Homossexualismo, “certezas” e humanismo…

Rosângela Justino

Rosângela Justino, disfarçada por temer represálias

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) estabeleceu, nesta sexta-feira, uma censura pública à psicóloga Rosângela Alves Justino, que há 20 anos oferece tratamento a homossexuais insatisfeitos com a sua orientação, desejosos de tornarem-se heterossexuais.

O Conselho proíbe este tipo de prática desde 1999, e Rosângela poderia ter sofrido punições mais severas, como suspensão temporária do exercício profissional ou a cassação do registro. Mas a batalha vai continuar, pois tanto os Movimentos Gays quanto o advogado da psicóloga estão a fim de ir mais a fundo na questão, e ela afirma que irá prosseguir com a prática. “Vejo que as pessoas têm direito de procurar esse apoio. É a pessoa que define o que quer dentro da psicoterapia. Não sinto vergonha e nunca sentirei de acolher pessoas que querem deixar voluntariamente o estado de homossexualidade”, disse em entrevista à Agência Brasil.

A questão é mais complexa do que possa parecer. A resolução 001/99 do CFP  proíbe o “tratamento” da homossexualidade com base na afirmação de que ela “não constitui doença, nem distúrbio, nem perversão”. Mas, na verdade… é meio complicado, por assim dizer, afirmar que isto é um “consenso científico”, como nos lembra até aquele criativo comercial do canal Futura: “até hoje os cientistas discutem (…) se a opção sexual é definida pela genética”…

“Não são as respostas que movem o mundo. São as perguntas”

A própria evolução da forma como as Organizações de Saúde costumam tratar a homossexualidade costuma ser guiada mais por lutas políticas (entre os Movimentos Gays e setores mais “conservadores”) do que necessariamente por resultados de pesquisas científicas. Os próprios ativistas gays dos EUA já lutaram para que a homossexualidade fosse reconhecida como doença, numa época em que isso era politicamente interessante à causa – e anos depois, quando não era mais, invadiram as reuniões da Associação Americana de Psiquiatria exigindo a mudança. Uma vez vi uma palestrante contar essa história num importante Congresso de Saúde Pública, e ao final um rapaz levantar e questionar se ela não achava que na o Movimento Gay, ao contrário dos “religiosos”, só defendia interesses científicos. Ela foi enfática: “Não acho. Essa luta é mais política que científica. O Movimento Gay tem os seus dogmas sim, assim como a Igreja tem os seus!” (a diferença, acrescentaria eu, é que a Igreja não esconde isso…).

E, no meio desse furacão todo, estão eles – aqueles que um dia descobrem-se homossexuais, bissexuais, transgêneros ou qualquer coisa que se distancie do dito “normal” – haja ou não esse “normal” de verdade. Doença, transtorno, condição genética, cultura, destino, “simples escolha” ou seja lá o que for, o fato é que não é fácil. A questão da orientação sexual costuma estar rodeada de inúmeros conflitos… Causas? Conseqüências? Sofrimento fruto apenas do preconceito social? Perguntas, perguntas… Quantas perguntas!

Mas são elas que movem o mundo, como diz o comercial do Futura. É assim que se faz ciência. O que não dá é pra pregar a tolerância e ser intolerante com quem pensa diferente acerca de questões que ainda estão em aberto… Será que o fato de considerar determinado comportamento como patológico quer dizer  necessariamente que se está discriminando quem o pratica? E será que é censurando quem pensa assim que vamos diminuir o preconceito?…

Pois outro dia eu e o Luís nos metemos a conversar sobre esse assunto. Resultado: uma madrugada inteira de discussão e nenhum consenso. Só conseguimos concordar com alguma coisa quando vimos este vídeo do Pe. Fábio de Melo, em que ele diz o que acha mais importante na abordagem que alguém que se diz cristão deve ter sobre o assunto.

Pe. Fábio de Melo fala sobre homossexualismo

“Nós não temos o direito de jogar ninguém fora!” Acho que isso serve pra todos. Tanto para aqueles que ainda acham o homossexualismo “o maior dos pecados” quanto para quem vê “homofobia” em tudo que é canto. Mais importante que tentar “curar” um homossexual ou um “homofóbico” (já que chamar um pensamento de “fobia” é afirmar que quem pensa assim tem necessariamente uma doença psíquica) é tentar ver o ser humano que está ali. Em meio a tanto rebuliço que esse caso causou, parece que ninguém se lembrou de procurar algum paciente da Rosângela, para saber como ele realmente era tratado…

Independente de considerá-lo um “doente” ou não.

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  1. Adoecendo os outros
  2. Fábio de Melo, Jô e Pedofilia
  3. Mulheres, Crianças e Cotas

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  1. Karina’s avatar

    Eu fico aqui pensando com meus botões: se uma pessoa quer, por livre e espontânea vontade, mudar de vida, e outra se predispõe a ajudá-la, essa pessoa tem que ser condenada? Se a pessoa PROCUROU ajuda, a psicóloga deveria ter NEGADO o atendimento? Ai, ai, como vocês disseram, alguém perguntou a algum dos “pacientes” dela se ele se sentiu ofendido com a ajuda da psicóloga?

  2. Marcos’s avatar

    Quero saber aonde esta mulher errou? Eu não gosto do que sinto, não sou feliz com isso!
    Vivemos no Brasil, e o Brasil é livre!
    Então quer dizer que todos têm direito a tratamento, menos aqueles que querem deixar de sentir prazer por pessoa do mesmo sexo, a tempo que venho procurando ajuda e vocês me atrapalham, é minha esperança, se a maioria dos homossexuais são felizes assim, bacana, não tenho nada haver com isso, mas eu não sou, quem está com pré-conceito são os própios homossexuais, que pensam que todos têm que sentir o mesmo prazer que eles, e que a igreja tenta manipular a cabeça dos outros, sendo que a verdade, tudo que é ameaça para eles, eles abafam, sabe porque? São oprimidos de alguma forma. Por favor, deixa eu viver, me dê essa chance de mudar, para de pensar que tudo é igreja, lembra que tem pessoas infeliz como eu, há 23 anos na mesma situação, ou gente com até mais tempo, que estão com o casamento destruído!
    Não suporto viver escondido e ser diferente, quero ser homem, macho, hétero, porque essa é minha natureza!
    POR FAVOR, DEIXE ELA EXERCER O BEM, PARA QUEM QUER SER FELIZ,
    DEIXE EU ESCOLHER A MINHA VIDA!
    ASSINADO: UMA PESSOA QUE QUER TER ESSA OPORTUNIDADE