
Tem noite que é difícil. Tem gente que acha que sou um ser noturno; bobagem. Noturno é o meu amigo de orkut Maurício de Souza, que tá sempre online nas altas madrugadas e ainda consegue fazer a Turma da Mônica ir dominando o mundo aos poucos (tão indo até pra China, a Disney que se cuide!). Uma vez não resisti, mandei um scrap pra ele perguntando se ficar acordado à noite era “mal dos gênios”. Ele respondeu no outro dia mesmo, brincando e explicando que “à noite os pensamentos fluem mais rápido, sem interrupções”. Obviamente dei uma printscremcada e guardei pra mostrar pra todo mundo que acha os meus horários esquisitos. Dá uma olhada. Melhor que qualquer autógrafo, fala a verdade.
Mas eu sei lá se sou noturno. O que eu passo à noite é doido, é algo que só entrando na minha cachola pra entender. É meu. Bom ou mau, sei lá, só sei que no momento isso faz parte de mim. Talvez amanhã não mais. Quem sabe.
Mas hoje levantei cedo. Mais um dia, após mais uma noite. A roupa entulhada num canto do quarto, a bagunça diagnosticando pouco ânimo. Lembrei de pegar o cesto, lavar um pouco a roupa suja. No caminho passei em frente à escada que dá pro terraço, olhei pra cima. Por entre as telhas transparentes, o céu parecia limpo, me convidando pra uma olhadinha de bom-dia. Ok, vamos lá. Espera só eu botar a lavadora pra funcionar…
Subi, com uma habilidade digna de nós, primatas, a escada mais íngreme que já vi na vida. Por motivos estruturais, a esca(la)da que dá pro terraço aqui de casa ganha até daquelas de torre de Igreja, em termos de inclinação. Sério! Mas com o tempo a gente perde o medo e ganha agilidade. O que importa é chegar lá em cima, e hoje valeu a pena. Quando cheguei o sol tava despontando no morro em frente.
O apartamento é minúsculo, antigo, muito mal dividido, mas tem uma vista que compensa tudo. Nada de extraordinário: uma pracinha de bairro com árvores gigantes e o morro do Imperador ao fundo. Vejo essa cena milhares de vezes por dia, da janela do quarto. Mas hoje vi algo que, ao que me lembre, não tinha ainda contemplado nesses 6 anos morando aqui…

O céu tava completissimamente azul, daqueles que te fazem até conseguir ter uma noção, ainda que vaga, do tal conceito de infinito. O morro, com aquela mata atlântica toda (sei lá se é reflorestada, mas é legal às pampa ver tanto mato numa cidade de meio milhão de habitantes), tava amarelando. Metade tava com aquela cor de gema de ovo, enquanto o resto do verde esperava pra sentir a luz mais uma vez. Aqui em Minas o sol não nasce, vai desentocando aos poucos. De modo que, ao contrário lá das Gerais e de boa parte do Brasil, quem mora em cidade-vale como eu costuma ver os raios chegarem primeiro que o dono deles. Pra ver o parto do bicho de verdade, só subindo alto.
Mas eu, aqui embaixo, pensei que ia demorar pra ele chegar na pracinha. Tava me contentando com o amarelão lá em cima no morro, e a pracinha acordando com os passarinhos-cantantes-da-manhã e um macaquinho pulando de galho em galho (há quanto tempo eu não via esse simpático vizinho!), quando de repente noto que ele vai crescendo, tomando os prédios em volta, e de repente… Voilá. Num instante entendi porque tem tanto esse negócio do Sol ser o deus supremo, o astro rei, da relação da luz do Sol com a vida e tal. As árvores da praça, a poucos metros do meu nariz, pareciam ganhar vida, ganhar alma. É como se tivessem ligado as folhas naqueles interruptores que fazem as lâmpadas irem acendendo aos poucos, sabe? As cores se transformando gradativamente, até em poucos segundos passarem do verde fosco ao amarelo ouro, brilhante. Lindão.
Um fenômeno banal, rotineiro. Não acontece todo dia, mas é mais do que natural nessa época do ano: o sol raiando num céu limpo desponta e ilumina as árvores. Nada mais normal, não dá nem pra foto de papel de parede do Windows.
Simples. Mas simplesmente sensacional.

Tenham um ótimo dia vocês também!
PS: Sim, eu tava sumidão daqui… Digamos que passei um período de “abstinência forçada” de computador (e conseqüentemente de internet), devido à boa vontade daqueles “japoneses mais criativos que os japoneses dos outros” em enviar uma simples peça pra assistência técnica…. Além de outras coisitas más… Mas voltei, renovado. E ow… muito bom voltar!


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