras, passamos da morte à vida. Se de repente você se deu conta que não aproveitou nada da quaresma para refletir sobre sua vida, não percebeu que precisava mudar certas atitudes, morrer para certos vícios e ressuscitar para alguns valores, não temas! Experimente fazer essa passagem no dia de hoje. Não tenha medo… Coragem!

Sisifo

Garanto que os chocolates e os ovos de páscoa terão um sabor diferenciado neste domingo, não porque o chocolate seja de uma outra marca, mas porque você estará diferente, isso se você se permitir. Pois lembre-se, a decisão de rolar a pedra continua sendo sua!

Nós do “vivopelavida” desejamos a todos os amigos e amigas

UMA FELIZ PÁSCOA, UMA FELIZ PASSAGEM!

Forte abraço,

Pedro Jr.

¹ C.I.C., parágrafo 1169

Tags: , ,

« Mais antigos