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E-mail pregando violência contra aborteiros

Comentário enviado (reprodução):

Autor: Ronaldo
Comentário:
Só acho o seguinte,deveríamos seguir o exemplo da luta contra o aborto nos Estados Unidos;devemos matar esses monstros aborteiros com tiros e bombas.

Nossa resposta:

Olá Ronaldo.

Tentamos lhe responder por e-mail, mas como aparentemente o endereço que forneceu não existe, gostaríamos de lhe responder por aqui. Não publicamos o seu comentário, quando enviado, por ser enquadrado como incitação à violência, o que poderia trazer problemas inclusive para nós, donos do site.

Em todo caso, fica a reflexão sobre as melhores formas de diminuir a violência, os crimes. Será que é matando que ensinaremos a não matar? Será que é com ódio que tiraremos o ódio da mente dos outros? É uma lógica bastante contraditória,  de quem parece não acreditar no ser humano. Se acreditamos no valor da pequena pessoa inocente que ainda nascerá, mesmo assumindo a possbilidade de ela se tornar um “Hitler” da vida, também podemos acreditar no valor da vida daquele que aborta, mesmo que seus atos digam o contrário. Se alguém tivesse matado Bernard Nathanson, um dos maiores aborteiros que já existiu, nós não teríamos tido um dos maiores difusores da causa pró-vida, pois depois que se arrependeu ele salvou milhões de pequenas vidas em todo o mundo. Procure saber a sua história.

Há pouco tempo tivemos um exemplo triste em Realengo, de um rapaz que em sua mente louca pensava estar cometendo um ato de justiça contra os maus, mas que na verdade só trouxe mais terror a todos. Será que, mesmo não sendo loucos, não estaríamos seguindo o mesmo raciocínio?

Sinceramente, não sei o que é pior. O que mata um inocente, ou o que tenta fazer justiça com as próprias mãos movido pela vingança.

Penso que há várias outras soluções além de simplesmente extravasarmos nosso ódio, nos igualando a eles. Já salvamos algumas vidas, sem precisar matar ninguém. Espero sinceramente que, em sua vida, você consiga fazer o mesmo!..

Abraços!

Gabriel Resgala – equipe Vivo pela Vida

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Sérgio Cabral - foto Rafael Andrade / Folhapress

Foi a pergunta que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fez hoje durante um discurso, para justificar a legalização do aborto. Ainda com as luzes dos holofotes sobre sua imagem, devido à aparentemente “bem-sucedida” guerra contra o tráfico (que, apesar de histórica, ainda me causa certo ceticismo, enquanto não estiver incrustada num projeto bem mais amplo, que envolva uma verdadeira mudança de mentalidade social e dure além das Olimpíadas), Cabral voltou a causar polêmica ao falar da situação do aborto.

A última tinha sido em 2007, quando insinuou que a legalização diminuiria a violência no Rio, uma vez que a alta taxa de natalidade das comunidades mais pobres seria, em suas palavras, “uma fábrica de produzir marginais”. Ou seja, aborto legalizado = menos pobres vivos = menos violência (sim, era dele que a Heloísa Helena estava falando no vídeo do post anterior)…

Hoje, a polêmica ficou por conta da forma “casual” com que o político tratou o ato de abortar. “Quem nunca teve que abortar um filho?” equivale, em sua fala, a “quem nunca dirigiu após beber?”, “quem nunca sonegou imposto?” ou “quem nunca surrupiou algo no supermercado?” (ele poderia, talvez, até ter perguntado “quem nunca recebeu um mensalãozinho?” – mas creio que a comparação iria causar certo desconforto com suas alianças….).

O problema, governador, é que não é por que “todo mundo” (ou ao menos um “todo mundo” dentre a sua roda de amigos, porque ao menos aqui onde eu moro isso é bem diferente…) comete determinado ato, que ele deveria ser lícito. A direção irresponsável e a corrupção política, por exemplo, são coisas tidas como “corriqueiras” pra muita gente, até mesmo culturais em certos meios. Mas são dois dos maiores problemas do Brasil. Causas das maiores mortes, e de grande parte da nossa miséria, do nosso sofrimento. Será que deveríamos legalizar a bebida ao volante? E a corrupção??

Governador, gostaria sinceramente que conhecesse o trabalho de pessoas como essa mulher, chamada Dóris Hipólito. Há vários trabalhos como esses aí no seu Estado, sabia? Eles enfrentam grandiosos sacrifícios em lugares onde políticos como o senhor só costumam pisar se puderem receber votos em troca, como a Baixada Fluminense, para tentar dar uma solução diferente para o que o senhor acha casual. Tentam resgatar a vida de pessoas que, por algum motivo (como o senhor mesmo falou, geralmente em meio a desespero), pensam em recorrer ao aborto. Eles não acham que os pobres devem ter o mesmo “direito” dos ricos de tirar a vida de seus filhos, até porque sabem que os pobres, geralmente, não pensam assim. Pobre, com toda a dificuldade do mundo, quer ter o filho. E é dever do Estado lhe dar uma vida digna. Não matá-lo, como num “BOPE pré-natal”...

Ouça este recado que ela mandou para o senhor, governador. E reflita.

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heloisa-helena

A descriminalização do aborto é muitas vezes relacionada a um discurso “de esquerda”,  comprometido com o bem-estar social, com os interesses das classes marginalizadas, em especial das mulheres pobres.

O que não se percebe, porém, é que tal proposta só beneficiaria, na verdade, justamente aqueles interessados em subjugar os mais pobres a um sistema social pra lá de perverso

Quem explica é a vereadora de Alagoas, ex-senadora, ex-candidata à presidência da república e ex-presidente do PSOL, Heloísa Helena. Enfermeira, professora da área de Saúde Pública e profunda conhecedora do assunto, ela teve a coragem de enfrentar as diretrizes do próprio partido, comprometido com a legalização do aborto, para denunciar o que considera uma verdadeira enganação. Radicalmente contrária à proposta, para Heloísa a legalização não passa de uma idéia destinada a maquiar a verdadeira raiz do problema: a falta de interesse em políticas sociais realmente eficazes.

Se você pensa que ser contra a legalização do aborto é coisa de gente “reacionária de direita”, não deixe de assistir a este pequeno depoimento. E refletir…

PS1: Depoimentos retirados do Documentário “Quantos eu te amo”, de 2009.

PS2: Especula-se que, após as últimas eleições, o futuro político de Heloísa Helena esteja talvez cada vez mais afastado do PSOL e mais próximo a Marina Silva. E, pelo visto, a questão do aborto deve ter um peso importante nessa decisão…

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Após as declarações contraditórias de Dilma Roussef em relação à legalização do aborto, às vésperas do primeiro turno, o tema tomou as discussões eleitorais “como nunca antes na história deste país”. Para quem luta contra o aborto, não deixa de ser uma vitória: enfim, estão se preocupando com isso nas campanhas presidenciais, e se preocupando muito. Daqui pra frente, todo político, seja de que cargo for, pensará duas vezes antes de propor ou assinar qualquer ato que possa comprometer seus votos nesta questão. E o povo deverá ficar mais atento.

A desvantagem é na forma como o tema ainda é tratado. Além de limitar o aborto ao âmbito “religioso” (fundamentalista?), perdendo a oportunidade de se aprofundar a discussão, os interesses parecem meramente eleitoreiros. Será que realmente se preocupam com os bebês, e com as mães?…

É pensando nisso que divulgamos mais este vídeo, que mostra José Serra indo pelo mesmo caminho de sua adversária. Aproveitando a confusão em que Dilma se meteu, com a volta da propaganda eleitoral o tucano passou a mostrar belas propagandas de atenção ao nascituro (uma delas começando com a provocativa frase: “Ter um filho não é uma escolha”), dizendo que “sempre” foi contra o aborto.

Ora, será que foi mesmo?

Vejam…

PS: Para entender porque a Norma Técnica aprovada pelo Serra é inconstitucional, clique aqui.

Fontes:

Programa político – 08/10

Norma técnica – 1998

Entrevista à revista Época – 10/04/2010

Debate das TVs Católicas (Canção Nova e Aparecida)

Ato falho de Serra

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Dilma Rousseff

Lembro bem de um ditado que me contaram no começo da faculdade: “Só louco não muda de idéia”. Durante a faculdade tive certeza de uma coisa: louco muda muito de idéia.

Aliás, todos nós mudamos. A questão é: quando e por quê?

São muitos os motivos que podem levar uma pessoa a mudar de opinião. Aqui no site já publicamos um texto sobre a  feliz mudança de de Elba Ramalho e Pitty. No caso de ambas, os abortos que sofreram (o de Elba foi artificial e o de Pitty, espontâneo) ocasionaram uma mudança radical na forma de ver e valorizar a vida. As entrevistas que vieram posteriormente apenas publicaram uma mudança verdadeira e particular.

A questão é quando essa mudança ocorre de uma hora para outra, com uma presidenciável e  faltando apenas 4 dias para a eleição. Suspeito… MUITO!

Na hora da eleição, Fernando Henrique já virou católico, Lula não  soube de nada (e infelizmente não pôde comparecer a debate). Para variar, Dilma misteriosamente se tornou contra o aborto….

Confira no vídeo e tire suas próprias conclusões!

Veja também, aqui, a posição dos principais presidenciáveis sobre o aborto.

Citações:

Estadão.com.br – “Dilma diz que é a favor da descriminação do aborto
Marie Claire – “A mulher do presidente
Diário do Nordeste – “Dilma Roussef defende legalização do aborto
Isto É – “Entrevista com Dilma Roussef” (veja o vídeo)
Estadão.com.br - “Dilma diz a bispo que aborto é questão de saúde pública
CNBB – Debate entre presidenciáveis
Vídeo - Dilma em encontro com católicos e evangélicos
Portal Terra – “Dilma diz ser contra o aborto em encontro com líderes cristãos
Folha – “Marina acusa Dilma de mudar discurso sobre aborto para ganhar votos
Música:  “A invasão dos monges” (Stênio Mendes) – Barbatuques

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grávida 2urna-eletronica

Você sabe o que o seu candidato a presidente realmente pensa sobre o aborto? Seguem, a seguir, declarações em vídeo dos 4 principais presidenciáveis que valem a pena serem vistas…

Dilma:

(em entrevista à revista Isto É)

_ O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada. Eu não tive que fazer aborto. (…) Eu acho que, do ponto de vista de um governo, o aborto não é uma questão de foro íntimo, mas de saúde pública. Você não pode hoje segregar mulheres.

_ A sra. defende uma legislação que descriminalize o aborto?
_ Que obrigue a ter tratamento para as pessoas, para não haver risco de vida. (…) Atendimento público para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto.


José Serra:

(no debate das TVs católicas)

_ Durante a Assembléia Nacional Constituinte (…) eu inclusive juntei vários parlamentares (…) pra fazer uma frente parlamentar contra o plebiscito da pena de morte. Porque não é uma questão que pode ser resolvida na base do 51(%) x 49(%). Eu, com relação ao aborto, penso a mesma coisa. Não faria plebiscito, de jeito nenhum.

O Programa Nacional de Direitos Humanos (do governo Lula), se virasse lei, como eles queriam, iria criminalizar quem é contra o aborto. Porque, se diz que o aborto é um dos pilares dos Direitos Humanos, quem é contra o aborto estaria contrariando os direitos Humanos. Não tem o menor cabimento.


Marina e Plínio:

(no debate das TVs católicas)

Marina:

_ Eu tenho uma posição contrária ao aborto (…). E a vida do ser humano para mim é um valor inegociável. O problema é que nós temos uma sociedade que (…) tem pouca informação sobre o assunto – e que o Congresso pode decidir sobre o assunto sem que a sociedade tenha feito o debate adequadamente. É por isso que eu defendo que na democracia se faça o plebiscito. (…) Que a gente possa entrar no mérito. Pode ter certeza que não é uma defesa pela metade e tenho profunda convicção em relação à defesa da vida.

O que está sendo colocado é a vida das 100 mil mulheres, mas também há as 100 mil vidas que são ceifadas junto com essas 100 mil mulheres. Quem é que protege essa vida indefesa que está ali e que precisa ser protegida? No meu entendimento, o Estado não pode se ausentar desta discussão como um princípio. (…) E eu, em nenhum momento, vou deixar de colocar o meu ponto de vista e de fazer a defesa daquilo que eu acho que é o melhor.

Eu digo que não faço satanizações porque eu sei que uma mulher que faz o aborto sofre, depois, tem graves problemas – inclusive emocionais – e eu tenho esse olhar, também, de acolhimento.

Plínio:

Como cristão, eu sou contra o aborto. Mas assim como não aceito que me imponham condutas baseadas em valores contrários à minha fé, não tenho o direito de impor condutas decorrentes da minha fé a quem não a tem.
A interrupção precoce da gravidez é um problema social que mata mais de 100 mil jovens todos os anos – jovens pobres. (…) O combate à interrupção precoce da gravidez requer ação preventiva. Combate ao erotismo de uma sociedade burguesa. E a legalização de intervenções, ou seja, o controle da lei. A decisão corresponde à mulher, pois ninguém defende mais o filho do que a mãe.
_ A interrupção precoce da gravidez é um problema social que mata mais de 100 mil jovens todos os anos – jovens pobres. (…) Nesse debate, eu defenderei a posição do meu partido. O combate à interrupção precoce da gravidez requer ação preventiva. Combate ao erotismo de uma sociedade burguesa. E a legalização de intervenções, ou seja, o controle da lei. A decisão corresponde à mulher, pois ninguém defende mais o filho do que a mãe.

Analisando…

Dilma-Roussef-5Me parece que Dilma só se diz “pessoalmente contrária ao aborto” pelos problemas decorrentes à mulher: “é uma agressão ao corpo”, “dói”, etc. Em nenhum momento sequer se lembra da criança, da vida intra-uterina. Por isso, não vê problemas em declarar-se favorável à legalização e ao oferecimento de aborto no SUS.

E, como Ministra do governo Lula, já colaborou muito para que isto se concretizasse – este vídeo mostra, em fatos comprovados por documentos, alguns dos atos de Dilma e do PT pela promoção do aborto no Brasil.

plinio-arruda-sampaioPlínio, apesar de ter sido o único a citar uma atitude de prevenção (que é algo essencial no combate ao aborto), vai no mesmo caminho de Dilma, citando estatísticas retiradas sabe-se lá de onde (dizer que há centenas de milhares de mortes por aborto por ano no Brasil não tem fundamentação alguma, quanto mais de “jovens pobres”). Usa eufemismos para dizer o que no seu site está claro: “defesa da legalização do aborto”.

José SerraSerra, a meu ver, parece estar utilizando essa questão mais para atacar Dilma (e apresentar um diferencial que lhe dê votos) do que necessariamente para defender a bandeira contra o aborto. Antes da campanha parecia mais “neutro” neste assunto, e se esquece de mencionar que, quando foi Ministro da Saúde, aprovou a primeira Norma Técnica a possibilidar o aborto no SUS em casos de estupro e risco de vida. Mas, convenhamos, hoje não parece determinado a ampliar este serviço. Até porque sabe que seus votos dependem disso.

MarinaSilvaJá a Marina me parece ser, dentre estes quatro, a candidata mais convencida da importância da defesa da vida não-nascida. Neste debate em específico, ao ser pressionada, ela manifestou de forma mais clara sua posição pessoal (que às vezes parece tentar minimizar, talvez para não polemizar com seu partido e com uma boa parcela de eleitores “liberais”), ao lembrar do que realmente está em jogo: as “vidas indefesas” que são “ceifadas” sem que haja quem as proteja. Sem se esquecer, é claro, do acolhimento à mulher, que tanto sofre com a situação.

[UPDATE - 02/10/2010: Ficou faltando, aqui, dizer o que eu penso sobre a proposta da Marina de um plebiscito para decidir a questão. Confesso que não sei se seria realmente a melhor alternativa, visto a gravidade do assunto (que deveria, a meu ver, ter entrado na Constituição). Mas, dependendo de como é feito, um plebiscito pode ser uma alternativa interessante de manifestação da democracia, levando a decisão à população (e, como ela disse, não deixando que o Congresso decida sozinho). Pode ser uma boa forma de conscientização, algo central no problema do aborto, mais importante que a mera proibição ou liberação. E cá pra nós, acredito que, sendo nosso povo como é, após se informar não vai mudar sua opinião (majoritariamente contrária ao aborto), mas até mesmo reforçá-la, ao conhecer melhor a realidade - é claro, se os dois lados souberem expor bem suas idéias, sem exageros ou maquiagens...].

É claro, há várias outras questões a serem levadas em conta na hora de decidir o voto. Mas a posição sobre o aborto é, com certeza, algo importante a ser analisado, não só nos candidatos à presidência (que gerenciam o SUS e influenciam fortemente os membros de outros poderes – os legisladores e até os ministros do Supremo, que são indicados pelo presidente) mas também nos deputados federais e senadores.

Afinal, trata-se do direito à vida, que é primordial, anterior a todos os outros – pois tudo o mais que se decidir será para os que já nasceram.

Que nossa urna não seja penico!…

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CSSFPor que há tantos “poréns” na legislação sobre o aborto? Por que há tantas dúvidas? Por que há tanta “vista grossa” em relação a alguns casos?…

Um dos motivos é que a nossa Constituição coloca o direito à vida como primordial para toda pessoa, mas o Código Civil diz que só se é “pessoa” depois de nascer, restando ao nascituro (a criança no útero da mãe) algo como “expectativas de direitos”. Ou seja, antes de respirar, nossos “direitos” podem ser relativizados, visto que são somente “expectativas”. Se por acaso houvesse como entrar uma lufada de ar no pulmãozinho de um bebê antes de sair do útero, aquele sortudo teria mais direitos do que outros nascituros, incluindo o de não ser abortado nos casos “especiais” previstos em lei…

Uma confusão, não é? Para tentar clarear mais as coisas, um grupo de deputados apresentou uma proposta de lei chamada “Estatuto do Nascituro” (PL-478/2007), que diz, basicamente: “nascituro é pessoa”. É, na verdade, uma repetição da máxima proferida por Jérôme Lejeune, cientista considerado pai da genética moderna “assim que é concebido, um homem é um homem”.

É claro, não é uma proposta fácil. Isso mexe com muita coisa, de pesquisa com células-tronco embrionárias a aborto em casos de estupro, hoje feitos com naturalidade pelo SUS. Você mesmo, que está lendo… lá no fundo, o que acha disso??

Era o que deputados debatiam acaloradamente na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara, durante o dia de ontem. Do ponto de vista estratégico, era uma má hora para votar o projeto do Estatuto, visto que vários deputados favoráveis não estavam presentes…

Mas aí aconteceu algo inesperado. Inesperadamente tocante.

Uma deputada chamada Fátima Pelaes, que outrora lutava veementemente a favor da liberação do aborto, e que ainda não havia se manifestado durante oaquele dia, corajosamente toma o microfone e compartilha um pouco da sua história de vida. Mais especificamente, do início da sua vida.

Ela fora concebida dentro de uma prisão. Por estupro. De três homens.

Sua mãe, que já tinha cinco filhos, foi violentada enquanto estava presa, e engravidou. Quis abortar, mas não arranjou meios. E, graças a este fato, sua filha agora está ali, lutando por aquilo que acredita, como parlamentar brasileira. Viveu os três primeiros anos de vida com a mãe na prisão;  já adulta, ouviu o pedido de perdão da mãe; nunca soube quem era o pai, teve que se tratar para lidar com todo o trauma. Mas diz:

Fátima Pelaes“Dá-se um jeito… consegue-se sobreviver! Não é fácil. Mas é possível! É possível, sim! Só eu sei a dor… eu aprendi isso no dia-a-dia, de ver aquela mulher lutando, tirando força de onde não tinha, como uma mãe sabe!”

“Eu já estive também em alguns momentos nesta comissão defendendo [o direito ao aborto], dizendo que toda mulher tem direito, que a vida não começa na concepção. Mas eu precisava ser trabalhada, ser curada, eu não conseguia falar disso… Hoje eu posso.”

“Então eu acho que nós, enquanto representantes do povo brasileiro, temos que pensar: ‘que direitos nós mulheres temos de tirar uma vida?’

(Ouça aqui o depoimento completo – cerca de 5 min)

Ao final do pequeno testemunho, um deputado, emocionado como quase todos os presentes, sugere que a discussão seja encerrada e passe-se à votação. Não há mais o que debater.

Assim, o Estatuto do Nascituro foi aprovado, com apenas 7 votos contrários, e segue livremente em direção a outras comissões da Câmara, ao Senado, e à sanção do presidente. Quem estava presente diz que o furor dos opositores foi tamanho que a relatora do projeto teve que sair da sala amparada por seguranças…

O caso me fez lembrar uma situação recente, no último sábado, quando eu e Luís fomos fazer uma palestra – ou melhor, “bater um papo” – com um grupo de adolescentes lá em Belo Horizonte, tendo em foco a temática deste site e, em meio a tantos questionamentos sobre a vida surgiu um muito recorrente: “o que vocês, sinceramente, acham de aborto em casos de estupro?”

Não é, realmente, uma pergunta fácil de responder, especialmente quando não se passou pela situação. Mas, nessas horas, me vem à mente que há pessoas que merecem que contemos a sua história. Como esta deputada…

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Veja a íntegra do PL-478/2007, “Estatuto do Nascituro” – autores: deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG); relatora (e colaboradora do projeto): deputada Solange Almeida (PMDB-RJ).

Veja o perfil da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) e mais sobre sua história de vida.

Disponível também o áudio completo da sessão (dividido por falas).

Deputados que votaram contra o projeto: Dr. Rosinha (PT-PR), Henrique Fontana (PT-RS), Pepe Vargas (PT-RS) ,Darcísio Perondi (PMDB-RS),  Arlindo Chinaglia (PT-SP), Rita Camata (PSDB-ES) e Jô Moraes (PCDOB-MG).

UPDATE (19/06/10): Chamaram-me a atenção para um fato importante:  a versão aprovada do Estatuto foi, na verdade, um substitutivo, que trocou a palavra “pessoa” por “ser humano”, ainda constando a expressão “expectativa” em relação aos direitos, e mantendo-se o Código Penal como está. Detalhes que, numa leitura rápida, pode-se não perceber. Ou seja: trata-se, sim, de um avanço, mas ainda poderia ser bem melhor… Torçamos para que, até ser definitivamente aprovado, ele retorne ao seu teor original!

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Não é raro ouvir pessoas dizerem que o aborto é um “mal necessário“, servindo como uma alternativa ao abandono de bebês. “Pra que deixar viver tantas crianças sem futuro?”, já me questionaram algumas vezes…

Pois vejam o que acha este jovem argentino:


Argentino abandonado na maternidade reencontra mãe no Facebook

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

MauricioBarrios

Um estudante argentino de 23 anos, que havia sido abandonado em um hospital quando tinha sete dias de vida, encontrou a mãe biológica através do site de relacionamentos Facebook.

Mauricio Barrios, que mora na província de Córdoba com a família que o adotou, lançou em março uma página no Facebook chamada “Busco a mi mamá” (“Procuro minha mãe”), na tentativa de encontrar a mãe biológica.

Segundo ele, além da família adotiva, 25 mil pessoas se uniram à campanha na rede social para tentar ajudá-lo.

“Há uma semana apareceu uma amiga da minha mãe biológica, que a ajudou naquela época. O nome dela é Iris e ela me disse onde morava a família da minha mãe. Viajei com parentes (adotivos) à Villa del Totoral, e lá encontrei meus avós, meus tios e primos”, disse ele ao jornal Clarin.

Desculpas

Como a mãe não estava na cidade, o encontro entre eles só ocorreu no último domingo, em uma praça, na companhia de familiares.

“Ela me abraçou, pediu desculpas, e eu a desculpei e a agradeci por me deixar ter vida”, disse.

Segundo Mauricio, a mãe biológica teria contado que a gravidez foi “um acidente”, que casou com outra pessoa, mas não tem filhos.

Mauricio contou que foi deixado pela mãe biológica num hospital após ter sido nascido prematuro no dia 1º de janeiro de 1987.

“Eu queria agradecer porque ela me deixou nascer, não me abortou. Ela me manteve vivo durante os sete meses da gravidez”, afirmou, nesta segunda-feira, diante das câmeras de televisão da Argentina.

“Sinto um imenso alívio. Eu sempre quis saber quem era minha família de sangue. Sempre tive essa curiosidade, essa pergunta constante. Estou muito mais tranquilo e feliz agora”, disse, por telefone, à BBC Brasil.

Na segunda-feira, Mauricio agradeceu no Facebook o apoio dado a ele.

Fonte: BBC Brasil, 20/04/10 (grifos nossos).

GrávidaA matéria da ACI Digital destaca também as palavras trocadas por Maurício e sua mãe: “Obrigado por ter tido a valentia de me suportar sete meses e não ter me abortado”; ele disse. Ela, muito emocionada, pediu-lhe: “meu filho; sou eu, sua mamãe. Não me odeie. Perdoe-me. Recordei-te sempre, nunca me esqueci de você”. Após o encontro, Maurício relatou: “senti-me pleno, nunca tinha experimentado a serenidade da alma. Por fim pude fechar minha história”.

Em vez de revolta pelo abandono, gratidão pela vida; em vez de mágoa, perdão. Ao ver situações como esta, penso em como tantas vezes somos levados a desacreditar nas pessoas projetando nelas as nossas próprias dificuldades… Ora, não é porque eu não sei se conseguiria ter uma atitute tão nobre como a desse garoto que devo desconfiar de quem a tenha.

Em vez de querer que o mundo seja limitado como nós, deveríamos ampliar um pouco nossa visão, para enxergá-lo melhor!

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Site anencefalia“O Valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem”. Com essa frase de Fernando Pessoa, nossos amigos Marcelo e Mônica resumem a filosofia do site www.anencefalia.com, agora desfrutando de uma nova versão, mais estilosa e organizada – que eu, particularmente, gostei muito!

Completando mais de um ano no ar, o site que fizeram em homenagem à sua primeira filhinha, a Giovanna, que teve anencefalia e viveu apenas algumas horas após o nascimento, já é uma referência no país sobre o assunto, trazendo depoimentos profundos, notícias, artigos jurídicos e informações importantes sobre o que é, de verdade, a tal da anencefalia, sob a ótica de quem já a vivenciou como experiência real e, em meio a tanto sofrimento, soube crescer com a situação…

A permissão para aborto neste caso, não custa lembrar, está em tramitação no Supremo Tribunal Federal e seu julgamento já foi anunciado várias vezes “para breve”. Tendo curiosidade sobre o assunto ou não, lhe convido a acessar e desbravar o site. A riqueza de material e os depoimentos espontâneos que eles tanto recebem nos fazem questionar, o tempo todo, sobre o que realmente sabemos disto que chamamos de “vida”. Dure o tempo que ela durar…

Marcelo, Mônica e LuísaAo Marcelo, à Mônica, à pequena Luíza e à Giovanna, que intercede por eles lá do céu, toda a paz do mundo e muita força para continuarem se aprimorando cada vez mais nesta batalha tão linda – e tão necessária – pela vida!

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Dra. Zilda: "Medidas educativas e preventivas são as únicas soluções para o problema das gestações não desejadas”

Eis uma questão muito importante a ser lembrada, quando se fala dos feitos da Dra. Zilda Arns. Era uma pessoa radicalmente contrária ao aborto, e mais do que isso: ela tinha respaldo suficiente na área de Saúde Pública para propor soluções para o problema. Para aquela que já é considerada por alguns a maior ativista social da história do país, legalizar o aborto seria admitir uma derrota do poder público em fornecer o que é realmente importante: uma educação de qualidade, nas famílias, nas escolas, nas políticas de saúde.

Vejamos então, abaixo, trechos de uma entrevista proferida por Dra. Zilda à revista eletrônica do Instituto Humanitas Unisinos, em 2007 (veja a íntegra aqui), em que ela explica, com mais propriedade que muita gente que na época a criticou (e que hoje lhe presta homenagens), porque existe uma solução para o problema do aborto, e porque ela está longe de ser a legalização. E que, a seu exemplo, aprendamos a nunca aceitar a falta de esperança como argumento!

IHU On-Line – Em que a senhora fundamenta sua posição radicalmente contrária ao aborto?

Zilda Arns - Sou absolutamente contra o aborto. Em primeiro lugar, sou a favor da vida, e fundamento meu ponto de vista não somente na fé cristã, mas também na ciência e em aspectos éticos e jurídicos (…).

Sou médica pediatra e sanitarista, com mais de 47 anos de experiência em saúde pública. Além disso, estou nos últimos 24 anos à frente da Pastoral da Criança (instituição que acompanha 1,9 milhão de crianças com menos de seis anos, em 42 mil comunidades pobres do país). Por isso, tenho a convicção de que medidas educativas e preventivas são as únicas soluções para o problema das gestações não desejadas.

pastoral-da-criancaTentar solucionar problemas, como a gravidez indesejada na adolescência, ou atos violentos, como estupros e os milhares de abortos clandestinos realizados a cada ano no País, com a legalização do aborto, é uma ação paliativa, que apontaria o fracasso da sociedade nas áreas da saúde, da educação e da cidadania e, em especial, daqueles que são responsáveis pela legislação no país. (…) É preciso investir na educação de qualidade, nas famílias e nas escolas.

É preciso, antes de tudo, refletir. Será que nos países em que esse e outros abortos são permitidos, os jovens e as mulheres estão mais conscientes e têm menos problemas?

IHU On-Line – Como podemos formular a questão do estatuto do embrião, considerando sua implicação na questão do aborto?

Zilda Arns - O embrião é um SER HUMANO completo em fase de crescimento tanto quanto um bebê, uma criança ou um adolescente. Com a evolução das ciências da reprodução humana, mais especialmente nas últimas duas décadas, não há a menor dúvida de que a vida do SER HUMANO se inicia no momento da concepção. Não se trata de um amontoado de células. Quando se dá o encontro gamético, produz-se a primeira unidade da vida, que contém toda herança genética e todos os requisitos para caracterizar a vida…

IHU On-Line – Como se caracteriza a abordagem ética do aborto?

Zilda Arns – Existe um princípio de injustiça nessa prática. Mais uma vez, ao invés de consertar o tecido social roto, querem jogar sobre a mulher o pesado fardo da injustiça social, oferecendo-lhe a oportunidade de abortar o filho que veio abrigar-se em seu ventre, filho esse que não planejou ou que foi concebido como conseqüência de um ato violento. (…) A ética e a moral não são exclusivas da religião. Devem servir de guia para toda a sociedade, incluindo a ciência e a técnica. Não faltam cientistas, juristas e legisladores que, no exercício de seus mandatos e profissões, têm como objetivo maior a defesa e a promoção da vida, a serviço do bem comum.

pastoral-da-criancaIHU On-Line – O aborto é um problema que precisa de uma solução, ou ele pode ser uma solução?

(…) Para gerar desenvolvimento e, por conseqüência, boas condições de saúde e de vida, é preciso investir em educação de qualidade e criar políticas públicas de assistência materno-infantil, de orientação aos adolescentes, às mulheres e às famílias, a fim de que elas tenham melhores oportunidades de estudo e de desenvolverem-se no futuro. A prática de abortos seria um retrocesso da saúde pública, que, ao invés de investir na qualidade de vida da população, passaria a reproduzir uma cultura de incentivo à morte, à violência.

IHU On-Line – Uma lei a favor pode ser a única resposta ao problema do aborto?

Zilda Arns - Sob o ponto de vista de políticas de saúde, seria muito mais humano e econômico à nação investir em qualidade de vida e melhor assistência à saúde do que investir contra o ser humano indefeso. Não se pode eliminar a pobreza por meio da eliminação dos pobres, assim como não se pode eliminar a violência de uma gravidez indesejada mediante outra forma de violência, como é o aborto. Tenho certeza de que nossos deputados e senadores não se deixarão seduzir pela cultura da morte e da corrupção e lutarão pelo respeito à vida e por melhor qualidade de vida para todos…

IHU On-Line – Como lidar com a mentalidade abortista, tão presente na sociedade, que banaliza a questão do aborto?

Zilda Arns - Feministas famosas, realmente comprometidas com o bem-estar das mulheres, (…) deixaram a bandeira do aborto e optaram pela bandeira da erradicação da pobreza, da miséria, da ignorância que oprime as mulheres, principalmente nos países em desenvolvimento. Lembro-me de médicos, tais como o Dr. Bernard N. Nathanson, M.D. co-fundador da Liga Nacional pelos Direitos ao Aborto nos Estados Unidos, e responsável por mais de 75 mil casos desse tipo, que se converteu em defensor da vida, devido a um conhecimento mais profundo do ser humano, pelos avanços da ciência e dos aparelhos de tecnologia avançada. Dr. Nathanson convenceu-se da existência da vida humana desde o momento da concepção…

bebêIHU On-Line – Podemos conciliar a autonomia e a liberdade da mulher com a vida e a defesa do embrião?

Zilda Arns - Trata-se de um princípio de convivência de dois seres humanos. O “outro” é o limite de nossa liberdade. Se a mulher tem direitos e deveres, eles não podem interferir ou impedir o direito à vida de outro ser humano.

FONTE: www.ihuonline.unisinos.br

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