20/03/2009

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Hoje, não sei exatamente o porquê, lembrei dessa frase que marcou minha vida durante bastante tempo: “Meninos, cuidado com os baobás!pequeno_princepe

Bom, para quem não conhece é uma das muitas máximas sensacionais de “Antoine de Saint-Exupéry” que está presente no livro “O Pequeno Príncepe“.

Recomendo que leiam, foi o primeiro livro que eu me lembro de ter lido e toda vez que releio, releio também a minha vida. E vivo um pouco mais.

Ok, Ok… Sei que é o livro número um de cabeceira das misses (pelo menos das de antigamente, que desfilavam de maiô), e  que sempre tem alguém insistente que nos obriga a lê-lo como se fosse um livrinho infantil normal, com metáforas simples como as de Chapeuzinho Vermelho, acessíveis a qualquer criança de 7 anos (se bem que até sobre a “inocente” historinha da menininha de vermelho há quem discorde das interpretações mais simplistas…). Mas enfim, retirados os pré-conceitos, ao lermos com calma descobrimos por que a história do principezinho de um planetinha solitário (e do avidor terráqueo solitário) se tornou um dos maiores clássicos da literatura mundial…

Abaixo, está um trecho do livro, para que vocês também possam tomar cuidado com os baobás de suas vidas.

“Dia a dia eu ficava sabendo mais alguma coisa do Planeta, da partida, da viagem.

Mas isso devagarinho, ao acaso das reflexões. Foi assim que vim a conhecer, no terceiro dia, o drama dos baobás.

Dessa vez ainda, foi graças ao carneiro. Pois bruscamente o principezinho me interrogou, tomado de grave dúvida:

- É verdade que os carneiros comem arbustos?

- Sim. É verdade.

- Ah! Que bom!

Não compreendi logo porque era tão importante que os carneiros comessem arbustos. Mas o principezinho acrescentou:

- Por conseguinte eles comem também os baobás?

Fiz notar ao principezinho que os baobás não são arbustos, mas árvores grandes como igrejas. E que mesmo que ele levasse consigo todo um rebanho de elefantes, eles não chegariam a dar cabo de um único baobá.

A idéia de um rebanho de elefantes fez rir ao principezinho:

- Seria preciso botar um por cima do outro …

Mas notou, em seguida, sabiamente:

- Os baobás, antes de crescer, são pequenos.

- É fato ! Mas por que desejas tu que os carneiros comam os baobás pequenos?

- Por que haveria de ser? respondeu-me, como se se tratasse de uma evidência. E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema.

Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galinho. Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.

Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobá … O solo do planeta estava infestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes.

E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.

‘É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho. Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distinguam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução.’

E um dia aconselhou-me a tentar um belo desenho que fizesse essas coisas entrarem de uma vez na cabeça das crianças. ‘Se algum dia tiverem de viajar, explicou-me, poderá ser útil para elas. Às vezes não há inconveniente em deixar um trabalho para mais tarde. Mas, quando se trata de baobá, é sempre uma catástrofe. Conheci um planeta habitado por um preguiçoso. Havia deixado três arbustos. . .

E, de acordo com as indicações do principezinho, desenhei o tal planeta. Não gosto de tomar o tom de moralista.

baobas

Mas o perigo dos baobás é tão pouco conhecido, e tão grandes os riscos daquele que se perdesse num asteróide, que, ao menos uma vez, faço exceção à minha reserva. E digo portanto: “Meninos! Cuidado com os baobás!” Foi para advertir meus amigos de um perigo que há tanto tempo os ameaçava, como a mim, sem que pudéssemos suspeitar, que tanto caprichei naquele desenho. A lição que eu dava valia a pena. Perguntarão, talvez: Por que não há nesse livro outros desenhos tão grandiosos como o desenho dos baobás? A resposta é simples: Tentei, mas não consegui.

Quando desenhei os baobás, estava inteiramente possuído pelo sentimento de urgência.”

É uma lição simples, mas daquelas que todos precisamos pensar. Sempre há um baobá na nossa vida, sempre há um arbusto plantado, mas do qual não nos damos conta. Aparentemente inofensivo, mas que ao crescer toma todo nosso planetinha – e aí já é tarde demais, será preciso uma manada de elefantes para arrancar.

Discurso de tia velha? Não, é só a vida mesmo.

E fico aqui pensando… tenho quantos baobás? E quais são seus nomes?

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“Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário”
Albert Einstein

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