Ateu é contra aborto?

universo

Como está sendo, disparadíssimo, o assunto mais bombante de toda a (curta) história deste blog, falemos mais de aborto! No nosso último vídeo, mencionamos que um dos maiores militantes pró-vida, o Dr Bernard Nathanson, começou sua atuação contra o aborto ainda sem seguir nenhuma religião. Na época ele se declarava ateu. Seria uma grande excessão, já que um dos maiores argumentos dos defensores do aborto é de que a religião não pode interferir na sociedade, que é questão de fé dizer que a vida começa na concepção e tal?…

Pois uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 2007 mostra que a esmagadora maioria (82%) das pessoas sem-religião (categoria que inclui os ateus) do país são contrárias à legalização do aborto.  Na verdade, conheço ateus que são veementemente contra, apenas não se expõem tanto na causa como os cristãos. Não sei, sinceramente, por quê.

Sem-religião (incluindo ateus) são contra aborto. Clique para ampliar.

Detalhe da pesquisa: sem-religião são contra aborto. (Clique p/ ampliar).

Pois, numa dessas andanças pela internet, encontrei um post interessante no famoso blog Liberal Libertário Libertino. O autor, Alex Castro, considera-se ateu, mas diz que nada é mais “chato e ilógico” que um ateu militante.  Embora tenha lá suas crenças meio ingênuas em relação à religiosidade (como acreditar que religiosos tenham QI mais baixo… aff!!), o cara parece não ter medo de questionar alguns lugares-comuns das clássicas cartilhas anti-religião, como por exemplo achar que “ser contra o aborto é coisa de religioso dogmático” (no pior sentido do termo). Ou melhor, não tem tanto medo, pois a certa altura da argumentação ele confessa que teme continuar com o próprio raciocínio, por receio de acabar concordando “com uma das piores escórias da terra, a ultra-direita radical religiosa”…

Nós também abominamos o radicalismo, Alex. Seja ele cristão, ateu, de direita, esquerda, centro… Mas acreditamos que não há como negar as conclusões importantes que às vezes vêm da boca até de um ultra-radical. Seria um preconceito contra eles. Aliás, acho que o pior preconceito é quando a gente mesmo vai chegando a alguma conclusão, e de repente pensa: “vixe, não posso pensar assim, isso é coisa ‘daquele’ tipo de gente”…

Mas ele continua. Vai questionando aquela convenção social e jurídica, que muitas vezes tomamos como óbvia, do nascimento como o momento segundo o qual “passamos a existir”. É aquela coisa: na verdade, o debate é sobre quando começamos a ter direito à vida, já ninguém com um mínimo de QI (e honestidade) é doido de negar que embrião é um ser pertencente à espécie humana, biologicamente distinto de qualquer outro. Para a ciência “pura”, não há dúvida alguma. A questão é filosófica.

Pois este sujeito chamou a atenção para um ponto interessante: se há mesmo essa dúvida, qual risco deveríamos correr? Ir contra a liberdade, ou contra a vida?

Nós temos nossas respostas, mas por hora vou deixar vocês com alguns trechos do texto do Alex Castro. Para refletir… (os grifos são meus).

alex-castro“Nasci às 9:45hs do dia 16 de fevereiro de 1974. Mas sério, o que foi que houve assim de tão fantástico nesse momento? O que foi que mudou? (…) Às 15:30hs de 15 de fevereiro de 1974, eu fazia praticamente as mesmas coisas que eu fazia às 15:30hs de 16 de fevereiro.”

“Se alguém me matasse hoje, ou se alguém tivesse me matado em agosto de 1973, quando eu tinha três meses de concebido, também daria, na prática, rigorosamente no mesmo. (…) A diferença é que o primeiro assassinato me permitiu, pelo menos, 30 anos e duas semanas de vida. O segundo, nem isso.”

“A questão do aborto é uma das mais polêmicas da nossa época. Talvez seja a questão que vai definir o nosso tempo. Sempre que encontro um brasileiro do século XIX, eu me me pergunto: será que ele era contra ou a favor da escravidão? Como será que ele se posicionou?”

“Quase todos os meus amigos, liberais, seculares, cosmopolitas, politicamente corretos e prafrentex, são a favor do aborto por princípio e por agremiação. Dizem que é só um procedimento médico e pronto. Como se impedir uma pessoa de existir fosse equivalente a arrancar um dente para impedi-lo de apodrecer. Simplesmente se negam a considerar qualquer aspecto filosófico da coisa. Eu os respeitaria mais se tivessem a coragem de encarar esse aspecto e rejeitá-lo. Mas não. Acho que têm medo das implicações de andar por esse caminho.”

“Ninguém defende mais a liberdade do que eu. Mas acho que a ninguém deve ter a liberdade de matar ou impedir outra pessoa de existir. Se ainda existe um debate científico válido sobre o que é vida e quando ela de fato começa, então acho que devíamos errar em favor da vida, não em favor da escolha. Pelo menos, por enquanto.”

Feto“Só há um único argumento nessa história que considero absolutamente imbecil, mesquinho, indefensável e chauvinista: dizer que homem não tem nada a ver com isso. (…) Senão, daqui a pouco vão dizer que um homicídio cometido por mulher, cuja vítima seja mulher, não pode ser investigado por um homem.”

Ele foge de tentar fechar a questão, mas dá claros indícios de que considera um assunto bem mais complexo e importante do que se diz por aí. É questão de existência, e isso vai além de ser direitista, religioso ou do sexo masculino. É questão de princípios.

E arremata: “acho que devíamos errar em favor da vida, não em favor da escolha”. Pois foi com esse pensamento que eu comecei essa luta toda pela vida. E, a cada dia, chego mais à conclusão de que, na verdade, estamos acertando.

Mas se o que te resta, leitor, após tudo isso, é somente uma dúvida, não tenha medo de parecer conservador, reacionário ou o que quer que seja. Seja fiel aos seus princípios! Na dúvida, não mate, e não colabore com a morte. Sempre há uma solução.

Tem de haver!

Feto segurando a mão do médico

PS: Como o texto que citei é de 2004, dei uma olhada em algumas postagens mais recentes do blog do Alex, para ver se ele havia mudado de idéia sobre o tema. Pelo visto, não. Se se interessar, dê uma olhada na introdução e nas três historinhas (“O Anti-aborto preventivo”, “O Aborto Retroativo” e “O Aborto Compulsório”) que ele escreveu no ano passado. Pode ser interessante – é claro, se você gosta de humor irônico e não se ofende fácil com tiradas anti-religiosas…

Gostou? Veja também:

  1. PT puniu deputados contrários ao aborto
  2. Zilda Arns: “O aborto é um retrocesso à Saúde Pública”
  3. Aborto – IMPORTANTE!

Tags: , , ,

1 Comentário, Clique aqui para comentar!

Feed dos comentários