
Antes de mais nada, como mesário (não voluntário, confesso), não posso deixar de lembrar a todos de levarem documento com foto & título de eleitor para votarem no próximo domingo. Pois é, agora estão exigindo dois documentos, fazer o quê? Se precisar reimprimir o título, corra até o Cartório Eleitoral até quinta-feira (dia 30) – ou poderá ficar sem votar! [UPDATE - 01/10/2010: Pois é, eles voltaram atrás na última hora. Não sei o que foi pior: aquela exigência descabida (aprovada pelo presidente um ano atrás) ou a sua revogação a 3 dias das eleições, motivada por claro medo de perder votos, depois de tantos gastos com propaganda e milhões de pessoas passando horas na fila pra reimprimir o título... Agora basta levar um documento oficial com foto, ok?].
Bem, mas vamos lá! Continuando a nossa série “urna não é penico”, com vocês, aqueles que são os três maiores mitos eleitorais do Brasil, na minha opinião – nos quais, acho, a maioria da população acredita. Você sabia?
1º MITO: “Se mais de 50% dos eleitores anularem o voto, haverá novas eleições”.
Cá pra nós: seria bom se fosse verdade. Imagina, uma eleição em que os eleitores, indignados com a falta de opções, pudessem manifestar isso através do voto: “não queremos nenhum de vocês, terão que arranjar outros!”, e os partidos desesperados, tendo que se virar para conseguir candidatos melhores…
Mas, na verdade, não funciona assim. Embora haja vários textos afirmando o contrário por aí, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirma: votos brancos e nulos não servem pra NADA. Nada mesmo. Entenda aqui.
2º MITO: “Se eu não quero que um candidato ganhe, devo votar naquele que tem mais chances de derrotá-lo, já no 1º turno”.
O segundo turno acontece, nas eleições para cargos do Executivo, quando os votos do candidato que está em primeiro lugar não ultrapassa a soma de todos os outros. Este videozinho explica de forma rápida e divertida como funciona:
Ou seja: o primeiro turno existe exatamente para você poder votar em que você quiser, sem ter que se preocupar com o “voto útil”.
Se você não quer que o candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas ganhe, basta votar em qualquer um dos outros para colaborar para que haja segundo turno, pois o que vale é a soma de todos. E, se você não quer que o candidato que está em segundo lugar ganhe, votando em um candidato que está em terceiro lugar você estará exatamente diminuindo as chances do sujeito de quem você não gosta ir para o segundo turno (vai que o seu candidato consegue ultrapassá-lo?).
No segundo turno, aí sim, a decisão se dá muitas vezes de forma mais pragmática, votando em um (o “menos pior”) para que o outro não ganhe. Ou, é claro, confirmando o voto que demos no primeiro turno, se for o caso.

3º MITO: “Vou votar num bizarro qualquer pra deputado, como protesto. Pior do que tá não fica”.
Fica sim, seu abestado. Se parece uma boa piada votar em candidatos “bizarros”, saiba que alguém irá rir por último, e da sua cara. Além de botar uma pessoa despreparada no poder, você estará colaborando para dar mais votos para o partido ou coligação, e com isso eleger outros candidatos que você nem conhece – e que podem ser os piores possíveis!
O problema é que as eleições para deputado federal ou estadual (diferentemente dos outros cargos) são feitas pelo sistema proporcional, em que o número de votos que o partido ou coligação obtiver, somando todos os seus candidatos, irá designar o percentual de vagas no Congresso que esse partido ou coligação terá. Um exemplo clássico: em 2002, Enéas foi o deputado mais votado do Brasil, tendo mais de 1 milhão e meio de votos. O seu partido (PRONA), com isso, obteve uma boa porcentagem de votação, conquistando 6 vagas na Câmara. Só que, por se tratar de um partido pequeno, seus candidatos “mais votados” tinham pouquíssimos votos, inclusive um sujeito com apenas 275 votos. Foi eleito um deputado federal que obteve menos votos do que eu tenho em amigos no Orkut.
É extremamente injusto, mas infelizmente é a realidade. E votando no Tiririca, seu abestaiado, você estará elegendo também nomes como Valdemar Costa Neto e José Jenoíno, velhos conhecidos do Mensalão. Sabia disso?
Portanto, pra escolher um deputado, é importante analisar bem o PARTIDO e/ou a COLIGAÇÃO, talvez até mais do que o candidato. Pois é!…
Bem, por hora é isso! Quer saber mais? Faça o teste do site da Veja e verifique se você sabe diferenciar outras mentiras e verdades eleitorais!
Tenha um bom voto! E colabore para espalhar essas informações, a democracia depende disso!!
PS: E, se quiser saber em quem eu vou votar pra presidente…


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