Paz

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Na época que morei em uma república, um de meus amigos de apartamento era um devoto humilde e atencioso de São José. Tanto em seus atos cotidianos quanto em seu exemplo histórico, esse colega me demonstrava as virtudes do “Zé” trabalhador, humano, cotidiano.

Me lembro que meu amigo rezava o terço de São José com tanto carinho, que eu sentia que se estabelecia uma espécie de companheirismo sindical, especialmente quando era recitada a estrofe que antecede cada mistério: Ó meu glorioso São José, nas vossas maiores aflições e atribulações o Anjo não vos valeu, valei-me São José.

Meu amigo repetia pacientemente cada mistério. A cada novo “valei-me São José”, era como se ele dissesse:

São José, o senhor sabe como é ser humano, não saber o que fazer, ter que trabalhar dia após dia. O senhor sabe como é levantar todos os dias pedindo a Deus a santificação das mãos calejadas. O senhor sabe como é sustentar a esperança a cada nova manhã, mesmo que tenhamos ido dormir sem vislumbrar a mínima possibilidade de mudança. Agora que o senhor está aí, contemplando as maravilhas e a paz que daqui eu mal posso imaginar, valei-me São José…

E no dia de hoje, mais ou menos 2011 atrás, lá estava o “Zé” lutando para encontrar o melhor lugar possível para a mulher e o filho…

Que no aniversário do filho, o pai possa nos ensinar a amá-lo, ainda que isto seja somente encontrar um montinho de palha mais fofo para cuidar dos sonhos do Deus-menino…

P.S.:Hoje topei com essa bela mensagem de Paulo Coelho (sim, ele mesmo, e justiça seja feita: o texto é muito bom). Acredito que ela sirva como uma ótima fonte de reflexão nesse momento de nascimento da alma…

O homem que seguia seus sonhos

Nasci na casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. Como foi um parto bastante complicado, minha mãe me consagrou ao santo, pedindo que me ajudasse a viver. José passou a ser uma referência para a minha vida, e desde 1987, ano seguinte à minha peregrinação a Santiago de Compostela, dou uma festa em sua homenagem, no dia 19 de março. Convido amigos, pessoas trabalhadoras e honestas, e antes do jantar, rezamos por todos aqueles que procuram manter a dignidade no que fazem. Oramos também pelos que se encontram desempregados, sem nenhuma perspectiva para o futuro.

Na pequena introdução que faço antes da prece, costumo lembrar que, das cinco vezes que a palavra “sonho” aparece no Novo Testamento, quatro se referem a José, o carpinteiro. Em todos estes casos, ela está sempre sendo convencido por um anjo a fazer exatamente o contrário do que estava planejando.

O anjo pede que ele não abandone sua mulher, embora ela esteja grávida. Ele podia dizer coisas do tipo “o que os vizinhos vão pensar”. Mas volta para casa, e acredita na palavra revelada.

O anjo o envia para o Egito. E sua resposta podia ter sido: “mas eu já estou aqui estabelecido como carpinteiro, tenho minha clientela, não posso deixar tudo de lado agora.” Entretanto, arruma suas coisas, e parte em direção ao desconhecido.

O anjo pede que volte do Egito. E José podia ter de novo pensado: “logo agora que eu consegui estabilizar de novo minha vida, e que tenho uma família para sustentar?”

Ao contrário do que o senso comum manda, José segue seus sonhos. Sabe que tem um destino a cumprir que é o destino de quase todos os homens neste planeta: proteger e sustentar sua família. Como milhões de Josés anônimos, ele procura dar conta da tarefa, mesmo tendo que fazer coisas que estão muito além de sua compreensão.

Mais tarde, tanto a mulher como um dos filhos se transformam nas grandes referências do Cristianismo. O terceiro pilar da família, o operário, é lembrado apenas nos presépios de final de ano, ou por aqueles que tem uma devoção especial por ele, como é o meu caso, e como é o caso de Leonardo Boff, para quem escrevi o prefácio de seu livro sobre o carpinteiro.

Reproduzo parte de um texto do escritor Carlos Heitor Cony (espero que seja mesmo dele, porque descobri na internet!): “ Volta e meia estranham que, declarando-me agnóstico, não aceitando a idéia de um Deus filosófico, moral ou religioso, seja devoto de alguns santos do nosso calendário tradicional. Deus é um conceito ou uma entidade distante demais para os meus recursos e até mesmo para minhas necessidades.Já os santos, porque foram terrenos, com os mesmos alicerces de barro de que fui feito, merecem mais do que a minha admiração. Merecem mesmo a minha devoção.

“São José é um deles. Os Evangelhos não registram uma única palavra sua, somente gestos, e uma referência explícita: “vir justus”. Um homem justo. Como se tratava de um carpinteiro, e não de um juiz, deduz-se que José era acima de tudo um bom. Bom como carpinteiro, bom como esposo, bom como pai de um garoto que dividiria a história do mundo.”

Belas palavras de Cony. E eu, muitas vezes, leio aberrações do tipo: “Jesus foi para a Índia aprender com os mestres do Himalaia”. Para mim, todo homem pode transformar em sagrada a tarefa que lhe é dada pela vida, e Jesus aprendeu enquanto José, o homem justo, o ensinava a fazer mesas, cadeiras, camas.

No meu imaginário, gosto de pensar que a mesa onde o Cristo consagrou o pão e o vinho, teria sido feita por José – porque ali estava a mão de um carpinteiro anônimo, que ganhava a vida com o suor do seu rosto e, justamente por causa disso, permitia que os milagres se manifestassem.”

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“Na paz os filhos enterram seus pais,
na guerra os pais enterram seus filhos.”

bacon

Francis Bacon

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Natal

Este fim de ano, pra variar, está sendo puxado (um dos motivos do meu sumiço aqui do site…). Tem muita coisa acontecendo, mas basta dizer três palavras pra todo mundo entender perfeitamente a gravidade da situação e nem querer saber do resto: “Reta Final do Mestrado”.

Nessas situações, a gente fica sempre querendo se concentrar no que é mais “importante”, deixar o resto de lado. Mas aí vem o Natal. Sim, o Natal: luzes, papais-noéis, rua movimentada até de noite, sorrisos, amigos-ocultos, músicas da Simone… Este ano pensei que iria passar praticamente imune a isso tudo. Mas, felizmente, não consegui. Em parte, graças à prefeitura de Juiz de Fora – impossível passar pelo centro da cidade e não desviar o olhar pra decoração de Natal, esse ano eles capricharam. Sem perceber, você já parou. E refletiu.

Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora
Cine-Theatro Central – J. de Fora

E foi o que fiz domingo, enquanto o padre dizia na missa que o Natal “é a maior festa da humanidade”. Na hora, qualquer um com um pouco de conhecimento sobre doutrina se sentiria impelido a corrigi-lo, a lembrar que a maior festa do Cristianismo é a Páscoa… Mas – péra lá! Ele disse “da humanidade”, não foi? Foi. Então talvez ele tenha razão. O Natal está além das fronteiras do Cristianismo, unindo tantas culturas diferentes em torno de uma mesmo clima… Cada uma do seu jeito, é verdade: na Europa celebram o dia de S. Nicolau (o “Papai Noel de verdade”); nos EUA gostam de duendes, renas, da tal da “magia”; no Japão fazem um boneco com olhos na nuca que vigia as crianças arteiras. Mas o fato é que o Natal está muito além de ser uma festa “só” cristã. A própria origem da data tem a ver com o dia da celebração pagã ao deus sol – já que não sabiam ao certo quando Jesus nasceu, resolveram dizer: “comemoremos no dia do maior dos deuses, que é o mesmo em qualquer lugar”.

Mas por que será que é normal ouvir um hare krishna, budista ou ateu desejando “feliz Natal” a alguém, sem nenhum constrangimento? Se muitos que a comemoram sequer acreditam em Deus (muito menos em Papai Noel), o que há de tão universal assim nessa data, para ser tão lembrada?…

Ceia de NatalBem, Natal é um tempo de solidariedade, de paz. E, é claro, da tríade família-presentes-comida, que não pode faltar. Natal, pra todo mundo, é tempo de trocar presentes regados a uma ceia apetitosa ao lado dos parentes mais próximos (ou não tão próximos assim…). Seja uma família pequenininha mãe-pai-e-filho ou aquelas enormes de quem tem 3 casamentos no currículo, cada um com dois filhos e uma ex-sogra. Natal é sagrado: tem que passar todo mundo junto.

E, convenhamos, é bonito. Presentes são uma bela forma de demonstrar carinho, e fazer a alegria do outro. Compartilhar uma boa ceia é comungar o prazer, a fartura, e todo o simbolismo que essa refeição traz. E é muito bom ter uma data em especial no ano pra reunir toda a família num clima de confraternização (ao contrário dos velórios…).

Papai Noel e a alegria do NatalMas então… Surge outra pergunta. Se é algo assim tão universal, por que tem tanta gente que não gosta de Natal?

Sim, senhor. Tem muita gente. E nem é preciso recorrer a blogueiros mau-humorados ou piadistas de Stand-up. Você provavelmente deve conhecer alguém pra quem essa data tenha um sentimento meio melancólico, triste – mesmo que essa pessoa não conte isso pra ninguém…

Mas… Por quê? Justo numa data que deveria trazer tanta alegria?… Bem, talvez exatamente por pensar nessas coisas que condicionamos à alegria, nessa época. Tem gente que passa o Natal sem paz, sem solidariedade – ou que passa a noite se lembrando de tanta gente carente dessas coisas, pelo mundo afora. Para muitos, não há presentes. Não há comida. E a família não é o ideal que se imagina…

Sim, é triste. Talvez essa melancolia seja também um pouco constitutiva do Natal, lado a lado com a alegria. Talvez o Natal não seja tão colorido quanto os dos comerciais na TV…

Noite de NatalMas aí, sabe… Me pego a pensar no primeiro Natal. Que também é uma cena universal. Não precisa ter um credo específico pra se emocionar com a bela história de uma Maria, um José e um pequeno filho… Que, naquela noite, ao que parece, não tiveram a solidariedade dos próprios familiares de José, ficando sem abrigo e talvez sem comida. Os presentes dos Reis Magos? Só algum tempo depois, ué. Nem com um boeing eles chegariam a um fim-de-mundo como Belém na mesma noite…

Foi uma noite que não lembra em nada as nossas noites de Natal, hoje. Mas talvez não tenha existido noite mais Feliz

Em homenagem a essa Noite, então, relembrarei aqui, a partir de amanhã, um desafio que me fiz no ano passado, no meu blog pessoal: imaginar como teria sido aquela primeira noite. Deu um conto interessante, profundo pra uns, estranho pra outros; mas de forma alguma definitivo, pretendendo seguir algum rigor. Me inspirei nos Evangelhos, mas foi sobretudo uma liberdade que tomei, deixando a criatividade reinar no Natal, assim como deve ter reinado na cabeça daquele casal, ao preparar um berçário num curral…

Naquela noite nasceu a Esperança. Em meio a toda a alegria dos perus, Papais-Noéis e tios bêbados, não nos esqueçamos, pois, do que é mais importante. Não a deixemos morrer.


“O Amor nasceu em meio ao frio de uma noite…”

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Nesta semana recebi um daqueles inúmeros emails encaminhados. Mais um texto (ou power point) bonitinho que seria sumariamente deletado se não fosse a importância da pessoa que me enviou.

Dei o crédito e não me arrependi… A notícia, que diz ter sido publicada em 04/01/2006 e não possui o nome do autor, ganhou o título de “O caso do poema roubado” no jornal “O Globo“, coisa que não consegui conferir, mas também não tenho motivos para duvidar…

O caso do poema roubado

poema_roubadoHá coisa de dois ou três meses apareceu, no portão do sítio, um pacote grande, embrulhado num saco de lixo preto. Ninguém viu quem trouxe. Amanheceu e estava lá. Assim que foi notado, ficaram todos da casa, bípedes e quadrúpedes, muito cabreiros com a sua presença. Nos dias de hoje, ninguém vê com confiança ou simpatia pacotes grandes, embrulhados em sacos de lixo pretos.

Os cachorros cheiraram e latiram, os gatos mantiveram distância, o Dirceu olhou de longe, cutucou com uma vareta, chamou Mamãe. O conteúdo parecia ser duro, sólido, como madeira. Não era nada morto, com certeza. E não parecia ser bomba, muito embora ninguém da família tenha a mais remota idéia de como seja uma bomba, salvo pelo que se vê no cinema e nos desenhos animados.

Finalmente, depois de mais cutucadas e de muita hesitação, o pacote foi trazido para dentro, e aberto com o cuidado que a desconfiança recomendava. Quando o conteúdo se revelou, surpresa total: quem poderia imaginar que um poema roubado há 30 anos voltasse ao lar daquela maneira?!

Quando o sítio ficou pronto, em princípios dos anos 60, uma das primeiras providências dos meus pais foi espalhar pelo jardim e pela floresta uma dúzia de poemas. Papai os selecionava, Mamãe os pintava em tabuletas e ambos escolhiam juntos, com capricho, as árvores e os cantinhos onde seriam expostos. Passear pelo sítio era como entrar numa pequena antologia sentimental.

Com o tempo, as tabuletas foram sumindo. Algumas queimaram junto com as suas árvores nos incêndios que, há alguns anos, eram comuns na região e que, apesar dos esforços do pessoal lá de casa, eventualmente atingiam partes do terreno. Outras foram vítimas do tempo. A maioria, porém, desapareceu sem deixar vestígios.

O poema devolvido chama-se “Casa antiga”, foi escrito em 1964 por minha madrinha Cecília Meireles e dedicado a Nora e Paulo Rónai:

Forrarei tua casa já tão antiga
Com um papel que imita as paredes de tijolo.
Ficará tão lindo como se estivéssemos na Holanda.

Forrarei tua casa assim, mas por dentro,
De modo que, longe de todas as vistas,
Será como se estivéssemos ao ar livre, no jardim.

E deixarei uma parede quebrada ? não uma porta, não uma janela:
Uma parede quebrada por onde passe um ramo de goiabeira
Carregado de flores e vespas.

Parecerá que estamos sonhando,
E estamos sonhando mesmo,
E parecerá que estamos vivendo,
E a vida não é mesmo um sonho impossível?

Dentro do pacote, junto com a tabuleta, veio um bilhete escrito em letra pouco cultivada, na folha arrancada de um caderno. Dizia o seguinte: “Quando era menino achei este quadro lindo, pelo poema. Peço perdão por ter roubado este quadro. Hoje me converti a Jesus e sinto necessidade de devolvê-lo. Sinto-me envergonhado pela minha atitude. Mais era só um menino. Peço perdão a Deus e a vocês. E que vocês também consigam perdoar.”

Não havia nome, assinatura, nada. Ficamos com muita pena, pois teríamos gostado de conhecer e abraçar o menino antigo que roubou o poema e o homem correto que o devolveu, passados tantos anos. Mal sabe ele que nos deu um presente muito maior do que o que levou: um mundo onde crianças roubam poemas e adultos os devolvem é um mundo de beleza e de esperança.
(O Globo, Segundo Caderno, 4.1.2006)

P.S.: Achamos a autora do texto! É a cronista Cora Ronai. Que ela receba a nossa gratidão por ter nos presenteado com essa maravilha…

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“Quando dois elefantes brigam quem sofre é a grama”

elefante

Provérbio de autor desconhecido

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“Deixe que o vento sopre e não pense que o som das folhas é um barulho de armas.”
outono
Padre Pio de Pietrelcina

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herbertCerta vez, Herbert Viana teve mais um de seus momentos de iluminação e escreveu uma música que não sai da minha cabeça.

Ela se chama “Soldado da Paz”, um título que se faz cada vez mais necessário nos nossos dias. Por mais paradoxal que pareça, a busca da paz se tornou uma luta, uma guerra.

Muitas pessoas acordam, apertam os olhos de um jeito forte para ter certeza que já deixaram de dormir, e escutam uma mensagem que diz: Lutar sempre, a cada dia mais, pela paz que virá.

Não tenham dúvida, são muitas pessoas que fazem isso. Muitos são os soldados, uns mais descolados, outros mais conservadores, uns mais calmos, outros mais agitados.

Deixamos esse vídeo em homenagem a estes soldados, que se colocam a serviço de um mundo melhor, na certeza de que a Vida e o tempo sempre serão seus aliados.


Cidade Negra – Soldado da Paz
(letra)

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Hoje recebi um texto que me fez pensar um pouco mais…

(Para quem ainda não viu, vale a pena ver o vídeo que produzimos para discutir a questão do aborto…)

A Andrea Patrícia do site Borboletas ao Luar, publicou uma notícia contando que mais de 40 pessoas foram presas, no dia 17 de maio de 2009.

Elas estavam agindo de forma violenta? Não.

Faziam coisas ilegais? Não.

Por que a prisão? Por se oporem ao presidente!

Por que? Porque estavam manifestando o seu livre direito se expressar e de protestar contra o aborto, durante uma palestra que o presidente Barack Obama (assumidamente favorável ao aborto) proferia na Universidade Católica de Notre Dame – EUA…

Mulher presa por protestar contra o discurso de Obama na Universidade de Notre Dame
Mulher presa por protestar contra o discurso de Obama na Universidade de Notre Dame
Outro homem "livre" sendo preso
Outro homem “livre” sendo preso

Achamos alguns vídeos no Youtube, infelizmente não estão legendados, mas acredito que não é tão necessário. Basta olhar para o rosto de um padre (Norman Weslin), com mais de 80 anos, sendo preso, amarrado E IMOBILIZADO, por defender a vida.

Ele diz, em meio a muitos “Ave Maria”: “vocês estão prendendo um sacerdote católico por tentar salvar a vida de uma criança?! Pensem! Não percebem que estão raciocinando ao contrário?”

Alan Keyes que já foi candidato a presidente também foi preso.

Triste?
Muito.
E a grande imprensa, com toda a sua sede de notícias bombásticas…  divulgou esses fatos?
Não!

E nós? Ficaremos calados, acreditando que o aborto não é um problema nosso? É algo no qual estranhos não devem se meter, que é para ser discutido individualmente entre os “parceiros”, ou é uma decisão que cabe somente a “mulher“? Será?

Será que a vida não é um assunto para ser discutido por toda a humanidade?

Para quem não sabe, a última frase do hino dos Estados Unidos termina assim: Na terra do livre e na casa do valente!

A estes 40 norteamericanos  que foram presos e a todos que protestaram: todos os nossos aplausos!

Valentes eles já demonstraram ser. E apesar de estarem presos, tenho certeza de que também são livres, pois A VERDADE LIBERTA.

E como já disse Gandhi: “O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo que  a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver.

Por que você vive? Pelo que você Vive?

Por que você vive? Pelo que você Vive?

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É com muito prazer que hoje publicamos um texto de uma leitora do blog: Vanessa Marques. Ela é educadora, poetisa, “poetinha“, e acredito eu, divide suas lembranças entre a sensibilidade de um violão, a habilidade no manejo de um Master System e as aventuras homéricas passadas em um  pé de ameixa no quintal de casa. Além disso ela teve a sorte de nascer em uma ótima família:  a minha, hehehe.

Seja muito bem vinda Vanessa. E aos leitores, boa leitura:

Por que você vive? Pelo que você vive? E outras perguntinhas capciosas…

vidaEssas duas perguntas martelaram algum tempo por aqui, desde a primeira vez que entrei no site. E sei que martelou em muitas outras cabeças também. Isso porque nos fez pensar sobre coisas realmente importantes. O que a vida representa para nós? Qual seu valor real? Para os que preferem divagações mais poéticas podemos pensar:

Será a existência uns poucos anos,

Em que pairamos sobre esta terra entre a corrupção dos homens?

Que haverá para além deste primeiro ato?

A Vida, creio, haverá ainda, a Vida!”

Tenho acompanhado reflexões belíssimas aqui. A mais atual, com o tema “Liberdade”. Me peguei pensando “pelo que” tenho vivido. Por isso, gostaria de falar sobre um dos aspectos da vida, como necessidade primordial, e que tem se tornado centro das atenções sempre que manchetes escandalosas estouram nos jornais, sempre que estes “gritam” com todas as letras GARRAFAIS, atentados em escolas, envolvendo jovens, seus companheiros de classe ou professores. Estou falando da violência. Mas não é da violência que gostaria de falar e sim do outro lado da moeda. Da paz. Não como utopia, como algo irrealizável, mas como possibilidade, como algo “alcançável” e indispensável na vida de todos nós…

criancas2Entre algumas coisas que tenho lido, coisas de gente que acredita que a mudança é possível, um detalhe me chamou a atenção: “Paz pode ser aprendida e ensinada”. Não só pode, como deve! Quando nascemos não sabemos exatamente o que é paz, não nascemos prontos para ela (como não nascemos prontos para a violência). Precisamos aprender o que essa palavra significa e como é bom vivê-la. Isso me faz lembrar uma música do Natiruts:


Crianças não nascem más,

Crianças não nascem racistas

Crianças não nascem más,

Aprendem o que a gente ensina”

Inevitável olhar pra nós mesmos, impossível conter a enxurrada de perguntas que vão brotando…”Que temos feito pela paz, que não significa ausência de conflitos, que fazem parte da vida, mas sim a resolução não-violenta dos conflitos? *

pazInfelizmente os noticiários não divulgam a força e grandiosidade das pesquisas sobre “Paz”, não gritam em letras GARRAFAIS quantos educadores, quantas pessoas das comunidades carentes, pensam e fazem pela paz…pensam e fazem pela VIDA!

Nos resta a persistência…a insistência…a resiliência!

Começamos com duas perguntinhas capciosas e é com outras duas que encerramos:

E você, acredita ou não? E então, o que você faz pela paz?”

  • JARES, Xésus, Educação para a paz: sua teoria e sua prática. Porto Alegre: Artmed, 2002

Vanessa Marques.

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