Artigo de Luis Vinicius do Nascimento

Graduado e mestre em Psicologia, atualmente é doutorando em Memória Social pela UNIRIO. De coração freudiano, vive tentando o milagre de conciliar os doutores Freud, Spock e House. Twitta muito raramente e jura que vai parar de usar a internet quando o seu Lattes puder ter Buddy Pokes…

Tenta sempre ver a vida e a luta com bom humor, inspirando-se nas palavras proféticas de Nelson Rodrigues: “Se um dia a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela”.

Contato : luis@vivopelavida.com.br

Na época que morei em uma república, um de meus amigos de apartamento era um devoto humilde e atencioso de São José. Tanto em seus atos cotidianos quanto em seu exemplo histórico, esse colega me demonstrava as virtudes do “Zé” trabalhador, humano, cotidiano.

Me lembro que meu amigo rezava o terço de São José com tanto carinho, que eu sentia que se estabelecia uma espécie de companheirismo sindical, especialmente quando era recitada a estrofe que antecede cada mistério: Ó meu glorioso São José, nas vossas maiores aflições e atribulações o Anjo não vos valeu, valei-me São José.

Meu amigo repetia pacientemente cada mistério. A cada novo “valei-me São José”, era como se ele dissesse:

São José, o senhor sabe como é ser humano, não saber o que fazer, ter que trabalhar dia após dia. O senhor sabe como é levantar todos os dias pedindo a Deus a santificação das mãos calejadas. O senhor sabe como é sustentar a esperança a cada nova manhã, mesmo que tenhamos ido dormir sem vislumbrar a mínima possibilidade de mudança. Agora que o senhor está aí, contemplando as maravilhas e a paz que daqui eu mal posso imaginar, valei-me São José…

E no dia de hoje, mais ou menos 2011 atrás, lá estava o “Zé” lutando para encontrar o melhor lugar possível para a mulher e o filho…

Que no aniversário do filho, o pai possa nos ensinar a amá-lo, ainda que isto seja somente encontrar um montinho de palha mais fofo para cuidar dos sonhos do Deus-menino…

P.S.:Hoje topei com essa bela mensagem de Paulo Coelho (sim, ele mesmo, e justiça seja feita: o texto é muito bom). Acredito que ela sirva como uma ótima fonte de reflexão nesse momento de nascimento da alma…

O homem que seguia seus sonhos

Nasci na casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. Como foi um parto bastante complicado, minha mãe me consagrou ao santo, pedindo que me ajudasse a viver. José passou a ser uma referência para a minha vida, e desde 1987, ano seguinte à minha peregrinação a Santiago de Compostela, dou uma festa em sua homenagem, no dia 19 de março. Convido amigos, pessoas trabalhadoras e honestas, e antes do jantar, rezamos por todos aqueles que procuram manter a dignidade no que fazem. Oramos também pelos que se encontram desempregados, sem nenhuma perspectiva para o futuro.

Na pequena introdução que faço antes da prece, costumo lembrar que, das cinco vezes que a palavra “sonho” aparece no Novo Testamento, quatro se referem a José, o carpinteiro. Em todos estes casos, ela está sempre sendo convencido por um anjo a fazer exatamente o contrário do que estava planejando.

O anjo pede que ele não abandone sua mulher, embora ela esteja grávida. Ele podia dizer coisas do tipo “o que os vizinhos vão pensar”. Mas volta para casa, e acredita na palavra revelada.

O anjo o envia para o Egito. E sua resposta podia ter sido: “mas eu já estou aqui estabelecido como carpinteiro, tenho minha clientela, não posso deixar tudo de lado agora.” Entretanto, arruma suas coisas, e parte em direção ao desconhecido.

O anjo pede que volte do Egito. E José podia ter de novo pensado: “logo agora que eu consegui estabilizar de novo minha vida, e que tenho uma família para sustentar?”

Ao contrário do que o senso comum manda, José segue seus sonhos. Sabe que tem um destino a cumprir que é o destino de quase todos os homens neste planeta: proteger e sustentar sua família. Como milhões de Josés anônimos, ele procura dar conta da tarefa, mesmo tendo que fazer coisas que estão muito além de sua compreensão.

Mais tarde, tanto a mulher como um dos filhos se transformam nas grandes referências do Cristianismo. O terceiro pilar da família, o operário, é lembrado apenas nos presépios de final de ano, ou por aqueles que tem uma devoção especial por ele, como é o meu caso, e como é o caso de Leonardo Boff, para quem escrevi o prefácio de seu livro sobre o carpinteiro.

Reproduzo parte de um texto do escritor Carlos Heitor Cony (espero que seja mesmo dele, porque descobri na internet!): “ Volta e meia estranham que, declarando-me agnóstico, não aceitando a idéia de um Deus filosófico, moral ou religioso, seja devoto de alguns santos do nosso calendário tradicional. Deus é um conceito ou uma entidade distante demais para os meus recursos e até mesmo para minhas necessidades.Já os santos, porque foram terrenos, com os mesmos alicerces de barro de que fui feito, merecem mais do que a minha admiração. Merecem mesmo a minha devoção.

“São José é um deles. Os Evangelhos não registram uma única palavra sua, somente gestos, e uma referência explícita: “vir justus”. Um homem justo. Como se tratava de um carpinteiro, e não de um juiz, deduz-se que José era acima de tudo um bom. Bom como carpinteiro, bom como esposo, bom como pai de um garoto que dividiria a história do mundo.”

Belas palavras de Cony. E eu, muitas vezes, leio aberrações do tipo: “Jesus foi para a Índia aprender com os mestres do Himalaia”. Para mim, todo homem pode transformar em sagrada a tarefa que lhe é dada pela vida, e Jesus aprendeu enquanto José, o homem justo, o ensinava a fazer mesas, cadeiras, camas.

No meu imaginário, gosto de pensar que a mesa onde o Cristo consagrou o pão e o vinho, teria sido feita por José – porque ali estava a mão de um carpinteiro anônimo, que ganhava a vida com o suor do seu rosto e, justamente por causa disso, permitia que os milagres se manifestassem.”

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Somente um louco para, sendo judeu, citar Nietzsche em uma oração de Shabat.

Maior loucura ainda é fazer isso durante uma fuga em massa da comunidade judaica em meio à  II Guerra Mundial.

Uma loucura... daquela loucura profunda e bela que somos feitos. É assim o filme Trem da Vida de Radu Mihaileanu, um dos melhores filmes que já assisti. Ele conta a história de uma pequena comunidade judaica do interior da Europa que, frente a iminência da invasão nazista, decide  executar um audacioso plano de fuga. Não conto mais para não estragar o filme, que tem esse misterioso poder de nos deliciar a cada momento.

Porém, deixo de aperitivo uma das mais belas cenas do filme, na qual o personagem Shlomo (um louco)  toma a palavra durante a oração do Shabat. Nada ortodoxo, mas pleno de humildade, Shlomo reflete sobre a natureza humana frente à Deus.


Uma das mais belas orações que eu já ví.

 No mais, como diria o poeta: Isso é tudo pessoal.

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Faz muito tempo que tenho relutado em escrever este pequeno post, não pelo texto em si, mas pelo seu conteúdo simbólico.

Ele marca uma espécie de retomada, um voltar a partir de outro ponto. Já dizia um velho provérbio latino que “O tempo muda e nós mudamos com ele“.

Acredito que também mudei um pouco nesse tempo em que estive um pouco de fora, acompanhando o site com relativa distância. Aconteceu que em um belo dia eu resolvi seguir o conselho de nosso “ADEVOGADO” e curtir uns momentos de necessário silêncio.

Muita coisa aconteceu neste intervalo, e talvez a frase que mais sintetize o meu espírito nesta retomada é: “Não tenho nenhum compromisso com as minhas idéias, o meu compromisso é com a verdade”, do genial Anísio Teixeira.

Não sei exatamente como será o prosseguimento das minhas idéias, mas que prossigam.

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Dilma Rousseff

Lembro bem de um ditado que me contaram no começo da faculdade: “Só louco não muda de idéia”. Durante a faculdade tive certeza de uma coisa: louco muda muito de idéia.

Aliás, todos nós mudamos. A questão é: quando e por quê?

São muitos os motivos que podem levar uma pessoa a mudar de opinião. Aqui no site já publicamos um texto sobre a  feliz mudança de de Elba Ramalho e Pitty. No caso de ambas, os abortos que sofreram (o de Elba foi artificial e o de Pitty, espontâneo) ocasionaram uma mudança radical na forma de ver e valorizar a vida. As entrevistas que vieram posteriormente apenas publicaram uma mudança verdadeira e particular.

A questão é quando essa mudança ocorre de uma hora para outra, com uma presidenciável e  faltando apenas 4 dias para a eleição. Suspeito… MUITO!

Na hora da eleição, Fernando Henrique já virou católico, Lula não  soube de nada (e infelizmente não pôde comparecer a debate). Para variar, Dilma misteriosamente se tornou contra o aborto….

Confira no vídeo e tire suas próprias conclusões!

Veja também, aqui, a posição dos principais presidenciáveis sobre o aborto.

Citações:

Estadão.com.br – “Dilma diz que é a favor da descriminação do aborto
Marie Claire – “A mulher do presidente
Diário do Nordeste – “Dilma Roussef defende legalização do aborto
Isto É – “Entrevista com Dilma Roussef” (veja o vídeo)
Estadão.com.br - “Dilma diz a bispo que aborto é questão de saúde pública
CNBB – Debate entre presidenciáveis
Vídeo - Dilma em encontro com católicos e evangélicos
Portal Terra – “Dilma diz ser contra o aborto em encontro com líderes cristãos
Folha – “Marina acusa Dilma de mudar discurso sobre aborto para ganhar votos
Música:  “A invasão dos monges” (Stênio Mendes) – Barbatuques

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“Tempora mutantur et nos mutamur in illis”
(O tempo muda, e nós mudamos com ele)

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Provérbio Latino

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O saber se aprende com os mestres.
A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.

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Cora Coralina

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fumaaalto

Essa eu vi no: Luide e o Tempo

(Obs: Gostaríamos de ressaltar que não promovemos apologia ao Marcelo D2, Pokemon ou Björk)

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“O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio. Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia. O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia”

Fernando Anitelli

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“Ninguém é mais escravo do  que aquele que se considera livre sem o ser.”

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Johann Wolfgang von Goethe

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A única seção que eu realmente gosto de ler nos portais de notícias é a de casos estranhos.

Hoje tive uma grande surpresa ao ler o caso desses russosrussos_suicidas

Ele perdeu a noiva um dia antes do casamento, ela estava grávida e tinha sido expulsa de casa pelos pais.  Aparentemente só tinham uma coisa em comum,  estavam decididos a cometer suicídio no mesmo local e na mesma hora.

Ela chegou primeiro, estava na beirada da ponte enquanto ele chegava… A vida falou mais alto e o rapaz, mesmo querendo se matar, segurou-a pela blusa e impediu a tragédia

Depois de muito conversar viram que tinham muitas coisas em comum, o amor substituiu a desesperança, e hoje eles estão muito felizes e vivos!

Achei a história muito interessante, não sei se foi coincidência, providência, ou um bloco do Magnólia que foi cortado na edição.

A vida surpreende, a vida acontece …

(Fonte: Portal R7)

Saiba mais sobre a notícia aqui.

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