Hoje de manhã vi uma reportagem sobre a crescente oferta de barrigas de aluguel pelo Brasil. Nada de novo, nada que já tivesse sido abordado em uma novelinha velinha, que de tão marcante, só deixou a trilha sonora na memória…
Agora agüenta, coração!…
O que mais me impressionou nessa reportagem foi a entrevista com algumas das mulheres que se oferecem para ser um ventre alugado. Elas falavam que viam nessa oportunidade uma forma de realizar alguns sonhos, e que só o dinheiro poderia concretizá-los.
Minha mente preconceituosa logo se impôs e fez questão de se colocar, pensei eu: estes sonhos eram formados por carros, viagens, roupas e outras coisas que para mim são secundárias…
Qual não foi minha surpresa quando os sonhos que faziam a cabeça (e a pouca esperança de vida melhor) das entrevistadas eram coisas que eu também almejava. Uma que queria estudar, outra falou que queria reformar a casa. Outra era marinheira de segunda viagem, sendo que em sua primeira vez tinha ajudado uma prima que não podia engravidar.
É claro que a barriga de aluguel é um assunto complicado, controverso e complexo, mais um daqueles com um jeitinho dos que gostamos de abordar aqui no Vivo Pela Vida. O Brasil não tem uma legislação específica para o aluguel de ventres e pelo que soube, a única posição pública do tema é uma portaria do CRM.
Acho que a minha pergunta hoje não se dá tanto em relação às barrigas de aluguel. O que mais me impressionou foram os sonhos.
De um lado os sonhos daqueles casais que querem ter um filho (coisa que também desejo ardentemente, embora num futuro distante) que se submetem até mesmo a pagar por isso, praticamente comprando sua gestação. Do outro lado os sonhos daquelas mulheres: estudar, reformar a casa, e outras coisas que podem parecer pequenas, mas só quem sonha sabe o tamanho e o peso de cada um.
O que me causa certa estranheza é essa certeza que parece pairar sobre o mundo: os sonhos podem ser comprados, cada um tem seu preço. Não importa o tamanho, não importa a importância, não importam os meios…
E só Deus sabe como é que funcionam as regras desse negócio, daqueles que faturam muito não se importando com os meios, muito dinheiro explorando sonhos alheios.
Somos quem podemos ser… Sonhos que podemos ter…
Espero escrever de novo, com mais profundidade, sobre esse assunto das barrigas de aluguel. Mas fica aqui uma pergunta… Quanto custa o seu sonho?
Os meus? Sei que se os visse à venda sofreria de uma grande tentação, um verdadeiro teste, imagina só se ainda houvesse uma promoção, leve 3 e pague 2! Que bom que eles não são vendidos nem alugados…
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Tags: Barriga de aluguel, Sonhos, vida
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Pô, legal a abertura da novela, mó pró-vida!! rsrs..
Quanto aos sonhos, nunca me esqueço de um caso que uma professora psicanalista contou na aula, sobre uma vez que perguntou a um paciente, psicótico, se ele não tinha sonhos… e ele respondeu que, se ela quisesse, iria na padaria e comprava um para ela! rs…
Moral da história: querer comprar seus sonhos é loucura…
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Sem querer entrar em polêmica, não consigo imaginar uma mulher, sentindo a criança mexer em seu ventre, ficar completamente apática à situação e conseguir dizer: “esse bebê não é meu, é de outra pessoa, ele não vai nunca me chamar de mãe.” Sei lá, eu não teria essa frieza…


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