abril 2009

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gravida-negra

Com forte aparato policial para vigiar ostensivamente possíveis “manifestações contrárias”, foi lançado nesta segunda-feira, no Rio, o documentário O Fim do Silêncio, que apresenta depoimentos de mulheres que fizeram aborto com o objetivo de promover a descriminalização do mesmo (veja aqui o trailer).

O filme é financiado pelo Governo Federal através da Fundação Fiocruz, ou seja, utiliza dinheiro público para divulgar sua ideologia. Segundo reportagem do jornal O Globo, a única exigência da Fiocruz foi incluir, nos extras do DVD, os comentários de especialistas contrários e favoráveis ao aborto que foram excluídos da edição final do filme, exibida nos cinemas.

A novidade deste documentário seria mostrar a “cara” de mulheres que praticaram aborto há mais de 5 anos, prazo em que o crime “expira”, não podendo mais serem condenadas pelo que fizeram (embora possa ser suscitada a existência de apologia ao crime, já que estariam defendendo um delito previsto no Código Penal). Sem restrição alguma, serão distribuídas gratuitamente duas mil cópias do filme para escolas e entidades feministas de todo o país.

Pois, em uma entrevista à TV Canção Nova, o repórter perguntou à diretora, Thereza Jessouroun, se, além de focar a saúde das mulheres, ela em algum momento também pensara na “saúde” das crianças no ventre delas. “É… olha só… é uma questão… Não é que eu não pense na saúde das… dos… das crianças, não é isso… Eu estou falando sobre o aborto. É outro tema – ela respondeu, claramente apreensiva.

Como a reportagem foi editada, enviamos um e-mail à cineasta, perguntando se ela teria algo a acrescentar em relação à sua “explicação” que foi divulgada. Ainda não obtivemos resposta, mas receio, com sincero pesar, que na verdade não haja uma resposta satisfatória – nem ao menos lógica…

Digo isso porque o documentário parece claramente abordar a questão a partir da ótica feminista. Feminismo, que fique bem claro, das “novas ondas”, surgidas a partir dos anos 60, quando algumas militantes decidiram que não era só necessário lutar a favor dos direitos igualitários para as mulheres, mas também pelo aborto, enquadrado no conceito de “direito ao próprio corpo”. O lamentável é terem esquecido uma lição básica de matemática: um (corpo) mais um (corpo) é igual a dois (corpos). Eu, que eu saiba, nunca fiz parte do corpo da minha mãe.

Tenho amigas feministas, apóio com fervor várias de suas causas. Mas, até hoje, confesso que ninguém conseguiu me explicar o porquê de, neste caso, usar um argumento tão… falso. Nunca vi, pelo menos no Brasil (parece que lá fora elas já abrem mais o jogo), uma feminista que tivesse coragem de abordar diretamente esse assunto, sem fugir pela tangente de que “não é o caso de entrar na questão do início da vida” (se essa questão filosófica fundamental não serve pro caso do aborto, fico imaginando pra quê ela serve…). Uma vez, num debate sobre o tema (tá no youtube, pra quem quiser ver), tentei perguntar a uma militante pró-legalização por que elas insistiam em falar sobre o tal “direito ao próprio corpo”, quando na verdade todos sabem que é outro corpo (até o mais materialista dos biólogos). Ela não entendeu muito bem, se enrolou e só conseguiu dizer, de forma semelhante à Jessouroun: “não é que a gente não defenda a vida das crianças…” (sem logicamente explicar em quê consistia essa defesa). E abriu caminho pra outra debatedora, contrária ao aborto, soltar depois: “o corpo da mulher não é formado de ‘cabeça, tronco, membros e criança’, não!…”. Óbvio.

Por isso, resolvemos dar nosso grito de BASTA!”. Basta do aborto ser tratado como discussão pequena. Basta de ignorar argumentos importantíssimos, só por serem supostamente defendidos por “religiosos”. Basta de nem sequer pensar em como responder dignamente a uma pergunta óbvia, a primeira que deveria ser feita em todos os debates sobre o tema.

O aborto clandestino é um problema grave de saúde e de segurança pública? Sim, e por isso precisa ser sanado.

Há graves problemas sociais e educacionais que geram a gravidez indesejada e, por fim, o aborto? Sim. E por isso precisamos pensar em como prevenir esses problemas.

A desinformação e/ou o desespero muitas vezes levam mulheres a praticarem o aborto, sem intenção alguma de cometerem um crime? É claro! Por isso os juízes nem sempre as botam na cadeia.

Há quem questione o momento de início do direito à vida? Pode até ser. Mas não significa que não haja uma resposta. No mínimo, estaríamos “correndo o risco” de matar vidas inocentes. No máximo, as estaríamos matando por acreditar em conceitos determinados unicamente por interesses. Ou você acredita na bondade suprema das organizações internacionais que vivem pressionando todos os países para que aprovem o aborto?

Pense como quiser, argumente como quiser. O que não dá é pra ficar omitindo o óbvio. Um mais um é igual a dois.

Pé bebê barriga

Goste ou não do dois.

UPDATE (08/10/09): Veja também o nosso vídeo “Fim do Silêncio ou Grito Silencioso II“, que levanta algumas questões de dois documentários de nomes bem singulares…

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Crescer

Crescer significa mudar e mudar envolve riscos, uma passagem do conhecido para o desconhecido.

Autor desconhecido

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Árvores

Tem noite que é difícil. Tem gente que acha que sou um ser noturno; bobagem. Noturno é o meu amigo de orkut Maurício de Souza, que tá sempre online nas altas madrugadas e ainda consegue fazer a Turma da Mônica ir dominando o mundo aos poucos (tão indo até pra China, a Disney que se cuide!). Uma vez não resisti, mandei um scrap pra ele perguntando se ficar acordado à noite era “mal dos gênios”. Ele respondeu no outro dia mesmo, brincando e explicando que “à noite os pensamentos fluem mais rápido, sem interrupções”. Obviamente dei uma printscremcada e guardei pra mostrar pra todo mundo que acha os meus horários esquisitos. Dá uma olhada. Melhor que qualquer autógrafo, fala a verdade.

Mas eu sei lá se sou noturno. O que eu passo à noite é doido, é algo que só entrando na minha cachola pra entender. É meu. Bom ou mau, sei lá, só sei que no momento isso faz parte de mim. Talvez amanhã não mais. Quem sabe.

Mas hoje levantei cedo. Mais um dia, após mais uma noite. A roupa entulhada num canto do quarto, a bagunça diagnosticando pouco ânimo. Lembrei de pegar o cesto, lavar um pouco a roupa suja. No caminho passei em frente à escada que dá pro terraço, olhei pra cima. Por entre as telhas transparentes, o céu parecia limpo, me convidando pra uma olhadinha de bom-dia. Ok, vamos lá. Espera só eu botar a lavadora pra funcionar…

Subi, com uma habilidade digna de nós, primatas, a escada mais íngreme que já vi na vida. Por motivos estruturais, a esca(la)da que dá pro terraço aqui de casa ganha até daquelas de torre de Igreja, em termos de inclinação. Sério! Mas com o tempo a gente perde o medo e ganha agilidade. O que importa é chegar lá em cima, e hoje valeu a pena. Quando cheguei o sol tava despontando no morro em frente.

O apartamento é minúsculo, antigo, muito mal dividido, mas tem uma vista que compensa tudo. Nada de extraordinário: uma pracinha de bairro com árvores gigantes e o morro do Imperador ao fundo. Vejo essa cena milhares de vezes por dia, da janela do quarto. Mas hoje vi algo que, ao que me lembre, não tinha ainda contemplado nesses 6 anos morando aqui…

Céu azul

O céu tava completissimamente azul, daqueles que te fazem até conseguir ter uma noção, ainda que vaga, do tal conceito de infinito. O morro, com aquela mata atlântica toda (sei lá se é reflorestada, mas é legal às pampa ver tanto mato numa cidade de meio milhão de habitantes), tava amarelando. Metade tava com aquela cor de gema de ovo, enquanto o resto do verde esperava pra sentir a luz mais uma vez. Aqui em Minas o sol não nasce, vai desentocando aos poucos. De modo que, ao contrário lá das Gerais e de boa parte do Brasil, quem mora em cidade-vale como eu costuma ver os raios chegarem primeiro que o dono deles. Pra ver o parto do bicho de verdade, só subindo alto.

Mas eu, aqui embaixo, pensei que ia demorar pra ele chegar na pracinha. Tava me contentando com o amarelão lá em cima no morro, e a pracinha acordando com os passarinhos-cantantes-da-manhã e um macaquinho pulando de galho em galho (há quanto tempo eu não via esse simpático vizinho!), quando de repente noto que ele vai crescendo, tomando os prédios em volta, e de repente… Voilá. Num instante entendi porque tem tanto esse negócio do Sol ser o deus supremo, o astro rei, da relação da luz do Sol com a vida e tal. As árvores da praça, a poucos metros do meu nariz, pareciam ganhar vida, ganhar alma. É como se tivessem ligado as folhas naqueles interruptores que fazem as lâmpadas irem acendendo aos poucos, sabe? As cores se transformando gradativamente, até em poucos segundos passarem do verde fosco ao amarelo ouro, brilhante. Lindão.

Um fenômeno banal, rotineiro. Não acontece todo dia, mas é mais do que natural nessa época do ano: o sol raiando num céu limpo desponta e ilumina as árvores. Nada mais normal, não dá nem pra foto de papel de parede do Windows.

Simples. Mas simplesmente sensacional.

Sol

Tenham um ótimo dia vocês também!


PS: Sim, eu tava sumidão daqui… Digamos que passei um período de “abstinência forçada” de computador (e conseqüentemente de internet), devido à boa vontade daqueles “japoneses mais criativos que os japoneses dos outros” em enviar uma simples peça pra assistência técnica…. Além de outras coisitas más… Mas voltei, renovado. E ow… muito bom voltar!

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“Uma revista francesa foi processada pela associação dos astrólogos porque publicou uma matéria dizendo que astrologia não servia para nada. Para se defender, fez uma pesquisa com milhares de pessoas e chegou à conclusão de que astrologia não tem, mesmo, influência nenhuma sobre absolutamente nada, a não ser em uma característica: as crianças nascidas sob os signos de Capricórnio, Aquário e Peixes têm Q.I. mais elevado. Foram então investigar o porquê e chegaram à conclusão de que quem nasce sob esses signos, por lá, nasce no inverno, época em que os pais saem menos de casa e na qual o nenê tem a presença dos pais durante mais tempo. Essa presença, mesmo numa idade tão tenra, é estimulante a ponto de determinar o nível de inteligência que ela terá no futuro.”.

Pierluigi Piazzi

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“Não existe pior dogma que o dogma da Ciência”

Émile Durkheim

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Mesmo as noites completamente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.

Martin Luther King Junior

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atse

Ah, minha alma, prepare-se para encontrar Aquele que sabe fazer perguntas.

T. S. Eliot

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kafka
Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Devido à impaciência, fomos expulsos do Paraíso; devido à impaciência, não podemos voltar.

Franz Kafka

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Depois de algum tempo sem internet, sem computador e sem muitas outras coisas… estou de volta ao Vivo Pela Vida….

Hoje, gostaria de lhes apresentar uma cantora sensacional! Na verdade, esse post vai incluir somente uma canção sensacional

Nina Simone! Só ao citar esse nome, poderíamos dizer muitas coisas. Mas o que interessa hoje é pensar em uma de suas mais famosas canções: “Ain’t Got No/ I got Life”. Essa música foi um dos hinos da luta contra a segregação racial nos EUA, e qual Nina Simone participou ativamente dessa luta.

Todas as vezes que eu escuto essa música ela me faz lembrar da luta pela vida… escutem:

Nina Simone – Ain’t Got No/ I got Life

Ain’t Got No / I Got Life
(tradução)

Não tenho casa, não tenho sapatos
Não tenho dinheiro, não tenho classe
Não tenho roupa, não tenho suéteres
Não tenho fé, não tenho barba
Não tenho mente

Não tenho mãe, não tenho cultura
Não tenho amigos, não tenho escolaridade
Não tenho nome, não tenho amor
Não tenho passagem, não tenho ficha telefônica
Não tenho Deus

O que eu tenho?
Porque eu estou viva?
Sim, o que eu tenho?
Ninguém pode se livrar disso

Tenho meu cabelo, tenho minha cabeça
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas
Tenho meus olhos, tenho meu nariz
Tenho minha boca, tenho meu sorriso

Tenho minha língua, tenho meu queixo
Tenho meu pescoço, tenho meus seios
Tenho meu coração, tenho minha alma
Tenho minhas costas, tenho meu sexo

Tenho meus braços, tenho minhas mãos
Tenho meus dedos, tenho minhas pernas
Tenho meus pés, tenho meus dedos dos pés
Tenho meu fígado, tenho meu sangue

Tenho vida, tenho minha liberdade
Tenho a vida

Tenho uma dor de cabeça e dor de dente
Momentos ruins como você
Tenho meu cabelo, tenho minha cabeça
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas
Tenho meus olhos, tenho meu nariz
Tenho minha boca, tenho meu sorriso

Tenho minha língua, tenho meu queixo
Tenho meu pescoço, tenho meus seios
Tenho meu coração, tenho minha alma
Tenho minhas costas, tenho meu sexo

Tenho meus braços, tenho minhas mãos
Tenho meus dedos, tenho minhas pernas
Tenho meus pés, tenho meus dedos dos pés
Tenho meu fígado, tenho meu sangue

Tenho vida, tenho minha liberdade
Tenho a vida, vou conservar isso
Tenho a vida, vou conservar isso

De tempos em tempos vemos vemos pessoas querendo cercear o direito de outras… Tentam tirar nossas casas, dinheiro, classe, roupas, fé, mente, mães, cultura, amigos, escolaridade, nome, amor, comunicação, Deus.

Mas tem algo que não podem tirar: nossas vidas. Infelizmente em nossos tempos, até isso querem tirar.

E nós? o que faremos diante disto? Será que vamos esperar que nos tirem mais?

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Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder

Martin Luther King Junior

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