Artigo de Gabriel Resgala

Formado em Psicologia, especialista em Saúde Coletiva e mestrando em Ciência da Religião pela UFJF. Dizem que sua tranqüilidade aparente esconde uma inquietude digna dos grandes gênios hiperativos da humanidade, mas sua modéstia o impede de comentar qualquer coisa a respeito. Sempre foi um questionador nato, desde o dia em que perguntou à sua mãe pra onde a Xuxa ia depois que subia naquela nave que soltava uma fumaça branca esquisita.

Buscando sempre uma vida com Razão para alimentar sua Fé na vida, valoriza a poesia que há em curtir as coisas simples – ou as não tão simples assim…

Recentemente rendeu-se ao twitter, apesar de ser um eterno amante do seu querido subwoofer, o “Humanando”…

Contato: gabriel@vivopelavida.com.br

Mulher-florEu tinha 6 anos. A professora lá na frente, tentando explicar pra gente o que era o “Dia Internacional da Mulher”. E eu tentando entender:

_ Tia, quando é o dia inte… inter… intena… o dia do homem?

_ Não tem.

_ Não tem?

_ Não tem.

_ Por quê?

_ Bem, porque… porque…

Era a deixa pra um colega mais engraçadinho:

_ Por que todo dia é dia do homem! Hahahaha…

Pronto. Estava armada a algazarra, a rizaiada, a gritaiada. Era a hora da professora tentar acalmar a garotada – e esquecer de responder à minha pergunta…

Eu precisei crescer um pouco ainda para entender o porquê de existir um dia dedicado ao sexo feminino e não ao masculino. Pra descobrir que a vida daqueles seres chatos, mimados, frescos e que, meu Deus, achavam o máximo ganhar panelinhas de presente (só podiam ser retardadas, como pode?) é, via de regra, mais difícil que a de nós, que nascemos com o cromossomo Y. Que já foram, e ainda são, sim, muito discriminadas, violentadas, ofendidas, assediadas… (sem falar, é claro, do masoquismo intrísseco ao gênero, que as obriga a usar salto alto e a se depilar constantemente). Se eu fosse mais romântico (ou cafajeste, dependendo do ponto de vista), diria mesmo que não seria preciso todo esse histórico de desigualdades pra render um dia de homenagens às mulheres – afinal, elas mereceriam ser homenageadas só pelo simples fato de existirem, não é mesmo?…

Mas tenta explicar isso tudo pra um garoto do jardim de infância – e convencê-lo que todas as meninas merecem parabéns nesse dia, inclusive as mais irritantes… Lembro que uma revista semanal tinha, há algum tempo, uma pequena coluna em que a graça era tentar explicar pra um ET as esquisitices da vida dos seres humanos, que nós muitas vezes temos como óbvias. Mas acho que não precisamos nem imaginar ETs – basta tentar passar pelo crivo de uma criança observadora…

Racismo_ Pai… é verdade que o Rodrigo, quando crescer, vai precisar tirar uma nota menor que o Rafa pra entrar na faculdade?

_ Como assim?

_ A professora falou que é porque o Rodrigo é negro, e o Rafa é branco.

_ Bem…

_ Mas o Rodrigo já falou que é inteligente, e que não vai precisar da ajuda de ninguém, vai passar com nota maior que a de todo mundo, pode ser branco, amarelo, vermelho…

_ E o Rafa?

_ Ele era amigo do Rodrigo, mas acho que ficou de mal. Falou que vai ser médico quando crescer, e que nenhum “neguinho” vai atrapalhar ele…

O problema, talvez, não seja nem termos políticas afirmativas, homenagens, determinados “benefícios” a determinadas classes ou gêneros. Mas seja encarar isso como óbvio, como se a sociedade tivesse que ser sempre separada por segmentos, e pertencer a um deles (seja por sexo, crença, situação econômica ou simples cor da pele) já fosse motivo suficiente pra ser considerado alvo ou ator de discriminação – ainda que seja uma “discriminação boa” (se é que isso existe)…

Nem digo o que é bom e o que não é. Só acho que, ao contrário do que muitos gostam de gritar por aí, nada é tão óbvio. Ou você também me acha preconceituoso só porque ouso pensar diferente?…

Tags: , , , , , , , ,

Não haverá jamais um amanhã a não ser que exista um hoje.

amanha

Sto Agostinho

Tags: , , , ,

um_ano_02

Essa semana estamos comemorando 1 ano de existência.

Um ano que passou rápido, sem dúvidas. Parece que foi ontem que, empolgados, trocávamos idéias (e isso durou meses) até conceber este site que se tornaria algo bastante precioso para nós. Um site pela vida.

Temos, com certeza, muita história pra contar deste primeiro ano. Foram 316 posts, 747 comentários, mais de 50 mil visitas segundo o Sitemeter.

Loucas aventuras (algumas que nem chegamos a comentar aqui), vários contratempos, muito aprendizado. É bom demais olhar pra trás, lembrar disso tudo, e poder dizer: “sobrevivemos e ainda agüentamos muito mais!

E hoje, um ano depois, temos muito o que agradecer! A todos os que nos apóiam, os que nos desafiam, os que nos acompanham e nós nem conhecemos. E a todos que, mesmo sem saber, compartilham conosco o ideal de “viver pela vida” – esteja onde estiver, fazendo o que quer que seja. A todos que sabem viver, dedicamos esse nosso primeiro aniversário!

aniversario

Por tudo o que vivemos, obrigado. E por tudo o que viveremos, sim!

Tags: , ,

CarrapichoGrupo Y-no

Que a música brasileira é admirada no mundo todo, nunca foi segredo. Samba, Bossa-nova, MPB… De Carmem Miranda a Vanessa da Mata, todo mundo sempre quis conhecer a nossa batucada. Mas o mais interessante que a tecnologia internética deste novo milênio permite nos mostrar é que, digamos, não é só de música “cult” que vivem os acordes brasileiros espalhados por esse planeta… Sim, nosso remelexo “popular”  também agrada aos mais diversos ouvidos gringos. Duvida?

Pois lembra do Carrapicho (aqueles branquelos vestidos de índio cantando “Bate forte o tambor, eu quero é tic-tic-tic-tic-tá”)? Se você viveu os anos 90, com certeza se lembra – e deve se lembrar também do filme “A Família Adams”, clássico da Sessão da Tarde da época. O que eles têm em comum? Sei lá… Mas se você entender russo, poderá dar uma grandiosa contribuição para que consigamos dormir à noite… nos explicando isto:

Мальчик хочет в Тамбов (como se diz “Meu Deus!!” em russo?)

Já o vídeo a seguir não foi uma simples versão, uma mera “adaptação” para a língua nativa de uma música internacional de sucesso garantido… Não! Um grupo de estudantes japoneses, ao conhecerem o pagodão tupiniquim pela internet, resolveu pôr em prática as aulas de português que tiveram na universidade e, adivinhem… fazer seus próprios pagodes, como seus ídolos brasileiros! Gravaram uma apresentação num bar de Tóquio e botaram no Youtube, já contabilizando mais de 100 mil acessos, com direito a destaque no portal G1. Com vocês, o “Grupo Y-no” – afinal, “namoração da internet é bom, né”?

Y-no – “Querido, meu amor” (com legendas, para nosso regozijo)

E, finalizando, uma demonstração do Maurício Ricardo sobre porque Renato Russo foi, realmente, um profeta.

Pó-pó-popozáo…

Tags: , , , , , , , , , , ,

“Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem sentir-se melhor e mais feliz.”

Madre Tereza

Madre Teresa de Calcutá

Tags: , , ,

viver

A única verdade é que vivo. Sinceramente eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais…

Clarice Lispector

Tags: , ,

Nascer do solCai uma pequena tempestade lá fora. Perdi a conta de quantas já caíram essa semana, daquelas de alagar tudo e derrubar casas. Na TV vejo uma enchente atrás da outra em cidades já caóticas, um terremoto atrás do outro num país já imensamente devastado pelo descaso humano. Mas é um lindo dia.

Morre uma grande ativista, que todos desejaríamos ser imortal. Governantes são filmados botando dinheiro na meia e na cueca, dão uma desculpa qualquer e são absolvidos. E, em ano de eleição, o povo se descabela à procura de um menos-pior. Um lindo dia.

Pra uns, um ano que parece já começar triste, à espera do fim do mundo. Para outros… o dia ainda está bonito lá fora.

Com vocês, U2. Não deixe o dia escapar.

U2 – Beautiful Day (com legendas)

PS1: Dica: clique no botão com as 4 setinhas para ver em tela inteira.

PS2: O toró é de verdade, mas esperei estiar pra ligar o computador. Fiquem tranqüilos ;-)

Tags: , , , , ,

Ilha_Madeira_e

“Jamais haverá ano novo se continuarmos a copiar os erros dos anos velhos”
Luiz Vaz de Camões

Via: @pakunrath

Tags: , ,

Site anencefalia“O Valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem”. Com essa frase de Fernando Pessoa, nossos amigos Marcelo e Mônica resumem a filosofia do site www.anencefalia.com, agora desfrutando de uma nova versão, mais estilosa e organizada – que eu, particularmente, gostei muito!

Completando mais de um ano no ar, o site que fizeram em homenagem à sua primeira filhinha, a Giovanna, que teve anencefalia e viveu apenas algumas horas após o nascimento, já é uma referência no país sobre o assunto, trazendo depoimentos profundos, notícias, artigos jurídicos e informações importantes sobre o que é, de verdade, a tal da anencefalia, sob a ótica de quem já a vivenciou como experiência real e, em meio a tanto sofrimento, soube crescer com a situação…

A permissão para aborto neste caso, não custa lembrar, está em tramitação no Supremo Tribunal Federal e seu julgamento já foi anunciado várias vezes “para breve”. Tendo curiosidade sobre o assunto ou não, lhe convido a acessar e desbravar o site. A riqueza de material e os depoimentos espontâneos que eles tanto recebem nos fazem questionar, o tempo todo, sobre o que realmente sabemos disto que chamamos de “vida”. Dure o tempo que ela durar…

Marcelo, Mônica e LuísaAo Marcelo, à Mônica, à pequena Luíza e à Giovanna, que intercede por eles lá do céu, toda a paz do mundo e muita força para continuarem se aprimorando cada vez mais nesta batalha tão linda – e tão necessária – pela vida!

Tags: , , , ,

zilda-arns

Dra. Zilda: "Medidas educativas e preventivas são as únicas soluções para o problema das gestações não desejadas”

Eis uma questão muito importante a ser lembrada, quando se fala dos feitos da Dra. Zilda Arns. Era uma pessoa radicalmente contrária ao aborto, e mais do que isso: ela tinha respaldo suficiente na área de Saúde Pública para propor soluções para o problema. Para aquela que já é considerada por alguns a maior ativista social da história do país, legalizar o aborto seria admitir uma derrota do poder público em fornecer o que é realmente importante: uma educação de qualidade, nas famílias, nas escolas, nas políticas de saúde.

Vejamos então, abaixo, trechos de uma entrevista proferida por Dra. Zilda à revista eletrônica do Instituto Humanitas Unisinos, em 2007 (veja a íntegra aqui), em que ela explica, com mais propriedade que muita gente que na época a criticou (e que hoje lhe presta homenagens), porque existe uma solução para o problema do aborto, e porque ela está longe de ser a legalização. E que, a seu exemplo, aprendamos a nunca aceitar a falta de esperança como argumento!

IHU On-Line – Em que a senhora fundamenta sua posição radicalmente contrária ao aborto?

Zilda Arns - Sou absolutamente contra o aborto. Em primeiro lugar, sou a favor da vida, e fundamento meu ponto de vista não somente na fé cristã, mas também na ciência e em aspectos éticos e jurídicos (…).

Sou médica pediatra e sanitarista, com mais de 47 anos de experiência em saúde pública. Além disso, estou nos últimos 24 anos à frente da Pastoral da Criança (instituição que acompanha 1,9 milhão de crianças com menos de seis anos, em 42 mil comunidades pobres do país). Por isso, tenho a convicção de que medidas educativas e preventivas são as únicas soluções para o problema das gestações não desejadas.

pastoral-da-criancaTentar solucionar problemas, como a gravidez indesejada na adolescência, ou atos violentos, como estupros e os milhares de abortos clandestinos realizados a cada ano no País, com a legalização do aborto, é uma ação paliativa, que apontaria o fracasso da sociedade nas áreas da saúde, da educação e da cidadania e, em especial, daqueles que são responsáveis pela legislação no país. (…) É preciso investir na educação de qualidade, nas famílias e nas escolas.

É preciso, antes de tudo, refletir. Será que nos países em que esse e outros abortos são permitidos, os jovens e as mulheres estão mais conscientes e têm menos problemas?

IHU On-Line – Como podemos formular a questão do estatuto do embrião, considerando sua implicação na questão do aborto?

Zilda Arns - O embrião é um SER HUMANO completo em fase de crescimento tanto quanto um bebê, uma criança ou um adolescente. Com a evolução das ciências da reprodução humana, mais especialmente nas últimas duas décadas, não há a menor dúvida de que a vida do SER HUMANO se inicia no momento da concepção. Não se trata de um amontoado de células. Quando se dá o encontro gamético, produz-se a primeira unidade da vida, que contém toda herança genética e todos os requisitos para caracterizar a vida…

IHU On-Line – Como se caracteriza a abordagem ética do aborto?

Zilda Arns – Existe um princípio de injustiça nessa prática. Mais uma vez, ao invés de consertar o tecido social roto, querem jogar sobre a mulher o pesado fardo da injustiça social, oferecendo-lhe a oportunidade de abortar o filho que veio abrigar-se em seu ventre, filho esse que não planejou ou que foi concebido como conseqüência de um ato violento. (…) A ética e a moral não são exclusivas da religião. Devem servir de guia para toda a sociedade, incluindo a ciência e a técnica. Não faltam cientistas, juristas e legisladores que, no exercício de seus mandatos e profissões, têm como objetivo maior a defesa e a promoção da vida, a serviço do bem comum.

pastoral-da-criancaIHU On-Line – O aborto é um problema que precisa de uma solução, ou ele pode ser uma solução?

(…) Para gerar desenvolvimento e, por conseqüência, boas condições de saúde e de vida, é preciso investir em educação de qualidade e criar políticas públicas de assistência materno-infantil, de orientação aos adolescentes, às mulheres e às famílias, a fim de que elas tenham melhores oportunidades de estudo e de desenvolverem-se no futuro. A prática de abortos seria um retrocesso da saúde pública, que, ao invés de investir na qualidade de vida da população, passaria a reproduzir uma cultura de incentivo à morte, à violência.

IHU On-Line – Uma lei a favor pode ser a única resposta ao problema do aborto?

Zilda Arns - Sob o ponto de vista de políticas de saúde, seria muito mais humano e econômico à nação investir em qualidade de vida e melhor assistência à saúde do que investir contra o ser humano indefeso. Não se pode eliminar a pobreza por meio da eliminação dos pobres, assim como não se pode eliminar a violência de uma gravidez indesejada mediante outra forma de violência, como é o aborto. Tenho certeza de que nossos deputados e senadores não se deixarão seduzir pela cultura da morte e da corrupção e lutarão pelo respeito à vida e por melhor qualidade de vida para todos…

IHU On-Line – Como lidar com a mentalidade abortista, tão presente na sociedade, que banaliza a questão do aborto?

Zilda Arns - Feministas famosas, realmente comprometidas com o bem-estar das mulheres, (…) deixaram a bandeira do aborto e optaram pela bandeira da erradicação da pobreza, da miséria, da ignorância que oprime as mulheres, principalmente nos países em desenvolvimento. Lembro-me de médicos, tais como o Dr. Bernard N. Nathanson, M.D. co-fundador da Liga Nacional pelos Direitos ao Aborto nos Estados Unidos, e responsável por mais de 75 mil casos desse tipo, que se converteu em defensor da vida, devido a um conhecimento mais profundo do ser humano, pelos avanços da ciência e dos aparelhos de tecnologia avançada. Dr. Nathanson convenceu-se da existência da vida humana desde o momento da concepção…

bebêIHU On-Line – Podemos conciliar a autonomia e a liberdade da mulher com a vida e a defesa do embrião?

Zilda Arns - Trata-se de um princípio de convivência de dois seres humanos. O “outro” é o limite de nossa liberdade. Se a mulher tem direitos e deveres, eles não podem interferir ou impedir o direito à vida de outro ser humano.

FONTE: www.ihuonline.unisinos.br

Tags: , , , ,

« Mais antigos