“UP – Altas Aventuras”: Pixar, magia e vida real

(sem revelações sobre o enredo (spoilers)

Pixar's Up - Carl

“Essa turminha da pesada irá viver altas aventuras numa floresta misteriosa, onde tudo pode acontecer…  Irão encarar grandes desafios, mas com sua casa voadora e seu fiel companheiro canino, eles enfrentam qualquer perigo!” – esta, provavelmente, seria a descrição de “UP – Altas Aventuras”, caso o filme, hipoteticamente, estreiasse na Sessão da Tarde. O que, logicamente, seria a deixa para eu mudar de canal ou procurar outra coisa pra fazer. Mas bastaria o narrador acrescentar um pequeno detalhe, uma simples palavrinha, para mudar completamente a minha concepção e me deixar grudado na tela da TV, esquecido da vida: PIXAR.

Pixar Up cartazE foi a Pixar, essa autora de obras-primas como Toy Story 1 e 2, Monstros S.A. e Procurando Nemo, que me fez largar tudo e ir ao cinema ontem, debaixo de chuva, para conferir a sua nova estréia, sem mal ter visto nenhum trailer ou comentário do filme. Quis manter o suspense de propósito, sabia que não iria me decepcionar. E nem é preciso dizer que estava certo. “E a Pixar acerta mais uma vez”, deve ser uma das frases mais repetidas pelos mais diversos críticos de cinema ao redor do mundo, toda vez que eles lançam uma animação nova. É claro, com direito a um ou outro descontente, pra não virar unanimidade burra…

Mas, ó raios, qual o segredo? O que fez esses caras, que nos anos 80 produziam curtas em 3-D só pra mostrar o potencial dos computadores que vendiam (e já começaram criando um clássico logo no primeiro trabalho, o  “Luxo Jr”) se tornarem hoje, mais do que um dos estúdios mais lucrativos e premiados de Hollywood,  mas os maiores “cativadores”  de crianças e adultos (e adolescentes e idosos!) nos mais diversos cantos do planeta, equiparando-se (ou talvez superando) a história da própria Disney, sua todo-poderosa proprietária?

Pra começar, sugiro uma olhada no curta-metragem que antecede UP nos cinemas, “Parcialmente Nublado” (Party Cloudy). Depois continuamos a conversa.

(se quiser, clique no “quadradinho” para ver em tela inteira)

E aí? Riu? Se encantou? Ficou falando “ah, que fofo!!”? Chegou a sentir um nozinho na garganta? Tá refletindo sobre a mensagem? Pois é, eu também. Tudo isso em míseros 5 minutos. Agora, imagine o que são 96 minutos disso. É UP.

Aliás, é mais que isso. Algumas seqüências são, sem exagero, dignas de entrar para a história do cinema, como os tão aclamados 10 minutos iniciais. É tão poético quanto “Wall-e”, a coqueluxe mais “adulta” do estúdio – mas, ao contrário dele, tem “ritmo de aventura” pra criança nenhuma botar defeito. Talvez por pressões comerciais, UP tem mais clichês do gênero que as outras animações da Pixar, mas não deixa de surpreender nem por um segundo. Como? Simples: o grande trunfo não é tanto a história que se tem pra contar, e sim como contar a história. É isso que faz a Pixar ser a Pixar.

UP casa aviõesPois, num roteiro que à primeira vista não tem nada de mais (exceto pela casa içada por balões, que deixaria aquele padre brasileiro chupando o dedo), UP consegue sensibilizar qualquer idade falando sobre perdas, relacionamentos, problemas familiares, limitações, solidão, desilusões com sonhos de toda uma vida… e sobretudo sobre os valores que superam isso tudo – temperados com aquele bom humor pra lá de inteligente, gargalhante mesmo, essencial para qualquer vida que se pretenda feliz. E tudo isso mesclando profundidade e leveza de uma forma que talvez nunca se tenha visto na história do cinema para crianças – com exceção, talvez, de outros títulos da própria Pixar… Enquanto a Disney ainda tenta achar a magia que perdeu em algum lugar dos anos 90, a Pixar a reinventa, mostrando que sonhos combinam, sim, com realidade. Que no final não precisa ser sempre igual, com príncipe encantado matando a bruxa, beijo na boca e felizes para sempre. Em UP, a fantasia serve justamente para mostrar que a maior aventura é a vida real, com toda sua chatice, seus sofrimentos e alegrias. Nas obras da Pixar, quem vive a vida normal, sem poderes especiais, não é “trouxa”, como na série Harry Potter. É alguém que sabe viver.

Up garoto velhoE saber viver inclui primar sempre por uma produção caprichadíssima, ter gosto em nos brindar com pequenos e extasiantes detalhes. Fazer o que se faz com paixão, dando sabor ao fruto do seu trabalho, mesmo que os outros façam quase que só pelo lucro… Aliás, pra quem ainda não entendeu a parceria atual Disney/Pixar, imagine uma boa padaria. A Disney é o dono, o cara que até já fez muita coisa legal, mas que hoje só fica no caixa, pensando nos dividendos e na melhor forma de vender os produtos. O padeiro, mesmo, é a Pixar. É ela quem faz os sonhos.

Animações de outros estúdios, como Shrek e Era do Gelo, podem te fazer sair do cinema rindo. Mas só a Pixar, além das dores na barriga de tanto gargalhar, te dá também vontade de aplaudir quando começam os créditos – enquanto o sorriso, que não sai do rosto, tenta segurar aquela lágrima teimosa… Pra finalizar, só uma frase do comentarista Érico Borgo que, por ocasião do lançamento de Wall-E, sintetizou o que não só eu, mas certamente milhões de pessoas ao redor do mundo gostariam de dizer: Parece que a Pixar tem mesmo fé na humanidade. E não é que também tenho mais fé no mundo sabendo que temos a Pixar?.

Pixar UP

God bless Pixar!

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  1. Karina’s avatar

    Me deixou com vontade de ver o filme, Gabriel… Eu tb sou fã da Pixar, inclusive dos curtas (aliás, eu fico começo a assistir ansiosa pelos dois). Já comecei gostando da cara do garotinho.

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    1. Gabriel Resgala’s avatar

      Então te aconselho a ver o curta no cinema… esse aí não tá com a qualidade tãão boa.. rsrsrs…

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  2. Karina’s avatar

    Esqueceu que eu ainda sou uma internauta jurássica? Vídeos na internet? O que “ser” isso?

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  3. gustavo’s avatar

    Digo para o bem de todos e para alegria geral da nação… que eu vi!!! \o/
    showdi!

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    1. Gabriel Resgala’s avatar

      Que bom! não preciso mais ficar segurando os comentários.. rsrsrs..

      Agora só falta o Luís ver.. é um bom programa para fazer com a Sandra, aposto q ela vai gostar! hehehe..

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  4. Karina’s avatar

    Eu assisti… é muito lindo, principalmente o Russel (ai, vontadi di modê aquela buchechinha linda e gordinha!!)

    A história dos casal tb é muito linda.

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