“Flores de Marcela”: beleza na anencefalia

Marcela de JesusNo post anterior, a Karina (que já é praticamente a “quarta” autora aqui do site, com tantas contribuições nos comentários… rs) comentou sobre o caso da Marcela de Jesus, uma menina anencéfala que viveu por quase dois anos numa cidade do interior de São Paulo, entre 2006 e 2008. Algumas reportagens, na época, chegaram a insinuar que se tratava de uma vida mantida “artificialmente”, só para “manipular” a opinião pública contra o aborto nestes casos. Mas, para desespero de quem escreveu, Marcela chegou a ter alta do hospital, e viveu bastante tempo sem praticamente nenhum aparelho externo…
Bem, mas acredito que mais importante que discutir isso tudo, é ter contato  com a realidade das pessoas que puderam conhecer esta menina. Este pequeno documentário foi feito quando Marcela ainda estava viva, e tem  depoimentos da família e dos médicos, mostrando todo o caso de uma forma única, sensível, definitiva… Nas palavras de minha mãe, que acabou de assistir aqui, comigo: lindo.

São 15 minutinhos que valem muito a pena ver – e repassar para o máximo de pessoas possível…

“Flores de Marcela” – parte 1

“Flores de Marcela” – parte 2

PS: Na Audiência Pública promovida pelo Supremo alguns meses após a sua morte (”coincidentemente”?), alguns médicos chegaram a dizer que Marcela não fora um caso de anencefalia, embora nunca tivessem tido contato com a menina. Como os ouvidos no vídeo, todos os expecialistas que a examinaram em vida foram unânimes no diagnóstico, que consta em todos seus exames pré e pós-natais, na certidão de nascimento e de óbito: Marcela era, sim, anencéfala. E, mesmo que, hipoteticamente, fosse um caso de erro diagnóstico, seria um erro impossível de se detectar na ultrassom que antecede o período “aceito” para o aborto. O fato é que, fosse ou não anencefalia “clássica”, com autorização judicial, sua mãe poderia tê-la abortado, sem problema algum – como não faltou quem tentasse convecê-la a fazer, mesmo ela deixando clara sua determinação…

Gostou? Veja também:

  1. Anencefalia: o homem e o monstro
  2. Anencefalia: nascimento ou óbito?
  3. Cinco meses depois, onde estão as crianças?

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  1. Karina’s avatar

    Ó eu aqui de novo! Bom dia pra vocês, a paz de nosso Senhor que hoje está com Marcela em seu colo. Tenho entrado em contato com alguns juristas favoráveis ao aborto de outras Marcelas e Marcelos… É triste ver como hoje o amor de mãe não é mais incondicional. O amor de mãe está condicionado a alguns elementos: você vem na hora que eu quiser, e venha perfeito, por favor. E tenha vida longa, que se for pra você viver pouco tempo, prefiro que nem te conheça. E aí, ontem, quando cheguei em casa com o coração apertado (defender as nossas convicções dói às vezes…), primeiro lembrei de Jesus comentando a lei do adultério “Moisés deu a vocês a lei do adultério por causa da dureza de seus corações”. Tenho certeza que Jesus hoje faria o mesmo comentário, caso a lei do aborto seja aprovada: “a dureza de seus corações levou à lei do aborto”). E aí, abri a Bíblia em dois momentos, e vieram dois textos, que vou postar em comentários distintos:

  2. Karina’s avatar

    “Fazei-me conhecer, Senhor, o meu fim/ E o número dos meus dias, para que eu veja como sou efêmero/ A largura da mão, eis a medida dos meus dias/ diante de vós minha vida é como um nada/ Todo homem não é mais que um sopro/ De fato, o homem passa como uma sombra/ é em vão que ele se agita, amontoa sem saber quem recolherá” – salmo 38 (39), 5-7

  3. Karina’s avatar

    “Foi assim que se deu com os habitantes da Terra Santa/ tinheis horror deles por causa de suas obras detestáveis, sua magia e seus ritos ímpios/seus cruéis morticínios de crianças/seus festins de entranhas, carne humana e sangue/ suas inciações nos mistérios orgíacos/ E OS CRIMES DE PAIS CONTRA SERES INDEFESOS/ e resolvestes aniquilá-los pela mão de nossos pais” – Sabedoria 12, 3-6.

  4. Karina’s avatar

    Não posso deixar de agradecer pela consideração :) :):) e lamentar porque eu não consigo ver o vídeo :( :(:(:( E pedir desculpa que nos últimos dias estou meio exaltada. Certas coisas me revoltam :p

  5. Karina’s avatar

    lembrei de Jesus comentando a lei do adultério “Moisés deu a vocês a lei do adultério por causa da dureza de seus corações”. — lei do divórcio, tá gente, lei do divórcio. Tava com a cabeça meio em “brain storm” ou toró de parpite, o que preferirem.

  6. Daniel’s avatar

    Olá pessoal. Eu sou novo aqui no site, e, melhor dizendo, eu entrei aqui por acaso mesmo, em uma simples pesquisa do Google sobre anencefalia e aborto. Eu acabei de ver um documentário chamado “Uma vida Severina”, que conta a luta de uma mãe para abortar o seu filho que foi diagnosticado com anencefalia e confesso que fique bastante tocado pelo tema. Alguém aqui já viu o documentario? E como é o caso dessa menina do post que viveu dois anos com anencefalia? Pelo que li, quem nasce com a doença faltalmente irá morrer após o parto. Bom, é isso, espero uma resposta, e se possível por e-mail.

  7. Gabriel Resgala’s avatar

    Olá Daniel!

    Desculpe a demora pra responder, na verdade essa semana foi bem puxada, e queria responder ao seu comentário com calma… ;)

    Achei algumas partes do documentário “Uma história Severina” no Youtube, acho que já dá pra se ter uma boa idéia… É como digo, é sempre um tema delicado, é sempre algo complicado. Anencefalia é algo que sempre implica sofrimento…

    Mas a questão, a meu ver, é o que podemos fazer com esse sofrimento. Enfrentá-lo, encará-lo de frente, por mais difícil que seja… ou mascará-lo, fingir que o problema pode ser evitado, ou ao menos diminuído, se fingirmos que não há vida?…

    Sim, porque o aborto, geralmente, é justificado quando se finge que não há vida antes de nascer. Que só após o nascimento há morte.

    Numa cena forte do documentário, a mulher vê o corpo do filho com anencefalia recém-nascido, já morto, e chora. Severina repetia chorando, ao ver seu filho: “Ele tá morto!” E guarda uma foto dele no caixão, a única que tem… Em outra cena, o pai lamenta que a criança só teve um documento: a certidão de óbito. Já no caso de Mônica, uma amiga pessoal que também passou por essa situação, a filha Giovanna teve tanto certidão de óbito quanto de nascimento. Ela diz que, durante o pouco tempo que sua filha viveu, ela teve todos os direitos de uma cidadã… (contamos aqui o caso da Giovanna).

    Numa discussão no STF sobre esse assunto, uma feminista dizia que Severina nunca iria esquecer o caixão de seu filho, que a obrigaram a carregar. Um representante da CNBB, por sua vez, respondeu: “é melhor um caixão que uma lata de lixo”.

    Este é o ponto, a meu ver. Se a morte é “inevitável” (se bem, que como disse um ministro, ela sempre o é, para todos nós, mais cedo ou mais tarde), será que apressar a morte desse bebê é mesmo a solução?…

    Sim, pois só morre o que está vivo. Se a criança, mesmo anencéfala, ganha certidão de óbito e um caixão ao morrer depois do parto, porque merece uma lata de lixo ao ser morta antes mesmo de nascer? Qual a diferença?…

    Me assusta também a certeza com que um ministro afirmou que um bebê com anencefalia não é “alguém”, mas “algo”… Ao contrário do que se diz, as pesquisas sobre a consciência de um bebê anencéfalo não é nada consensual. A Wikipédia fala um pouco sobre o caso impressionante da Marcela, que viveu quase 2 anos. Falamos mais sobre o assunto em outros posts, também.

    Sugiro também este interessante vídeo onde a Dra. Lenise Garcia, doutora em microbiologia pela Unifesp, explica melhor sobre a anencefalia e porque o diagnóstico varia tanto – indo de bebês que morrem logo até casos raros, mas não menos importantes, de “longa” sobrevida como a da Marcela.

    Bem, em resumo é esta minha opinião…. apesar de ainda poder dizer bastante coisa a respeito… rs.. Qualquer coisa, é só perguntar!

    Grande abraço, e obrigado pela visita!!

    Gabriel.

  8. Karina’s avatar

    Oi, Daniel! Nunca passei pelo diagnóstico de anencefalia, nem tive alguém próximo que passou pela situação. Meu bebê não teve diagnóstico de doença, mas para os abortistas, antes mesmo de qualquer diagnóstico médico, a vida de meu filho já poderia ser descartada, posto que veio de forma inesperada. Por ser “indesejado”, eu poderia odiá-lo a ponto de lutar por sua morte (é isso que os abortistas querem que as mães façam com seus filhos).

    Porém, acho que minha pouca experiência como mãe, como pessoa e, também, como cristã, só me permite dizer uma única coisa: uma pessoa doente merece amor e respeito e, no caso de um bebê com anencefalia, acredito que ele merece receber amor durante o tempo de vida que Deus lhe der (afinal de contas, todos nós estamos aqui pelo tempo que Deus quiser).

    Para não dizer que não olhei o lado das Severinas (ou Mônicas), como disse, sou mãe, e meu coração me diz, ainda que não tenha passado por isso: “Ame seu filho. Não importa se ele tem 10 dias de concebido ou 10 anos de vida. Não importa se ele tem olhos azuis ou se não tem olhos de ver. Não importa se ele chegará aos 100 anos ou aos 100 dias de vida. Não importa se esses 100 dias sejam ainda dentro do ventre.”

    Tenho, ainda, outro pensamento a respeito do tema. A mãe (e o pai) que passa pelo diagnóstico de anencefalia, ou de qualquer outra doença, merece um acompanhamento médico digno, que seja, médicos que os respeitem enquanto pais e que respeitem seus bebês como gente.

    Digo isso porque, quando descobri que estava grávida, senti na pele como alguns obstetras tratam grávidas e bebês como mercadorias e, para eles sim, um bebê anencéfalo, com síndrome de Down ou qualquer outra doença, não é uma pessoa, e o melhor para a mãe seria “devolver” a mercadoria defeituosa.

    Desculpem as palavras duras, mas é por isso que alguns casais recorrem à justiça, não por falta de amor a seus filhos, mas por pressão e tratamento desumano dos médicos e de muitos que se dizem zelosos pela saúde da família.

  9. PETRONIO PEREIRA’s avatar

    Bom antes de tudo quero parabenizar a mãe de Marcela por ter tido essa coragem de ter a Marcela nessas condições um feto anencéfalo, eu assiste o documetário flores de Marcela e fiquei bem comovido, mas tirando esse lado emocional temos que levar em conta que é bem subjetivo esse tema de aborto de feto anencéfalo deveria ficar a disposição da mãe se continuar ou não com essa gravidez, já que todos nós sabemos que o nosso sistema de saúde é bem precario e não oferece nenhum suporte para essas mães, e ainda mais o que seria um momento de alegria acaba se tornando um momento de angustia já que não se sabe se vai nascer vivo ou morto a criança, todo aquele momento de comprar berço fazer planos escolha de um nome é subistituido por pura angustia e incerteza e o que nenhuma mulher merece passar por essa tristeza profunda………………

  10. Gabriel Resgala’s avatar

    Olá Petronio! Primeiramente, desculpe a demora em responder…

    Bem, a meu ver a defesa da vida de bebês com anencefalia não é somente “algo emocional”. Não é subjetivo, há uma série de argumentos lógicos, científicos, éticos, que devem ser considerados. Sugiro que dê uma olhada nos seguintes textos, onde debatemos melhor a questão:

    http://vivopelavida.com.br/2009/07/14/anencefalia-o-homem-e-o-monstro/
    http://vivopelavida.com.br/2009/09/28/anencefalia-nascimento-ou-obito/

    No mais, creio que, se o Sistema de Saúde não tem condições de dar sustento à vida, ele não deve, muito menos, dar sustento à morte…

    Grande abraço!

  11. Saulo Salviano Silva’s avatar

    Corroborando com Gabriel, sugiro que o Sr Petrônio Pereira procure pelo vídeo “Quantos eu te amo… poderia dizer em 15 minutos”, pois é bem objetivo sobre qual o interesse em formalizar a liberação do aborto por esse viés (anencefalia, como justificativa).
    O outro vídeo que sugiro, este deve ser bem procurado em locadora, pois é antigo, é “Terra Fria”. Neste dá para se entender, ou melhor, sentir por quais direitos a mulher buscava. E como há uma grande discrepância entre esta busca e o que as feministas defendem hoje em dia.

    Um abraço e bom proveito!