preconceito

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Um dos documentários mais interessantes que vi na faculdade foi “Do Luto à Luta“, de Evaldo Mocarzel (pai daquela garota com Síndrome de Down que faz novelas na Globo). Trata-se de depoimentos de famílias que passaram pela experiência de ter um filho com Down, além de demonstrar a vida que os portadores da síndrome levam – alguns até mesmo trabalhando como diretores de cinema!

Mas o que achei mais interessante no filme foi perceber que, em geral, o relato dos pais revela um grande choque no momento em que ficam sabendo da notícia, passam por um verdadeiro “luto” ao descobrirem que o filho “normal” que tanto esperavam não existe… (alguns entram em profundo desespero, muitas vezes por desconhecer o que era o tal do “mongolismo” de que os médicos falavam). Mas todos eles relataram que, após o luto, quando veio a hora de levar a vida em frente e aprender mais sobre a síndrome pra poder dar o devido cuidado ao filho, o “luto” transformou-se em “luta“. Nem tanto contra as dificuldades de se criar uma criança com Down, embora elas existam; mas, acima de tudo, uma luta contra o preconceito. Chega a ser surpreendente vê-los falando: “Hoje, não queria que meu filho fosse de outro jeito. Hoje agradeço a Deus por ter um filho com Down, e por tudo o que isso me proporcionou”.

Impressionante, ao imaginarmos que é algo que pode acontecer com qualquer um de nós, que não desejaríamos passar por isso… mas, se passarmos, talvez um dia nos peguemos falando a mesma coisa! Já pensou?…

O documentário vai aí, para quem quiser. Recomendo bastante, é um filme bem bonito, bastante elogiado e, se não me engano, ganhador de prêmios por aí. Vale com certeza a pena dedicar uns momentos para assistir. Faz pensar!

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Bem, mas… por que eu coloquei “anencefalia” no título do post?

Porque, ao ler depoimentos de pais que tiveram filhos com anencefalia, me peguei percebendo detalhes bem parecidos. A tristeza da descoberta, a frieza (por vezes estupidez) dos médicos ao dar a notícia e sugerir alternativas, o olhar estranho dos amigos, a invasão de tantas pessoas querendo lhe dizer o que fazer, o amor incondicional que vai se sobrepondo a tudo… Enfim, um luto que se transforma em luta.

Acha que estou exagerando? Que a experiência com a Anencefalia é muito mais dolorosa, difícil de comparar? Realmente é complicado comparar duas síndromes tão distintas, mas verifiquei que, para os pais, vê-se certa semelhança – com a diferença de que, na Síndrome de Down, a luta dura a vida inteira, e na Anencefalia, em geral, alguns meses (do diagnóstico durante a gravidez até o óbito da criança). E, surpreendentemente, pode-se dizer que os pais geralmente sentem quando a vida do bebê se vai é um misto de alegria pelos poucos momentos que passou com a criança com a sensação de “dever cumprido”, ao ter feito o possível para serem bons pais no pouco tempo em que estiveram com o filho.

Loucura? Mascaramento do fato de estar cuidando de um filho “zumbi” que nem cérebro tem? Neurose motivada pela moral religiosa que proíbe o aborto desses fetos??

Bem, pelo que conheci destes casos (e alguns até pessoalmente), digo categoricamente que não. Como na Síndrome de Down, muitas dessas opiniões aí são puro preconceito – muitos deles, infelizmente, incentivados por lobbys políticos poderosos que querem, a todo custo, ver o aborto aprovado em nosso país (e tentam conseguí-lo pelas “beiradas”). Acreditem…

Pois veja os depoimentos abaixo ou visite o site www.anencefalia.com.br, onde são contadas histórias emocionantes de casais que passaram por esta experiência.

Garanto que irá, no mínimo, questionar-se sobre seus conceitos.

E, no máximo, vai pensar na vida. Repensar sua vida…



PS: Para saber o que realmente é a anencefalia, visite Anencefalia-info (com base em artigos científicos).

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Achei essa charge na internet, mas não consegui identificar a origem… Se alguém souber avisa, para darmos os devidos créditos!

Acho bem interessante pra refletir o quanto pensamentos ditos “anti-preconceito” podem ser, na verdade, tão ou mais pouco embasados que os que eles querem atacar…
Enfim, passei por uma dessas situações ontem na minha defesa de dissertação. É dose!
Abração!
PS: no fim deu tudo certo: agora sou “mestre”. Como diz o Luís: uáááálah!!

Maconha

Acho interessante pra refletir o quanto pensamentos ditos “anti-preconceito” podem ser, na verdade, tão ou mais “pouco embasados” do que os que eles querem atacar…

Enfim, passei por uma dessas situações ontem na minha defesa de dissertação. É dose!

Mas faz parte! Aquele abraço!

PS: no fim deu tudo certo: agora sou “mestre”! Como diz o Luís: uáááálah!!

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PreconceitoDia desses, estava conversando pela rua com um novo amigo, que acabou de se mudar cá para Juiz de Fora. Estávamos falando sobre a cidade, quando ele comentou:

_ Outra coisa boa daqui é que a polícia de Minas é educada, trata a gente com respeito…

Ele estava vindo de uma cidade de outro Estado.

_ Lá era horrível, policial não respeitava mesmo. Nem pedia documento, já vinha tudo mal-encarado, tapinha na cara, mandava deitar no chão… Me abordavam sempre, eu tinha que andar fugindo de polícia, não gostava de ficar onde tinha policial por perto.

Olhei para ele. Não era, definitivamente, um sujeito mal-encarado, suspeito, mal-vestido. Pelo contrário, é uma pessoa simpática, alegre, passa uma boa impressão. Pelo pouco que o conhecia, via que não era de se meter em encrenca, andar com gente estranha; nem ao menos bebia. Ora, por mais imbecil que um policial seja, ele não sai revistando qualquer um na rua, tem que haver um motivo qualquer, por mais besta que seja, que o leve a suspeitar de alguém. Mas bastou um pouco mais de conversa para que a minha suspeita se confirmasse…

Era a pele. Meu amigo tem a pele morena, tem traços negros. “Motivo” mais que suficiente.

Embrulha o estômago imaginar que esse tipo de coisa acontece. Pior – imaginar que, infelizmente, não é um caso nada raro. Além de ser uma injúria sem tamanho, um crime, é uma atitude simplesmente burra. Pare pra imaginar quantos policiais, financiados pelos nossos suados impostos, estão neste exato momento “dando uma dura em cima de um nêgo” enquanto os verdadeiros marginais, de qualquer cor e classe, ainda circulam por aí. Aqui em Minas, no Rio, no Acre…

O fato é que a conversa me intrigou, e me fez ficar filosofando sobre as origens do preconceito. Como será que esse tipo de pensamento surge na cabeça de uma pessoa? O que o causa?…

Pois hoje acordei com a campainha tocando. Minha irmã atendeu, e me chamou.

_ Bom dia, senhor… Desculpe incomodar, eu moro aqui na redondeza…

O mesmo papo de sempre, pensei. Ontem mesmo fiquei um pouco chateado com um rapaz que nos abordou na rua, enquanto andava com minhas irmãs e minha cunhada, pedindo uns trocados. Não gostei da forma como insistia, e sobretudo como olhava para as meninas. O tipo de situação que nos força a ser um pouco mais ríspidos, algo do qual realmente não gosto.

prestobarbaMas o homem de hoje continuava:

_ …é que eu tenho uma entrevista de emprego hoje, e estou passando nas casas pra ver se consigo um prestobarba usado, ou qualquer coisa…

_ Só um instante – eu disse da janela, enquanto pegava uma cartela com dois aparelhinhos novos e descia pra entregar. Mas fui ainda um pouco ressabiado, pensando que ao entregá-los ele pudesse pedir um também algum dinheiro, naquele estilo “dá a mão, quer o pé”. E qual não foi a minha surpresa pelo seu contentamento:

_ Mas são novos!

_ Sim.

_ Puxa, obrigado! Obrigado mesmo!!

E se foi.

E agora, relembrando uma gratidão tão sincera por algo tão simples, que me custa tão pouco, eu fico me perguntando porque raios não lhe dei também um sabonete, um pincel de barbear, ou algo que servisse como espelho. Acho que são os pequenos preconceitos do dia a dia, que infelizmente nos deixam tão “armados” nas situações, tão preparados para desconfiar das pessoas, evitando até perguntar se precisam de mais alguma coisa… Poderia ao menos ter-lhe desejado uma boa entrevista, e um “que Deus lhe abençoe”, além do meu tímido “de nada”…

Fico aqui me cobrando… Mas, ao mesmo tempo, agradeço a Deus por ter me dado essa pequena oportunidade de ajudar alguém com tão pouco, com meus prestobarba e meu simples sorriso. E rezo para que aquele homem tenha tudo o que merece na vida, enquanto eu vou aprendendo mais um pouquinho, a cada dia, a lidar com meus preconceitos, lembrando que as pessoas são diferentes. Como o rapaz de ontem e o de hoje. Como meu amigo e um marginal.

Como eu e você.

Dia desses, estava conversando na rua com um novo amigo, que acabou de se mudar cá para JF. Estávamos falando sobre a cidade, quando ele comentou:

_ Outra coisa boa daqui é que a política de Minas é educada, trata a gente com respeito…

Ele estava vindo de uma cidade de outro estado.

_ Lá era horrível, policial não respeitava mesmo. Nem pedia documento, já vinha tudo mal-encarado, tapinha na cara, mandava deitar no chão… Me abordavam sempre, eu tinha que andar fugindo de polícia, não gostava de ficar onde tinha policial por perto.

Olhei para ele. Não era, definitivamente, um sujeito mal-encarado, suspeito, mal-vestido. Pelo contrário, é uma pessoa simpática, alegre, passa uma boa impressão. Pelo pouco que o conhecia, via que não era de se meter em encrenca, andar com gente estranha; nem ao menos bebia. Ora, por mais imbecil que um policial seja, ele não sai revistando qualquer um na rua, tem que haver um motivo qualquer, por mais besta que seja, que o leve a suspeitar de alguém. Mas bastou um pouco mais de conversa para que a minha suspeita se confirmasse…

Era a pele. Meu amigo tem a pele morena, tem traços negros. “Motivo” mais que suficiente.

Embrulha o estômago imaginar que esse tipo de coisa acontece. Pior – imaginar que, infelizmente, não é um caso nada raro. Além de ser uma injúria sem tamanho, um crime, é uma atitude simplesmente burra. Pare pra imaginar quantos policiais, financiados pelos nossos suados impostos, estão neste exato momento “dando uma dura em cima de um nêgo” enquanto os verdadeiros marginais, de qualquer cor e classe, ainda circulam por aí. No Rio, aqui em Minas, no Acre…

O fato é que a conversa me intrigou, e me fez ficar filosofando sobre as origens do preconceito. Como será que esse tipo de pensamento surge na cabeça de uma pessoa? O que o causa?…

Pois hoje acordei com a campainha tocando. Minha irmã atendeu, e me chamou.

_ Bom dia, senhor… Desculpe incomodar, eu moro aqui na redondeza…

O mesmo papo de sempre, pensei. Ontem mesmo fiquei um pouco chateado com um rapaz que nos abordou na rua, enquanto andava com minhas irmãs e minha cunhada, pedindo uns trocados. Não gostei da forma como insistia, e sobretudo como olhava para as meninas. O tipo de situação que nos força a ser um pouco mais ríspidos, algo do qual realmente não gosto.

Mas o homem de hoje continuava:

_ …é que eu tenho uma entrevista de emprego, e estou passando nas casas pra ver se consigo um prestobarba usado, ou qualquer coisa…

_ Só um instante – eu disse da janela, enquanto pegava uma cartela com dois aparelhinhos novos e descia pra entregar. Mas fui ainda um pouco ressabiado, pensando que ao entregá-los ele pudesse pedir um também algum dinheiro, naquele estilo “dá a mão, quer o pé”. E qual não foi a minha surpresa pelo seu contentamento:

_ Mas tão novos!

_ Sim.

_ Puxa, obrigado! Obrigado mesmo!!

E se foi.

E agora, relembrando uma gratidão tão sincera por algo tão simples, que me custa tão pouco, eu fico me perguntando porque raios não lhe dei também um sabonete, um pincel de barbear, algo que servisse como espelho. Acho que são os pequenos preconceitos do dia a dia, que infelizmente nos deixam tão “armados” nas situações, tão preparados para desconfiar das pessoas, evitando até perguntar se precisam de mais alguma coisa. Poderia ao menos ter-lhe desejado uma boa entrevista, e um “que Deus lhe abençoe”, além do meu tímido “de nada”…

Fico aqui me cobrando… Mas, ao mesmo tempo, agradeço a Deus por ter me dado essa pequena oportunidade de ajudar alguém com tão pouco, com meus prestobarba e meu simples sorriso. E rezo para que aquele homem tenha tudo o que merece na vida, enquanto eu vou aprendendo mais um pouquinho, a cada dia, a lidar com meus preconceitos, lembrando que as pessoas são diferentes. Como o rapaz de ontem e o de hoje. Como meu amigo e um marginal. Como eu e você.

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Mulher-florEu tinha 6 anos. A professora lá na frente, tentando explicar pra gente o que era o “Dia Internacional da Mulher”. E eu tentando entender:

_ Tia, quando é o dia inte… inter… intena… o dia do homem?

_ Não tem.

_ Não tem?

_ Não tem.

_ Por quê?

_ Bem, porque… porque…

Era a deixa pra um colega mais engraçadinho:

_ Por que todo dia é dia do homem! Hahahaha…

Pronto. Estava armada a algazarra, a rizaiada, a gritaiada. Era a hora da professora tentar acalmar a garotada – e esquecer de responder à minha pergunta…

Eu precisei crescer um pouco ainda para entender o porquê de existir um dia dedicado ao sexo feminino e não ao masculino. Pra descobrir que a vida daqueles seres chatos, mimados, frescos e que, meu Deus, achavam o máximo ganhar panelinhas de presente (só podiam ser retardadas, como pode?) é, via de regra, mais difícil que a de nós, que nascemos com o cromossomo Y. Que já foram, e ainda são, sim, muito discriminadas, violentadas, ofendidas, assediadas… (sem falar, é claro, do masoquismo intrísseco ao gênero, que as obriga a usar salto alto e a se depilar constantemente). Se eu fosse mais romântico (ou cafajeste, dependendo do ponto de vista), diria mesmo que não seria preciso todo esse histórico de desigualdades pra render um dia de homenagens às mulheres – afinal, elas mereceriam ser homenageadas só pelo simples fato de existirem, não é mesmo?…

Mas tenta explicar isso tudo pra um garoto do jardim de infância – e convencê-lo que todas as meninas merecem parabéns nesse dia, inclusive as mais irritantes… Lembro que uma revista semanal tinha, há algum tempo, uma pequena coluna em que a graça era tentar explicar pra um ET as esquisitices da vida dos seres humanos, que nós muitas vezes temos como óbvias. Mas acho que não precisamos nem imaginar ETs – basta tentar passar pelo crivo de uma criança observadora…

Racismo_ Pai… é verdade que o Rodrigo, quando crescer, vai precisar tirar uma nota menor que o Rafa pra entrar na faculdade?

_ Como assim?

_ A professora falou que é porque o Rodrigo é negro, e o Rafa é branco.

_ Bem…

_ Mas o Rodrigo já falou que é inteligente, e que não vai precisar da ajuda de ninguém, vai passar com nota maior que a de todo mundo, pode ser branco, amarelo, vermelho…

_ E o Rafa?

_ Ele era amigo do Rodrigo, mas acho que ficou de mal. Falou que vai ser médico quando crescer, e que nenhum “neguinho” vai atrapalhar ele…

O problema, talvez, não seja nem termos políticas afirmativas, homenagens, determinados “benefícios” a determinadas classes ou gêneros. Mas seja encarar isso como óbvio, como se a sociedade tivesse que ser sempre separada por segmentos, e pertencer a um deles (seja por sexo, crença, situação econômica ou simples cor da pele) já fosse motivo suficiente pra ser considerado alvo ou ator de discriminação – ainda que seja uma “discriminação boa” (se é que isso existe)…

Nem digo o que é bom e o que não é. Só acho que, ao contrário do que muitos gostam de gritar por aí, nada é tão óbvio. Ou você também me acha preconceituoso só porque ouso pensar diferente?…

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Eu devo possuir mais de 1000 horas de música na playlist do meu winamp. Agora a pouco, assim que fui inserir uma nova matéria aqui no site, comecei a escutar uma música que denuncia a idade de muita gente. Veja o vídeo e descubra se você também se sentiu um pouco velho.

Dominó – Tô P. da Vida

E olha que eu nem cheguei a escutar essa música como sucesso nas rádios, e acho que a única coisa que mostra que nasci nos anos 80 é o fato de ser moreno, alto bonito e sensual. Rs.

Mas me lembro bem dos filmes da Angélica com Dominó, das coreografias do Polegar, dos Menudos e do Pula Pirata

O engraçado é que só agora percebi que o “sucesso” do Dominó é mais uma daquelas músicas adolescentes que nunca sai de moda… Não pelos refrões melosos, dancinhas fáceis ou por seguir a formula mágica dos 3 acordes

Não sai de moda porque parece que os jovens, de todas as épocas e idades, gostam de denunciar a fina flor do preconceito e se engajar na guerra pela vida!

Tô P da vida
Dominó
Composição: Edgard Poças
Tô pê da vida
Tô vendo a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho
E muito pouco amor à vida
Tô pê da vida
E o mundo em volta da ferida
Em transes loucos, transas nossas
De mãos atadas vistas grossas
É muito pouco amor à vida
Tô pê da vida
Tão pondo fogo no planeta
E quem não tá vira careta
A fina flor do preconceito
De cor, de raça, de sujeito
Isso tem jeito (2X)
We are the world lá nas paradas
E gerações desperdiçadas
Em tantas lutas sem sentido
Fecha as cortinas do passado
Mundo grilado, dolorido
Que se conforma
Tô pê da vida
Doces jogadas ensaiadas
Nas mesas das nações unidas
Azucrinando nossas vidas
Jogos de dados combinados
Dados marcados
Tô pê da vida
Mas não me sinto derrotado
Não tem gatilho, nem cruzado
Que vai me por nocauteado
A esperança é uma música
Canta essa música, nossa música, é nossa música…
Tô pê da vida
Olhando a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho
E muito pouco amor à vida
Tô pê da vida
Mas isso quase não é nada
Tem que enfrentar essa parada
E tem que por a mão na terra
Eu tô na guerra pela vida
Só pela vida
Viva a vida (2X)


Tô P da vida

Dominó

Composição: Edgard Poças

Tô pê da vida

Tô vendo a gente tão pra baixo

Num baixo astral, num cambalacho

E muito pouco amor à vida

Tô pê da vida

E o mundo em volta da ferida

Em transes loucos, transas nossas

De mãos atadas vistas grossas

É muito pouco amor à vida

Tô pê da vida

Tão pondo fogo no planeta

E quem não tá vira careta

A fina flor do preconceito

De cor, de raça, de sujeito

Isso tem jeito (2X)

We are the world lá nas paradas

E gerações desperdiçadas

Em tantas lutas sem sentido

Fecha as cortinas do passado

Mundo grilado, dolorido

Que se conforma

Tô pê da vida

Doces jogadas ensaiadas

Nas mesas das nações unidas

Azucrinando nossas vidas

Jogos de dados combinados

Dados marcados

Tô pê da vida

Mas não me sinto derrotado

Não tem gatilho, nem cruzado

Que vai me por nocauteado

A esperança é uma música

Canta essa música, nossa música, é nossa música…

Tô pê da vida

Olhando a gente tão pra baixo

Num baixo astral, num cambalacho

E muito pouco amor à vida

Tô pê da vida

Mas isso quase não é nada

Tem que enfrentar essa parada

E tem que por a mão na terra

Eu tô na guerra pela vida

Só pela vida

Viva a vida (2X)

obs: Vendo o vídeo percebemos como os anos 80 são trash…
Mas quem não gosta?
Viva a Vida!

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Sabe aquela sensação de “a vida imita a arte e a arte imita a vida“?  Foi exatamente isso que pensei quando assisti a esse vídeo. Tenho uma amiga exatamente igual a personagem… igualzinha

A mesma simpatia, “delicadeza” e poder de argumentação.


Miá Mello – Humor da Caneca

Infelizmente, em relação a “luta pela vida”, muitas vezes nos vemos em lados opostos.

Não por maldade, de qualquer um dos lados, ou falta de inteligência, ou por interesses financeiros… Somente temos idéias diferentes…

Discordamos desde que me lembro. Ao discordar, aprendi a respeitar essa forma  dela  pensar, um jeito absurdo, mal articulado, etc., mas sobretudo, dela.

Vivemos assim: respeito, amizade e discussões intermináveis, que geralmente terminam citando trechos ilustres do É o Tchan ou Gera Samba!

Talvez seja mais fácil de viver isso com os amigos, talvez não.

Talvez o fácil seja se aliar a um lado da luta e se contentar em ridicularizar o outro. Chamar de loucos, idiotas, assassinos, alienados, ou qualquer outro elogio que possa vir de prós (vidas ou escolhas), que esquecem que antes de haver uma ideologia, do outro lado há um ser humano…

Abraços, e ótimo final de semana…

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“Se você é um evangélico, você é um imbecil. E vice-versa.” Foi o que eu ouvi ao ligar a TV, outro dia, na MTV. O rapaz, sob o pretexto de ser engraçado, debochava também da umbanda, demonstrava grande ignorância sobre Síndrome de Tourette e tentava se safar da “homofobia”: “Lésbicas? Magras gosto, gordas não”.

(clique aqui para ver o vídeo na página do programa)

É um quadro de um programa chamado “Fiz na MTV”, em que a emissora apresenta pequenas produções amadoras, escolhidas por votação. Ao final, a clássica mensagem “não nos responsabilizamos pelo conteúdo apresentado…”, mostrada sempre que uma emissora bota um conteúdo independente no ar. O que sinceramente tenho dificuldade de acreditar é que, se ele simplesmente tivesse substituído a palavra “evangélicos” por “judeus” ou “negros”, uma emissora de tanta abrangência como a MTV teria coragem de o colocar no ar em rede nacional. Neste mundo “politicamente correto”, parece que só tem direito a um mínimo de respeito as “minorias” que se organizam, que ameaçam processar quem as desrespeita. Ou, talvez, os grupos que já foram vítimas de episódios historicamente vergonhosos, como a escravidão, o holocausto ou a discriminação sexual. Talvez seja mais fácil sentir pena e combater o preconceito de quem já foi vítima explicitamente, cujo sofrimento já virou consenso. É sempre mais fácil condenar o passado…

pasmo

Na página do programa, a atração, chamada “Com a Palavra, Ronald Rios”, é descrita como “o quadro mais polêmico da TV brasileira”. É claro, sempre dá audiência falar que algo é “polêmico”. Mas, sinceramente, não sei se algo como isto pode ser considerado polêmico. A polêmica, geralmente, pressupõe um embate de idéias, uma discussão. E ele simplesmente não apresentou um único argumento, lógico ou não, que o embasasse. Só disse que “não gosta de evangélicos”. Qualquer um deles.

luther kingE eu, que não sou evangélico, que também não acredito em macumba, e que obviamente não sou lésbica, me sinto indignado e simplesmente embasbacado de ver uma coisa dessas na minha TV que, coitada, só pega alguns poucos canais abertos… Será que vai ser preciso, um dia, todos se enquadrarem em alguma “minoria”, para serem reconhecidos como “dignos” de serem discriminados? Ou será que alguém, enfim, vai reconhecer que o preconceito é uma atitude de não reconhecer a humanidade do outro, e que continuará existindo mesmo quando todos passarem a adotar frases politicamente corretas, no estilo “todas e todos os afro-descendentes de orientação sexual homoerótica são vitimizados, embora as mulheres economicamente desprovidas o sejam de forma majoritária”?

Preconceito não precisa de objeto definido. O preconceituoso é quem define seu objeto. Se lhe tiram um, logo arruma outro.

Pense nisto.

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Um dia desses, eu e o Gabriel passamos toda uma madrugada discutindo a questão do preconceito, no caso da psicóloga Rosângela, o homossexualismo e a psicologia. Apesar de não  conhece-la pessoalmente, ou algum de seus pacientes, acredito que posso me pronunciar sobre o assunto. E mesmo que este assunto já tenha sido abordado pelo Gabriel, gostaria de colocar o meu ponto de vista.

Para começar queria lembrar que o conceito de doença mental não é nada fácil, sendo que o que é consenso para alguns profissionais é da ordem do ridículo para outros.

De uma forma geral psiquiatras, psicólogos e psicanalistas trabalham com o sofrimento psíquico, independente se ele é considerado doença ou não. E este conceito de “Patológico X Normal” já foi utilizado para validar uma série de absurdos contra o ser humano.

Gostaria de lembrar de dois casos aqui, que talvez não sejam de amplo conhecimento.

1.

turingSe existe uma pessoa genial no ramo da ciência da computação, o nome dela é Alan Turing. Na época dos primeiros computadores, Turing FEZ esses computadores! Ele foi responsável não tanto pelas questões físicas, pois ele pensava além,  mas sobretudo pela produção de modelos abstratos de computação que possibilitaram um avanço tecnológico inimaginável desde o domínio do fogo. ELE FOI GENIAL! (E falo com a empolgação de um desenvolvedor nerd, que é  fã desse cara desde a adolescência).

turing_correndoFalta dizer que Turing foi um dos principais cientistas da Inglaterra, que liderou a construção do Colossus, computador inglês que foi uma das principais “armas” dos Aliados na 2º Guerra Mundial. Alguns historiadores acreditam que ele foi  uma peça chave para derrotar o Eixo.

Ao final da 2º Guerra, Turing foi recebido como herói de guerra, certo? ERRADO!

alan_turing5Turing era homossexual declarado e por isso, foi humilhado publicamente, impedido de realizar seus estudos e posteriormente foi julgado por “vícios impróprios”.

Considerado portador de um desvio patológico (na época considerado uma doença como o alcoolismo ou a drogadição) foi condenado a um tratamento a base se estrogênio (profundamente científico para a época) que tinha por resultados a “castração química” e o crescimento de seios.

Em 1954, o herói de guerra/doente (com vícios impróprios) se suicidou, tinha apenas 41 anos.

2.

300px-Catedral_neuquenDe 16 a 18 de agosto de 2008 ocorreu em Neuquén na Argentina o “Encuentro Nacional de Mujeres”, organizado por entidades feministas e apoiado por vários grupos de defesa dos direitos das “minorias”.

Nos anos anteriores a Catedral tinha sido alvo de depredações e ataque das participantes do encontro. Pois bem, em 2008 os jovens católicos de Neuquén decidiram fazer um cordão humano para impedir que qualquer mal fosse realizado à catedral.

feministasneuquenEstes jovens não gritavam palavras de ordem, não ofenderam as participantes, não pregaram sobre o que consideravam pecado, nada disso. Eles ficaram o tempo todo rezando um rosário. Enquanto isso eram chamados de homofóbicos, de doentes, preconceituosos e todos as ofensas possíveis ao momento.

O resultado, vejam no vídeo:

Muita confusão e desrespeito para com os jovens…
Quem é que estava sendo preconceituoso?
Quem agrediu?

Tomando como referência vários autores consagrados, podemos dizer que o modelo de saúde mental depende do modelo de homem adotado, bem como o modelo de personalidade e esquema teórico/filosófico referencial. De um modo geral a maioria das teorias psicológicas considera patológica a dificuldade de adaptação frente às novas realidades ou o uso de medidas defensivas exageradas para lidar com as mesmas.

Resumidamente, segundo o DSM o transtorno mental é: Uma síndrome ou padrão comportamental ou psicológico clinicamente significativo, que ocorre numa pessoa, estando associado com perturbação atual, incapacidade, risco significativamente crescente de sofrer morte, dor, incapacidade ou perda importante da liberdade.

Olhando por este ponto de vista, quem é que tem razão ao “adoecer ” o outro e condená-lo por isso?

Não sou fã de manuais e/ou compêndios de psicopatologia, pois acredito que olhar para as pessoas envolvidas na situação é mais importante do que olhar para o fenômeno.  Talvez se fizéssemos isto, aprenderíamos mais com as diferenças

Lembrando então dos dois casos que apresentei, pergunto:

O que é patológico, vício impróprio, preconceito, fobia, intolerância?

De que adianta considerar alguém doente?

Quem é o alienado, quem é o alienista?

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