Antes de mais nada, gostaria de dizer que posso ser considerado seguidor de um messias. Aliás, a maioria de nós o é (ou, como eu, ao menos “tenta ser”…). Numa cultura fortemente influenciada pelo cristianismo, quase todos temos Jesus, de uma forma ou de outra, como um modelo a ser seguido – e, para muitos, ele é mais que isso: é Deus. Mas, nem por isso, inquestionável.
Sim, vai me dizer que você nunca questionou Deus? Que nunca leu um pedaço da bíblia e disse: “poxa Cara, como assim?” Questionar faz parte de todo entendimento. Maria questionou quando o anjo disse que ela iria engravidar mesmo sem conhecer homem algum (sendo, é claro, um questionamento diferente do de Zacarias, que duvidou). Uma mulher cananéia também questionou, quando Jesus insinuou que só fazia milagres pros judeus (Mt 15, 21-28). E nem por isso ele deixou de ser Deus.
Mas existe um tipo de messianismo que Jesus fugiu de encarnar, e talvez essa fuga tenha colaborado para que seus amigos se afastassem quando ele mais precisava, uma vez que não entenderem seus propósitos: o messianismo político. Queriam um Rei para Israel que conduzisse a todos numa rebelião contra o funesto Império Romano, e governar magnânimo do alto de seu trono. Mas isso era tudo o que ele não queria. Mas o povo custou a entender.
A fome por um “salvador da pátria”, um pai de todos, é tão intrínseca à raça humana que ainda hoje não falta quem tenha ânsia de colocar os outros nesse lugar. Insistem na infabilidade do papa, um recurso não usado há quase um século pelo próprio papado. Juram que Obama salvará a África por puro humanismo, mesmo tendo ele interesses intrissecamente estadunidenses. E inventam uma forma de minimizar os erros de seus gurus, mesmo quando eles próprios o reconhecem e fazem o mea-culpa.
Quando botam alguém nesse trono (e, pior, quando alguém assume este lugar ao trono), o messias passa, então, a ser amado ou odiado – nunca analisado como um ser humano comum. Ou herói ou vilão, ou deus ou diabo. E, no botequim ou na faculdade, não importa a sensatez da pessoa para discutir outros temas; quando se fala no tal sujeito messiânico, os ânimos inflamam, e a lógica dá lugar à paixão. Às vezes, à primeira vista, parece até um discurso sensato, um e-mail equilibrado; mas ouse questionar para ver. Brotarão farpas e faíscas, e você será tachado de opositor. Você não vale, não pode questionar. É do outro lado, reacionário, inimigo disfarçado.
Talvez você já tenha sentido isso na pele; ou talvez você já tenha, até sem perceber, agido assim com alguém. Afinal, queira ou não, temos um presidente-messias, e não são poucos os que o endeusam. Mas a grande questão a analisarmos, a meu ver, é: será que estamos realmente vendo-o como ser humano?
Endeusando-o ou demonizando-o, pouco faremos para encarar a realidade como se deve. E, cá pra nós, é muito fácil cair nesse simplismo: ele pede isso, ele quer isso; suas falas estão sempre evocando nossas emoções, nos fazendo ficar “contra ou a favor”, tomar partido com o coração. Mesmo que não percebamos…
Foi o messianismo que elegeu Hitler, de forma democrática. Foi como um “deus” que Getúlio implantou a ditadura, e quando todos já estavam vendo-o como “diabo”, arranjou um jeito de “sair da vida pra entrar na história” como um grande messias. A voz do povo nem sempre é a voz de Deus…
Mas e a sua voz… qual será?
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É realmente tão difícil a gente enxergar as pessoas como seres humanos. É muito, muito, muito mais fácil esteriotiopar. Nossa, como isso é fácil! Criticar! Muito mais simples do que pensar no que aquela pessoa realmente significa. O que ela pensa? O que ela sente? Por que ela teria tal decisão? Acho que todo mundo espera muito que alguém faça alguma coisa, sabe, e se esquecem que todo mundo é responsável por tudo. Deus criou todo o mundo, mas Ele também nos criou. E o que a gente faz pra ajudá-lo a administrar esse mundo tão grande? Não que Ele não tenha essa capacidade, mas se Ele nos chama, todos, sem exceção, é porque nos quer agindo com Ele.
Falei demais. Deixa eu dar espaço pros outros xD
Adorei o texto, Gabriel. Lindo demais! >.<
Parabéns!
E boa sorte com a sua monografia, Deus estará ao seu lado.
Abraços!


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