Reflexões

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Na época que morei em uma república, um de meus amigos de apartamento era um devoto humilde e atencioso de São José. Tanto em seus atos cotidianos quanto em seu exemplo histórico, esse colega me demonstrava as virtudes do “Zé” trabalhador, humano, cotidiano.

Me lembro que meu amigo rezava o terço de São José com tanto carinho, que eu sentia que se estabelecia uma espécie de companheirismo sindical, especialmente quando era recitada a estrofe que antecede cada mistério: Ó meu glorioso São José, nas vossas maiores aflições e atribulações o Anjo não vos valeu, valei-me São José.

Meu amigo repetia pacientemente cada mistério. A cada novo “valei-me São José”, era como se ele dissesse:

São José, o senhor sabe como é ser humano, não saber o que fazer, ter que trabalhar dia após dia. O senhor sabe como é levantar todos os dias pedindo a Deus a santificação das mãos calejadas. O senhor sabe como é sustentar a esperança a cada nova manhã, mesmo que tenhamos ido dormir sem vislumbrar a mínima possibilidade de mudança. Agora que o senhor está aí, contemplando as maravilhas e a paz que daqui eu mal posso imaginar, valei-me São José…

E no dia de hoje, mais ou menos 2011 atrás, lá estava o “Zé” lutando para encontrar o melhor lugar possível para a mulher e o filho…

Que no aniversário do filho, o pai possa nos ensinar a amá-lo, ainda que isto seja somente encontrar um montinho de palha mais fofo para cuidar dos sonhos do Deus-menino…

P.S.:Hoje topei com essa bela mensagem de Paulo Coelho (sim, ele mesmo, e justiça seja feita: o texto é muito bom). Acredito que ela sirva como uma ótima fonte de reflexão nesse momento de nascimento da alma…

O homem que seguia seus sonhos

Nasci na casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. Como foi um parto bastante complicado, minha mãe me consagrou ao santo, pedindo que me ajudasse a viver. José passou a ser uma referência para a minha vida, e desde 1987, ano seguinte à minha peregrinação a Santiago de Compostela, dou uma festa em sua homenagem, no dia 19 de março. Convido amigos, pessoas trabalhadoras e honestas, e antes do jantar, rezamos por todos aqueles que procuram manter a dignidade no que fazem. Oramos também pelos que se encontram desempregados, sem nenhuma perspectiva para o futuro.

Na pequena introdução que faço antes da prece, costumo lembrar que, das cinco vezes que a palavra “sonho” aparece no Novo Testamento, quatro se referem a José, o carpinteiro. Em todos estes casos, ela está sempre sendo convencido por um anjo a fazer exatamente o contrário do que estava planejando.

O anjo pede que ele não abandone sua mulher, embora ela esteja grávida. Ele podia dizer coisas do tipo “o que os vizinhos vão pensar”. Mas volta para casa, e acredita na palavra revelada.

O anjo o envia para o Egito. E sua resposta podia ter sido: “mas eu já estou aqui estabelecido como carpinteiro, tenho minha clientela, não posso deixar tudo de lado agora.” Entretanto, arruma suas coisas, e parte em direção ao desconhecido.

O anjo pede que volte do Egito. E José podia ter de novo pensado: “logo agora que eu consegui estabilizar de novo minha vida, e que tenho uma família para sustentar?”

Ao contrário do que o senso comum manda, José segue seus sonhos. Sabe que tem um destino a cumprir que é o destino de quase todos os homens neste planeta: proteger e sustentar sua família. Como milhões de Josés anônimos, ele procura dar conta da tarefa, mesmo tendo que fazer coisas que estão muito além de sua compreensão.

Mais tarde, tanto a mulher como um dos filhos se transformam nas grandes referências do Cristianismo. O terceiro pilar da família, o operário, é lembrado apenas nos presépios de final de ano, ou por aqueles que tem uma devoção especial por ele, como é o meu caso, e como é o caso de Leonardo Boff, para quem escrevi o prefácio de seu livro sobre o carpinteiro.

Reproduzo parte de um texto do escritor Carlos Heitor Cony (espero que seja mesmo dele, porque descobri na internet!): “ Volta e meia estranham que, declarando-me agnóstico, não aceitando a idéia de um Deus filosófico, moral ou religioso, seja devoto de alguns santos do nosso calendário tradicional. Deus é um conceito ou uma entidade distante demais para os meus recursos e até mesmo para minhas necessidades.Já os santos, porque foram terrenos, com os mesmos alicerces de barro de que fui feito, merecem mais do que a minha admiração. Merecem mesmo a minha devoção.

“São José é um deles. Os Evangelhos não registram uma única palavra sua, somente gestos, e uma referência explícita: “vir justus”. Um homem justo. Como se tratava de um carpinteiro, e não de um juiz, deduz-se que José era acima de tudo um bom. Bom como carpinteiro, bom como esposo, bom como pai de um garoto que dividiria a história do mundo.”

Belas palavras de Cony. E eu, muitas vezes, leio aberrações do tipo: “Jesus foi para a Índia aprender com os mestres do Himalaia”. Para mim, todo homem pode transformar em sagrada a tarefa que lhe é dada pela vida, e Jesus aprendeu enquanto José, o homem justo, o ensinava a fazer mesas, cadeiras, camas.

No meu imaginário, gosto de pensar que a mesa onde o Cristo consagrou o pão e o vinho, teria sido feita por José – porque ali estava a mão de um carpinteiro anônimo, que ganhava a vida com o suor do seu rosto e, justamente por causa disso, permitia que os milagres se manifestassem.”

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Outro di ouvi essa reclamação de um senhor: “o fumante é o leproso do século XXI”. Estava se referindo às restrições cada vez maiores ao uso do cigarro, principalmente às leis que proíbem o fumo em lugares cobertos – não sei como está em outros estados, mas em MG e principalmente aqui em SP estão levando isso bem a sério…

Entendo o que querem dizer. Fumar hoje em dia é, muitas vezes, perder um pouco de convivência social… Lembro uma vez em que uma amiga do mestrado precisava falar comigo na cantina, e disse: “vamos ali fora  bater um papo enquanto eu fumo um cigarro?”. Fiquei muito sem graça, mas tive de sugerir que ela fosse fumar e depois voltasse para conversarmos, porque eu estava em crise alérgica. Foi meio chato… Mas, é claro, me aliviou de ter que ficar segurando a tosse se ela fumasse ali, ao meu lado, num local coberto.

Acho que o mais difícil disso tudo é alguns fumantes entenderem que, apesar de ser um hábito bastante prazeroso (e até mesmo social) para eles, o cigarro, para quem não fuma, é um grande incômodo (a não ser que a pessoa já esteja acostumada com a fumaça alheia a ponto de ser um fumante passivo). Lembro de uma professora que fumava em plena sala de aula (uns 4 cigarros por hora), fazendo aquela pergunta: “vocês não se importam se eu fumar, né gente?” É claro que não, professora, afinal você tem cara de brava e ninguém aqui quer ser o “aluno chato”, né…

Agora imagine se alguém perguntasse: “vocês não se importam se eu peidar aqui, né, gente?”. E imagine que o cheiro do peido, mais do que simplesmente feder por alguns segundos, também entranhasse nas roupas e nos cabelos, provocasse tosse em quem tem problemas respiratórios (uma parcela bastante considerável da população, vale dizer) e, principalmente, causasse diversos males, mais do que comprovados, à saúde de todos ao redor. É claro, pra quem peida o cheiro não é incômodo, dá até uma sensação de alívio. Os outros é que são chatos…

Desculpe a sinceridade, gente, mas é que é às vezes, infelizmente, é necessário que a sociedade se organize em leis para obrigar as pessoas a terem um pouco de bom senso, por assim dizer… É chato, prejudica um pouco o convívio social, mas creio que ninguém quer colocar um sininho no pescoço de vocês e obrigá-los a gritar ao longe: “fumante, fumante, não se aproxime!” Isso nunca! Até porque, entre um cigarro e outro, vocês continuam sendo os nossos amigos de sempre, e babaca é quem discordar disso!

No mais, saibam que vocês ficaram com o melhor local dos shoppings, casas noturnas, rodoviárias e etc: os halls abertos, sem ar condicionado, geralmente com uma bela vista das redondezas. Agora, para os não-fumantes, esses lugares ficaram bastante desconfortáveis, devido a tanta fumaça. Justamente onde antes se tinha o ar mais puro… Mas tudo bem, nós entendemos. Afinal, temos que aprender a ceder um pouquinho, para que todos possamos conseguir conviver em sociedade… não é?

Alguns comerciais legais da época em que ainda se relacionava cigarro com esportes radicais – e os fumantes acreditavam… ;)

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Somente um louco para, sendo judeu, citar Nietzsche em uma oração de Shabat.

Maior loucura ainda é fazer isso durante uma fuga em massa da comunidade judaica em meio à  II Guerra Mundial.

Uma loucura... daquela loucura profunda e bela que somos feitos. É assim o filme Trem da Vida de Radu Mihaileanu, um dos melhores filmes que já assisti. Ele conta a história de uma pequena comunidade judaica do interior da Europa que, frente a iminência da invasão nazista, decide  executar um audacioso plano de fuga. Não conto mais para não estragar o filme, que tem esse misterioso poder de nos deliciar a cada momento.

Porém, deixo de aperitivo uma das mais belas cenas do filme, na qual o personagem Shlomo (um louco)  toma a palavra durante a oração do Shabat. Nada ortodoxo, mas pleno de humildade, Shlomo reflete sobre a natureza humana frente à Deus.


Uma das mais belas orações que eu já ví.

 No mais, como diria o poeta: Isso é tudo pessoal.

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Quando passei no vestibular, ouvi aquela célebre frase: “sinta-se privilegiado, pois apenas 10% da população do nosso país conseguem entrar numa faculdade. Se você conseguir se formar, aí então fará parte de um grupo mais seleto ainda: o dos 3% de brasileiros que têm um curso superior completo!” Dizem que foram esses tais “3%”, número tão difundido por aí quando se quer ilustrar a desigualdade social brasileira, que inspiraram Pedro Aguilera e um grupo de cineastas a elaborar uma série de ficção distópica com esse nome: “3 por cento”.

A série, cujo episódio piloto está fazendo um bom sucesso na internet (com todo o mérito, pois é de prender a respiração do início ao fim), nos apresenta um mundo em que há 2 lados bem definidos: o “Lado Bom” e o “Lado Ruim”. No Bom, segundo a narradora, “tem tudo o que a gente precisa, todo mundo é tratado igual”. Já no lado ruim o trabalho (ou melhor, o “serviço”) é pesado, e a vida é muito dura pra todos. Mas, neste primeiro episódio, não vemos diretamente nem o “Lado de Cá”, nem o “Lado de Lá”. Só o que acompanhamos é o início do Processo de Seleção que concede uma única permissão, ao longo de toda a vida, ao sujeito que nasce do lado “Ruim” e quer ir pro “Bom”. Só se pode tentar uma vez, ao completar 20 anos. E, todo ano, só 3% dos que se inscrevem podem passar.

Narrando assim, parece mais uma história louca de ficção científica, mas ao assistir a impressão que se tem é de que é algo bem real. Não só pelo fato de ser uma produção brasileira “que não deixa nada a dever pras gringas”, com atores bons, anônimos (poderia ser um amigo seu) e falando nosso bom e claro português, sem dublagens. Mas por retratar, claramente, situações exageradas de processos seletivos com os quais nos deparamos o tempo todo. Entrevistadores bem-treinados para nos deixar inibidos, perguntando astuciosamente coisas como “qual seu ponto fraco?”, “você seria um bom líder?”, “se você tivesse que mudar o Pão de Açúcar de lugar, o que você faria?”, e dinâmicas de grupo cujo único objetivo é vencer os adversários, sendo o mais esperto possível, não são ficção nenhuma em nosso “mundo corporativo”…

Por enquanto, só têm o primeiro episódio, produzido com verba de um concurso do Governo Federal e disponibilizado no Youtube “pra ver se conseguem financiamento de um canal de TV”. A promessa dos diretores é fazer algo do tipo Lost, em que a cada episódio as coisas vão ficando mais complexas, lançando novas possibilidades, aprofundando nas realidades dos personagens e dos mundos. Mas só este episódio, de rápidos e impactantes 27 minutos, já nos dá material pra boas reflexões… Veja por você mesmo – assiste aí (aconselho a botar em tela cheia, pra aproveitar a imagem em HD) e depois volta pra continuar lendo o texto:

Clique para assistir ao 1º episódio da série no Youtube (27 min)

Na realidade, 3% é uma crítica não somente ao vestibular – processo que, pela carga pejorativa que carrega, parece estar com os dias contados, sendo cada vez mais substituído por outros sistemas como o ENEM (trocando, a propósito, o sujo pelo encardido…). Até porque a tal porcentagem da população do país com mais de 25 anos que tem Curso Superior já está acima dos  3% pelo menos desde o Censo 2000, quando atingiu cerca de 7% – e hoje, após tantos programas de inclusão, deve estar bem maior. O que eles querem mostrar com a série é que, em nosso mundo, a competitividade vai muito além de uma prova pra entrar numa faculdade – até porque, a meu ver, o simples fato de ter um curso universitário qualquer tende a ser cada vez menos um “diferencial” no currículo – sem falar no mundo do empreendedorismo, em que cada vez mais gente consegue “chegar longe” sem necessariamente depender de diploma. E, cá entre nós, já passou da hora de voltarmos a valorizar os Cursos Técnicos, em vez de massacrar tanto a molecada durante 3 anos da flor de sua juventude num Ensino Médio que não lhes prepara pra absolutamente nada além do tal do vestibular…

Os 3% de chance são, na verdade, a forma como muitos encaram a vida, a qual parece não dar alternativa: muita gente, poucas oportunidades, só os “melhores” sobrevivem. Estes, mesmo tendo poucas chances, saberiam aproveitá-las. “Se apegue aos seus sonhos, com eles você chegará onde quiser, se for um brasileiro e não desistir nunca”, talvez tenham ouvido os personagens “do Lado de Cá” ao longo da vida, antes de se arriscarem a tentar ir para o lado dos vencedores. O lado onde ser “competitivo” é o maior dos elogios, onde não basta ser qualquer um, há de se ter um “diferencial”…

Mas… tem mesmo que ser assim?

Será que o “Lado de lá” é realmente um mundo melhor?…

Pois, numa das cenas do episódio, a entrevistadora pergunta ao jovem: “Se você pudesse escolher entre ser um herói sem ter feito nada, e salvar algumas pessoas sem ninguém nunca saber, o que faria?” Ante a resposta “solidária” já esperada, ela passa da teoria à prática, lhe dando a oportunidade de trocar sua aprovação pela reprovação das 3 próximas pessoas, ou vice-versa. Ou um ato de extremo altruísmo, ou um de grande egoísmo; sem meio-termo. O garoto escolheu o egoísmo, e passou. É como o mundo quer que pensemos que tudo funciona: “ou você, ou os outros”. É como as pessoas pensam do “Lado de Lá”…

Mas talvez o verdadeiro “Lado Bom” seja aquele em que o “ou” possa ser substituído pelo “e”. Sem necessidade de heróis ou vilões. Só eu, você, e quem mais quiser. Com competência, com competições saudáveis, sim… Mas com um mínimo de respeito, de ética. Senão, amigo… não há 3% que salvem a humanidade. Mesmo se forem “os melhores”…

PS: Se gostou da série, não deixe de clicar em “gostei” no Youtube e em “curtir” na página do Facebook, pra ajudá-los a conseguir financiamento pra produzir a série inteira!

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relógio

Todo blogueiro, ao menos uma vez na vida, já fez um post do tipo “desculpem o sumiço, estou meio sem tempo”… Pois é. Juro que pensei que não ia fazer isso aqui no VPV… mas o clamor popular foi grande, os fãs simplesmente pediram (pra ser mais específico, um “fã” especial lá de Niterói)!  Sim, recebi ontem a seguinte sugestão por e-mail:

“Acho que tá faltando um post no site no mínimo dizendo como está difícil mantê-lo atualizado e quem sabe discutindo das dicotomias que a vida nos leva, nos fazendo deixar alguns projetos inacabados e paralisando outros por algum tempo!!!!”

A grande questão é: como discutir algo tão complexo quanto o tempo, exatamente quando não se tem tempo? hehehe…

Achei melhor, então, deixar com o Lenine. Ele fala por nós…

Paciência

(Lenine e Dudu Falcão)

Mesmo quando tudo pede
um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
um pouco mais de alma
A vida não pára…

Enquanto o tempo
acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
vou na valsa
A vida é tão rara…

Enquanto todo mundo
espera a cura do mal
E a loucura finge
que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…

O mundo vai girando
cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…

Será que é tempo
que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara…

PS: Não deixamos isto aqui de lado, assim como eu nunca abandonei o Humanando, meu blog pessoal, apesar de as postagens por lá estarem cada vez mais raras… Continuam sendo “pequenos pedaços de mim” aqui na internet. Acho que, como tudo na vida, nem sempre temos o mesmo “furor” com as coisas, a mesma empolgação inicial, o mesmo tipo de paixão (e, como dizem, “amor” é paixão que amadurece)…  Às vezes um período de silêncio dá mais valor à fala que se segue; às vezes, depois de muito falar, é preciso parar e refletir sobre tudo o que foi dito.  E, nestes últimos dias de mestrado (não é preciso falar mais nada, né? rs), sou forçado às vezes a guardar um pouco mais as reflexões, a frear a vontade de escrever por aqui, a fazer os dedos no teclado serem levados mais pelo esforço que pelo prazer – o que não quer dizer, é claro, que não haja nada de prazeroso num trabalho acadêmico, e nem que manter um blog não exija nenhuma dedicação mais séria. Mas assim é a vida, é preciso dar um lugar para cada coisa. Basta um pouco mais de paciência

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Mais um dia comum…

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Suspeita de pneumonia, problemas no mestrado, no trabalho, um calor chato e uma eterna pergunta que não para de martelar… Para onde estou indo?

Sim, queria saber onde.

Tantos são os caminhos. Para alguns deles sei que não sirvo, outros simplesmente  não me servem.

Talvez seja por isso que penso tanto em ter um gato, meu eu-alice cansou de não se importar…

Mas existe esperança. Que surge numa música ou no silêncio do depois, mas vem lembrar que devo estar no caminho certo… pelo menos um pouco mais certo do que o último passo.


Almir Sater e Renato TeixeiraTocando em Frente

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Sabe aquela sensação de “a vida imita a arte e a arte imita a vida“?  Foi exatamente isso que pensei quando assisti a esse vídeo. Tenho uma amiga exatamente igual a personagem… igualzinha

A mesma simpatia, “delicadeza” e poder de argumentação.


Miá Mello – Humor da Caneca

Infelizmente, em relação a “luta pela vida”, muitas vezes nos vemos em lados opostos.

Não por maldade, de qualquer um dos lados, ou falta de inteligência, ou por interesses financeiros… Somente temos idéias diferentes…

Discordamos desde que me lembro. Ao discordar, aprendi a respeitar essa forma  dela  pensar, um jeito absurdo, mal articulado, etc., mas sobretudo, dela.

Vivemos assim: respeito, amizade e discussões intermináveis, que geralmente terminam citando trechos ilustres do É o Tchan ou Gera Samba!

Talvez seja mais fácil de viver isso com os amigos, talvez não.

Talvez o fácil seja se aliar a um lado da luta e se contentar em ridicularizar o outro. Chamar de loucos, idiotas, assassinos, alienados, ou qualquer outro elogio que possa vir de prós (vidas ou escolhas), que esquecem que antes de haver uma ideologia, do outro lado há um ser humano…

Abraços, e ótimo final de semana…

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Pode ser que muita gente já tenha visto esse vídeo, mas como eu quase não vejo televisão, essa notícia foi uma novidade para mim.

E que novidade! Mesmo sabendo do final feliz, fiquei desesperado vendo o acidente.

E é uma coisa que faz pensar. Um minuto de distração e pronto: a vida pode mudar para sempre. Ao mesmo tempo, como já dizia Renato Russo:  “Quando tudo está perdido.  Sempre existe uma luz…

Nesse post rápido, acho que só posso dizer uma coisa: ainda bem que a vida é imprevisível!

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stand_up

Estava eu na casa dos meus pais, numa daquelas tardes de sábado sem nada pra fazer, zapeando a TV em busca de algo que me distraísse. Pois é, nada feito: 30 e poucos canais na parabólica, e absolutamente nada de bom (às vezes me pergunto se eu é que sou tão exigente assim…). Me restou deixar no futebol, já que as outras emissoras não pareciam nem um pouco dispostas a disputar audiência com um jogo da seleção…

Pois é, não sou muito chegado a futebol, como deu pra perceber. Nada contra, mesmo! É claro que tenho várias questões sobre a “mercantilização” disso tudo, o fato do torcedor ser infinitamente mais fiel ao time que os próprios jogadores, sempre doidos por uma “promoção” para o exterior (com exceção, talvez, do Adriano, que não agüentou ficar longe do Brasil, coitado…), a grande diferença da emoção que era na “minha época”, quando ganhamos o Tetra (cara, me senti um velho falando, agora!!), mas enfim… É aquela coisa, quem gosta gosta, não se explica. Desde que não meta uma bala no cara que tá com a camisa do  time adversário, tudo bem.

Pois lá estava eu, pensando nisso tudo, assistindo o Galvão narrar os emocionantes passes de um jogador pro outro (“Lá vai Kaká… passa pra Lúcio. Ronaldinho. Volta pra Kaká. Perde a bola. Recupera…”), e tentando entender como um esporte tão entediante atrai tanta gente pelo mundo afora. Sério mesmo. Já viram a emoção que é uma partida de vôlei? Basquete, atletismo… até tênis é mais dinâmico que assistir 90 minutos daquele bando de gente correndo atrás de uma bola, pra vibrar (ou chorar) beeem de vez em quando, quando surge um gol ou outro. O futsal e o futebol de areia têm muito mais gols, e jogadas espetaculares, mas nem de longe movimentam tanto o planeta quanto o grandioso jogo das 22 chuteiras (26, na verdade… nunca desmereçamos os árbitros, já basta o que as mães deles sofrem, né…).  Tava lá eu refletindo. Mas fui bruscamente interrompido em meus pensamentos por um gol sensacional do Robinho.

(O gol, transmitido por uma TV do Peru. Destaque pra empolgação do narrador.)

Pois é. Parece que ele fez de propósito: “tá me tirando aí, rapá? Engole essa, então!” Bem no meio da minha rabugice. Não esperou nem 1 minuto das minhas ásperas questões pra calar minha boca – e minha pretensão de fazer um post só de piadinhas sobre futebol…

Passei então a refletir sobre essa moda Stand-Up Comedy de hoje em dia. Sim, stand-up, aquele tipo de humor que o Chico Anysio e a Dercy sempre fizeram em seus shows, mas que hoje em dia virou febre, com um modelo diretamente importado dos EUA. É, por assim dizer, um tipo de piada alimentado pela rabugice, pelo humor cínico sobre situações que passamos no dia-a-dia. O típico espírito do “reclamão inteligente”, que ironiza aquilo de que não gosta. E todo mundo ri, por mais que às vezes goste ou faça exatamente aquilo de que o cara está reclamando… A risada, muitas vezes, é um desabafo, um alívio por ver que tem gente que consegue fazer piada com as situações que somos obrigados a enfrentar sérios, todos os dias.

Sim, também não tenho nada contra os stand-ups, muito pelo contrário (me lembrei que até já fiz um na escola uma vez, no milênio passado… zoando um professor! rs). Mas o que o gol do Robinho me fez refletir, até chegar na tal moda da “comédia em pé”, é que é relativamente fácil fazer humor reclamando de tudo. Se você não gosta de futebol, provavelmente deve ter aberto um sorriso de canto de boca na primeira parte do texto (se gosta, deve ter se regozijado com o chapéu que levei do Robinho…). E eu nem falei nada tão engraçado assim, é mais pela situação mesmo. Bastava umas piadinhas mais ácidas, num palco dum barzinho qualquer depois da meia-noite (quando todo mundo já passou da terceira rodada), fazendo uma cara cada vez mais séria quanto mais o povo ri, pra alguns chamarem isso de “humor inteligente”…

Pode até ser, em se comparando com os bordões da TV de sábado à noite… Mas sei lá, pra mim ser inteligente é mais do que isso. É, sim, saber rir do cotidiano, ver as coisas com alma de cronista – um dos segredos da felicidade. Mas é também perceber que nem tudo é simples assim, que há coisas que, apesar de chatas, devem ser entendidas melhor antes de simplesmente sair esnobando… que às vezes vale a pena agüentar 90 minutos de bola correndo pela emoção de um único belo gol. E nisso, confesso, ainda tenho muito que aprender…

Só pra não me chamar de chato, então, deixo vocês com um bom stand-up. Do Leandro Hassum, que tem bem mais pra mostrar do que o que faz no Zorra Total…

Dizem que fazer stand-up é difícil. Discordo; qualquer um pode fazer.
O difícil é fazer um bom stand-up…

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