“O fundo de uma agulha é bastante espaçoso para dois enamorados; mas o mundo todo é pequeno para dois inimigos”.
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“O amor e o desejo são as asas do espírito das grandes façanhas”
Um dia fui mergulhado, batizado no amor.
Amor Trindade, comunidade, verdade!
Mistério insondável na dinâmica da vida.

Só o primogênito poderia chamar o Adonai de Abá.
Porém, a Trindade perfeita resolveu me alcançar.
No mergulho me refez e me convidou ao profundo.
As águas do Espírito geram o coração do Filho que vê o Pai.
Torno-me templo, irmão e outro filho.
Nessa comunhão, agora ouso dizer: Abá Pai: Papaizinho…
(Solenidade da Santíssima Trindade)
Tags: amor, Cristianismo, Deus, vida
Para quem não sabe, às vezes eu também blogo sobre música, bem às vezes…
Vou tentar fazer alguma coisa aqui no Vivo Pela Vida também, principalmente em relação a músicas que eu acredito que ressaltem uma posição “legal” diante da vida.
Uma semana dessas, estava vendo o “Altas Horas”, e tive uma grata surpresa: a banda Chimarruts.
(Chimarruts – O Sol)
De cara já pude perceber que além da qualidade (eles são ótimos músicos), a proposta da banda também era ver a vida, o amor e o reggae de formas diferentes…
(Chimarruts – Não deixe de Sonhar)
As canções que conheci até agora, falam de Paz, Vida, Fé, Sonhos, Percalços… ou seja, tudo dentro da proposta do Vivo Pela Vida…
É bem verdade que eles não são perfeitos (como todos os seres humanos), mas gostei muito, e recomendo a todos.
De quebra, ai vai uma amostra do trabalho que eles desenvolvem.
(Chimarruts – Deixa Chover)
2005, definitivamente, foi um ano cheio para mim. A vida foi bem intensa, passei por muitas coisas, experiências boas e ruins – mas, com certeza, todas marcantes. Um belo dia senti vontade (quase uma necessidade) de passar pro papel (ou melhor, pra algum HD) algumas reflexões sobre aquilo tudo, e de compartilhar com alguns amigos. Nascia assim o “Humano“, meu primeiro e despretencioso Blog.
A primeira coisa que escrevi foi este texto que, por algum motivo que não me lembro agora, só fui publicar no blog um bom tempo depois. É o mais velho, mas é um dos melhores. Talvez pela sinceridade do momento.
Sempre é bom recordar. Ainda mais de algo que mexe com a nossa vida…

Minha cachorrinha morreu.
Enquanto alguns riem, e fazem piadinhas como que tentando me “consolar” (ou levar na brincadeira, já que gente normal não esquenta a cabeça por causa de um bicho que deixa de existir), eu fico aqui, sentindo a casa vazia e a falta que uma criaturinha “inferior” me faz…
Não, não gosto de sentimentalismo. Tenho horror… acho que nosso sentimento deve ser real, devemos lutar por aguçar nosso senso de realidade. Sentir o que deve ser sentido. Chorar quando algo é triste. Pular de alegria quando é bom. Soltar fogo pelas ventas quando é revoltante. Mas que o sentimento tenha sentido!
Por isso tento avaliar, “realisticamente”, o que eu – e todos os que conheceram a nossa querida Dhara, uma simpática labradora preta – estamos sentindo. Cabisbaixos, nos vemos pensando se realmente vamos querer ter cachorro em casa de novo. A gente acaba se envolvendo muito. E eles não duram muito tempo…
E eu, na minha mania de refletir sobre tudo, me atrevo a pensar se com as pessoas também não seria assim. Nunca sabemos o quanto ainda vamos conviver com alguém… Podemos ficar esperando alguém ir embora durante anos, e nesse tempo terminal essa pessoa ainda nos dar muitas lições, ensinar muito… como foi com João Paulo II, que deu tantas lições ao mundo com seu sofrimento. Ou podemos perder alguém em poucos segundos, sem que tivéssemos a mínima idéia de que, um dia, aquela pessoa pudesse morrer. Como foi com um padrinho meu, há algum tempo.
Em ambos os casos, a comoção foi grande. Acredito que não tanto pelo sobressalto e pelo mistério da morte… pois morte tem todo dia. Basta viver perto de um local violento, hospital ou asilo, ou mesmo ler o jornal pra ver como ela é algo banal. A morte não tem sentido, aos nosso olhos humanos. O que mais comove é a vida.
Sim, uma vida que tenha valido a pena. Uma vida que tenha feito a diferença. Uma vida que tenha marcado profundamente quem se encontrou com ela, nem que seja por um sorriso ou um jeito de ser diferente daquele ser especial… Só uma vida dessas é capaz de levar multidões inacreditáveis para um funeral no vaticano, ou mesmo algumas centenas de pessoas a uma roça no meio do nada, como foi no enterro do meu padrinho. Uma vida que comove, e que a gente sabe desde já que vai fazer muita falta…
Pois hoje, ao chegar em casa quase uma semana depois de meu pai ter enterrado sozinho o que restou da Dhara, sentindo tudo um pouco diferente, sentindo um vazio meio que inexplicável, e o coração bater mais forte quando olho pra varanda e não vejo aquele rabinho (ou melhor, rabão) abanando, aqueles olhinhos tão cativantes a acompanhar meu movimento, aquela coisinha preta deitada, querendo nada mais que se sentir perto de nós – pessoas a quem ela tinha um sentimento tão nobre, tão inexplicável –, eu penso se não devemos nos dar o direito de nos enlutarmos também por uma vida “irracional” (?) que tenha marcado a nossa. Digo, sem medo de ser sentimentalista ou piegas, que amava a Dhara. Sim, ela não tinha nada demais, não era nenhum prodígio em inteligência ou truques caninos, mas transmitia paz por onde passava. Ela não era só um poço de instinto querendo ser fiel ao dono por demonstrar um “comportamento mais proveitoso à sobrevivência do indivíduo e da espécie”, como diria nosso amigo Darwin. Era muito mais que isso. Quem a conheceu sabe…
Pois eu dedico àquela criaturinha tão especial tudo o que estou sentindo, e que sei que muitos também estão, no seu silêncio. Me redimo de não ter, talvez, feito tudo o que poderia ter feito por ela (inclusive passeado mais com ela na rua, pra exercitar melhor aqueles pequenos músculos e, quem sabe, ter aliviado um pouco todo o sofrimento pela qual ela passou). Á memória da Dhara, todo seu merecido luto – independente de existir ou não um “céu pra cachorro” ou coisa parecida.
Não pelo “direito de se entristecer”…
Mas pelo direito de poder curtir bem curtido, com todas as dores e delícias a que se tem direito, tudo – e todos – a que amamos nesta vida.
Gabriel Resgala – 07/05/05

Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se eu não tivesse Amor, nada disso me adiantaria.
Tags: amor, Pensamento, São Paulo, vida

_ E o que é o amor?
E ele se vê encurralado, preso, sem chão. Quer amar mas não o deixam, quer viver mas o sufocam. Como amar quem não o quer? Como fazer brotar a flor do amor onde tudo parece infértil?
Mas ele sabe a verdade.
Sabe que ela mente.
Sabe que no fundo da alma o medo de amar é o medo de ser, de sentir, de viver. Chega a pensar em tudo o que fez, no que não fez, no que poderia ter feito. Como se o amor fosse os próprios atos, e não o que os move. Mas não adianta. Não há culpas. Não há culpados.
E ele reza. Reza com todas as suas forças para que a força do amor seja maior que as suas próprias, que não seja ele a sufocá-lo. Que seja maior do que ele.
E ela chora. Chora por sentir que ama, por saber que ama mas não querer saber amar, que se entrega mas não quer se entregar.
Amar sem se desarmar…
Saber sem saborear…
Fugindo da Verdade. Da única Verdade.
Viver sem vivenciar…
Ao som de Tanlan – “É mais”
Gabriel Resgala – 16.02.09
(originalmente publicado no Humanando)




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