Essa é uma das coisas que eu não entendo como alguém possa defender. Talvez seja por me identificar um pouco com o Dexter, crianças são meu ponto fraco.
Daí vem a revolta quando vejo críticas e perseguições a projetos como o HAKANI e o ATINI, que se dedicam a salvar crianças indígenas. Coisa que deveria ser tarefa do Estado, mas este é mais um dos perseguidores.
Neste último dia 04 de fevereiro, os criadores da ATINI receberam uma intimação para depor na Procuradoria Geral da República, devido a diversas acusações absurdas. Eles pediram nossas orações, mas eu quero pedir ainda mais.
Em respeito aos projetos e a luta que vem sendo empregada em favor da vida, peço que orem e divulguem o caso.
Faz bastante tempo que a @evangelista nos indicou a Visão Mundial, uma organização brasileira, não governamental e cristã que luta pelo desenvolvimento, promoção humana, justiça, assistência social, e combate a pobreza.
Você pode ler mais sobre a Visão Mundial aqui, mas o mais importante é saber que esta é uma organização que se dedica a apoiar projetos de desenvolvimento e transformação social, que promovam vida em abundância para crianças, em todos os níveis que isso seja possível.
Através dela você pode encontrar e apadrinhar crianças, segundo as suas condições, ao mesmo tempo em que recebe informações sobre o projeto que beneficia a comunidade na qual a criança está inserida.
Vale como dica para todos os nossos visitantes, quer seja esta organização ou outra, existe muita gente precisando da nossa ajuda por aí…
Nesta semana recebi um daqueles inúmeros emails encaminhados. Mais um texto (ou power point) bonitinho que seria sumariamente deletado se não fosse a importância da pessoa que me enviou.
Dei o crédito e não me arrependi… A notícia, que diz ter sido publicada em 04/01/2006 e não possui o nome do autor, ganhou o título de “O caso do poema roubado” no jornal “O Globo“, coisa que não consegui conferir, mas também não tenho motivos para duvidar…
O caso do poema roubado
Há coisa de dois ou três meses apareceu, no portão do sítio, um pacote grande, embrulhado num saco de lixo preto. Ninguém viu quem trouxe. Amanheceu e estava lá. Assim que foi notado, ficaram todos da casa, bípedes e quadrúpedes, muito cabreiros com a sua presença. Nos dias de hoje, ninguém vê com confiança ou simpatia pacotes grandes, embrulhados em sacos de lixo pretos.
Os cachorros cheiraram e latiram, os gatos mantiveram distância, o Dirceu olhou de longe, cutucou com uma vareta, chamou Mamãe. O conteúdo parecia ser duro, sólido, como madeira. Não era nada morto, com certeza. E não parecia ser bomba, muito embora ninguém da família tenha a mais remota idéia de como seja uma bomba, salvo pelo que se vê no cinema e nos desenhos animados.
Finalmente, depois de mais cutucadas e de muita hesitação, o pacote foi trazido para dentro, e aberto com o cuidado que a desconfiança recomendava. Quando o conteúdo se revelou, surpresa total: quem poderia imaginar que um poema roubado há 30 anos voltasse ao lar daquela maneira?!
Quando o sítio ficou pronto, em princípios dos anos 60, uma das primeiras providências dos meus pais foi espalhar pelo jardim e pela floresta uma dúzia de poemas. Papai os selecionava, Mamãe os pintava em tabuletas e ambos escolhiam juntos, com capricho, as árvores e os cantinhos onde seriam expostos. Passear pelo sítio era como entrar numa pequena antologia sentimental.
Com o tempo, as tabuletas foram sumindo. Algumas queimaram junto com as suas árvores nos incêndios que, há alguns anos, eram comuns na região e que, apesar dos esforços do pessoal lá de casa, eventualmente atingiam partes do terreno. Outras foram vítimas do tempo. A maioria, porém, desapareceu sem deixar vestígios.
O poema devolvido chama-se “Casa antiga”, foi escrito em 1964 por minha madrinha Cecília Meireles e dedicado a Nora e Paulo Rónai:
Forrarei tua casa já tão antiga
Com um papel que imita as paredes de tijolo.
Ficará tão lindo como se estivéssemos na Holanda.
Forrarei tua casa assim, mas por dentro,
De modo que, longe de todas as vistas,
Será como se estivéssemos ao ar livre, no jardim.
E deixarei uma parede quebrada ? não uma porta, não uma janela:
Uma parede quebrada por onde passe um ramo de goiabeira
Carregado de flores e vespas.
Parecerá que estamos sonhando,
E estamos sonhando mesmo,
E parecerá que estamos vivendo,
E a vida não é mesmo um sonho impossível?
Dentro do pacote, junto com a tabuleta, veio um bilhete escrito em letra pouco cultivada, na folha arrancada de um caderno. Dizia o seguinte: “Quando era menino achei este quadro lindo, pelo poema. Peço perdão por ter roubado este quadro. Hoje me converti a Jesus e sinto necessidade de devolvê-lo. Sinto-me envergonhado pela minha atitude. Mais era só um menino. Peço perdão a Deus e a vocês. E que vocês também consigam perdoar.”
Não havia nome, assinatura, nada. Ficamos com muita pena, pois teríamos gostado de conhecer e abraçar o menino antigo que roubou o poema e o homem correto que o devolveu, passados tantos anos. Mal sabe ele que nos deu um presente muito maior do que o que levou: um mundo onde crianças roubam poemas e adultos os devolvem é um mundo de beleza e de esperança.
(O Globo, Segundo Caderno, 4.1.2006)
P.S.: Achamos a autora do texto! É a cronista Cora Ronai. Que ela receba a nossa gratidão por ter nos presenteado com essa maravilha…
Há alguns anos, estava eu no carro de uma amiga, quando reparo uma música romântica tocando no CD-player. Apenas uma canção de amor… “É Ana Carolina?” Perguntei. “Não, é Rosa de Saron. É católico!” Só então me toquei que quem estava cantando era um homem, e não a famosa cantora de voz grave. Sempre admirei a voz da Ana Carolina, não só pelo timbre e pelos efeitos que ela faz, mas sobretudo pela energia que passa quando canta. Às vezes me ocorria como seria se ela ou outros grandes artistas usassem o seu talento para passar uma mensagem legal, que coadunasse com o que eu acredito. Não que não existam boas mensagens na música de hoje, há até muita gente sincera por aí, que canta o que acredita, mas sentia falta de algo mais profundo, que além de uma boa música conseguisse passar uma coisa bem cara nos dias de hoje: esperança. Uma boa mensagem numa bela voz, mas que fosse acessível a todos, não ficasse só restrito a algumas “alas” como Milton, por exemplo . Profundo, bonito e popular. Por que não?
Pois, enquanto ouvia aquelas músicas no carro da minha amiga, senti de cara que estava diante de algo diferente. Um rock bem feito, com uma voz que passava uma emoção sincera. Não ouvi muito, mas foi o suficiente para um mês depois, num encontro em Maringá, dar um tiro no escuro (no crepúsculo, talvez) e comprar um CD com um menininho triste e azul na capa. “Depois do Inverno” era o nome, e nem a arte nem as letras – e nem mesmo a sonoridade – lembravam qualquer coisa “de Igreja” que eu já tivesse ouvido. Estava eu justamente numa fase bem rockeira, mas buscando algo mais nas músicas que ouvia. E a voz daquele garoto, embora à primeira vista pudesse lembrar outras conhecidas do meio musical, era diferente. Não vinha simplesmente da garganta, tinha algo mais profundo ali. Vinha realmente dopeito.
Virei fã, e contagiei muitos à minha volta, que após o estranhamento inicial (“Rosas de Sharon”? O que é isso?) logo passaram a admirar e se envolver também com aquelas músicas que não falavam só de améns e aleluias, mas de dualismos e sorrisos em meio a lágrimas…
Depois fui em alguns shows, e de forma gradual acompanhei o crescimento deles, o conhecimento, o reconhecimento – e o inevitável “histerecimento” de parte do público. No começo de 2006, num festival em BH, vi Rogério, o baixista, ser quase esmagado por uma legião de adolescentes em busca de sua assinatura num CD ou num papelzinho qualquer. Fiquei pasmo com a imagem. O segurança demorou uns 15 minutos para conseguir chegar onde ele estava e tirá-lo de lá, correndo. “Imagina se fosse o Guilherme, o vocalista?”, pensei. Naquela época ele já era motivo de berros tresloucados das meninas toda vez que subia ao palco, e mesmo assim todos eles faziam questão absoluta de estarem sempre disponíveis ao público depois dos shows, ter contato o mais próximo possível. Aquilo sempre me chamou muito a atenção.
Por um período não fui um “fã” assim tão afoito, embora continuasse acompanhando e admirando o trabalho tanto quanto antes. A forma como falavam da vida, da eterna procura por Deus, aquele jeito missionário e simples de ser “artista”, chamavam mais atenção que o rock em si. Pois, em junho de 2008, estava passando por um momento complicado, término de namoro, desapontamentos com meus trabalhos na Igreja, mil inquietações quanto à carreira, ao futuro… O aguardado DVD “Acústico e ao Vivo” do Rosa acabara de ser lançado; um dia então saí do mestrado e fui decidido procurá-lo nas ruas da cidade; achei-o quase na hora da loja fechar. Tinha acabado de chegar, estava me esperando ainda dentro da caixa, ninguém ainda havia comprado naquela loja. Talvez na cidade inteira. Cheguei em casa afoito, apaguei a luz e assisti tudo de um fôlego só, sentado em almofadas no chão do quarto com o notebook no colo, o som na maior altura a me envolver. Me senti novamente um adolescente, emocionando-me com o cenário, com as filmagens, com cada música. Era uma verdadeira obra de arte, o melhor acústico que já tinha visto desde que descobri o gênero, com aquele CD sensacional dos Titãs em 1997… Mas o que mais me tocou no DVD do Rosa foi ver o depoimento da banda, contando da trajetória para chegar ali, a luta que foi conseguir realizar aquilo tudo. Me veio à mente tanta coisa, tanto trabalho, tantas pequenas “missões” que já encarei na vida, no fundo tão parecidas com aquela obra maravilhosa que eles tinham conseguido realizar, de forma tão inédita na música católica e talvez brasileira… Pouco tempo depois, ao ler, também de um só fôlego, o livro que conta a história da banda, pude constatar mais detalhes desse longo caminho que, na verdade, teve início há 20 anos atrás com a fundação do grupo, ainda algo inocente feito para tocar em grupos de oração. Com certeza naquela época eles já tinham um diferencial, talvez resumido na letra de “Chance”: “não deixe nunca de acreditar”…
Aquilo foi uma sacudida pra mim, um empurrão pra frente, uma alavancada pra enfrentar aquilo tudo que estava passando. A música do Rosa estava presente em minha vida, vivia pensando que o trabalho deles era feito para ser conhecido por todosos cantos, como qualquer outro artista de qualidade que faz sucesso por aí. Um dia, ao chegar cansado em casa, botei o DVD pra tocar enquanto constatava, triste, que já fazia tempo que ele tinha sido lançado, e por mais que tivesse alcançado muita gente, ainda não tinha extrapolado os muros da Igreja. Imaginava que o DVD era a grande chance, o tudo-ou-nada, a hora exata de tentar tal façanha. Minimizei a tela do show e, por um acaso, entrei no site da banda, coisa que não fazia há algum tempo. Tinham acabado de publicar a última notícia: Contrato fechado com a Som Livre. Sim, orações dão resultado… Outra boa alavancada.
Após o estado de êxtase inicial, minha euforia foi só crescendo, imaginando um futuro de glória para a banda. Cheguei a me preocupar com a demora pra passarem o comercial na TV aberta, com a falta freqüente do DVD nas prateleiras das lojas (enquanto nunca faltava nos camelôs). Mas bastou um pouco mais de divulgação para a banda ser a mais buscada nos sites de cifras da internet, algumas músicas começarem a bombar nas rádios e o DVD entrar na lista dos mais vendidos do país. Tudo indica que é questão de tempo para eles se tornarem plenamente conhecidos por todo mundo, ninguém mais perguntar “Quem??” quando você falar em Rosa de Saron. O sucesso chegou.
E, com ele, as dificuldades. Menos tempo para conversar com os fãs, para curtir as viagens, para dormir entre um show e outro. Toda situação nova gera stress, e alguns fazem questão de aumentá-lo com cobranças e xiliques, saudosos dos tempos em que sempre conseguiam ficar mais perto dos “ídolos”. Num show que fui há algumas semanas, uma senhorinha de igreja resmungava na volta, dentro do ônibus: “triste é a gente viajar de longe pra chegar aqui, pagar o ingresso, comprar o CD, e não conseguir autografar o CD!” Gente reclamando da lotação, que não conseguiam chegar perto do palco – sendo que, a meu ver, estava até bem tranqüilo para um show cheio de adolescentes, com 4 mil pessoas num local fechado…
Talvez não tenham percebido a beleza que foi ver tantos e tantos jovens, de todos os tipos – desde aqueles que não tiram o terço do pulso até as que dançam “até o chão” com o trance que tava tocando antes, passando por aqueles que só entram no show após a segunda lata de cerveja – todos mergulhados nas canções, e vibrando de verdade a cada vez que eles falavam de paz, de Deus – coisas que todos, no fundo, pareciam buscar. Neste mês fazem exatos cinco anos que, no carro de minha amiga, ouvi pela primeira vez aquele forte verso:“não quero minha vida igual a tudo que se vê”. E pode parecer ingênuo, mas ao ver num show que fui ontem, aquele povo tão heterogêneo levantando as mãos e cantando com toda força essa mesma frase que tanto me marcou naquela época, me senti em meio a uma pequena revolução – ainda embrionária, talvez… mas bem real.
A música leva a reflexão ao fundo da alma, aonde a razão pura nem sempre consegue chegar. Poesia serve para gritar coisas que às vezes não conseguimos expressar com a devida lógica, mas que são reais, estão lá dentro. É isso o que fazem os grandes poetas. Pois imaginem se o Renato Russo, ao invés de se entregar à depressão e ao alcoolismo ao descobrir que estava com AIDS, depois de lançar o disco “As Quatro Estações”, tivesse conseguido se aprofundar ainda mais na mensagem traçada ali. Legião Urbana foi uma banda que fez uma geração inteira cantar “você me diz que seus pais não te entendem, mas você não entende seus pais”, em plena era de revolta dos anos 80. O grito de “é preciso amar como se não houvesse amanhã” está sob a pele de cada um, ecoa por toda parte, inclusive no DVD do Rosa. Desta vez, no entanto, o rock não serve somente para espantar os males de quem canta, dar um alívio enquanto a vida lá fora continua sufocando, como sufocou Renato. Ele traz a própria vida em si. Com suas cruzes, angústias e invernos, seus jogos de espelho e momentos de rara calma. Mas sempre olhando de frente.
O que houve com Susan Boyle, voz fenomenal, 47 anos, internada em maio de 2009 com sinais de colapso nervoso e com a menina Maísa, 7 anos, que chorou duas vezes por sentir-se deslocada diante das câmeras que ela parecia dominar; o que houve com centenas de pessoas a quem a fama feriu por alguns momentos ou para sempre, merece reflexão.
A notoriedade não é para qualquer pessoa nem para qualquer idade. Há formigas que carregam pesados fardos e chegam ao formigueiro. Outras, sucumbem à caminho, ou abandonam a carga. Têm acontecido com cantores, artistas, sacerdotes, jogadores e atletas. A mídia é veículo, mas pode se tornar um fardo acima da capacidade da pessoa. Isso explica os desvios de conduta de alguns jogadores de futebol que jogam tudo para o ar e tiram férias por própria conta; também artistas que abandonam o set de filmagem e vão embora cuidar de sua vida pessoal; também os religiososque rompem com a vida espiritual pregressa e partem para o seu projeto pessoal, e isso, em todas as igrejas.
Foram milhares os famosos feridos pela fama. Suicídios, crimes, desrespeito à palavra dada e aos contratos assinados, graves desvios de conduta, sucessivos matrimônios falidos, perda de rumo, graves problemas com a lei ou com o seu público mostram que, tanto entre eles, os notórios e famosos, quanto entre os não notórios cansados de algum fardo, há feridas incuráveis. Mas o drama ganha dimensões catastróficas quando alguém galgou os degraus da fama.
Álcool, drogas, superdoses de medicina, tendência à autodestruição estão na ordem do dia de muitos famosos; não porque são famosos, mas porque no caso deles, a fama tornou-se peso impossível de administrar. Pensaram controlar e acabaram controlados. É que ninguém fica famoso sozinho. Há todo um mecanismo de marketing atrás da fama. É esse mecanismo que sustenta os famosos que, desde o começo, se revela maior do que a pessoa promovida.
Os famosos são mais levados do que imaginam ir. Como a criança no carrinho dos tutores que não deseja ir onde a levam, alguns famosos esperneiam, querem fugir do contrato, tentam saltar fora e arcar com menos compromissos, mas nem sempre conseguem. “The show must go on” dizia-se em Hollywood. Pararam de dizer, mas ainda o fazem. Em outras palavras, vale o show e não o artista, nem mesmo o artista número um! Há milhões de dólares em questão!
Aí a fama começa a doer. E é sofrimento mortal que alguns tentam amenizar com drogas. Em alguns casos, como o de Elvis Presley, Marilyn Monroe e Michael Jackson e Elis Regina, que perderam o controle do que ingeriam e do pastor Jim Jones que perdeu o controle da fé que anunciava, chega-se ao ponto do não retorno. Algum dia virá a super-dosagem. O tristemente famosos pastor matou-se e matou mais de 800 fiéis ao ver que sua Jonestown corria o risco de não dar certo… Não soube voltar atrás. Apostara demais no seu projeto.
Crianças pagaram um alto preço pela notoriedade. De Shirley Temple a Maísa, há que se distinguir o que para uma criança é brincadeira e quando deixa de ser. No caso de Maísa, a simpática e prendada menina de sete anos, sinalizou com clareza que a brincadeira do ancião e famoso apresentador tinha ido longe demais. A brincadeira dele a feriu. Shirley Temple que, na sua época, encantou milhões de cinéfilos, amargou um terrível ostracismo ao deixar a infância. Com ela, Pablito Calvoe centenas de crianças midiáticas. A vida se lhes mudou radicalmente depois daqueles dias de holofotes.
Marilyn Monroe, Janis Joplin, Elvis Presley, Judy Garland, Michael Jackson, Elis Regina, Cássia Eller, quinze ou vinte famosos brasileiros, são apenas alguns dos mais conhecidos entre os mais de mil nomes de pessoas famosas que por um momento, ou por anos a fio perderam o controle e a paz. O caso da subitamente famosa Susan Boyle que, vivendo fama súbita de algumas semanas, precisou de ajuda logo após ter perdido uma competição, mostra que, às vezes, o peso da fama tira a pessoa do seu eixo.
Não acontece apenas no mundo artístico. Jogadores de futebol, atletas e até religiosos guindados à fama perderam com facilidade o referencial e mudaram radicalmente de postura. Pensavam controlar a publicidade, mas foram por ela controlados. A fama, tanto quanto a mídia, são cavalos xucros. Feliz de quem consegue montá-la por anos a fio, sem cair. Na arena, a média é de cinco a oito segundos. Na vida, alguns passam décadas diante das luzes. Outros, porém, em menos de dois anos acabam cegos pelos mesmos holofotes que tanto cortejaram. A formiga cortara pedaço maior do que poderia carregar!
Quantos entre nós podem garantir que seriam mais fortes? Oremos pelos famosos. Alguns buscaram desesperadamente os pesos que hoje carregam. Outros não buscaram, mas descobriram-se famosos. Uns e outros sofrem. Mas quem quis a fama sofre mais. Muito provavelmente fez concessões que não deveria ter feito.
Há algum tempo o Luís insiste em que eu faça um Twitter pra mim. Não sou lá muito fã desse negócio, mas hoje decidi dar uma entrada pra ver qual é. Pois não consegui, o site estava congestionado. Me lembrei de quando o orkut estava ainda começando e travava toda hora, e na hora imaginei estar acontecendo algo semelhante com essa nova “modinha” da internet… Mas pouco depois um amigo entra no MSN com uma mensagem estranha, vou no Google e descubro a verdade: Michael Jackson acabara de morrer. E o Twitter travou de tanta gente procurando por notícias.
No Jornal Nacional os apresentadores abalados, na MTV só tocam os clipes dele, em suas longas versões integrais (quase curta-metragens). Realmente, ele está morto. Um fato que, apesar de não desejado, infelizmente já era meio que esperado há algum tempo… Não faltavam rumores de que o cantor estava à beira da morte, comparações de sua imagem com a do início de carreira, histórias sobre os inúmeros procedimentos médicos pelo qual passou até sofrer toda aquela estranha metamorfose corporal… Vítima de vitiligo? Portador de distúrbios mentais? Pedófilo? Talvez só o tempo esclareça a realidade dos fatos… Mas o fato é que a fama realmente parece não ter feito bem a este homem. Se, por um lado, o mundo conheceu um verdadeiro gênio da dança, da performance musical, por outro Michael Jackson conheceu o inferno e o céu em vida. Nenhum outro, certamente, foi ao mesmo tempo tão aclamado e tão criticado no showbusiness como o “rei do pop”. Houve de tudo em seus mais de 40 anos de carreira…
Ainda não foram esclarecidos as verdadeiras causas da morte, o que realmente gerou a parada cardíaca e o coma. Mas me pergunto se uma análise mais profunda não encontraria tais causas na própria vida do cantor, tão atribulada desde que, conta a lenda, foi forçado pelo pai a participar de um grupo musical com seus irmãos. Foram 50 anos de uma vida louca, inimaginável para nós, reles mortais… Se a viveu bem, cabe a ele julgar. A nós, cabe aprender um pouco com as lições que tanta loucura nos traz… O artista genial, aquele que se destaca de todos os outros, tem sempre tendência a morrer mais cedo? A ser sempre um louco ou angustiado, a traduzir todo seu sofrimento em arte? Será a grande arte incompatível com a vida?…
É claro que não. Temos grandes exemplos ao longo da humanidade de gênios que souberam viver muito bem, e transmitir essa vida através da arte, da ciência, da filosofia, de formas maravilhosas. E outros que até tentaram, mas infelizmente não conseguiram… Não sei se esse foi o caso de Michael. Mas, com certeza, ele nos deixou algo de bom. Que o resto, então, nos faça refletir e pensar se aqueles que estamos idolatrando hoje não podem se tornar o Michael Jackson de amanhã. Há vários por aí que, com certeza, não estão conseguindo lidar com a fama (Britney Spears que o diga). E nós, como os estamos tratando? Incentivando ainda mais a loucura?…
Em homenagem ao Michael, um clipe que faz lembrar minha infância. É o clipe de música mais assistido no mundo em sua estréia, uma verdadeira superprodução para a época, fez história. Pois é… rs. (proibiram a incorporação dos vídeos em outros sites, mas basta clicar pra ver direto no Youtube!)
Por esses dias aconteceu uma coisa engraçada. Após algum tempo sem conferir algumas estatísticas mais detalhadas do site, me deparei com o número de visitantes do site: um pouco maior que 10.000.
Graças a Deus, em quatro meses e alguns dias de história já conseguimos esta marca. Fico muito feliz com o número expressivo, mas o que me deixa mais feliz é ver que, aos poucos, vamos tomando forma, conteúdo e um estilo próprio de falar sobre a vida.
Neste sábado (amanhã) vamos fazer nossa primeira Excursão Pela Vida! Nossa equipe irá até Muriaé-MG, onde além de poder assistir ao maravilhoso show do Rosa de Saron, ganhamos um presente da organização do evento.
Os organizadores nos cederam alguns minutos antes do show para que pudéssemos falar sobre a Vida e questões relativas ao que já tratamos aqui no site (aborto, doaçãodesangue, educação para a paz, esperança, etc…).
Agradecemos a todos os leitores deste site, aos nossos amigos, colaboradores, intercessores e conselheiros…
Torçam por nossa viagem, e por cada pessoa que tenta fazer com que a mensagem da Vida seja levada a todos os cantos…
E “vamo que vamo” que o som não pode parar. … como dizia o poeta: Ao infinito e além!
Ele é o maior fenômeno de mídia dos últimos tempos: seu primeiro CD lançado por uma grande gravadora, em um único mês, atingiu o primeiro lugar entre os mais vendidos de 2008. Seu recém-lançado DVD vai pelo mesmo caminho, e seu último livro é destaque absoluto em todas as livrarias. Ele é Fábio de Melo, um padre nada convencional, tentando passar uma mensagem bem convencional: o cristianismo.
Forma nova de passar o mesmo conteúdo de sempre? Uma tentativa moderna de pregar um conteúdo “anti-moderno por natureza”? Ou simplesmente um transbordar natural, da forma como ele sabe fazer, daquilo que ele vive e sente?… Seja como for, Padre Fábio causa estranheza. Sua primeira impressão, arrisco dizer, nunca é das melhores – com exceção, talvez, das interessadas em algo além da batina, por assim dizer. Já perdi a conta de quantas pessoas já videscerem a lenha nele num primeiro momento, e depois voltarem atrás, ao prestar mais atenção no que ele diz… Eu, inclusive (a carapuça serve que é uma beleza…). Convenhamos, não é nada fácil entender o que quer esse tal padre com pinta de galã, que às vezes mais parece uma versão rejuvenescida do Fábio Júnior. Tô mentindo?…
E foi com certa estranheza que Jô Soares o recebeu em seu programa, na semana passada. Achei interessante notar a diferença da sua postura entre a primeira metade da entrevista e a segunda. Até o primeiro intervalo, Jô deu várias daquelas suas clássicas tiradas, sérias ou irônicas, que parecem ser mais pra implicar com o convidado do que para debater seriamente o tema, ou mesmo fazer uma “crítica construtiva”…
Foi assim até o padre cantar a primeira música. Praticamente nenhuma pergunta sobre o trabalho ou a vida pessoal dele, só debates teológicos e alfinetadas à Igreja. Pe. Fábio tentava se livrar das saias justas (para ira dos mais conservadores, que ainda nutriam a esperança de vê-lo de batina defendendo a “Santa e Infalível Igreja” a todo custo, ao invés de admitir que querer ser sempre dono da verdade é arrogância)…
Até que chegou a hora de apresentar sua banda. Aí, pronto. Ao ver que todos os músicos do padre estavam com a frase “Todos contra a pedofilia” estampada na camisa, o Jô disse que aquela era uma campanha “supérflua”, já que, a seu ver, “ninguém é a favor da pedofilia” (talvez ele acredite que os pedófilos ajam contra a própria vontade, quem sabe..). O padre, sem perder a simpatia, ainda tentou explicar o óbvio, da importância da visibilização da campanha (que nem era dele), mas não adiantou. Jô Soares, que se declara católico, não estava mesmo a fim de dar um voto de confiança àquele sujeito que, ora essa, estava ali, “ousadamente”, representando a mais malfadada de todas as instituições – a Igreja Católica. E disparou:
“Me parece (não sei, talvez eu esteja enganado) que esta camiseta também é pra que se faça uma campanha pra tirar um pouco da Igreja essa reputação de tantos padres pefófilos, de tantos casos, tantos escândalos ligando a Igreja a casos de pedofilia”.
(Jô critica campanha contra pedofilia do Pe Fábio – a partir de 4:28)
Jesus,que não media palavras na hora de botar o dedo em riste e atacar hipocrisias, também se calou diante de algumas perguntas, quando sentia que não estavam a fim de ouví-lo, mas de condená-lo independente da resposta. Talvez seja o que se passa pela cabeça do padre quando ouve uma indelicadeza dessas. E, em resposta, ressaltou o intuito da campanha (que, como ele já havia dito, não era da Igreja Católica) e fez o que lhe restava fazer: cantar.
O engraçado é que, conversando depois com alguns amigos sobre essa entrevista, o único que não achou o Jô “indelicado” foi justamente um que viu somente a segunda metade da entrevista. Exatamente quando Pe. Fábio começou a cantar e a falar mais do seu trabalho e de suas reflexões. No final, o apresentador, já bem mais simpático, pediu uma bênção. O padre deu, terminando em grande estilo. Talvez depois ele desabafe em algum de seus programas na TV Canção Nova. Mas aquela não era a hora de travar uma batalha apologética. Era a hora de passar sua mensagem.
Talvez, durante este programa, o Jô tenha entrado para o rol dos que vestem a carapuça “eu já falei mal do Pe Fábio e hoje o admiro”. Talvez continue engrossando a lista dos fazem de ataques gratuitos à Igreja um esporte divertido – modalidade preferida de muitos “intelectuais”, que estranhamente são bastante exigentes ao formular críticas embasadas sobre outras instituições ou correntes de pensamento. Padre Fábio de Melo está enfrentando um momento paradoxal, em que a religião vende pra burro e, ao mesmo tempo, é atacada pra burro. Burro, ora essa, é quem simplesmente vai com as outras e segue o discurso que tá na moda, sem nem ao menos refletir por si próprio. Seja de que lado for.
Em tempo: Todos contra a pedofilia! Seja de padres, artistas de TV ou aquele rapaz simpático da esquina…
É com muito prazer que hoje publicamos um texto de uma leitora do blog: Vanessa Marques. Ela é educadora, poetisa, “poetinha“, e acredito eu, divide suas lembranças entre a sensibilidade de um violão, a habilidade no manejo de um Master System e as aventuras homéricas passadas em um pé de ameixa no quintal de casa. Além disso ela teve a sorte de nascer em uma ótima família: a minha, hehehe.
Seja muito bem vinda Vanessa. E aos leitores, boa leitura:
Por que você vive? Pelo que você vive? E outras perguntinhas capciosas…
Essas duas perguntas martelaram algum tempo por aqui, desde a primeira vez que entrei no site. E sei que martelou em muitas outras cabeças também. Isso porque nos fez pensar sobre coisas realmente importantes. O que a vida representa para nós? Qual seu valor real? Para os que preferem divagações mais poéticas podemos pensar:
“Será a existência uns poucos anos,
Em que pairamos sobre esta terra entre a corrupção dos homens?
Que haverá para além deste primeiro ato?
A Vida, creio, haverá ainda, a Vida!”
Tenho acompanhado reflexões belíssimas aqui. A mais atual, com o tema “Liberdade”. Me peguei pensando “pelo que” tenho vivido. Por isso, gostaria de falar sobre um dos aspectos da vida, como necessidade primordial, e que tem se tornado centro das atenções sempre que manchetes escandalosas estouram nos jornais, sempre que estes “gritam” com todas as letras GARRAFAIS, atentados em escolas, envolvendo jovens, seus companheiros de classe ou professores. Estou falando da violência. Mas não é da violência que gostaria de falar e sim do outro lado da moeda. Da paz. Não como utopia, como algo irrealizável, mas como possibilidade, como algo “alcançável” e indispensável na vida de todos nós…
Entre algumas coisas que tenho lido, coisas de gente que acredita que a mudança é possível, um detalhe me chamou a atenção: “Paz pode ser aprendida e ensinada”. Não só pode, como deve! Quando nascemos não sabemos exatamente o que é paz, não nascemos prontos para ela (como não nascemos prontos para a violência). Precisamos aprender o que essa palavra significa e como é bom vivê-la. Isso me faz lembrar uma música do Natiruts:
“Crianças não nascem más,
Crianças não nascem racistas
Crianças não nascem más,
Aprendem o que a gente ensina”
Inevitável olhar pra nós mesmos, impossível conter a enxurrada de perguntas que vão brotando…”Que temos feito pela paz, que não significa ausência de conflitos, que fazem parte da vida, mas sim a resolução não-violenta dos conflitos? *
Infelizmente os noticiários não divulgam a força e grandiosidade das pesquisas sobre “Paz”, não gritam em letras GARRAFAIS quantos educadores, quantas pessoas das comunidades carentes, pensam e fazem pela paz…pensam e fazem pela VIDA!
Nos resta a persistência…a insistência…a resiliência!
Começamos com duas perguntinhas capciosas e é com outras duas que encerramos:
“E você, acredita ou não? E então, o que você faz pela paz?”
JARES, Xésus, Educação para a paz: sua teoria e sua prática. Porto Alegre: Artmed, 2002
Eu tinha 6 anos. A professora lá na frente, tentando explicar pra gente o que era o “Dia Internacional da Mulher”. E eu tentando entender:
_ Tia, quando é o dia inte… inter… intena… o dia do homem?
_ Não tem.
_ Não tem?
_ Não tem.
_ Por quê?
_ Bem, porque… porque…
Era a deixa pra um colega mais engraçadinho:
_ [...]
Suspeita de pneumonia, problemas no mestrado, no trabalho, um calor chato e uma eterna pergunta que não para de martelar… Para onde estou indo?
Sim, queria saber onde.
Tantos são os caminhos. Para alguns deles sei que não sirvo, outros simplesmente não me servem.
Talvez seja por isso que penso tanto em ter um gato, meu [...]
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