dezembro 2009

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OutonoHá quem diga que o artista não é importante, mas sim a sua arte. Não concordo totalmente, acho que determinadas obras ganham mais sentido quando se conhece a história do autor e o contexto em que ele a produziu… Mas também acho que, quando se supervaloriza a importância do autor, muitas vezes esquece-se do essencial, do mergulho na arte com os sentidos livres – de preconceitos e análises excessivas…

Foi pensando nisso que resolvi ir um pouco além em relação à frase do “Pensamento do Dia” de ontem, para tentar ressaltar o que é realmente “importante” nela. Apresento-vos, então, a canção que me fez conhecê-la, num emocionante vídeo editado por alguém identificado como “rafafrugerio”. Para que possamos mergulhar na mensagem. Pois, ora pois, é de sensibilidade que vive a arte

Que estas imagens possam, então, marcar nossos corações, e estes versos possam ecoar em nossa mente neste ano que se inicia…

“Amanhã será melhor, temos que acreditar!”

Rosa de Saron – Velhos Outonos
Composição: Guilherme de Sá

Vai ficar ou vai correr?
Vai salvar ou esquecer?

Eu só quero que me ame até o pôr do sol…

Os dias passam, passam as horas
Tocando temas com um piano desafinado
Mais ou menos errado, mais ou menos parado

Sem sentido, um pouco ignorado

Gritos ecoam, selam memórias, marcam
Deus ainda chora, sempre rimos e o mundo esquece
O tempo da última prece
E ninguém aquece, ninguém acontece

Você sente na pele
Os dias estão frios, as noites estão quentes
Caminham num labirinto de vento
Vestindo pouco a pouco o esquecimento

Somos o que fazemos para mudar o que fomos
Mas se nada somos, virão apenas velhos outonos

Uma lágrima no chão reagiu minha lentidão
Tocou meu coração, fiz o que precisava
Ele chorava e eu perguntava
É comida? É uma casa?
Mal a noite caia, ele dizia:

“Se quiser fazer algo por mim
Faça um verso sereno
E que ele me leve
Não somente até o céu, mas perto das estrelas”

Somos o que fazemos para mudar o que fomos…

Take care about tomorrow
You need someone to follow
Yeah, there’s a happy end
Even at the end

I can trust you, I can see
I can try, I can feel it
Cause tomorrow will be better
We must believe it


fogos

Um grandioso 2010 a todos!

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Eduardo Galeano

“Somos o que fazemos para mudar o que somos”

Eduardo Galeano

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avatar filme

Confesso que não esperava muito de Avatar… Na verdade, só fui ao cinema porque era o último dia de vestibular das minhas irmãs, e elas queriam comemorar o fim das provas (é uma sensação de alívio maravilhosa, fala a verdade!) vendo o tal filme dos seres azuis. E fomos num cinema qualquer, cópia dublada, tela meio embaçada, som ruim… Mas mesmo assim foi sensacional.

Sim, eu não sabia nada do filme, imaginei que tivesse relação com aquele desenho chato de mesmo nome que passa (ou passava?) na Globo de manhã. Mas qual não foi a minha surpresa ao perceber que se tratava não só de um bom filme de ficção científica, mas uma produção arquimilionária, feita para ser um verdadeiro épico. Se vai chegar ao posto de um O Senhor dos Anéis da vida, só o tempo dirá (eu particularmente creio que não) – mas, que a sensação de assistir pela primeira vez é tão emocionante quanto a da triologia dos anõezinhos de pé grande, ah isso é!

Se você gosta desse tipo de filme, vá preparado para viajar legal nas 2 horas e 41 minutos de Avatar. Pra começar, ele mistura computação gráfica com cenas reais de um jeito único, a um ponto em que você já não diferencia uma coisa da outra; sem falar nas cenas de ação de tirar o fôlego de qualquer um, sem precisar apelar pra violência excessiva. James Cameron (de Titanic e O Exterminador do Futuro), que escreveu, dirigiu e co-produziu a obra, demonstrou ter uma imaginação louca, fazendo-nos viajar em cada detalhe do mundo construído, em cada cantinho de cena, passado de relance…

avatarBem… mas e a história? Pois é… Bom, digamos que a história é boa. Basicamente, um militar frio e determinado se infiltra no mundo dos “selvagens” para convencê-los a permitir aos “civilizados” explorarem um mineral preciosíssimo alojado logo abaixo da sua floresta, mas vai mudando sua concepção – e o sentido de sua vida – ao vivenciar, aos poucos, a relação que aqueles seres têm com a natureza. E sim, você adivinhou: no decorrer do filme ele também se apaixona por uma nativa que é filha do chefe, sofre desconfiança do guerreiro mais bravo da tribo e depois acaba liderando uma guerra, em grande desvantagem tecnológica, contra seus antigos companheiros humanos. Ou seja, nada de novo, você provavelmente já viu algo parecido. Mas – e é um grande “mas” – posso lhe garantir que você nunca viu nada igual.

A diferença, com certeza, está na forma de passar isso tudo – não só no visual, mas no desenrolar do roteiro. Mesmo já imaginando um pouco o que vai acontecer no final, a gente sente vontade de ficar ali, pra ver como vai acontecer. Você vibra, se arrepia, e talvez sinta algumas lágrimas escorrendo de emoção ao se pegar torcendo por aquele povo azul feio e desengonçado. Torcendo pela vida.

Enfim, a mensagem pode ser batida, mas é sempre urgente. Em tempos de uma convenção ecológica global que não deu em nada, Avatar usa do entretenimento para nos lembrar que essa batalha, no fundo, não é só pelas outras criaturas, pela vegetação, pelo equilíbrio do planeta (metaforizado, no caso, em Pandora, lua de um planeta distante). É pela própria existência da “humanidade” – não só dos humanos em si, mas do que os constitui como tal. Por um humano mais “humano”, menos ganancioso, nunca é demais lutar, nunca é demais lembrar.

Pois, desde que o mundo é mundo, há tantos e tantos que insistem em esquecer…

avatar

PS: Pra ver e saber mais, vale uma olhada no trailer – e na Wikipédia!

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presepio 2Estamos hoje celebrando um marco histórico no calendário cristão, repetido há 20 séculos no mundo todo, unindo povos, cores e línguas. É o nascimento de Jesus! O filho do justo carpinteiro José e da jovem e bela Maria.

Seu nascimento trouxe mudanças no mundo! Provavelmente, se Jesus não tivesse nascido, o mundo como conhecemos hoje, com sua cultura e costumes, não seria o mesmo.

A mensagem daquele menino, divulgada desde cedo em Belém, alcançou toda a Palestina:  Jerusalém, Caná, Jericó, Samaria, e até Betânia, um leprosário. Mesmo após a morte de Jesus, a mensagem chegou como luz em Damasco, e posteriormente iluminou a Ásia Menor, Grécia e Roma, estendendo-se para além do judaísmo convertido, alcançando toda a humanidade!

E que mensagem é essa? Em uma simples definição: A mensagem do Amor e da Vida. O cristianismo, nome dado à religião definida, traz um novo sentindo à existência humana e às relações sociais dos homens. É a ‘Boa Nova’ do Cristo Jesus! Sua mensagem expandiu pelo mundo inteiro não por forças políticas ou interesses econômicos. Claro que em algum momento da história pode ter havido interesse, pois tudo que é infinitamente belo, infelizmente, no nosso mundo, remete à lucratividade! Todavia, sua mensagem veio mostrar que vale a pena viver e amar! Vale a pena ser gente! Vale a pena acreditar no amor!

A mensagem do menino Jesus, ou do jovem nazareno ou do velho JC, continua a mesma! E como é interessante ver o Amor e Vida sendo celebrado no Natal em todo tipo de família, tanto as padronizadas (com papai, mamãe e filhinhos), quanto as “modernas” e já normais no século XXI, com vários modos e agrupamentos. Como é interessante ver o Amor e a Vida sendo celebrados em mansões com ceias fartas e presentes caros e ao mesmo tempo em favelas sem ceias e presentes, mas com presença! Como é interessante ver o Natal ser celebrado com Amor e Vida em todos os cantos da Terra, mesmo sabendo que o mundo em que vivemos e desejamos está longe do ideal de Amor e Vida pregado pelo aniversariante do dia!

cristo-redentor-e-sua-sombraMas é neste antagonismo que o menino nasce de novo. O Deus que escolheu ser homem constrange os homens que querem ser reis e os reis que querem ser Deus! Há muita beleza em ser homem, há muita dignidade em ser mulher. Uma pena que no mundo da política, o que importa não é a dignidade da pessoa humana ou o ecossistema do planeta, mas o desenvolvimento, a todo custo, da economia do meu país, independente da destruição da natureza e o que deixo para a posteridade!

Uma pena também que no cristianismo muitos querem ser anjos perfeitos e se esquecem que bom mesmo é ser gente! Como é estranho ver cristãos que destroem humanidades dizendo que a luz que existe dentro deles é fraqueza! Essa é a tática de pessoas cruéis que procuram destruir a bondade, a ternura, a fé nas pessoas em nome da ‘virtude perfeita’. Esqueceram-se que a mensagem do Mestre é o Amor e não há nada de errado em amar!

“Não é função do Cristianismo, antes de qualquer outra coisa, ensinar-nos doutrinas, mas sim como viver a VIDA! (…) doutrinas e práticas religiosas são úteis quando auxiliam minha capacidade de viver com autenticidade”. (Linn, Matthew. Abuso Espiritual & Vício Religioso. Ed. Verus. p. 23). E desconfio que aqui esteja a essência da mensagem daquele jovem que mudou o mundo! Mensagem antiga e tão nova! Por isso é sempre uma Boa Nova, principalmente no Natal, onde os sentimentos e emoções renascem de maneira nova em poemas velhos!

É neste espírito de Natal que desejamos a você uma celebração de Vida Pela Vida! Encha sua vida de novidades… Quem sabe a Vida de Jesus de Nazaré e sua mensagem não sejam uma!

UM FELIZ NATAL A TODOS!

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mãos(Veja a primeira parte aqui)

Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um estrangeiro em sua própria cidade, em meio a antigos familiares:

_ Lamento, não há mais lugar na hospedaria.

_ Mas minha mulher pode dar a luz a qualquer momento…

_ Olhe, José, veja se alguém se dispõe a ceder-lhes o lugar. Por mim, não posso fazer nada…

Entristecia-lhe o coração, e o de Maria também. Que ironia, o Rei não tem casa mesmo antes de nascer…

Maria meditava sobre aquilo tudo, lembrando-se das profecias. Sabia que seu filho seria rejeitado, sabia que ele haveria de passar pelos piores momentos, desde a hora em que fora concebido em seu ventre. A salvação já estava no mundo, há nove meses. Era chegada a hora de o mundo a conhecer.

Então começaram as contrações. José, preocupado, procurava alguém que lhes cedesse um quarto, uma cama, ao menos por algumas horas. Mas a pequena vila estava em polvorosa, todos preocupados demais com as confusões que a burocracia do tal recenseamento provocava. Os próprios parentes lhe viravam a cara tão logo o avistavam, por saber que procurava alojamento.

_ É só por alguns instantes, o garoto está nascendo!

Mas seu grito se perdia em meio ao barulho da pequena multidão. Um bêbado riu da sua cara, perguntando se ele agora era mago, pois já sabia o sexo da criança antes de nascer. Foi o único que lhe escutou.

Voltou para onde estava Maria, amparou-a pelo ombro e saiu a caminhar com ela, decidido, em direção aos arredores da vila.

Encontraram um pequeno curral, onde alguns animais pastavam, tranqüilos. Catou algumas palhas e folhas de capim, e rapidamente arrumou um local limpo para a mulher deitar. Já anoitecia.

Os gemidos de Maria agora aumentavam, as contrações pareciam cada vez maiores. Segurou forte sua mão e afagou-lhe os cabelos, dizendo-lhe algumas palavras de consolo. Mas ela não parecia desconsolada; muito pelo contrário, parecia concentrar todas suas energias naquilo que estava para acontecer, no que seria o momento mais sublime de toda sua vida até então.

Sem tirar os olhos de Maria, José arrumava tudo, limpando o pequeno local com uma espécie de espanador que improvisou com folhas e galhos de um arbusto.

Uma chuva fina começou a cair. “Que bom!”, ele pensou. Saiu a procurar por folhas grandes, achou numa árvore a poucos metros. Usou uma pequena corda que alguém esquecera no curral para amarrar duas folhas em forma de concha, e atou-as na borda do teto da cabana, de modo que fossem recebendo pingos da chuva. Em pouco tempo tinha duas “canecas” d’água. Ofereceu-as a Maria, que exigiu que ele bebesse um pouco também.

_ José – disse ela, enquanto segurava sua cabeça e olhava-lhe nos olhos – O filho que Deus nos deu está vindo ao mundo!…

_ Bendito seja Deus, minha Maria! Bendito seja!…

Então ocorreu-lhe que precisariam de um lugar para repousar a criança. Olhou para um lado e para o outro, pensando no que poderia fazer; viu então um cocho onde os animais comiam. Estava vazio, e provavelmente só o abasteceriam no outro dia de manhã.

_ Me desculpem, bichinhos… mas hoje esse cocho vai ter outra utilidade…

Levou-o para perto de onde Maria estava, e começou a limpá-lo. Botou algumas palhas para amaciar, e forrou com folhas e pétalas de algumas flores que encontrou. Ficou um belo ninho.

_ José, pegue os panos que trouxemos na viagem… Para envolver o pequeno…

Separou então os panos, e foi para junto de Maria. Os gemidos aumentavam, ela começava a transpirar cada vez mais. José não cessava de enxugar sua testa com um dos panos e dar-lhe goles da água que pegava com as conchas.

Maria sentiu então que era chegada a hora, e pediu a seu esposo para ajudá-la. Apoiou as costas na parede, de modo a ficar um pouco inclinada, enquanto concentrava suas forças para o parto. Um pouco trêmulo, José pôde ver a cabecinha do bebê ir aparecendo, pouco a pouco, enquanto tentava ajudá-lo a sair…

De repente, um choro tímido cortou o ar, assustando os animais que se refugiavam no canto do estábulo. Era o pequeno Jesus.

José o pegou nos braços, enquanto, habilidoso, cortava o cordão umbilical com sua faca. Limpou-o, envolveu-o com os panos, e tratou de entregá-lo à mãe.

A cena que viu então não poderia ser descrita nem pelo mais inspirado dos oradores, nem pelo mais habilidoso dos pintores. Aquele olhar de Maria para seu filho, para o seu pequeno Jesus, foi a coisa mais maravilhosa que poderia contemplar em toda a sua vida. O menino parara de chorar, e abrira os pequenos olhos, fitando os da mãe, que correspondia com um olhar profundo, como se enxergasse a alma do pequeno ser que estava em suas mãos. Era como se já se conhecessem (e, na verdade, já se conheciam…).

Foi então que Maria, sorrindo, olhou para o marido, e estendeu-lhe o bebê. José, estremecendo um pouco, sorriu e o pegou no colo. Pôde então contemplar seus olhos, suas pequenas mãozinhas, cada pedacinho do corpo daquele pequenino milagre.

Nisso ouviram um ruído por trás das árvores. Viraram-se, e notaram uma criança a observar aquela cena. Provavelmente, o filho do dono do curral.

José, sereno, botou o dedo na boca, fazendo-lhe sinal de silêncio. O garoto correspondeu, como que entendendo que não devia contar para ninguém. Então virou-se, correu para dentro de casa, e rapidamente voltou com alguns figos na mão. Como adivinhara que eles tinham fome? Deixou-os ao lado de Maria, e botou novamente o dedo nos lábios, pedindo segredo. Ela correspondeu, sorrindo, e o garoto partiu correndo.

E assim foi o primeiro Natal. Sem uma família numerosa, sem comida farta, sem grandes presentes. Mas, para aquela pequena família, abandonada num pequeno curral, não havia momento mais feliz. Maria sorria como nunca, enquanto descansava e contemplava tudo em seu coração. Com Jesus nos braços, José balbuciava um salmo qualquer, agradecendo por poder vivenciar tudo aquilo. Estava maravilhado, sentia uma sensação indescritível de plenitude, como se tudo, enfim, já estivesse consumado. Diria até que poderia morrer feliz naquele momento, não fosse a vontade enorme de criar aquele filho com todo o amor do mundo, cumprir a maravilhosa missão que lhe havia sido concedida. A vida tinha sentido.

Notou então uma estrela a brilhar mais forte no céu. A chuva cessara, as nuvens aos poucos iam dissipando-se. Lembrou-se então daquela noite de angústia, ao sair da casa de Maria, e de repente, meio que sem saber por que, se viu a pensar sobre o que seriam as estrelas, as nuvens, a lua. Diziam que, no Oriente, havia magos capazes de desvendar o segredo dos astros, saber o significado de cada um.

Mas, naquele momento, não precisava ser um mago para saber o que dizia aquela estrela.

Bastava um coração de carpinteiro.

Estrela Natal

Gabriel Resgala – 20.12.08

(originalmente publicado no Humanando)

PS: Devido a problemas de conexão, só agora consegui postar essa segunda parte do conto, que estava prevista para hoje de manhã. Peço desculpas, mas creio que ainda é tempo: afinal o “amanhã” de ontem ainda não acabou… rsrsrs…

A você, nossos sinceros votos de um grandioso Natal – tão grandioso que seu espírito perdure para bem além desta data!…


Veja a primeira parte aqui) [LINK])

Em pouco tempo José e Maria se casaram, e eis que, na época do nascimento da criança, eles estavam em plena viagem, por conta de um recenseamento ordenado pelos poderosos da época. Mas, ao chegar a Belém, José sentia-se um estrangeiro em sua própria cidade, em meio a antigos familiares:

_ Lamento, não há mais lugar na hospedaria.

_ Mas minha mulher pode dar a luz a qualquer momento…

_ Olhe, José, veja se alguém se dispõe a ceder-lhes o lugar. Por mim, não posso fazer nada…

Entristecia-lhe o coração, e o de Maria também. Que ironia, o Rei não tem casa mesmo antes de nascer…

Maria meditava sobre aquilo tudo, lembrando-se das profecias. Sabia que seu filho seria rejeitado, sabia que ele haveria de passar pelos piores momentos, desde a hora em que fora concebido em seu ventre. A salvação já estava no mundo, há nove meses. Era chegada a hora de o mundo a conhecer.

Então começaram as contrações. José, preocupado, procurava alguém que lhes cedesse um quarto, uma cama, ao menos por algumas horas. Mas a pequena vila estava em polvorosa, todos preocupados demais com as confusões que a burocracia do tal recenseamento provocava. Os próprios parentes lhe viravam a cara tão logo o avistavam, por saber que procurava alojamento.

_ É só por alguns instantes, o garoto está nascendo!

Mas seu grito se perdia em meio ao barulho da pequena multidão. Um bêbado riu da sua cara, perguntando se ele agora era mago, pois já sabia o sexo da criança antes de nascer. Foi o único que lhe escutou.

Voltou para onde estava Maria, amparou-a pelo ombro e saiu a caminhar com ela, decidido, em direção aos arredores da vila.

Encontraram um pequeno curral, onde alguns animais pastavam, tranqüilos. Catou algumas palhas e folhas de capim, e rapidamente arrumou um local limpo para a mulher deitar. Já anoitecia.

Os gemidos de Maria agora aumentavam, as contrações pareciam cada vez maiores. Segurou forte sua mão e afagou-lhe os cabelos, dizendo-lhe algumas palavras de consolo. Mas ela não parecia desconsolada; muito pelo contrário, parecia concentrar todas suas energias naquilo que estava para acontecer, no que seria o momento mais sublime de toda sua vida até então.

Sem tirar os olhos de Maria, José arrumava tudo, limpando o pequeno local com uma espécie de espanador que improvisou com folhas e galhos de um arbusto.

Uma chuva fina começou a cair. “Que bom!”, ele pensou. Saiu a procurar por folhas grandes, achou numa árvore a poucos metros. Usou uma pequena corda que alguém esquecera no curral para amarrar duas folhas em forma de concha, e atou-as na borda do teto da cabana, de modo que fossem recebendo pingos da chuva. Em pouco tempo tinha duas “canecas” d’água. Ofereceu-as a Maria, que exigiu que ele bebesse um pouco também.

_ José – disse ela, enquanto segurava sua cabeça e olhava-lhe nos olhos – O filho que Deus nos deu está vindo ao mundo!…

_ Bendito seja Deus, minha Maria! Bendito seja!…

Então ocorreu-lhe que precisariam de um lugar para repousar a criança. Olhou para um lado e para o outro, pensando no que poderia fazer; viu então um cocho onde os animais comiam. Estava vazio, e provavelmente só o abasteceriam no outro dia de manhã.

_ Me desculpem, bichinhos… mas hoje esse cocho vai ter outra utilidade…

Levou-o para perto de onde Maria estava, e começou a limpá-lo. Botou algumas palhas para amaciar, e forrou com folhas e pétalas de algumas flores que encontrou. Ficou um belo ninho.

_ José, pegue os panos que trouxemos na viagem… Para envolver o pequeno…

Separou então os panos, e foi para junto de Maria. Os gemidos aumentavam, ela começava a transpirar cada vez mais. José não cessava de enxugar sua testa com um dos panos e dar-lhe goles da água que pegava com as conchas.

Maria sentiu então que era chegada a hora, e pediu a seu esposo para ajudá-la. Apoiou as costas na parede, de modo a ficar um pouco inclinada, enquanto concentrava suas forças para o parto. Um pouco trêmulo, José pôde ver a cabecinha do bebê ir aparecendo, pouco a pouco, enquanto tentava ajudá-lo a sair…

De repente, um choro tímido cortou o ar, assustando os animais que se refugiavam no canto do estábulo. Era o pequeno Jesus.

José o pegou nos braços, enquanto, habilidoso, cortava o cordão umbilical com sua faca. Limpou-o, envolveu-o com os panos, e tratou de entregá-lo à mãe.

A cena que viu então não poderia ser descrita nem pelo mais inspirado dos oradores, nem pelo mais habilidoso dos pintores. Aquele olhar de Maria para seu filho, para o seu pequeno Jesus, foi a coisa mais maravilhosa que poderia contemplar em toda a sua vida. O menino parara de chorar, e abrira os pequenos olhos, fitando os da mãe, que correspondia com um olhar profundo, como se enxergasse a alma do pequeno ser que estava em suas mãos. Era como se já se conhecessem (e, na verdade, já se conheciam…).

Foi então que Maria, sorrindo, olhou para o marido, e estendeu-lhe o bebê. José, estremecendo um pouco, sorriu e o pegou no colo. Pôde então contemplar seus olhos, suas pequenas mãozinhas, cada pedacinho do corpo daquele pequenino milagre.

Nisso ouviram um ruído por trás das árvores. Viraram-se, e notaram uma criança a observar aquela cena. Provavelmente, o filho do dono do curral.

José, sereno, botou o dedo na boca, fazendo-lhe sinal de silêncio. O garoto correspondeu, como que entendendo que não devia contar para ninguém. Então virou-se, correu para dentro de casa, e rapidamente voltou com alguns figos na mão. Como adivinhara que eles tinham fome? Deixou-os ao lado de Maria, e botou novamente o dedo nos lábios, pedindo segredo. Ela correspondeu, sorrindo, e o garoto partiu correndo.

E assim foi o primeiro Natal. Sem uma família numerosa, sem comida farta, sem grandes presentes. Mas, para aquela pequena família, abandonada num pequeno curral, não havia momento mais feliz. Maria sorria como nunca, enquanto descansava e contemplava tudo em seu coração. Com Jesus nos braços, José balbuciava um salmo qualquer, agradecendo por poder vivenciar tudo aquilo. Estava maravilhado, sentia uma sensação indescritível de plenitude, como se tudo, enfim, já estivesse consumado. Diria até que poderia morrer feliz naquele momento, não fosse a vontade enorme de criar aquele filho com todo o amor do mundo, cumprir a maravilhosa missão que lhe havia sido concedida. A vida tinha sentido.

Notou então uma estrela a brilhar mais forte no céu. A chuva cessara, as nuvens aos poucos iam dissipando-se. Lembrou-se então daquela noite de angústia, ao sair da casa de Maria, e de repente, meio que sem saber por que, se viu a pensar sobre o que seriam as estrelas, as nuvens, a lua. Diziam que, no Oriente, havia magos capazes de desvendar o segredo dos astros, saber o significado de cada um.

Mas, naquele momento, não precisava ser um mago para saber o que dizia aquela estrela.

Bastava um coração de carpinteiro.

Gabriel Resgala – 20.12.08

(originalmente publicado no Humanando [LINK])

A você, nossos sinceros votos de um grandioso Natal – tão grandioso que seu espírito perdure para bem além desta data!…

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Pôr do sol

A garota corria radiante pelas ruas de pedra do pequeno vilarejo; quem a visse passar, nem que fosse por uma fração de segundo, certamente notaria o sorriso encantador que transfigurava-lhe todo o rosto, excedendo os limites dos lábios. Com certeza tinha algo muito bom a fazer, aonde quer que estivesse indo…

Chegou à pequena casa, bateu ansiosa à porta.

_ “Seu” Zé! “Seu” Zé!

José estava nos fundos, cortando pacientemente um duro pedaço de madeira, que parecia nunca ceder. Era daquelas madeiras enjoadas, difíceis de cortar, mas fáceis de lascar. Já lhe tomara boa parte da tarde, mas o pacato Zé não parecia angustiado; pelo contrário, mostrava-se excitado com o desafio de achar a dose certa de força a se aplicar. “Madeiras são como pessoas”, pensava. “Cada uma exige a habilidade certa para se lidar, o equilíbrio correto…”

Mas a notícia que receberia, ao abrir a porta assustado, lhe lembraria alguém capaz de lhe desconcertar por inteiro, fazendo-o se sentir sem habilidade alguma.

_ “Seu” Zé, a Maria chegou!

Imediatamente bateu na roupa para tirar o pó, pegou as sandálias e saiu afoito, andando o mais rápido que podia. A idade o impedia de correr como a pequena mensageira, mas não de sorrir como ela. Os observadores daquelas ruelas agora viam um jovem senhor a ir ansioso pelo caminho inverso ao da menina serelepe, num misto de encantamento e angústia.

Sim, aquele sereno coração de carpinteiro era capaz de se angustiar, como qualquer outro; mas a sensação agora era simplesmente aquela tênue angústia de quem não vê a hora de matar uma doce saudade.

_ Maria chegou! A minha Maria…

Chegou à casa, bateu na porta. Joaquim atendeu, jovial.

_ Ora, ora! Mas a noiva mal chegou e você já vem vê-la, heim? Não vai nem esperar a moça descansar da viagem?.Esse é o meu genro!…

Riu e o abraçou, caloroso. Não havia sogro mais bem-humorado.

_ Vamos entrando! Maria está no quarto com a mãe, arrumando suas coisas. Logo, logo aparece…

José sorriu, enquanto tentava segurar a ansiedade. Esse “logo, logo” poderia ser uma eternidade. Que remédio, teria mesmo que esperar! Mas paciência… pra quem já esperara mais de três meses…

Conversou longamente com Joaquim, até que chegou Ana.

_ Olá, José. Maria está lhe esperando. Ela quer muito falar com você.

Sorriu para os sogros, e foi ao tão aguardado encontro com a pequena noiva.

_ José, meu querido!

Abraçou-a forte, como se nunca mais a fosse largar. O coração disparado, os olhos brilhantes, quase transbordando, a denunciar a saudade contida. Nunca sentira aquilo por ninguém; Maria era capaz de desarmar-lhe, de fazê-lo render-se aos mais profundos sentimentos que lhe tomavam a alma. Com ela, ele tinha os sonhos mais encantadores, cheios de amor, de esperança; com ela, ele tinha .

Como sempre, ela estava linda. Aquela beleza encantadora, de quem comunica mais com um olhar do que com mil pergaminhos. “Desvia de mim os teus olhos, porque eles me fascinam”, dizia Salomão em seu Cântico. Teria ele conhecido Maria?

_ Ah, José, como senti saudades suas enquanto estava na casa de Isabel! Nem pudemos nos despedir quando fui, pois você estava no campo e eu parti às pressas…

_ Sim, sim, eu soube!… Mas não importa, o que importa é que agora está aqui, comigo…

_ Ah, José…

E ria, radiante. Maria transmitia uma alegria serena, mas intensa. Estava, porém, diferente; não parecia mais aquela menina de quem José ficara noivo. O sorriso era o mesmo, mas não era o de sempre. Ela agora sorria como… como uma mulher.

_ Ah, José, quanta coisa linda vivi neste tempo… Quanta coisa maravilhosa! Acompanhei os três últimos meses de gravidez de Isabel, ela e Zacarias estão radiantes com o filhinho que Deus lhes deu, o pequeno João!…

_ Gravidez? Mas Isabel não era estéril?

_ Sim! Foi um grandioso presente de Deus, uma dádiva dos céus, José!…

Sorriu. Mas algo lhe dizia que Maria tinha uma coisa importante a lhe dizer. E não estava com cara de ser algo simples.

_ Maria…

_ Sim?

¬_ Sua mãe comentou que queria me contar algo…

Maria ficou séria. Continuava, contudo, serena, como se contemplasse algo.

_ Sente-se…

Sentaram-se. José a olhava fixamente.

_ Sim, José… tenho algo a lhe dizer. Algo muito importante, a transformar tudo… Tudo mesmo.

Silêncio. Mesmo sem perder a serenidade, por um instante os olhos de Maria vacilaram, desviando-se para o chão. Como contar? Como dizer o indizível? Não havia como explicar. Ele teria que sentir na pele, experenciar aquilo tudo.

_ José… me dê a sua mão.

Pegou a mão do noivo, com firmeza. Trouxe-a vagarosamente para junto de seu corpo, até que tocasse seu ventre, por cima do manto. José permaneceu alguns segundos ainda um pouco assustado, com a mão ali, tentando compreender do que se tratava. Notou que a barriga da noiva estava um pouco estufada e, de súbito, percebeu com o olhar que os seios estavam maiores, mais redondos – tirou então a mão num ímpeto, como se tivesse tocado uma chama ardente.

_ Maria!…

Os olhos estavam atônitos, a boca aberta, a mente ainda sem conseguir entender. Maria continuava serena, com um olhar compassivo.

_ Ah, minha pequena! – disse, enfim, enquanto a abraçava, lânguido. Como foi acontecer uma coisa dessas? Por Deus, quem foi lhe fazer uma coisa dessas?!

_ José…

Ele a olhava, transtornado.

_ Meu Senhor, quem teve a coragem de lhe fazer isso, minha Maria? Quem foi o homem sem coração que não teve piedade de ti?… Quem é este, que não ama a própria vida?…

_ José…

Parou, e olhou-a profundamente.

_ José, ninguém me fez mal algum.

Então o corpo de José paralisou-se. Entrou em estado de choque, não conseguia mover os olhos esbugalhados, a boca aberta, as mãos caídas ao lado do corpo. Sua face estava branca como de um cadáver, não conseguia sequer elaborar algum pensamento.

Aos poucos, porém, os movimentos foram voltando-lhe, conseguiu enfim balbuciar algo.

_ Maria… você…

Ela continuava séria, olhando-o com compaixão. Não parecia, de forma alguma, estar confessando um grave crime, que poderia custar-lhe a vida.

_ Não, não pode ser verdade. Você não, Maria. Não é possível!

O olhar mariano não mudava.

_ Maria, você seria a última mulher em toda a Terra a fazer isso algum dia. Você ama a vida, Maria. Não seria capaz de fazer algo assim…

Ela conhecia as regras para quem fosse apanhado em adultério – um provável apedrejamento.

_ José…

_ Não, minha amada, não é necessário proteger quem lhe fez isto desta forma, nós arrumaremos um jeito! Não é preciso sacrificar-se, nem a esta pobre criança que você carrega dentro de si! Por Deus, não será preciso derramar sangue algum!

_ José, você crê em Deus?

A pergunta o desconcertou. Ele temia profundamente a Deus, e Maria não só o sabia, mas era sua companheira de orações diárias. Por que lhe perguntava isso agora?

_ Maria, você sabe que minha vida é toda do de Deus. Do Deus de Abraão, de Jacó e do pai Davi. Sem Ele, sou como o pó da estrada… não sou nada.

_ Então, José, ore. Ore e creia que 0 Senhor cuidará de tudo.

Foi para casa ainda meio que em choque, olhando para o longe sem ver nada. Ainda não conseguia entender, enquanto milhares de pensamentos percorriam concomitantemente sua cabeça. Os passos lentos de agora em nada refletiam a ansiedade de quando viera, momentos antes, pelo mesmo caminho. Agora, sim, sentia angústia de verdade.

A tarde já se ia, a noite começava a despontar. O céu limpo ia tomando um azul cada vez mais escuro, enquanto estrelas iam surgindo aqui e a ali. No oeste, um vermelho-alaranjado denunciava que o sol ainda estava por perto, recém-escondido atrás do monte, enquanto a lua ganhava cada vez mais brilho no horizonte oposto. Ainda estava grande e amarela, insistindo em iluminar a escuridão que surgia.

O olhar de José foi se voltando para o céu, e sem perceber começou a contemplar aquela bela cena, que poderia tranqüilamente passar por corriqueira – e que, de certa forma, não deixava de sê-lo. Quando deu por si, estava parado no meio da rua, a olhar para o céu, sem pensar em nada. Por um instante, sentiu paz. Não estava sozinho.

Passou o resto da noite a meditar as escrituras, os preceitos que guardava com afinco na mente e no coração. Pensou nas penalidades aplicadas a cada caso, estupro, adultério, rejeição… A última coisa que queria era denunciar Maria, isso nunca! Morreria por ela, mesmo que tivesse cometido o pior dos pecados. Mesmo que fosse a última das pecadoras, aquela mulher merecia todo o perdão do mundo.

Sim, a lei era necessária, mas… Não seria justo! A lei servia para proteger o povo do pecado, e nisso era boa… mas como salvar a pobre alma que caísse em pecado? Quem salvaria a mulher pecadora, quem salvaria a todos?…

Pensou em abandoná-la em segredo. Fugiria para longe, sem nada dizer; assim pensariam que o filho era seu, e portanto dariam todo o amparo a ela e à criança. Toda a cidade iria amaldiçoá-lo para sempre, mas sabia que Deus seria sua testemunha, e lhe protegeria de qualquer desgraça.

Sim, era o melhor a fazer. Sangue algum seria derramado. Estava resolvido.

Mas… por que ainda algo não lhe parecia estar bem? Por que não sentia firmeza em seu coração?

Preparou-se para dormir. Já deitado, lembrou-se do pedido de Maria para que orasse. Dirigiu-se a Deus, já sem forças, entregando-lhe toda aquela situação. Agora tudo estava em Suas mãos, já não dependia da sua limitada inteligência humana, de simples carpinteiro. Que fosse feita a vontade divina, independente de qual fosse. Recitou alguns salmos, sussurrou profecias. Dormiu rezando.

Passou uma noite agitada, virando-se várias vezes na cama durante o sono. Até que uma luz fê-lo ir acordando aos poucos. Uma sensação misteriosa, então, foi apoderando-se de sua alma; arrepiou-se, sentindo um misto de temor e fascínio. Abriu os olhos devagar, distinguindo aos poucos uma figura difícil de descrever, só saberia dizer que, por algum motivo, sabia de onde aquela criatura viera. Sentia, naquele momento, que estava envolto ao sagrado.

_ José, filho de Davi!

Sim, era um anjo. Um anjo a falhar-lhe!

_ Não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o povo dos seus pecados.

Ele poria nome no menino!? Então Deus havia lhe escolhido como pai!

_ José, creia que tudo isto aconteceu para se cumprir o que Deus falou por meio do profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emanuel, Deus conosco!”

Sim, a profecia! Então ele fora o escolhido!

_ A profecia! – gritou, levantando-se num ímpeto. O anjo sumira, agora via seu quarto, e a manhã começando a despontar timidamente no céu ainda negro, lá fora.

Saiu correndo, do jeito que estava. Agora sim sentia-se um menino, a atravessas as ruas como um alazão, percorrendo o trajeto mais rápido do que nunca fizera.

_ Maria!!

Nem bateu na porta, foi direto à janela do quarto da noiva, assutando-a.

_ José!

_ Maria, não é preciso dizer nada, minha amada! Agora eu sei, agora eu vejo o que Deus realizou em ti! Eu sabia que seria incapaz de fazer algo assim, tu não tens pecado, minha doce Maria! Pelo contrário, és a mais pura das mulheres!

_ Eu nunca te trairia, meu José…

_ Nem a mim nem a Deus, minha Maria! Eu sempre soube disso. Por isso não conseguia entender… Mas Deus me iluminou a mente, e agora eu compreendo! E como me deixa feliz ver tudo que Ele está realizando em nós! Você alcançou graça diante de Deus, minha amada. Ele te escolheu entre todas as mulheres…

_ Ah, José! Te digo que meu espírito exulta de alegria pelas maravilhas que Deus está realizando! Deus se fez homem, e está aqui dentro de mim… Ele olhou para a nossa humildade, nós que somos simples servos, tão pobres… Veja, José: Ele retira o trono dos poderosos, dos gananciosos, e escolhe os puros e simples!…

_ E nós somos testemunhas disso, minha Maria. Nossa vida será um testemunho vivo das maravilhas que Deus realiza através do seu povo!

E assim foi…

Continua…

flor no deserto2 pb

PS: Como disse ontem, este conto não tem pretensão alguma de ser uma narrativa definitiva, de seguir algum rigor. Me inspirei nos Evangelhos, mas foi sobretudo uma liberdade que tomei, deixando a criatividade reinar no Natal, assim como deve ter reinado na cabeça daquele casal, ao preparar um berçário num curral…

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Natal

Este fim de ano, pra variar, está sendo puxado (um dos motivos do meu sumiço aqui do site…). Tem muita coisa acontecendo, mas basta dizer três palavras pra todo mundo entender perfeitamente a gravidade da situação e nem querer saber do resto: “Reta Final do Mestrado”.

Nessas situações, a gente fica sempre querendo se concentrar no que é mais “importante”, deixar o resto de lado. Mas aí vem o Natal. Sim, o Natal: luzes, papais-noéis, rua movimentada até de noite, sorrisos, amigos-ocultos, músicas da Simone… Este ano pensei que iria passar praticamente imune a isso tudo. Mas, felizmente, não consegui. Em parte, graças à prefeitura de Juiz de Fora – impossível passar pelo centro da cidade e não desviar o olhar pra decoração de Natal, esse ano eles capricharam. Sem perceber, você já parou. E refletiu.

Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora
Cine-Theatro Central – J. de Fora

E foi o que fiz domingo, enquanto o padre dizia na missa que o Natal “é a maior festa da humanidade”. Na hora, qualquer um com um pouco de conhecimento sobre doutrina se sentiria impelido a corrigi-lo, a lembrar que a maior festa do Cristianismo é a Páscoa… Mas – péra lá! Ele disse “da humanidade”, não foi? Foi. Então talvez ele tenha razão. O Natal está além das fronteiras do Cristianismo, unindo tantas culturas diferentes em torno de uma mesmo clima… Cada uma do seu jeito, é verdade: na Europa celebram o dia de S. Nicolau (o “Papai Noel de verdade”); nos EUA gostam de duendes, renas, da tal da “magia”; no Japão fazem um boneco com olhos na nuca que vigia as crianças arteiras. Mas o fato é que o Natal está muito além de ser uma festa “só” cristã. A própria origem da data tem a ver com o dia da celebração pagã ao deus sol – já que não sabiam ao certo quando Jesus nasceu, resolveram dizer: “comemoremos no dia do maior dos deuses, que é o mesmo em qualquer lugar”.

Mas por que será que é normal ouvir um hare krishna, budista ou ateu desejando “feliz Natal” a alguém, sem nenhum constrangimento? Se muitos que a comemoram sequer acreditam em Deus (muito menos em Papai Noel), o que há de tão universal assim nessa data, para ser tão lembrada?…

Ceia de NatalBem, Natal é um tempo de solidariedade, de paz. E, é claro, da tríade família-presentes-comida, que não pode faltar. Natal, pra todo mundo, é tempo de trocar presentes regados a uma ceia apetitosa ao lado dos parentes mais próximos (ou não tão próximos assim…). Seja uma família pequenininha mãe-pai-e-filho ou aquelas enormes de quem tem 3 casamentos no currículo, cada um com dois filhos e uma ex-sogra. Natal é sagrado: tem que passar todo mundo junto.

E, convenhamos, é bonito. Presentes são uma bela forma de demonstrar carinho, e fazer a alegria do outro. Compartilhar uma boa ceia é comungar o prazer, a fartura, e todo o simbolismo que essa refeição traz. E é muito bom ter uma data em especial no ano pra reunir toda a família num clima de confraternização (ao contrário dos velórios…).

Papai Noel e a alegria do NatalMas então… Surge outra pergunta. Se é algo assim tão universal, por que tem tanta gente que não gosta de Natal?

Sim, senhor. Tem muita gente. E nem é preciso recorrer a blogueiros mau-humorados ou piadistas de Stand-up. Você provavelmente deve conhecer alguém pra quem essa data tenha um sentimento meio melancólico, triste – mesmo que essa pessoa não conte isso pra ninguém…

Mas… Por quê? Justo numa data que deveria trazer tanta alegria?… Bem, talvez exatamente por pensar nessas coisas que condicionamos à alegria, nessa época. Tem gente que passa o Natal sem paz, sem solidariedade – ou que passa a noite se lembrando de tanta gente carente dessas coisas, pelo mundo afora. Para muitos, não há presentes. Não há comida. E a família não é o ideal que se imagina…

Sim, é triste. Talvez essa melancolia seja também um pouco constitutiva do Natal, lado a lado com a alegria. Talvez o Natal não seja tão colorido quanto os dos comerciais na TV…

Noite de NatalMas aí, sabe… Me pego a pensar no primeiro Natal. Que também é uma cena universal. Não precisa ter um credo específico pra se emocionar com a bela história de uma Maria, um José e um pequeno filho… Que, naquela noite, ao que parece, não tiveram a solidariedade dos próprios familiares de José, ficando sem abrigo e talvez sem comida. Os presentes dos Reis Magos? Só algum tempo depois, ué. Nem com um boeing eles chegariam a um fim-de-mundo como Belém na mesma noite…

Foi uma noite que não lembra em nada as nossas noites de Natal, hoje. Mas talvez não tenha existido noite mais Feliz

Em homenagem a essa Noite, então, relembrarei aqui, a partir de amanhã, um desafio que me fiz no ano passado, no meu blog pessoal: imaginar como teria sido aquela primeira noite. Deu um conto interessante, profundo pra uns, estranho pra outros; mas de forma alguma definitivo, pretendendo seguir algum rigor. Me inspirei nos Evangelhos, mas foi sobretudo uma liberdade que tomei, deixando a criatividade reinar no Natal, assim como deve ter reinado na cabeça daquele casal, ao preparar um berçário num curral…

Naquela noite nasceu a Esperança. Em meio a toda a alegria dos perus, Papais-Noéis e tios bêbados, não nos esqueçamos, pois, do que é mais importante. Não a deixemos morrer.


“O Amor nasceu em meio ao frio de uma noite…”

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Olá pessoas…

conta_comigo

Eita semaninha agitada, com direito a mudança, casa nova, e muito mais….

Hoje eu estou passando rapidinho para indicar uma dos programas do RapaduraCast mais bonitos que eu já escutei… Realmente emocionante.

O pessoal do site Cinema com Rapadura dedicou um programa especial ao clássico “Conta Comigo” . Quem ainda não viu esse filme, não assistiu Sessão da Tarde.

Conta Comigo é um filme muito legal, daqueles bonitos o suficiente para mudar a forma como vemos a vida….

Vale a pena!

Um final de semana repleto de vida!

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Tudo o que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado, meu amor

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Beto Guedes & Ronaldo Bastos

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Continuando a série “Porquê não fazer aborto” gostaria de mostrar algumas coisas que foram publicadas por outros sites…

Em primeiro lugar temos um vídeo encontrado pelo Willian Murat, no qual podemos ver o coração de uma criança de 4 semanas de gestação… Confiram!

É simplesmente lindo!… O coração dela bate 113 vezes por minuto!
E tem gente que ainda fala que é só um “bolinho de células”!

A segunda reportagem que me interessou foi do blog Insoonia. Preparem-se para momentos fofuchos extremos!

Camisas especiais para grávidas!

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camisetas_para_gravidas_02camisetas_para_gravidas_03camisetas_para_gravidas_04camisetas_para_gravidas_05camisetas_para_gravidas_06

Espero demorar muito para dar essas camisas de presente para minha futura mulher…. mas faço questão de fazer isso algum dia!
Já estou pensando em modelos mais nerds, com o bebê encenando cenas de filmes ou brincando! hehehe

Beijos e uma ótima semana!

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