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Está começando neste momento (22h do dia 23/08/10) o debate entre os candidatos a presidente da república transmitido pelas TVs e rádios católicas. Acompanhe aqui, e interaja conosco através do twitter @vivopelavida (comentários por Gabriel Resgala).

Não percamos esta oportunidade!

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Tiririca

Outro dia estava assistindo à reprise do especial de 10 anos do Programa do Jô, no qual ele fez um bate-papo coletivo com alguns comediantes da “nova geração”. Uma das perguntas foi sobre os “limites” do humor. Até onde pode ir uma piada? Como fazer rir sem ofender, sem brincar com coisa séria demais, sem baixar o nível? No geral, a resposta dos convidados girou em torno do bom-senso e da própria graça como medida desse limite. Alguns disseram que, se algo é muito apelativo, acaba perdendo a graça por si.

Pois fui dormir pensando em como algumas coisas ruins podem, sim, fazer rir… Quem já foi vítima de bullyng, é gago, anão, fanho, etc, sabe o quanto algo que é extremamente sofrido para uns pode ser engraçado para os outros. Há momentos em que temos até consciência de que algo é sério, mas é difícil segurar a vontade de rir. É claro, muitas vezes o riso pode dar leveza a uma situação mais tensa, tornando-se “um bom remédio” – mas há um sério risco de deixarmo-nos levar por ele e esquecer que esse alívio não resolve o problema. É como um analgésico: ajuda – e muito!– a levar a vida, mas não cura a dor. Em muitos casos, ainda piora a situação, pois a mascara.

Quer ver? Dá uma olhada nesse videozinho de campanha eleitoral. É do Tiririca. Sim, ele mesmo.

Eu sou o Tiririca da televisão. Sou candidato a deputado federal. O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim, que eu te conto!
Vote em Tiririca. Pior do que tá, não fica!
O povo não é palhaço! Mas eu sou.

Impossível não rir desse cara. Ele mesmo parece não estar se agüentando com a maior piada que já contou na vida: se candidatar a deputado federal pelo maior colégio eleitoral do país (São Paulo), não como cidadão “real”, mas como o próprio personagem-palhaço, e ainda tirar um sarro mais do que explícito dos seus colegas políticos. A ponto de causar certo incômodo às alianças do seu partido…

É verdade: candidatos bizarros nunca foram novidade; só nessa eleição tem um monte. Mas o cômico é a crítica que ele faz, ao dizer coisas do tipo: “Estou aqui para pedir o seu voto ‘pusquê’ eu quero ser um deputado federal. Para ajudar os mais ‘necessitado’. Inclusive a minha família”. Muitos já fizeram isso em programas de humor, mas ele faz no próprio horário eleitoral. Ele não está fingindo ser um candidato, ele é um candidato. É de tirar o chapéu.

É muito engraçado, sem dúvida! Mas… o problema é o limite. O limite da piada.

Tiririca de ternoSim, porque… Ele pode ganhar. Tem grandes chances disso. Freqüentemente um ou outro candidato bizarro é eleito, muitas vezes ficando entre os mais votados do país. O povo vota na piada, no riso como remédio pra um problema sério. No analgésico, no alívio instantâneo de “tirar uma” com a cara dos outros “palhaços” que tanto nos passam a perna. E o Tiririca é o mais escrachado, é como se dissesse: “palhaço por palhaço, vote no mais engraçado”. E somos levados a premiar sua ousadia humorística, dando-lhe o voto.

Depois? Ah, depois… Bem, eu vejo duas cenas. Claquete 1.

Tiririca vence como o deputado mais votado do país, seus eleitores se matam de rir, o resto do país torce o nariz. Após eleito, no entanto, evita dar entrevistas, causando suspense. Na primeira seção do plenário, tira a roupa de palhaço, toma o microfone e faz um discurso sério, tão sério como ninguém nunca o ouviu falar antes. Usa o exemplo de sua eleição, como um personagem cômico, para mostrar aos seus colegas a falta de seriedade reinante no meio parlamentar, mostrando sincera indignação. E dirige-se inclusive ao eleitor, visivelmente emocionado: “vocês elegeram um palhaço. Mas não merecem ser tratados como tal. Para isso, só depende de quem colocam cá em cima. Por favor, não percam a esperança. Não desistam!”

Claquete 2: Tiririca é eleito, o povo se mata de rir, a mídia cai em cima fazendo perguntas sérias ao novo deputado, para as quais recebe as respostas mais hilárias possíveis. Após algumas semanas de piadas, no entanto, ele começa a sentir-se perdido em meio às ocupações do cargo, e pede auxílio a seus acessores, para que lhe indiquem o que fazer. O partido, que já usou sua vitória cheia de votos para engordar a legenda e eleger outros candidatos que sozinhos não venceriam nem como vereadores, passa a usar também de sua cadeira para ter mais um voto garantido nos trâmites da casa. Tiririca vira mais uma marionete. Somos, mais uma vez, feitos de palhaços – mesmo quando achamos que nós é que estávamos rindo deles. Eles não riem conosco; riem de nós. Riem por último. E a piada, para nós, vai perdendo a graça…

Bem… na verdade há também uma terceira cena.

Mas aí depende de você.

Tiririca

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Inri CristoAntes de mais nada, gostaria de dizer que posso ser considerado seguidor de um messias. Aliás, a maioria de nós o é (ou, como eu, ao menos “tenta ser”…). Numa cultura fortemente influenciada pelo cristianismo, quase todos temos Jesus, de uma forma ou de outra, como um modelo a ser seguido – e, para muitos, ele é mais que isso: é Deus. Mas, nem por isso, inquestionável.

Sim, vai me dizer que você nunca questionou Deus? Que nunca leu um pedaço da bíblia e disse: “poxa Cara, como assim?” Questionar faz parte de todo entendimento. Maria questionou quando o anjo disse que ela iria engravidar mesmo sem conhecer homem algum (sendo, é claro, um questionamento diferente do de Zacarias, que duvidou). Uma mulher cananéia também questionou, quando Jesus insinuou que só fazia milagres pros judeus (Mt 15, 21-28). E nem por isso ele deixou de ser Deus.

Mas existe um tipo de messianismo que Jesus fugiu de encarnar, e talvez essa fuga tenha colaborado para que seus amigos se afastassem quando ele mais precisava, uma vez que não entenderem seus propósitos: o messianismo político. Queriam um Rei para Israel que conduzisse a todos numa rebelião contra o funesto Império Romano, e governar magnânimo do alto de seu trono. Mas isso era tudo o que ele não queria. Mas o povo custou a entender.

A fome por um “salvador da pátria”, um pai de todos, é tão intrínseca à raça humana que ainda hoje não falta quem tenha ânsia de colocar os outros nesse lugar. Insistem na infabilidade do papa, um recurso não usado há quase um século pelo próprio papado. Juram que Obama salvará a África por puro humanismo, mesmo tendo ele interesses intrissecamente estadunidenses. E inventam uma forma de minimizar os erros de seus gurus, mesmo quando eles próprios o reconhecem e fazem o mea-culpa.

Quando botam alguém nesse trono (e, pior, quando alguém assume este lugar ao trono), o messias passa, então, a ser amado ou odiado – nunca analisado como um ser humano comum. Ou herói ou vilão, ou deus ou diabo. E, no botequim ou na faculdade, não importa a sensatez da pessoa para discutir outros temas; quando se fala no tal sujeito messiânico, os ânimos inflamam, e a lógica dá lugar à paixão. Às vezes, à primeira vista, parece até um discurso sensato, um e-mail equilibrado; mas ouse questionar para ver. Brotarão farpas e faíscas, e você será tachado de opositor. Você não vale, não pode questionar. É do outro lado, reacionário, inimigo disfarçado.

Charge Lula - Gazeta do PovoTalvez você já tenha sentido isso na pele; ou talvez você já tenha, até sem perceber, agido assim com alguém. Afinal, queira ou não, temos um presidente-messias, e não são poucos os que o endeusam.  Mas a grande questão a analisarmos, a meu ver, é: será que estamos realmente vendo-o como ser humano?

Endeusando-o ou demonizando-o, pouco faremos para encarar a realidade como se deve. E, cá pra nós, é muito fácil cair nesse simplismo: ele pede isso, ele quer isso; suas falas estão sempre evocando nossas emoções, nos fazendo ficar “contra ou a favor”, tomar partido com o coração. Mesmo que não percebamos…

Foi o messianismo que elegeu Hitler, de forma democrática. Foi como um “deus” que Getúlio implantou a ditadura, e quando todos já estavam vendo-o como “diabo”, arranjou um jeito de “sair da vida pra entrar na história” como um grande messias. A voz do povo nem sempre é a voz de Deus…

Mas e a sua voz… qual será?

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