setembro 2010

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VOTA BRASIL

Antes de mais nada, como mesário (não voluntário, confesso), não posso deixar de lembrar a todos de levarem documento com foto & título de eleitor para votarem no próximo domingo. Pois é, agora estão exigindo dois documentos, fazer o quê? Se precisar reimprimir o título, corra até o Cartório Eleitoral até quinta-feira (dia 30) – ou poderá ficar sem votar! [UPDATE - 01/10/2010: Pois é, eles voltaram atrás na última hora. Não sei o que foi pior: aquela exigência descabida (aprovada pelo presidente um ano atrás) ou a sua revogação a 3 dias das eleições, motivada por claro medo de perder votos, depois de tantos gastos com propaganda e milhões de pessoas passando horas na fila pra reimprimir o título... Agora basta levar um documento oficial com foto, ok?].

Bem, mas vamos lá! Continuando a nossa série “urna não é penico”, com vocês, aqueles que são os três maiores mitos eleitorais do Brasil, na minha opinião – nos quais, acho, a maioria da população acredita. Você sabia?

urna lixeira1º MITO: “Se mais de 50% dos eleitores anularem o voto, haverá novas eleições”.

Cá pra nós: seria bom se fosse verdade. Imagina, uma eleição em que os eleitores, indignados com a falta de opções, pudessem manifestar isso através do voto: “não queremos nenhum de vocês, terão que arranjar outros!”, e os partidos desesperados, tendo que se virar para conseguir candidatos melhores…

Mas, na verdade, não funciona assim. Embora haja vários textos afirmando o contrário por aí, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirma: votos brancos e nulos não servem pra NADA. Nada mesmo. Entenda aqui.

dilma-serra-marina2º MITO: “Se eu não quero que um candidato ganhe, devo votar naquele que tem mais chances de derrotá-lo, já no 1º turno”.

O segundo turno acontece, nas eleições para cargos do Executivo, quando os votos do candidato que está em primeiro lugar não ultrapassa a soma de todos os outros. Este videozinho explica de forma rápida e divertida como funciona:

Ou seja: o primeiro turno existe exatamente para você poder votar em que você quiser, sem ter que se preocupar com o “voto útil”.

Se você não quer que o candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas ganhe, basta votar em qualquer um dos outros para colaborar para que haja segundo turno, pois o que vale é a soma de todos. E, se você não quer que o candidato que está em segundo lugar ganhe, votando em um candidato que está em terceiro lugar você estará exatamente diminuindo as chances do sujeito de quem você não gosta ir para o segundo turno (vai que o seu candidato consegue ultrapassá-lo?).

No segundo turno, aí sim, a decisão se dá muitas vezes de forma mais pragmática, votando em um (o “menos pior”) para que o outro não ganhe. Ou, é claro, confirmando o voto que demos no primeiro turno, se for o caso.

urna privada

3º MITO: “Vou votar num bizarro qualquer pra deputado, como protesto. Pior do que tá não fica”.

Fica sim, seu abestado. Se parece uma boa piada votar em candidatos “bizarros”, saiba que alguém irá rir por último, e da sua cara. Além de botar uma pessoa despreparada no poder, você estará colaborando para dar mais votos para o partido ou coligação, e com isso eleger outros candidatos que você nem conhece – e que podem ser os piores possíveis!

O problema é que as eleições para deputado federal ou estadual (diferentemente dos outros cargos) são feitas pelo sistema proporcional, em que o número de votos que o partido ou coligação obtiver, somando todos os seus candidatos, irá designar o percentual de vagas no Congresso que esse partido ou coligação terá. Um exemplo clássico: em 2002, Enéas foi o deputado mais votado do Brasil, tendo mais de 1 milhão e meio de votos. O seu partido (PRONA), com isso, obteve uma boa porcentagem de votação, conquistando 6 vagas na Câmara. Só que, por se tratar de um partido pequeno, seus candidatos “mais votados” tinham pouquíssimos votos, inclusive um sujeito com apenas 275 votos. Foi eleito um deputado federal que obteve menos votos do que eu tenho em amigos no Orkut.

É extremamente injusto, mas infelizmente é a realidade. E votando no Tiririca, seu abestaiado, você estará elegendo também nomes como Valdemar Costa Neto e José Jenoíno, velhos conhecidos do Mensalão. Sabia disso?

Portanto, pra escolher um deputado, é importante analisar bem o PARTIDO e/ou a COLIGAÇÃO, talvez até mais do que o candidato. Pois é!…

Bem, por hora é isso! Quer saber mais? Faça o teste do site da Veja e verifique se você sabe diferenciar outras mentiras e verdades eleitorais!

Tenha um bom voto! E colabore para espalhar essas informações, a democracia depende disso!!

urna fim

PS: E, se quiser saber em quem eu vou votar pra presidente…

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grávida 2urna-eletronica

Você sabe o que o seu candidato a presidente realmente pensa sobre o aborto? Seguem, a seguir, declarações em vídeo dos 4 principais presidenciáveis que valem a pena serem vistas…

Dilma:

(em entrevista à revista Isto É)

_ O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada. Eu não tive que fazer aborto. (…) Eu acho que, do ponto de vista de um governo, o aborto não é uma questão de foro íntimo, mas de saúde pública. Você não pode hoje segregar mulheres.

_ A sra. defende uma legislação que descriminalize o aborto?
_ Que obrigue a ter tratamento para as pessoas, para não haver risco de vida. (…) Atendimento público para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto.


José Serra:

(no debate das TVs católicas)

_ Durante a Assembléia Nacional Constituinte (…) eu inclusive juntei vários parlamentares (…) pra fazer uma frente parlamentar contra o plebiscito da pena de morte. Porque não é uma questão que pode ser resolvida na base do 51(%) x 49(%). Eu, com relação ao aborto, penso a mesma coisa. Não faria plebiscito, de jeito nenhum.

O Programa Nacional de Direitos Humanos (do governo Lula), se virasse lei, como eles queriam, iria criminalizar quem é contra o aborto. Porque, se diz que o aborto é um dos pilares dos Direitos Humanos, quem é contra o aborto estaria contrariando os direitos Humanos. Não tem o menor cabimento.


Marina e Plínio:

(no debate das TVs católicas)

Marina:

_ Eu tenho uma posição contrária ao aborto (…). E a vida do ser humano para mim é um valor inegociável. O problema é que nós temos uma sociedade que (…) tem pouca informação sobre o assunto – e que o Congresso pode decidir sobre o assunto sem que a sociedade tenha feito o debate adequadamente. É por isso que eu defendo que na democracia se faça o plebiscito. (…) Que a gente possa entrar no mérito. Pode ter certeza que não é uma defesa pela metade e tenho profunda convicção em relação à defesa da vida.

O que está sendo colocado é a vida das 100 mil mulheres, mas também há as 100 mil vidas que são ceifadas junto com essas 100 mil mulheres. Quem é que protege essa vida indefesa que está ali e que precisa ser protegida? No meu entendimento, o Estado não pode se ausentar desta discussão como um princípio. (…) E eu, em nenhum momento, vou deixar de colocar o meu ponto de vista e de fazer a defesa daquilo que eu acho que é o melhor.

Eu digo que não faço satanizações porque eu sei que uma mulher que faz o aborto sofre, depois, tem graves problemas – inclusive emocionais – e eu tenho esse olhar, também, de acolhimento.

Plínio:

Como cristão, eu sou contra o aborto. Mas assim como não aceito que me imponham condutas baseadas em valores contrários à minha fé, não tenho o direito de impor condutas decorrentes da minha fé a quem não a tem.
A interrupção precoce da gravidez é um problema social que mata mais de 100 mil jovens todos os anos – jovens pobres. (…) O combate à interrupção precoce da gravidez requer ação preventiva. Combate ao erotismo de uma sociedade burguesa. E a legalização de intervenções, ou seja, o controle da lei. A decisão corresponde à mulher, pois ninguém defende mais o filho do que a mãe.
_ A interrupção precoce da gravidez é um problema social que mata mais de 100 mil jovens todos os anos – jovens pobres. (…) Nesse debate, eu defenderei a posição do meu partido. O combate à interrupção precoce da gravidez requer ação preventiva. Combate ao erotismo de uma sociedade burguesa. E a legalização de intervenções, ou seja, o controle da lei. A decisão corresponde à mulher, pois ninguém defende mais o filho do que a mãe.

Analisando…

Dilma-Roussef-5Me parece que Dilma só se diz “pessoalmente contrária ao aborto” pelos problemas decorrentes à mulher: “é uma agressão ao corpo”, “dói”, etc. Em nenhum momento sequer se lembra da criança, da vida intra-uterina. Por isso, não vê problemas em declarar-se favorável à legalização e ao oferecimento de aborto no SUS.

E, como Ministra do governo Lula, já colaborou muito para que isto se concretizasse – este vídeo mostra, em fatos comprovados por documentos, alguns dos atos de Dilma e do PT pela promoção do aborto no Brasil.

plinio-arruda-sampaioPlínio, apesar de ter sido o único a citar uma atitude de prevenção (que é algo essencial no combate ao aborto), vai no mesmo caminho de Dilma, citando estatísticas retiradas sabe-se lá de onde (dizer que há centenas de milhares de mortes por aborto por ano no Brasil não tem fundamentação alguma, quanto mais de “jovens pobres”). Usa eufemismos para dizer o que no seu site está claro: “defesa da legalização do aborto”.

José SerraSerra, a meu ver, parece estar utilizando essa questão mais para atacar Dilma (e apresentar um diferencial que lhe dê votos) do que necessariamente para defender a bandeira contra o aborto. Antes da campanha parecia mais “neutro” neste assunto, e se esquece de mencionar que, quando foi Ministro da Saúde, aprovou a primeira Norma Técnica a possibilidar o aborto no SUS em casos de estupro e risco de vida. Mas, convenhamos, hoje não parece determinado a ampliar este serviço. Até porque sabe que seus votos dependem disso.

MarinaSilvaJá a Marina me parece ser, dentre estes quatro, a candidata mais convencida da importância da defesa da vida não-nascida. Neste debate em específico, ao ser pressionada, ela manifestou de forma mais clara sua posição pessoal (que às vezes parece tentar minimizar, talvez para não polemizar com seu partido e com uma boa parcela de eleitores “liberais”), ao lembrar do que realmente está em jogo: as “vidas indefesas” que são “ceifadas” sem que haja quem as proteja. Sem se esquecer, é claro, do acolhimento à mulher, que tanto sofre com a situação.

[UPDATE - 02/10/2010: Ficou faltando, aqui, dizer o que eu penso sobre a proposta da Marina de um plebiscito para decidir a questão. Confesso que não sei se seria realmente a melhor alternativa, visto a gravidade do assunto (que deveria, a meu ver, ter entrado na Constituição). Mas, dependendo de como é feito, um plebiscito pode ser uma alternativa interessante de manifestação da democracia, levando a decisão à população (e, como ela disse, não deixando que o Congresso decida sozinho). Pode ser uma boa forma de conscientização, algo central no problema do aborto, mais importante que a mera proibição ou liberação. E cá pra nós, acredito que, sendo nosso povo como é, após se informar não vai mudar sua opinião (majoritariamente contrária ao aborto), mas até mesmo reforçá-la, ao conhecer melhor a realidade - é claro, se os dois lados souberem expor bem suas idéias, sem exageros ou maquiagens...].

É claro, há várias outras questões a serem levadas em conta na hora de decidir o voto. Mas a posição sobre o aborto é, com certeza, algo importante a ser analisado, não só nos candidatos à presidência (que gerenciam o SUS e influenciam fortemente os membros de outros poderes – os legisladores e até os ministros do Supremo, que são indicados pelo presidente) mas também nos deputados federais e senadores.

Afinal, trata-se do direito à vida, que é primordial, anterior a todos os outros – pois tudo o mais que se decidir será para os que já nasceram.

Que nossa urna não seja penico!…

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santo-agostinho

Não saias de ti. Volta-te para ti mesmo. A verdade reside no homem interior.

Santo Agostinho

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