maio 2010

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O saber se aprende com os mestres.
A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.

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Cora Coralina

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CSSFPor que há tantos “poréns” na legislação sobre o aborto? Por que há tantas dúvidas? Por que há tanta “vista grossa” em relação a alguns casos?…

Um dos motivos é que a nossa Constituição coloca o direito à vida como primordial para toda pessoa, mas o Código Civil diz que só se é “pessoa” depois de nascer, restando ao nascituro (a criança no útero da mãe) algo como “expectativas de direitos”. Ou seja, antes de respirar, nossos “direitos” podem ser relativizados, visto que são somente “expectativas”. Se por acaso houvesse como entrar uma lufada de ar no pulmãozinho de um bebê antes de sair do útero, aquele sortudo teria mais direitos do que outros nascituros, incluindo o de não ser abortado nos casos “especiais” previstos em lei…

Uma confusão, não é? Para tentar clarear mais as coisas, um grupo de deputados apresentou uma proposta de lei chamada “Estatuto do Nascituro” (PL-478/2007), que diz, basicamente: “nascituro é pessoa”. É, na verdade, uma repetição da máxima proferida por Jérôme Lejeune, cientista considerado pai da genética moderna “assim que é concebido, um homem é um homem”.

É claro, não é uma proposta fácil. Isso mexe com muita coisa, de pesquisa com células-tronco embrionárias a aborto em casos de estupro, hoje feitos com naturalidade pelo SUS. Você mesmo, que está lendo… lá no fundo, o que acha disso??

Era o que deputados debatiam acaloradamente na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara, durante o dia de ontem. Do ponto de vista estratégico, era uma má hora para votar o projeto do Estatuto, visto que vários deputados favoráveis não estavam presentes…

Mas aí aconteceu algo inesperado. Inesperadamente tocante.

Uma deputada chamada Fátima Pelaes, que outrora lutava veementemente a favor da liberação do aborto, e que ainda não havia se manifestado durante oaquele dia, corajosamente toma o microfone e compartilha um pouco da sua história de vida. Mais especificamente, do início da sua vida.

Ela fora concebida dentro de uma prisão. Por estupro. De três homens.

Sua mãe, que já tinha cinco filhos, foi violentada enquanto estava presa, e engravidou. Quis abortar, mas não arranjou meios. E, graças a este fato, sua filha agora está ali, lutando por aquilo que acredita, como parlamentar brasileira. Viveu os três primeiros anos de vida com a mãe na prisão;  já adulta, ouviu o pedido de perdão da mãe; nunca soube quem era o pai, teve que se tratar para lidar com todo o trauma. Mas diz:

Fátima Pelaes“Dá-se um jeito… consegue-se sobreviver! Não é fácil. Mas é possível! É possível, sim! Só eu sei a dor… eu aprendi isso no dia-a-dia, de ver aquela mulher lutando, tirando força de onde não tinha, como uma mãe sabe!”

“Eu já estive também em alguns momentos nesta comissão defendendo [o direito ao aborto], dizendo que toda mulher tem direito, que a vida não começa na concepção. Mas eu precisava ser trabalhada, ser curada, eu não conseguia falar disso… Hoje eu posso.”

“Então eu acho que nós, enquanto representantes do povo brasileiro, temos que pensar: ‘que direitos nós mulheres temos de tirar uma vida?’

(Ouça aqui o depoimento completo – cerca de 5 min)

Ao final do pequeno testemunho, um deputado, emocionado como quase todos os presentes, sugere que a discussão seja encerrada e passe-se à votação. Não há mais o que debater.

Assim, o Estatuto do Nascituro foi aprovado, com apenas 7 votos contrários, e segue livremente em direção a outras comissões da Câmara, ao Senado, e à sanção do presidente. Quem estava presente diz que o furor dos opositores foi tamanho que a relatora do projeto teve que sair da sala amparada por seguranças…

O caso me fez lembrar uma situação recente, no último sábado, quando eu e Luís fomos fazer uma palestra – ou melhor, “bater um papo” – com um grupo de adolescentes lá em Belo Horizonte, tendo em foco a temática deste site e, em meio a tantos questionamentos sobre a vida surgiu um muito recorrente: “o que vocês, sinceramente, acham de aborto em casos de estupro?”

Não é, realmente, uma pergunta fácil de responder, especialmente quando não se passou pela situação. Mas, nessas horas, me vem à mente que há pessoas que merecem que contemos a sua história. Como esta deputada…

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Veja a íntegra do PL-478/2007, “Estatuto do Nascituro” – autores: deputados Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG); relatora (e colaboradora do projeto): deputada Solange Almeida (PMDB-RJ).

Veja o perfil da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) e mais sobre sua história de vida.

Disponível também o áudio completo da sessão (dividido por falas).

Deputados que votaram contra o projeto: Dr. Rosinha (PT-PR), Henrique Fontana (PT-RS), Pepe Vargas (PT-RS) ,Darcísio Perondi (PMDB-RS),  Arlindo Chinaglia (PT-SP), Rita Camata (PSDB-ES) e Jô Moraes (PCDOB-MG).

UPDATE (19/06/10): Chamaram-me a atenção para um fato importante:  a versão aprovada do Estatuto foi, na verdade, um substitutivo, que trocou a palavra “pessoa” por “ser humano”, ainda constando a expressão “expectativa” em relação aos direitos, e mantendo-se o Código Penal como está. Detalhes que, numa leitura rápida, pode-se não perceber. Ou seja: trata-se, sim, de um avanço, mas ainda poderia ser bem melhor… Torçamos para que, até ser definitivamente aprovado, ele retorne ao seu teor original!

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tempos-modernos

Pensamos demasiadamente e
Sentimos muito pouco…
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.


Charles Chaplin

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fumaaalto

Essa eu vi no: Luide e o Tempo

(Obs: Gostaríamos de ressaltar que não promovemos apologia ao Marcelo D2, Pokemon ou Björk)

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“O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio. Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia. O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia”

Fernando Anitelli

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“Ninguém é mais escravo do  que aquele que se considera livre sem o ser.”

correntes1

Johann Wolfgang von Goethe

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A única seção que eu realmente gosto de ler nos portais de notícias é a de casos estranhos.

Hoje tive uma grande surpresa ao ler o caso desses russosrussos_suicidas

Ele perdeu a noiva um dia antes do casamento, ela estava grávida e tinha sido expulsa de casa pelos pais.  Aparentemente só tinham uma coisa em comum,  estavam decididos a cometer suicídio no mesmo local e na mesma hora.

Ela chegou primeiro, estava na beirada da ponte enquanto ele chegava… A vida falou mais alto e o rapaz, mesmo querendo se matar, segurou-a pela blusa e impediu a tragédia

Depois de muito conversar viram que tinham muitas coisas em comum, o amor substituiu a desesperança, e hoje eles estão muito felizes e vivos!

Achei a história muito interessante, não sei se foi coincidência, providência, ou um bloco do Magnólia que foi cortado na edição.

A vida surpreende, a vida acontece …

(Fonte: Portal R7)

Saiba mais sobre a notícia aqui.

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CasaEncarei uma mudança há algumas semanas. E, é claro, ainda não deu tempo de arrumar tudo na casa nova – e nem de me sentir realmente “em casa” aqui, apesar de o novo apê ser infinitamente melhor do que o outro… Por melhor que seja, demora um pouco pra nossa casa ser realmente a “nossa casa”, né?…

Quando pensa em mudança a gente sempre pensa em trabalho, estresse, dificuldades de adaptação… Realmente é difícil. Mas sabe que às vezes esse friozinho na barriga na hora de tomar o caminho de casa e lembrar que  “é pro outro lado” me dá uma sensação boa… de mudança, mesmo, na vida, de desapego às coisas que, por mais que sejam boas (e o apê antigo com certeza vai ter sempre um cantinho do coração!), ainda podem melhorar…

E volta e meia me pego lembrando dessa musiquinha da Legião, que fala “de quem deixou a segurança do seu mundo”… Tá certo que ainda não é estritamente o meu caso (por enquanto só uni minha escova de dentes com a da minha irmã), mas me faz pensar na mudança de uma outra forma.

Fiquemos então com ela, ilustrada por esse videozinho que, como diriam as meninas, é totalmente “ahhhhh que fofo!!”. Afinal, “o mundo anda tão complicado”

O mundo anda tão complicado

(Renato Russo)

Gosto de ver você dormir
Que nem criança, com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira…
Aperta o passo por causa da garoa!
Me empresta um par de meias,
A gente chega na sessão das dez.
Hoje eu acordo ao meio-dia,
Amanhã é a sua vez…

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você!

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão.
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som…

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito,
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço…

Vamos chamar nossos amigos,
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo.
Temos a semana inteira pela frente,
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor, por amor…

PS: Créditos do Vídeo - Rachel e Marcelo Tanaka

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Será que é no momento em que eu não sou nada é que me torno homem?

edipoSofócles

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