Felicidade

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Essa semana estamos comemorando 1 ano de existência.

Um ano que passou rápido, sem dúvidas. Parece que foi ontem que, empolgados, trocávamos idéias (e isso durou meses) até conceber este site que se tornaria algo bastante precioso para nós. Um site pela vida.

Temos, com certeza, muita história pra contar deste primeiro ano. Foram 316 posts, 747 comentários, mais de 50 mil visitas segundo o Sitemeter.

Loucas aventuras (algumas que nem chegamos a comentar aqui), vários contratempos, muito aprendizado. É bom demais olhar pra trás, lembrar disso tudo, e poder dizer: “sobrevivemos e ainda agüentamos muito mais!

E hoje, um ano depois, temos muito o que agradecer! A todos os que nos apóiam, os que nos desafiam, os que nos acompanham e nós nem conhecemos. E a todos que, mesmo sem saber, compartilham conosco o ideal de “viver pela vida” – esteja onde estiver, fazendo o que quer que seja. A todos que sabem viver, dedicamos esse nosso primeiro aniversário!

aniversario

Por tudo o que vivemos, obrigado. E por tudo o que viveremos, sim!

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Queria fazer agora uma canção alegre
Brincando com palavras simples boas de cantar
Luz de vela, rio, peixe, homem, pedra, mar
Sol, lua, vento, fogo, filho, pai e mãe, mulher.

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Milton Nascimento

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Nesta semana recebi um daqueles inúmeros emails encaminhados. Mais um texto (ou power point) bonitinho que seria sumariamente deletado se não fosse a importância da pessoa que me enviou.

Dei o crédito e não me arrependi… A notícia, que diz ter sido publicada em 04/01/2006 e não possui o nome do autor, ganhou o título de “O caso do poema roubado” no jornal “O Globo“, coisa que não consegui conferir, mas também não tenho motivos para duvidar…

O caso do poema roubado

poema_roubadoHá coisa de dois ou três meses apareceu, no portão do sítio, um pacote grande, embrulhado num saco de lixo preto. Ninguém viu quem trouxe. Amanheceu e estava lá. Assim que foi notado, ficaram todos da casa, bípedes e quadrúpedes, muito cabreiros com a sua presença. Nos dias de hoje, ninguém vê com confiança ou simpatia pacotes grandes, embrulhados em sacos de lixo pretos.

Os cachorros cheiraram e latiram, os gatos mantiveram distância, o Dirceu olhou de longe, cutucou com uma vareta, chamou Mamãe. O conteúdo parecia ser duro, sólido, como madeira. Não era nada morto, com certeza. E não parecia ser bomba, muito embora ninguém da família tenha a mais remota idéia de como seja uma bomba, salvo pelo que se vê no cinema e nos desenhos animados.

Finalmente, depois de mais cutucadas e de muita hesitação, o pacote foi trazido para dentro, e aberto com o cuidado que a desconfiança recomendava. Quando o conteúdo se revelou, surpresa total: quem poderia imaginar que um poema roubado há 30 anos voltasse ao lar daquela maneira?!

Quando o sítio ficou pronto, em princípios dos anos 60, uma das primeiras providências dos meus pais foi espalhar pelo jardim e pela floresta uma dúzia de poemas. Papai os selecionava, Mamãe os pintava em tabuletas e ambos escolhiam juntos, com capricho, as árvores e os cantinhos onde seriam expostos. Passear pelo sítio era como entrar numa pequena antologia sentimental.

Com o tempo, as tabuletas foram sumindo. Algumas queimaram junto com as suas árvores nos incêndios que, há alguns anos, eram comuns na região e que, apesar dos esforços do pessoal lá de casa, eventualmente atingiam partes do terreno. Outras foram vítimas do tempo. A maioria, porém, desapareceu sem deixar vestígios.

O poema devolvido chama-se “Casa antiga”, foi escrito em 1964 por minha madrinha Cecília Meireles e dedicado a Nora e Paulo Rónai:

Forrarei tua casa já tão antiga
Com um papel que imita as paredes de tijolo.
Ficará tão lindo como se estivéssemos na Holanda.

Forrarei tua casa assim, mas por dentro,
De modo que, longe de todas as vistas,
Será como se estivéssemos ao ar livre, no jardim.

E deixarei uma parede quebrada ? não uma porta, não uma janela:
Uma parede quebrada por onde passe um ramo de goiabeira
Carregado de flores e vespas.

Parecerá que estamos sonhando,
E estamos sonhando mesmo,
E parecerá que estamos vivendo,
E a vida não é mesmo um sonho impossível?

Dentro do pacote, junto com a tabuleta, veio um bilhete escrito em letra pouco cultivada, na folha arrancada de um caderno. Dizia o seguinte: “Quando era menino achei este quadro lindo, pelo poema. Peço perdão por ter roubado este quadro. Hoje me converti a Jesus e sinto necessidade de devolvê-lo. Sinto-me envergonhado pela minha atitude. Mais era só um menino. Peço perdão a Deus e a vocês. E que vocês também consigam perdoar.”

Não havia nome, assinatura, nada. Ficamos com muita pena, pois teríamos gostado de conhecer e abraçar o menino antigo que roubou o poema e o homem correto que o devolveu, passados tantos anos. Mal sabe ele que nos deu um presente muito maior do que o que levou: um mundo onde crianças roubam poemas e adultos os devolvem é um mundo de beleza e de esperança.
(O Globo, Segundo Caderno, 4.1.2006)

P.S.: Achamos a autora do texto! É a cronista Cora Ronai. Que ela receba a nossa gratidão por ter nos presenteado com essa maravilha…

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sentado na pedra_ Por que o medo?

É madrugada. Sozinho no terraço de casa, silêncio, chuva fina. Mais alto que os fios, mais baixo que as árvores. Lá embaixo o barulho da pequena fonte da praça, a rua molhada, o gramado orvalhado.Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem. Lá em cima aquele céu vermelho de quando a cidade não deixa a escuridão entrar. Lá na frente o morro, a mata, as luzes. Lá atrás os vizinhos, as casas, as camas… Tanta gente ao redor, tantas vidas, tantos sonhos.

_ O medo de altura não é o medo de cair; é o medo de saber que nada te impede de se jogar lá de cima”, dizia alguém…

Boto o pé no parapeito. É bom se apoiar, ficar mais próximo da pequena imensidão da vista do terceiro andar. Ver melhor tudo o que me circunda, lembrar que sou pouco.

_ “Do alto da pedra eu busco impulso pra saltar”, dizia uma música que não me saía da cabeça…

Todo aquele que procura uma verdade acaba, mais cedo ou mais tarde, descobrindo a primeira delas: a vida é mais forte que nós. Somos sempre fracos demais para encará-la. Não há relativismo que ignore isto, não há ego que suporte saber aquilo que tanto tenta esconder: a vida vence sempre. Nem que seja na hora da morte – eis, pois, seu triunfo maior! A morte é a vitória da vida: só morre quem está vivo. Não há como lutar contra o mais inevitável de todos os destinos. Ninguém tem esse poder.

E quanto mais se escancara essa verdade, quanto mais descobrimos nossa miséria e nossa inevitável derrota – na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza – mais nos sentimos desnudos, desarmados, acuados. Que posso eu diante de um tsunami, um raio ou um carro desgovernado? Quem sou eu para que a crise da bolsa não me atinja? Que é a ONU frente ao terrorismo suicida? Os direitos humanos frente à “lógica do mercado”?…

Que é o coração diante de uma louca paixão?
A mente diante do desejo?
A mãe diante do filho enfermo?
O diploma diante do desemprego?

Sim, até há como negar. Há como fingir, há como ofuscar. Há quem passe a vida num castelo de areia, faz-se rei. Mas a verdade – a Verdade! – é que o mar está lá. Hoje só ouço as ondas, mas um dia elas me alcançarão…

É preciso encarar o alto da pedra.

Da pedra se vê a imensidão do oceano, a batida das ondas, a vastidão do horizonte. Pisando na pedra vejo o quanto a vida é grande diante de minhas minhas idéias tortas. O quanto sou fraco e ela é forte. O quanto não tenho chance alguma.

É preciso pular.

Do alto da pedra vê-se outras pedras lá embaixo, onde posso cair. Mas também vê-se o mar.

Há como lutar e há como fugir. Há como pular. Há como sentir o vento a indicar o caminho. O vento sopra onde quer, não se sabe pra onde vai. Mas há como segui-lo…

Cair no mar. Ser um pedaço do oceano, nadar no infinito, consubstanciar-se naquilo tudo. Viver é escolher onde pular: pedra ou mar. Fugir da vida ou mergulhar nela.

É bom apoiar o pé no parapeito, aqui em cima. Curtir a paisagem. Não ter medo de altura.

Vivo de pequenos pulos… Um dia ainda dou um grande. Basta aprender que as asas do ser humano quem faz é o próprio vento

Viver é mergulhar.

Amar é desarmar-se…

Gabriel Resgala – Juiz de Fora, 21.10.08

(originalmente publicado no Humanando)

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lua_webDuas da madrugada. Acabei de ver um bom filme na TV, dei um pulinho na geladeira e vim pra cama, ler ou escrever um pouco até o sono me derrubar. Além de ser um feliz portador daquela estimável companheira de metade da população de cidades frias, a rinite alérgica, as minhas vias aéreas superiores são um verdadeiro labirinto, ficam desorientando o ar que só quer entrar e chegar aos pulmões. De modo que, se “pegar no sono” pra mim já é uma façanha difícil por natureza, quando a sinusite ataca tenho que quase ficar bêbado de tanto sono pra conseguir pregar os olhos… Mas tudo bem. É a vida.

Mas nem bem me recosto na cama, e o Billy de repente começa a latir e a uivar alto lá fora. Ah, esqueci de dizer: estou na roça com meu pai (que a esta hora já está no enésimo ronco), e o Billy é o nosso cão-de-guarda com cara de mau. Tem cara de rottweiler, o pêlo (e os carrapatos) lembram um vira-lata de rua, mas na verdade não passa de um labrador capado, preguiçoso como a mãe. Mas estranho aquela latição toda, e vou lá fora dar uma olhada. Corajosamente abro a porta, saio pra varanda, e quando olho pro lado lá está ela. Toda amarelona,  minguando ou crescendo, não sei. Só sei que quando não se tem nenhuma luz artificial por todo o raio onde a vista alcança, a lua parece sempre cheia, a noite é sempre clara, quando não há nuvens pra atrapalhar. Mas as poucas de hoje não atrapalham, pelo contrário: compõem com ela uma paisagem inenarrável, ostentada por sobre a pequena mata no alto do morro.

Então fico lá, meio que hipnotizado, contemplando aquele pequeno (?) espetáculo naquele pequeno (?) fim-de-mundo. Sapos coachando, grilos cricrilando, uma água correndo lá longe: eu, só eu, de ser humano acordado naquele lugar, talvez num raio de dezenas de quilômetros. O Billy, a essa altura, já trocando os latidos por arfadas simpáticas, feliz por ter atraído minha atenção. Me trouxe até aqui pra ver isso, garoto? Frio de orvalho, cheiro de mato. Tanta coisa se passando pela cabeça naqueles poucos instantes ali, olhando pra ela e suas nuvens-figurantes… Mas mais do que pensar, é daqueles momentos pra se sentir. De ouvir o silêncio dos sons da natureza. Quando tudo fala e a gente se cala…

E fico pensando, sabe? Como seria a humanidade, se todos parassem pra ver a lua, de vez em quando… Se se permitissem, também, ter essa sensação de um num-sei-o-quê-vindo-num-sei-daonde a inebriar os sentidos e a te dizer: “shhh! Escuta!” Calar por dentro e por fora, despir-se, desarmar-se. Sentir o vento, e só…

Mas aí me lembro que nossas sensações são moldadas, de certa forma, por quem nós somos, por nossa história. O mesmo céu que pra mim, neste momento, é isso tudo, pra outro é um céu bonito e só. Sem essa frescura toda. Muitos nem iriam notar. Alguns poderiam ter idéia pra um poema romântico ou uma musiquinha melosa, outros lembrariam de casos antigos, outros fariam um blues dos mais deprês. Para alguns é real o lobisomem, para outros mais real é a fome – e aquele queijão lá em cima… (se cair nóis come).

Não adianta. Por mais que pra uns a lua pareça passar uma mensagem clara, pra outros a imagem é outra. Cada um tem a sua lua, e a minha é essa. Ninguém mais, nenhuma alma viva a ter, neste momento, esta visão. É para mim.

Resta-me, quem sabe, tentar partilhar um pouco desse meu céu, tentar passar um pouco do que a lua me disse, pra quem estiver do meu lado. Não posso querer substituir aquela visão, nem que eu fosse a mais bonita das criaturas – mas pra isso basta olhar pra cima, de onde quer que você esteja. Enquanto isso, vou tentando ser um pouquinho de “lua” pra quem não a viu como eu vi. Assim, quem sabe, posso tentar aprender também com o que ele viu e eu não… com o céu de cada um.

Gabriel Resgala – jan/09


PS: Sim, andamos sumidos… Culpa dos nossos computadores, que resolveram organizar uma greve sincronizada e falharam todos ao mesmo tempo… Pois é. Mas um dia cada colaborador do site ainda terá o próprio notebook corporativo da Vivo Pela Vida Foundation, com acesso à internet sem fio em qualquer canto – vai vendo…

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Árvores

Tem noite que é difícil. Tem gente que acha que sou um ser noturno; bobagem. Noturno é o meu amigo de orkut Maurício de Souza, que tá sempre online nas altas madrugadas e ainda consegue fazer a Turma da Mônica ir dominando o mundo aos poucos (tão indo até pra China, a Disney que se cuide!). Uma vez não resisti, mandei um scrap pra ele perguntando se ficar acordado à noite era “mal dos gênios”. Ele respondeu no outro dia mesmo, brincando e explicando que “à noite os pensamentos fluem mais rápido, sem interrupções”. Obviamente dei uma printscremcada e guardei pra mostrar pra todo mundo que acha os meus horários esquisitos. Dá uma olhada. Melhor que qualquer autógrafo, fala a verdade.

Mas eu sei lá se sou noturno. O que eu passo à noite é doido, é algo que só entrando na minha cachola pra entender. É meu. Bom ou mau, sei lá, só sei que no momento isso faz parte de mim. Talvez amanhã não mais. Quem sabe.

Mas hoje levantei cedo. Mais um dia, após mais uma noite. A roupa entulhada num canto do quarto, a bagunça diagnosticando pouco ânimo. Lembrei de pegar o cesto, lavar um pouco a roupa suja. No caminho passei em frente à escada que dá pro terraço, olhei pra cima. Por entre as telhas transparentes, o céu parecia limpo, me convidando pra uma olhadinha de bom-dia. Ok, vamos lá. Espera só eu botar a lavadora pra funcionar…

Subi, com uma habilidade digna de nós, primatas, a escada mais íngreme que já vi na vida. Por motivos estruturais, a esca(la)da que dá pro terraço aqui de casa ganha até daquelas de torre de Igreja, em termos de inclinação. Sério! Mas com o tempo a gente perde o medo e ganha agilidade. O que importa é chegar lá em cima, e hoje valeu a pena. Quando cheguei o sol tava despontando no morro em frente.

O apartamento é minúsculo, antigo, muito mal dividido, mas tem uma vista que compensa tudo. Nada de extraordinário: uma pracinha de bairro com árvores gigantes e o morro do Imperador ao fundo. Vejo essa cena milhares de vezes por dia, da janela do quarto. Mas hoje vi algo que, ao que me lembre, não tinha ainda contemplado nesses 6 anos morando aqui…

Céu azul

O céu tava completissimamente azul, daqueles que te fazem até conseguir ter uma noção, ainda que vaga, do tal conceito de infinito. O morro, com aquela mata atlântica toda (sei lá se é reflorestada, mas é legal às pampa ver tanto mato numa cidade de meio milhão de habitantes), tava amarelando. Metade tava com aquela cor de gema de ovo, enquanto o resto do verde esperava pra sentir a luz mais uma vez. Aqui em Minas o sol não nasce, vai desentocando aos poucos. De modo que, ao contrário lá das Gerais e de boa parte do Brasil, quem mora em cidade-vale como eu costuma ver os raios chegarem primeiro que o dono deles. Pra ver o parto do bicho de verdade, só subindo alto.

Mas eu, aqui embaixo, pensei que ia demorar pra ele chegar na pracinha. Tava me contentando com o amarelão lá em cima no morro, e a pracinha acordando com os passarinhos-cantantes-da-manhã e um macaquinho pulando de galho em galho (há quanto tempo eu não via esse simpático vizinho!), quando de repente noto que ele vai crescendo, tomando os prédios em volta, e de repente… Voilá. Num instante entendi porque tem tanto esse negócio do Sol ser o deus supremo, o astro rei, da relação da luz do Sol com a vida e tal. As árvores da praça, a poucos metros do meu nariz, pareciam ganhar vida, ganhar alma. É como se tivessem ligado as folhas naqueles interruptores que fazem as lâmpadas irem acendendo aos poucos, sabe? As cores se transformando gradativamente, até em poucos segundos passarem do verde fosco ao amarelo ouro, brilhante. Lindão.

Um fenômeno banal, rotineiro. Não acontece todo dia, mas é mais do que natural nessa época do ano: o sol raiando num céu limpo desponta e ilumina as árvores. Nada mais normal, não dá nem pra foto de papel de parede do Windows.

Simples. Mas simplesmente sensacional.

Sol

Tenham um ótimo dia vocês também!


PS: Sim, eu tava sumidão daqui… Digamos que passei um período de “abstinência forçada” de computador (e conseqüentemente de internet), devido à boa vontade daqueles “japoneses mais criativos que os japoneses dos outros” em enviar uma simples peça pra assistência técnica…. Além de outras coisitas más… Mas voltei, renovado. E ow… muito bom voltar!

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Para quem não sabe, às vezes eu também blogo sobre música, bem às vezes…

Vou tentar fazer alguma coisa aqui no Vivo Pela Vida também, principalmente em relação a músicas que eu acredito que ressaltem uma posição “legal” diante da vida.

Uma semana dessas, estava vendo o “Altas Horas”, e tive uma grata surpresa: a banda Chimarruts.


(Chimarruts – O Sol)

De cara já pude perceber que além da qualidade (eles são ótimos músicos), a proposta da banda também era ver a vida, o amor e o reggae de formas diferentes…


(Chimarruts – Não deixe de Sonhar)

As canções que conheci até agora, falam de Paz, Vida, Fé, Sonhos, Percalços… ou seja, tudo dentro da proposta do Vivo Pela Vida…

É bem verdade que eles não são perfeitos (como todos os seres humanos), mas gostei muito, e recomendo a todos.

De quebra, ai vai uma amostra do trabalho que eles desenvolvem.


(Chimarruts – Deixa Chover)

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Essa semana, em meio a tantas notícias ruins, uma me chamou a atenção dada a felicidade da história…

Quem é que nunca ficou com medo no primeiro dia de aulas do colégio? Confesso que até mesmo no mestrado, varei a noite acordado, devido a ansiedade do “primeiro dia“.

Essa semana, na Tailândia, um menino autista de 8 anos também ficou com medo do primeiro dia em uma escola para alunos com necessidades especiais.

No meio desse medo todo, ele acabou preso no parapeito de uma das janelas do prédio, podendo cair a qualquer momento.bombeiro_aranha

Foi neste momento que apareceu o “Herói“, o bombeiro Sonchai Yoosabai se vestiu de Homem-Aranha, aproximou-se e  disse ao menino: “o Homem-Aranha está aqui para salvá-lo, nenhum monstro vai atacá-lo”.

Nesse momento, o menino foi direto aos seus braços… Parece até desenho da Disney, não é?

Mas é vendo a criatividade, boa vontade e a dedicação de várias pessoas pelo mundo, que eu acredito que muita coisa ainda é possível…

Uma ótima semana!

Veja a história completa.

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propiciatorio

Estudando um pouco sobre a cultura e a religião judaica descobri, dentre outras coisas, um objeto interessante usado nas celebrações do Templo. É um instrumento parecido com uma bacia, usado nos rituais de sacrifício com a finalidade de conservar o sangue dos animais ofertados pelo povo que eram imolados pelos sumo-sacerdotes. Esse sangue era depois aspergido sobre os fieis como sinal de purificação do homem e expiação dos pecados.

Esse material “litúrgico” dos judeus era chamado de Propiciatório, que vem de propiciar, estar propício, favorável. Ou seja, a “bacia” estava ali para servir, para ser solícita; na prática, para guardar o sangue que era a “salvação” de muitas pessoas que sofriam diversos males. Essa era a crença daquele povo que buscava o conforto para suas almas fatigadas, suas mentes perturbadas e seus corpos oprimidos. Sintomas não muito diferentes dos de hoje – psicólogos e religiosos que o digam…

Não é verdade que o ser humano está em constante busca de um sentido pra vida? Buscamos e às vezes achamos… Seja na religião, nas filosofias, nas ideologias, nas magias ou qualquer outra manifestação. O importante é o encontro da integração do corpo, da mente, com o espírito. Daí então oferecemos em sacrifício o carneirinho ou boizinho – comprado com desconto com alguns cambistas do “Templo” (Jo 2, 14) – para recebermos em troca a tão desejada felicidade. Mas o que há de errado nisso?! Vou ser direto: Poucos, bem poucos, querem propiciar a alegria dos outros. Esquecem que isso é um dos maiores deveres de ser feliz. O propiciatório dos judeus, aos olhos de um leigo, não tinha validade. O sangue dos animais poderia ser derramado em qualquer tigela ou vaso porque, o atraente mesmo, era o rubro líquido salvívico que trazia o alívio.

O perigo na busca da felicidade pode ocorrer na concepção que temos dela. Talvez, na ânsia de possuí-la e de abrandar depressa nossos sofrimentos, damos espaço para um vírus microscópico, típico do homem moderno chamado egoísmo. O mercado do mundo fácil das religiões e as quimeras das ideologias (que se dizem desalienantes das classes) fazem o homem refém de ciclos viciantes de ilusão.

Muitos querem a paz, a revolução, a fama, o dinheiro, o conforto, a alegria, as soluções a qualquer preço. Ingressam num clube ou numa igreja e logo saem se essas não lhes garantir mais a prosperidade que queriam. E assim continuam vagando à procura de um jeito mais fácil de viver. Almejamos a salvação, mas não queremos ser o propiciatório da salvação.

Ser um propiciatório é ser um servidor. As luzes do mundo nem sempre apontam para o servente. Mas qual a verdadeira luz que precisa iluminar o nosso mundo? Deve ser por isso que o saudoso João Paulo II disse numa oração: “Francisco, o mundo tem saudades de ti”. O pobre de Assis, assim como tantos outros protagonistas da verdadeira alegria, descobriu que é dando que se recebe – mesmo que seja uma punhalada pelas costas – mas é também morrendo (para si mesmo) que ganhamos a vida eterna.

Como disse E. J. Hardy, citado outro dia neste site: “A felicidade se faz, não se acha”. Então, vamu que vamu!

Pedro Barbosa Lima Junior

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